Indústria da delação premiada ganha novo capítulo com advogados do Rio denunciando “venda de facilidades” na Lava Jato

Em recente artigo sobre a ascensão de Nythalmar, Luis Nassif frisou que "o instituto da delação premiada, juízes e procuradores ganharam um poder adicional. A premiação ou punição dos réus dependerá exclusivamente do julgamento pessoal do juiz, em relação à colaboração do réu

Jornal GGN – A indústria da delação premiada na Lava Jato ganhou um novo capítulo com a banca Luchione Advogados denunciando oficialmente a “venda de facilidades”, no braço da operação no Rio de Janeiro, ao Conselho de Ética da OAB.

Na representação (o GGN disponibiliza em anexo, abaixo) os reclamantes afirmam que há “rumores no meio da advocacia criminal que na ilegal cooptação [de clientes] estaria inclusive sendo aventada a possível ‘aproximação’ com o Juiz e promotores da força-tarefa da Lava-Jato, no sentido de alcançar seus objetivos, tendo como argumento a delação premiada fulcrada em um inovador ‘sistema americano’ que só ao representado estaria disponível aos ‘interessados’.”

Na reclamação, criminalistas da Luchione Advogados pedem a instauração de processo ético-disciplinar contra Nythalmar Dias Ferreira Filho, um advogado de apenas 28 anos que, de repente, virou o “superadvogado” da Lava Jato no Rio de Janeiro, “roubando” clientes de bancas já consolidadas. Entre seus tutelados está Fernando Cavendish. Há relatos na imprensa de que Nythalmar já tentou assumir a defesa de Sergio Cabral.

A indústria da delação premiada rendeu um documentário e uma série de reportagens do GGN em parceria com o Diário do Centro do Mundo.

Em recente artigo sobre a ascensão de Nythalmar, Luis Nassif frisou que “o instituto da delação premiada, juízes e procuradores ganharam um poder adicional. A premiação ou punição dos réus dependerá exclusivamente do julgamento pessoal do juiz, em relação à colaboração do réu. Não precisa seguir Código Penal e essas velharias impressas. Se achar que a colaboração foi satisfatória, alivia a pena do réu.”

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“No Paraná, os advogados milagreiros são Eduardo Bretas, Antônio Figueiredo Bastos, Marlus Arns. Bastos chegou a ser acusado por doleiros de cobrar uma “taxa de proteção”, o que ele negou.” Há ainda o caso de Rodrigo Tacla Duran, que envolveu o padrinho de casamento de Sergio Moro – o advogado Carlos Zucolotto, sócio de Rosangela Moro numa empresa de palestras – na indústria da delação.

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OS BASTIDORES DA DENÚNCIA

De acordo com a representação, os advogados da banca Luchione descrevem como Nymalthar abordava seus clientes e oferecia uma defesa centrada em acordo de delação premiada com o Ministério Público.

Eles citam o caso dos clientes Marco Aurélio Vianna Pereira Leite e Marco Aurélio Barreto Pereira Leite, em processo decorrente da Operação Pripyat. Eles foram presos em 2016, mas responderam em liberdade e acabaram convocados para depor em março de 2017.

Na ocasião do depoimento, Vianna teria sido abordado por Nymalthar. Quem testemunhou a aproximação foi João Gabriel Menezes Costa Melo, também da banca Luchione Advogados. O representado era advogado de Edno Negrino, corréu e, por isso, estava na mesma audiência.

Quando João Gabriel perguntou ao seu cliente qual teria sido o teor da conversa com Nymalthar, este respondeu que fora “informado” que seria condenado a 25 anos de reclusão se não mudasse a estratégia de defesa. O mesmo foi dito a Barreto após a audiência. Os dois clientes acabaram absolvidos.

“Nos dois eventos a intenção do representado era clara no sentido de cooptar
indevidamente, e sem a ciência prévia dos requerentes, os clientes acima referidos para o
seu patrocínio junto àquele processo”, diz a representação.

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Quando Barreto estava preso em Bangu 8, já com a defesa constituída, Nymalthar também teria o visitado na unidade prisional e dito que a estratégia da banca Luchione estava errada, e que ele seria condenado a 40 anos de reclusão se não trocasse de advogados e fizesse um acordo de delação premiada com o MPF.

“Além desses três fatos em específico, os requerentes, em contato com outras
bancas de advocacia, tomaram ciência de que a conduta do representado não se constitui
em ato isolado eventualmente direcionado aos requerentes.”

Leia a representação abaixo.

representação OAB - indústria da delação premiada

Leia mais sobre a indústria da delação premiada aqui.

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6 comentários

  1. Sr. Nassif e GGN, repito o que falei em outros comentários: me espanta que a imprensa independente autointitulada progressista faça vistas grossas a uma fase da operação Lesa-Pátria carioca que tem/teve como objeto influentes doleiros e advogados e uma denúncia exatamente de esquema para tráfico de influência!
    Chamada de “Câmbio, desligo”, não entendo como seja ignorada até pela imprensa independente que já tratou do assunto da indústria da delação premiada. Assim como no caso da Trafigura, que este blogue já noticiou e que permanece sob as nuvens do desconhecimento midiático, o que pode ter acontecido com os denunciados da “Câmbio, desligo” para sumirem do noticiário? Qual foi o câmbio para serem desligados do interesse persecutório da Lesa-Pátria carioca?
    Saiu a gangue do Cabral, quem ficou em seu lugar?

    Sampa/SP, 25/03/2019 – 14:15

  2. É um tal de máscaras caindo…
    Mas pelo menos agora pintou uma acusação formal. Quem sabe não interrompem esta forma distorcida como se idealizou e se conduz a lava-jato.

  3. Os donos da Pátria não querem nem saber. Eles querem dinheiro. “Dane-se o povo, eu quero é me locupletar” O povo permite Lula preso político do governo estrangeiro. Enquanto isso estão raspando até a tinta do cofre.
    Isso não vai acabar bem!

  4. O Tretas ficou com ciumes do Marreco de Maringa, o Ladrãognol, o sucolouco, o preçobom e outras figuras menores, dai criou uma venda de sentenças só para ele

    Será que os advogados da Luchione tem dupla cidadania ?
    Lá em CUritiba eles só ameçaram de morte, no Rio são associados dos milicianos.

  5. Isso tem um nome claríssimo, FORMAÇÃO DE QUADRILHA, pior, juizes e promotores quadrilheiros protegidos pela toga.

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