20 de junho de 2026

Discurso de cunho ideológico domina Funai de Bolsonaro

Fundação não mais prioriza repasse de cestas básicas em áreas “invadidas” e cita “antropologia trotskista” para vetar visitas
Governo Bolsonaro trata indígenas de forma semelhante aos governos da época da ditadura Foto: Reprodução

Jornal GGN – O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) cita constantemente a “ameaça comunista” em suas redes sociais, e também coleciona declarações que vão de encontro aos povos originários. Contudo, o vocabulário usado por Bolsonaro também integra documentos oficiais da Fundação Nacional do Índio (Funai) e a ponto de virar argumento para direcionar políticas públicas sobre a questão indígena.

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Segundo informações do jornal El País, a fundação citou o escritor Karl Marx e o político León Trotski para impedir que os servidores visitem áreas que são alvo de ações de retomada – a expressão usada pelos indígenas sobre a ocupação de territórios que já pertenceram a seus ancestrais.

A falta de solução aos conflitos por terra num contexto de desaceleração nas demarcações – algo que constantemente tem sido reforçado por Bolsonaro, ao dizer que não vai homologar um centímetro de terra indígena durante sua gestão – acaba por comprometer as ações de retomada. E a Funai tem dito que, com seus recursos limitados, não mais enviará servidores para essas áreas.

Tanto a paralisação do trabalho nos territórios como o uso de expressões pejorativas com pouca clareza em vários despachos (como tratar as terras ocupadas como “invadidas” e chamar as etnias indígenas de “tribos”, por exemplo) levou o Instituto Socioambiental (ISA) a pedir explicações e a apresentar as bases legais da Funai, que levou a fundação a elaborar um documento oficial onde nega as ações de retomada e argumenta que elas partem do conceito de uma “antropologia de linha trotskista” e do “marxismo ortodoxo”.

A imputação de “viés ideológico” no exercício da antropologia e de outras áreas de humanas faz parte de uma guerra cultural latente no Governo Bolsonaro, mas não é exclusividade da atual gestão quando se trata das questões indígenas.

Segundo a antropóloga Daniela Alarcon diz que, embora Bolsonaro tenha encampado um discurso de combate ao uso ideológico da administração pública em diversas áreas desde a campanha eleitoral, o fato de o Governo expressar oficialmente a negação das retomadas como ato social já é uma postura contraditoriamente ideológica e racista.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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1 Comentário
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  1. Naldo

    7 de fevereiro de 2020 3:46 pm

    Isso é inconstitucional, o Estado é laico e livre de qualquer amarra ideológica…. tivéssemos um congresso com vergonha na cara já teriam impichado esse desgoverno miliciano que descumpre a constituição do próprio país….

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