Saudade da Panair, por Milton Nascimento

Por PAULO KAUTSCHER – SÃO GONÇALO – RJ

Saudade dos Aviões da Panair (Conversando num bar) >> Milton Nascimento

Lá vinha o bonde no sobe e desce ladeira

E o motorneiro parava a orquestra um minuto

Para me contar casos da campanha da Itália

E do tiro que ele não levou

Levei um susto imenso nas asas da Panair

Descobri que as coisas mudam e que tudo é pequeno nas asas da Panair

E lá vai menino xingando padre e pedra

E lá vai menino lambendo podre delícia

E lá vai menino senhor de todo o fruto

Sem nenhum pecado sem pavor

O medo em minha vida nasceu muito depois

descobri que minha arma é o que a memória guarda dos tempos da Panair

Nada de triste existe que não se esqueça

Alguém insiste e fala ao coração

Tudo de triste existe e não se esquece

Alguém insiste e fere o coração

Nada de novo existe nesse planeta

Que não se fale aqui na mesa de bar

E aquela briga e aquela fome de bola

E aquele tango e aquela dama da noite

E aquela mancha e a fala oculta

Que no fundo do quintal morreu

Morri a cada dia dos dias que eu vivi

Cerveja que tomo hoje é apenas em memória

Dos tempos da Panair

A primeira Coca- Cola foi me lembro bem agora

Nas asas da Panair

A maior das maravilhas foi voando sobre o mundo

nas asas da Panair

Em volta desta mesa velhos e moços

Lembrando o que já foi

Em volta dessa mesa existem outras falando tão igual

Em volta dessas mesas existe a rua

Vivendo seu normal

Em volta dessa rua uma cidade sonhando seus metais

Em volta da cidade

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