9 de junho de 2026

Roberto Carlos, Carnaval e Cinzas

Durante o desfile da campeã do carnaval do Rio, Beija-Flor de Nilópolis, houve quem dissesse que era a primeira vez que Roberto Carlos cantava um samba. Porém, se esqueceram que Roberto, em 1967, participou do III Festival da Música Brasileira, interpretando “Maria Carnaval e Cinzas”.  É um belo samba de Luis Carlos Paraná, que, além de compositor, era famoso por ser o proprietário do Jogral, um bar que movimentou a noite paulistana da época e gerou a gravadora Jogral, embrião da espetacular “Discos Marcus Pereira”.

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Era a segunda participação de Luiz Carlos Paraná em um festival. “De paz e amor”, parceria dele com Adauto Santos, ficou em segundo lugar no ano de 1966, interpretada por Elza Soares.

A participação de Roberto Carlos no festival foi uma primeira aproximação do cantor da jovem guarda com a MPB tradicional. Roberto não foi muito bem recebido, o que é comprovado pelas críticas da época e pela reação do público, que se dividiu entre os aplausos e as vaias no primeiro vídeo.

 Porém, o que também se nota é uma bela, serena e afinada interpretação de Roberto, apesar de todo o barulho do público. A música ficou em quinto lugar no mega-festival, que teve a seguinte classificação final:

1) Ponteio (Edu Lobo/Capinam) – Edu Lobo, Marília Medalha & Quarteto Novo

2) Domingo no Parque (Gilberto Gil) – Gilberto Gil & Os Mutantes

3) Roda Viva (Chico Buarque) – Chico Buarque & MPB-4

4) Alegria, Alegria (Caetano Veloso) – Caetano Veloso & Beat Boys

5) Maria, Carnaval e Cinzas (Luis Carlos Paraná) – Roberto Carlos & O Grupo

Acho estranho que “Maria, Carnaval e Cinzas” não seja tão aclamada, hoje, quanto as quatro primeiras. A música é belíssima. A explicação estará no fato do intérprete não ter sido assimilado pela “MPB clássica”?

Para comparação, incluí mais um vídeo com uma gravação em estúdio do Roberto Carlos e a gravação de Adauto Santos no disco homenagem a Carlos Paraná.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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