Antes o vôo da ave, que passa e não deixa rasto

Ontem na praia tive aulas de filosofia com minha amiga Helena. Papo vai, papo vem, chegamos a Alberto Caeiro. Já tinho lido sua obra, gostava muito. Mas depois da aula de filosofia Alberto Caeiro tomou outra dimensão.

Negar a metafísica, aquilo que vai além do físico, do material, e reafirmar a experiência como o que temos de real na vida parece mesmo ser o que passava na cabeça de Caeiro. Muito lindo esta história toda. Essa poesia é muito linda.

A metafísica me parece ser um refúgio para onde nos resguardamos das nossas angústias. Nos lançamos num mundo abstrato e negamos nosso mundo real por não ter explicações para o mundo em que vivemos. Parece mais fácil. Mas talvez entender a vida experimentando possa ser mais fácil do que parece, mais fácil que recorrer a busca do Eu.

Então lá vai essa poesia linda de Caeiro:

 

Antes o vôo da ave, que passa e não deixa rasto,
Que a passagem do animal, que fica lembrada no chão.
A ave passa e esquece, e assim deve ser.
O animal, onde já não está e por isso de nada serve,
Mostra que já esteve, o que não serve para nada

A recordação é uma traição à Natureza,
Porque a Natureza de ontem não é Natureza.
O que foi não é nada, e lembrar é não ver.

Passa, ave, passa, e ensina-me a passar!

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