Bresser-Pereira: Governo Bolsonaro não será capaz de fazer a economia crescer

“Liberais que estão no poder não têm intenção de mudar nada", afirma Bresser-Pereira, que lamenta debate sobre reforma tributária sem distribuição de renda

São Paulo – O professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira acredita que o governo Bolsonaro não conseguirá promover o crescimento da economia do país nos próximos anos. “Os liberais que estão no poder não têm a menor intenção de mudar nada. Eles vivem no chamado mundo do Doutor Pangloss, aquele personagem do Voltaire, um professor que acha uma maravilha todas as coisas horríveis que vê. Nós vivemos aqui desse jeito com os liberais. Isso é a estagnação a longo prazo”, diz, em entrevista ao jornalista Rodolpho Gamberini, do canal Planeta Azul.

Segundo o economista, um grave problema é que não há demanda atualmente no país. “Não tem demanda. Você tendo juros baixos, que é a situação normal, e também a taxa de câmbio competitiva, que é a situação que deve estar sempre garantida pelo governo, se houver demanda você cresce. O que acontece é que nós tivemos a crise, e um desemprego de 12%, ou 13% da população, que ainda está aí, é uma vergonha. E tinha de aumentar o investimento público para criar demanda. E o governo só está preocupado em cortar despesas. Isso não funciona, é uma coisa absurda”, afirma.

Indagado também se uma reforma tributária vai proporcionar distribuição de renda no país, Bresser-Pereira diz que não. “Eu acho que não, não é esse o objetivo.”

 

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1 comentário

  1. Parece-me que o Bresser resume com precisão as razões macroeconômicas de nossa tendência à (semi) estagnação, interrompida temporariamente pelo ciclo das commodities do governo Lula. Não menciona, no entanto, um aspecto crucial: a liquidação do setor produtivo estatal. Sem estado, não há desenvolvimento.
    Há um outro ponto no qual julgo haver equívoco: o papel da poupança externa no período da ditadura, em particular no governo Geisel. Confesso que não revi os dados, mas, se a memória não me trai, a poupança externa (i. e., o saldo em transações correntes com sinal trocado) não teve o papel que Bresser lhe atribui. Ou seja, a poupança externa não foi importante para explicar a formação bruta de capital. Isso não significa inexistência de dependência externa. Parece-me que a restrição externa prevalecente era a de divisas e não a de poupança. Posso estar enganado; é uma questão empírica, é necessário ir aos dados do período (os quais, aliás, devem ter sido revistos várias vezes desde o tempo em que os examinei, lá pelos anos oitenta).

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