50 anos de golpe: o que faremos sobre isso em 2014?; por Miguel do Rosário

Sugerido por Assis Ribeiro
 
Do site Tijolaço
 
50 anos de golpe: o que faremos sobre isso em 2014?
 
29 de dezembro de 2013 | 07:38
 
Autor: Miguel do Rosário
 
Em 2014, o Brasil viverá a mais dolorosa efeméride de sua história: 50 anos do golpe de Estado.
 
O que está sendo preparado pelo governo, pelos partidos, pelas organizações civis e pela mídia para que o passado não seja esquecido?
 
A coincidência com ano eleitoral, Copa do Mundo, e prováveis protestos de rua, nos dá a chance de forçarmos o Brasil a fazer o que até hoje nunca fez: politizar o debate sobre o golpe de 64. Por que ele aconteceu? Quem se beneficiou? Quem são os herdeiros do golpe?
 
Seria um belíssimo presente à democracia brasileira, por exemplo, se a Lei da Anistia fosse revista. Não para prender velhinhos, mas para darmos uma satisfação política a nós mesmos, enquanto povo.
Não se anistia tortura. Não se anistia golpe.

 
Sobretudo, é preciso lembrar à sociedade que o que vivemos não foi nenhuma “ditabranda”. Vivemos um período de ruptura democrática, truculento e sinistro, que abortou o sonho de milhões de brasileiros. O golpe serviu para ampliar a desigualdade de renda, achatar o salário dos trabalhadores, e esmagar as esperanças de setores organizados de construir um país mais justo.
 
Não há nada de brando no esmagamento do sonho de centenas de milhões de cidadãos e na violação da normalidade democrática, com a instalação de um regime militar de exceção que, paulatinamente, aniquilou todas as liberdades no país.
 
Não há nada de brando na ruptura brutal de toda uma série de estudos e pesquisas acadêmicas e científicas em curso no país, nas universidades, quase todas abandonadas por causa de uma repressão estúpida e paranóica.
 
O Brasil, especialmente a nossa juventude, precisa ser melhor informado sobre o que aconteceu. A ditadura trouxe corrupção, miséria e degradação institucional. A origem do sucateamento dos serviços públicos está na ditadura. O problema da corrupção política também tem raízes no período de exceção, porque era um tempo sem liberdade de imprensa, sem instituições de controle e com chefes políticos exercendo cargos administrativos importantes de maneira quase totalitária. Quem ousaria acusar o diretor de uma estatal de corrupção, sendo o mesmo um coronel ou general com poder de mandar prender o acusador por “subversão”?
 
Precisamos conhecer melhor a história da construção do golpe. Como ele foi gestado, como foi a campanha midiática que o preparou? As passeatas que antecederam o golpe também merecem ser objeto de mais estudo, até porque a mídia, a mesma mídia que apoiou o golpe, prossegue até hoje tentando organizar protestos “espontâneos” para derrubar forças populares.

Luis Nassif

15 Comentários

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    1. Ditabranda?

      Edson pode não parecer mas voce tem rostinho de 18 aninhos!!!!  qual foi o presente do Papai Noel este ano? mais uns meses o coelhinho chega até vc com uns ovinhos.

        1. Nao adianta meu caro. O

          Nao adianta meu caro. O negocio aqui é desqualificar e nao argumentar. Mas por ultimo nem se lê o comentário se parecer contrario aos lunáticos e fanaticos vem porrada.

  1. “ditadura trouxe corrupção,

    “ditadura trouxe corrupção, miséria e degradação institucional.”

    Eu também penso da mesma forma que o blogueiro petista de “O Cafezinho” rsrs

    Em recente thread, eu disse em outro espaço que o regime militar fundou a corrupção e a improbidade administrativa no cenário político brasileiro recente. Vale dizer, o tipo de corrupção e de atos ilegais perpetrados por agentes do Estado durante o regime militar ganhou uma conotação ampla e irrestrita que antes não existia.

    Não precisa nem recorrer aos cargos diretamente exercidos por militares. Basta pensar numa estrutura viciada como a que permitia a existência de figuras grotescas como prefeitos e governadores biônicos.

    Isso era um passe livre para a arbitrariedade e para o assalto aos cofres públicos.

    Muito disso ainda existe hoje em dia na política brasileira, ao menos termos políticos e culturais, apesar do sistema legal coibir os atos ilícitos e poder agir com uma independência que oficialmente, na prática, antes era inexistente.

    1. Corrupção sempre houve. No

      Corrupção sempre houve. No Governo JK foi gigantesca, por exemplo. Mas, por outro lado, fez-se grandes obras. Assim como no Governo Militar. Aliás, é algo bem impopular de se dizer, mas há quase que um trade off entre se fazer obras necessárias e rapidamente ou controlar mais de perto a corrupção. É muito dificil que seja diferente disso, pela própria natureza quase que artesanal da uma grande obra. 

      A ditadura militar foi um período politicamente nefasto e temos que cuidar sempre para que não se repita. Mas o País tem é que olhar para frente, para os desafios que temos e não são poucos. Ficar agora querendo fustigar milico velho que apoiou a ditadura não vai levar o País a lugar algum. 

  2. É preciso que se conheça a

    É preciso que se conheça a história do Brasil.

    É assim que até os dias de hoje os meios de informação ainda se referem às pessoas que resistiram ao golpe como subversivos, terroristas, agitadores da ordem, quando o “conhecimento” mundial democrático afirma  como um direito toda rebelião contra ditaduras e tiranias, considerando as ações contrárias como legítimas e como um dever do cidadão.

  3. Dramaturgos, cineastas, músicos e outros artistas, à luta compan

    Quem viveu os anos pré-golpe sabe melhor a diferença da democracia que tínhamos e do que conseguimos resgatar até os dias atuais. Para suprir a ausência dessa experimentação, pelas populações mais jovens, melhor que os textos literários são os ficcionais, as representações: o teatro, o cinema, os registros filmados, fotografados, de como era tudo antes e como passou a ser depois, e o que se deu, de fato, no período da ditadura, especificamente quanto à Educação e Cultura. Foi o fato de termos tido antes uma vida cultural relativamente rica que possibilitou alguma crítica e reação à ditadura, coisa que hoje se perdeu muito. Muita se deve falar de como era a TV no Brasil antes da Globo, será surpreendente para muitos a contribuição cultural que a TV deu e poderia ter dado não fosse o golpe. Explica porque as pessoas eram imbuídas de conhecimentos, cultura e princípios éticos e hoje aparacem esvaziadas. 

  4. Muito discurso e pouca ação


    Esse governo tem feito muito discurso e pouca ação. A primeira seria demitir os 3 chefes das forças armadas que diversas vezes assumiram que são filhotes da ditadura. Segundo. Nunca enfretaram de frente o problema, criaram uma comissão para “acumular” forças, no fundo morrem de medo dos ex-torturadores. Qual é o por quê de um PGR que nada faz contra esses torturadores? Dá para alguém entender? Meu tio nunca foi anistiado e o que a tal comissão da verdade fala?

    Vamos esperar um novo governo, com o sem Dilma (votei e voto nela) para alguém de coco roxo bater de frente com a milicada e por ela no seu devido lugar. O resto é conversa para boi tatá.

  5. Separar o joio do trigo

    “Não há nada de brando na ruptura brutal de toda uma série de estudos e pesquisas acadêmicas e científicas em curso no país, nas universidades, quase todas abandonadas por causa de uma repressão estúpida e paranóica.”

    A perversidade política do governo militar não pode ser impedimento para que não vejamos nada de positivo naqueles anos de chumbo e entre os impropérios incluamos falsidades históricas como a destacada acima. Na verdade, a ciência e a pesquisa no Brasil só começaram a ganhar força no governo militar. As nossas universidades quase só se dedicavam ao ensino. Eram estruturadas em cátedras, não havia o  regime de tempo integral para docentes nem cursos de pós-graduação formais. As grandes escolas (Medicina, Engenharia e Direito) dominavam inteiramente as universidades. Em 1968, foi feita a reforma universitária, que sobrevive até hoje, embora a meu ver já bastante caduca. A reforma impôs medidas há muito ansiadas pelos docentes progresistas: a estruturação das universidades em departamentos, o fim da cátedra, a criação de um ciclo básico focado nos fundamentos científicos e tecnológicos das diversas áreas, a criação de uma carreira universitária etc.

    Foi ao mesmo tempo criada a pós-graduação formal com um sistema de bolsas de estudo para os estudantes. No início, mestres eram formados no Brasil e enviados ao exterior para cursos de doutorado, nos anos 1970 cursos de doutorado foram criados em quase todo o território brasileiro. Para encorajar os jovens doutores  a optar pelo regime de tempo integral, em 1976 foram criadas as bolsas de pesquisa do CNPq. Os bolsistas eram classificados em 6 níveis, em avaliações por pares, num mesmo padrão nacional, e recebiam um adicional financeiro (na época bastante significativo) ao salário. Ser bolsista de um dado nível dava prestígio ao pesquisador que o valorizava na luta contra os setores conservadores.

    Os cursos de pós-graduação passaram a ser avaliados pela Capes, o que era essencial para manter a qualidade em um sistema que expandia muito rapidamente. Os cursos repetidamente mal avaliados eram descredenciados.

    Esse conjunto de inciativas acabou impondo-se como política de Estado, continuada nos governos democráticos pós-1985. O resultado foi fantástico. Nos anos 1960, a ciência e a pesquisa brasileira eram extremamente incipientes. Embora estatísticas confiáveis só existam para o período 1980 – 2012, estima-se que em 1964 o Brasil tivesse cerca de 200 pessoas com o título formal de doutor. Hoje temos cerca de 200 mil. A ciência brasileira cresceu por um fatr de mil!

    Se o Brasil tivesse, na mesma época, criado um programa semelhante para a educação em todos os níveis, hoje estaríamos com o nível educacional da Coréia, que partiu nos anos 1960 de um patamar inferior ao brasileiro.

  6. festas juninas

    Maria do Rosário, ao desfiar esse rosário de lágrimas pra restrito consumo blogomidiático, sabe muito bem que uma  bem- vinda revisão da Lei de Anistia não está na pauta política do PT.

    O único tipo de confronto que o PT assume é aquele permitido pelas regras do enfadonho joguinho eleitoral – arengas com serras , campos e aécios, por exemplo – , que são a matéria prima para os comentaristas do enxadrismo de elite (Alguém conhece o bordão : “Para entender o xadrez da política”).

    “Por que ele aconteceu? Quem se beneficiou? Quem são os herdeiros do golpe?”

    Dá uma olhada em quem realmente se beneficia com a Copa do Mundo e com as Olimpíadas. De repente Maria descobre alguma coincidência.

    “O problema da corrupção política também tem raízes no período de exceção”

    Sem dúvida, a corrupção é muitíssimo facilitada num regime ditatorial. Porém, dizer que tem  “raízes no período de exceção” é desinformar a juventude.

    Não começou com o Golpe de 64 – como quer Maria do Rosário – e nem surgiu com a assunção petista ao poder – como querem azevedos, merváis e madureiras. Uma historiografia da corrupção tupiniquim se confunde com a própria História do Brasil.

    Por outro lado, cuidado com as imagens florestais. Quando pensamos nas alianças, sempre pode vir a imagem de um ou outro ramo da ditadura que o PT enxertou pra sua  própria árvore  ganhar força – Sarney é epitomático.

    O parágrafo final denuncia o vero objetivo do rosário: exorcizar  as Festas Juninas.

     

  7. É sim importante discutir o

    É sim importante discutir o golpe com os jovens, aqueles mais sujeitos às manipulações. Os tais que vão a rua nas explosões das bombas semióticas, preciso e original conceito de analise do Wilson Ferreira.

    Ainda mais agora que tem uns roqueiros cinquentões, mesmo que em “decadance”, a vociverar besteiras inacreditavlemente desinformadas e rastaqueras. 

     

  8. Eu só acredito em lagrimas de

    Eu só acredito em lagrimas de gente que condena a ditadura Brasileira mas tambem o faça com a Cubana.

    Se ficar de chororô, e ao mesmo tempo abrir a boca para falar que em Cuba há um estado democratico , nao é um democrata coisa nenhuma, apenas um pelego desavergonhado que nao tem a decencia de exercer a tao necessaria honestidade ideologica

     

  9. O que vc fara ninguem sabe, e

    O que vc fara ninguem sabe, e de sua livre escolha, as Forças Armadas normalmente comemoram essa dta nos quarteis.

    Obviamente o Governo sendo da ala esquerda do PT nao vai tomar conhecimento da data, o que e compreensilvel.

    O fato e a Historia estao no passado, esta registrado e nada que se faça apaga a Historia.

    Essa psicose sobre o passado acometeu com os legitimistas de Luis XVIII que queriam apagar a Revoluçao Francesa dos anais, tentaram mas nao conseguiram, a revoluçao burguesa de Luis Felipe de Orleans respeitou a Revoluçao Francesa que foi finalmente resgatada na eleiçao para Presidente de Luis Napoleao . E lembre-se que a Revoluçao Francesa executou para mais de 20 mil franceses, a maioria na guilhotina, inclusive alguns de seus lideres.

    A questao do movimento de 1964 ja passou ao nivel de patologia, faça-se o balanço da epoca, isso e Historia, com enorme volume de realizaçoes positivas ao lado de graves erros politicos e de direitos humanos, o Governo Militar nao foi so repressao, fez entre muitas coisas:

    1.Criou a EMBRAER, e tornou o Brasil uma dos poucos paises do mundo que constroem avioes em escala comercial.

    2.Construiu ou ampliou  as 11 refinarias de petroleo ora em operaçao, sao essas que abastecem o Brasil.

    3.Iniciou a exploraçao de petroleo nas plataformas maritimas.

    4.Construiu todos os aeroportos internacionais do Pais.

    5.Construiu os metros de Sao Paulo e Rio

    6.Projetou e construiu mais da metade do parque hidroeletrico do pais, inclusive algumas da maiores usinas do mundo: Itaipu, Tucuri, Sobradinho, Rosana, Porto Primavera.

    7.Criou o BANCO CNETRAL.

    8.Criou a EMBRAPA e a pesquisa agricola de nivel  moderno no Brasil, a partir da qual o Brasil e o maior exportador mundial de produtos agricolas.

    9.Desenvolveu a agricultura nos cerrados, tornando o Brasil potencia mundial no agronegocios.

    10.Criou o Fundo de Garia por Tempo de Serviço, acabando com a estabilidade no emprego que ameaçava liquidar com a industria brasileira.

    11.Criou os principais organismos de financiamentos de bens de capital (FINAME) e de pesquisas (FINEP), motores de grande desenvolvimento da industria brasileira.

    11.Realizou obras rovoviarias de grande porte como a Ponte Rio Niteroi, as rodovias Bandeirantes, Castelo Branco e Imigrantes, as melhores do pais., as estradas tronco do Pais, de norte a sul.

    12.Abriu para o Brasil os mercados da Africa atraves do reconhecimento antecipado do Governos de Angola e Moçambique.

    12.Abriu ao Brasil os mercados do Oriente Medio atraves dos acordos comerciais Brasil-Iraque, tornondo o Brasil o segundo maior parceiro comercial do Iraque e introduzindo grande numero de produtos brasileiros no Oriente Medio, especialmente alimentos.

    13.Promoveu o Acordo Nuclear Brasil Alemanha contra a pressao dos EUA.

    14.Construi as primeiras usinas eletricas nucleares do Brasil, Angra I e II.

    15.Ampliou enormemente o parque industrial siderurgico do Pais, com a expansao da USIMINAS, COSIPA, Aço Minas, Aços Finos Piratini e CSN.

    16.Organizou e regulou o sistema de saneamento do Pais, permitindo a criaçao de companhias de sanemaento em cada Estado do Pais, que receberam grandes financiamentos do BNH.

    17.Iniciou no Pais a construçao de moradias populares pelo Banco Nacional de Habitaçao. Implantou o sistema de planejamento metropolitano no Pais, com a criaçao de NOVE regioes metropolitanas, cada qual com sua empresa de planejamento e Conselho de Prefeitos.

     

    18.Iniciou a modernizaçao do ensino publico e universitario no Pais, ate 1964 em Sao Paulo se formavam 150 advogados e 100 medicos por ano.

    19.o Governo militar concebeu, formulou e implantou o primeiro programa mundial de uso de alcool de cana como combustivel, criando o etanol combustivel.

    20.. Nos 21 anos do Governo militar o Brasil foi Pais mais solicitado para liderar missoes de paz da ONU e da OEA,

    demonstrando amplo reconhecimento internacional da projeçao real do Pais, fator que se reflete ate hoje no alto prestigio das Forças Armadas Brasileiras nos organismos internacionais. Hoje um General brasileiro (General Santa Cruz) comanda a maior missao de paz da ONU, na Republica Democratica do Congo.

    O Exercito Brasileiro e avaliado no National War College  dos EUA como um dos dois melhores da America latina

    como organizaçao, ensino, treinamento, forças especiais, ao lado do Exercito chileno.

    Faça-se o balanço do Governo militar, com ATIVO E PASSIVO, sejam ao menos respeitosos coma Historia.

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