10 de junho de 2026

Mina da Vale é interditada em Mariana e ANM quer evacuar distrito

A Agência Nacional de Mineração (ANM) aconselhou a evacuação de Santa Rita Durão. Neste mês, vítimas lembram 8 anos da tragédia do Rio Doce
Vista aérea da mina de Fábrica Nova, em Mariana (MG). Imagem: Google Maps/Reprodução de satélite

A Agência Nacional de Mineração (ANM) aconselhou a evacuação do povoado de Santa Rita Durão, distrito de Mariana (MG), e a interdição de três pilhas de estéril (uma espécie de acúmulo de rejeitos) da mina de Fábrica Nova, da Vale. 

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Conforme o documento acessado com exclusividade pelo jornal O Tempo, a interdição foi determinada na sexta-feira (10) após a Vale não comprovar a estabilidade das pilhas. 

Ao O Tempo e ao UOL, a Vale enviou nota informando apenas a interdição das pilhas de rejeitos, mas sem se pronunciar sobre uma possível evacuação. 

A empresa também disse que acompanha a vistoria da ANM e da Defesa Civil nesta segunda-feira (13) para “esclarecimentos necessários sobre as condições de regularidade das estruturas”

Nesta vistoria participa também a Associação de Moradores de Santa Rita, que afirmou não ter recebido ordem de evacuação. A Prefeitura de Mariana integra a delegação presente na vistoria.

Segundo o Plano de Ação de Emergências para Barragens da Vale, 295 pessoas fazem parte da população englobada em Santa Rita Durão; 144 delas são moradoras da região. As outras pessoas estimadas no plano são funcionários da mina, possíveis transeuntes e funcionários de outras edificações da área. 

O Ministério Público de Minas Gerais informou que vai investigar a interdição das três pilhas de rejeitos e já está com equipe em área para apurar os fatos.

Tragédia do Rio Doce

O crime da Samarco/Vale/BHP, em Mariana (MG), em 5 de novembro de 2015, completou oito anos neste mês.

Uma avalanche 40 milhões de metros cúbicos de metais pesados despejada na bacia do Rio Doce matou 19 pessoas, destruiu comunidades inteiras de Minas Gerais ao Espírito Santo, e nunca teve reparação adequada. Ainda não houve justiça para o meio ambiente e as 700 mil pessoas atingidas.

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Renato Santana

Renato Santana é jornalista e escreve para o Jornal GGN desde maio de 2023. Tem passagem pelos portais Infoamazônia, Observatório da Mineração, Le Monde Diplomatique, Brasil de Fato, A Tribuna, além do jornal Porantim, sobre a questão indígena, entre outros. Em 2010, ganhou prêmio Vladimir Herzog por série de reportagens que investigou a atuação de grupos de extermínio em 2006, após ataques do PCC a postos policiais em São Paulo.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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