Ministério da Defesa vai à PGR contra Gilmar Mendes por “genocídio” na pandemia

No Twitter, Gilmar defendeu, após a reação dos militares, que "a política pública de saúde deve ser pensada e planejada por especialistas"

Foto: Agência Brasil

Jornal GGN – O ministro da Defesa, general Fernando Azevedo, anunciou nesta segunda (13) que vai representar na Procuradoria-Geral da República contra Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal.

Gilmar desagradou o governo Bolsonaro ao criticar a ocupação militar do Ministério da Saúde, em plena pandemia de coronavírus. Para o magistrado, os militares associaram sua imagem institucional ao “genocídio”, em referência à crise sanitária.

“Trata-se de uma acusação grave, além de infundada, irresponsável e sobretudo leviana. O ataque gratuito a instituições de Estado não fortalece a democracia”, disparou Azevedo, em nota apoiada pelos comandantes do Exército, general Edson Pujol, da Marinha, almirante Ilques Barbosa Junior, e da Aeronáutica, brigadeiro Antônio Carlos Moretti Bermudez.

Azevedo também disse que “genocídio é definido por lei como ‘a intenção de destruir, no todo ou em parte, grupo nacional, étnico, racial ou religioso'”, “um crime gravíssimo”, e Gilmar, como jurista, sabe disso.

No Twitter, Gilmar defendeu, após a reação dos militares, que “a política pública de saúde deve ser pensada e planejada por especialistas, dentro dos marcos constitucionais. Que isso seja revisto, para o bem das FAs (Forças Armadas) e da saúde do Brasil.”

O Brasil está há 59 dias sem um titular no Ministério da Saúde. Por causa do coronavírus, já são 71,5 mil óbitos e 1,8 milhão de contaminados.

Leia também:

As críticas de Gilmar Mendes e os desastres à vista das Forças Armadas, por Luis Nassif

 

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

Leia também:  Caos em Manaus: Bolsonaro afirma que fez sua parte e volta defender uso de drogas ineficazes contra a Covid-19

15 comentários

  1. Lamentável a “nota” do Ministério da Defesa. A participação e comparticipação dos militares na administração do governo de Bolsonaro é patente, clara e insofismável.

    Provavelmente o Bolsonaro será o primeiro brasileiro a ser acusado pelo crime de genocídio junto ao Tribunal Penal Internacional.

    • MILITARES-VESTEM-A-CARAPUCA-DO-GENOCIDIO-DE-QUE-GILMAR-FALOU

      Tijolaço – Fernando Brito – 13/07/2020

      É um autêntico “vestir a carapuça” a iniciativa do Ministério da Defesa de pedir que a Procuradoria Geral da República se pronuncie sobre uma ação judicial contra o Ministro Gilmar Mendes por ele ter dito que a imagem das Forças Armadas estão sendo prejudicadas pela usurpação da área da Saúde, colocando um general à frente do Ministério da Saúde e que isso faz com que o Exército seja associado a um genocídio.
      É que a nota da Defesa, além do esperado protesto contra as expressões fortes do ministro do Supremo – o que seria natural – levanta uma questão que demonstra a preocupação da cúpula militar com o fato de que genocídio é “um crime gravíssimo, tanto no âmbito nacional, como na justiça internacional, o que, naturalmente, é de pleno conhecimento de um jurista”.
      Sinal de que há temor de que os governantes brasileiros – e muitos militares estão associados a ele – podem vir a ser responsabilizados em tribunais internacionais, sobretudo se Donald Trump perder as eleições norte-americanas.
      Há previsão no Estatuto de Roma, que tem força de lei brasileira desde o governo Fernando Henrique Cardoso de que são crimes contra a humanidade atos que “afetem gravemente a integridade física ou a saúde física ou mental” (artigo 7°, 1, e) e que podem ser responsabilizados perante o Tribunal Penal Internacional as pessoas que, “no caso de crime de genocídio, incitar, direta e publicamente, à sua prática”.
      Convém lembrar que, com a designação do general Hamilton Mourão e a criação de uma “Operação de Garantia da Lei e da Ordem” para uma suposta preservação da Amazônia, o mau-humor mundial para o com o Brasil e seus militares está nas alturas.
      Com medidas “geniais” como a de demitir a responsável pela análise de dados de satélite sobre as queimadas amazônicas, repetindo a dose do ano passado, quando o diretor do Instituto de Pesquisas espaciais, Ricardo Galvão, não há dúvida de que estamos na fogueira perante a opinião pública mundial faz tempo e, quem sabe, nossos militares, pela ambição de uma cúpula que viu em Bolsonaro seu passaporte para o poder, acabem saindo mais que chamuscados.

      https://www.tijolaco.net/blog/militares-vestem-a-carapuca-do-genocidio-de-que-gilmar-falou/

  2. Maior desgraça para o Brasil foi Bolsonaro ter colocado principiantes com delírios de grandeza em diferentes áreas do seu governo, principalmente na área da Saúde…
    acredito até que foi de propósito, tendo em vista seu histórico, com a intenção de gerar este tipo de atrito entre STF e Forças Armadas

    Quantas vezes já tentaram chegar a este nível de desentendimento com repetidos ataques e críticas descabidas ao STF? salvo engano, no mínimo 3 vezes.

    Como pagador de impostos altíssimos, eu exijo ter um profissional especialista no comando do Ministério da Saúde. Assim como também em todas as demais áreas

    • “Maior desgraça para o Brasil foi Bolsonaro ter colocado principiantes com delírios de grandeza em diferentes áreas do seu governo, principalmente na área da Saúde…”
      Muito justo!
      Meu único “senão” a sua colocação está no “principiantes com delírios de grandeza”, pois, na minha opinião, tratam-se de burros com iniciativa, e logo teremos uns 150 mil mortos na conta, sem contar a subnotificação.
      Se isso não é genocidio não sei o que é.

      • sim…
        podemos dizer que muito se aproxima de genocídio por negligência

        foi pela negligência, falta de pessoal especializado no comando, que tivemos mais de 50 mil mortes no Hospital Colônia de Barbacena

  3. A política pública de saúde deve ser pensada e planejada por especialistas, dentro dos marcos constitucionais. Que isso seja revisto, para o bem das FAs (Forças Armadas) e da saúde do Brasil.”
    Todos os brasileiros avalizam esta frase do Gilmar. E disse mais.
    Irrefutável.
    O que é incrível é que alguém ainda tenha que dizer isso.
    Que vergonha!

  4. Eles não podem ser criticados que vão a toda e qualquer instância para tentar intimidar o crítico. Se não querem críticas, não participem de governo. É muito simples.

    • Exato!
      Se cumprissem apenas, e bem, sua função constitucional, certamente não seriam criticados. Mas se o fossem, saberiam que crítica significa oportunidade de melhoria, e não rosnariam assim, raivosos e desorientados.

  5. E não tiveram nenhum prurido, por mínimo que fosse, com o tratamento dado por parte do Secretário da Defesa dos Estados Unidos, em cerimônia na Flórida, ao General Brasileiro, já de si rebaixado ao se subordinar ao Comando Sul das Forças Armadas dos EUA. Talvez porque as palavras foram consideradas um “elogio” ao Brasil.

  6. ELES NÃO ACEITAM CRÍTICAS DE JEITO NENHUM.
    È tudo igual na turma do verde oliva. Bolsonaro nem de longe é exceção . Querem o cargo pública só para serem aplaudidos. No primeiro sinal de crítica, abrem a caixa de ferramentas, ou seja, a artilharia, e mandam bala. São uns calhordas. Certo tá o gilmar. Tá cara que o genocídio, e essa palavra que tem que ser usada, vai cair nas costas deles, dos militares. Como pode uma uma classe caríssima à nação que junto com o judiciário, faz com a receita do país tenha que ser praticamente penhorada pra pagar seus honorários, ache que não deva satisfação a ninguém? Então quer dizer que o negócio dos militares é apoiar um loque depravado mental e achar que é tduo normal? Esse país se tornou irreversivelmente um hospício gigantesco? Desisto!!!!

  7. + comentários

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome