ONU prevê maior crise humanitária dos últimos anos e calcula gastos de US$ 35 bi para vulneráveis

O número de pessoas afetadas em 2021 será 40% superior aos índices de 2020. Neste cenário, 56 países - incluindo o Brasil - precisarão contar com um “esforço inédito” da Organização

Foto: Getty Images

Jornal GGN – Enquanto projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial apontam para o início da recuperação da economia mundial em 2021, a Organização das Nações Unidas (ONU) alerta que a crise humanitária deve se aprofundar em decorrência da pandemia da Covid-19 e atingir um número recorde de 235 milhões de pessoas. As informações são de Jamil Chade. 

De acordo com os dados da Organização, o número de pessoas afetadas por crises humanitárias em 2021 será 40% superior aos de 2020. O total é quase três vezes maior que em 2015. Se confirmado o cenário, essa será a pior crise humanitária no planeta desde 2ª Guerra Mundial. 

A ONU teme que vacinas contra a covid-19, após aprovadas, cheguem “apenas para uma parcela rica do planeta e que milhões de pessoas ainda tenham de esperar meses ou anos para serem imunizados”, escreveu Chade. Com isso, “a crise de 2020 terá seu impacto prolongado entre os grupos mais vulneráveis e populações que já viviam em uma situação delicada”. 

Neste quadro, 56 países – incluindo o Brasil – precisarão contar com um “esforço inédito” da Organização internacional, que calcula gastos de cerca de US$ 35 bilhões para sair ao socorro de “famintos, destituídos e abandonados em locais como Síria, Venezuela, Paquistão, Haiti, Afeganistão, Iêmen, Colômbia, Ucrânia e outros países”, informou Chade. 

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1 comentário

  1. Era muito jovem no começo dos anos 80, quando li “Adeus às Armas”, de Hemingway.
    É um grande livro. No entanto, a primeira e mais permanente impressão que me causou está logo no final do primeiro capítulo. Após uma breve descrição do Front italiano, ele termina essa pequena introdução à narrativa com uma breve menção a uma epidemia de cólera, três linhas apenas, e encerra assim: “felizmente a epidemia foi combatida a tempo, e apenas sete mil soldados morreram vítimas dela.”
    O “apenas” foi o detalhe que permaneceu em minha mente. Até hoje.
    Ainda no começo da pandemia, Junior Durski publicou um vídeo, protestando contra o isolamento social, dizendo: “Não podemos parar por conta de cinco ou sete mil pessoas que vão morrer.”
    Um dos nossos “wannabe” de Trump, Roberto Justus, mais ou menos na mesma época, declarou que quinze mil mortos no mundo todo (até então) era “muito pouco”.
    Além do horror de perceber que frases de jumentos e mentecaptos podem permanecer na memória de alguém tanto quanto o texto de autores de vulto – certamente que esta é uma generalização tola, mas ainda estou sob o impacto dela, me perdoem – é de notar que, reduzido a dados estatísticos, o ser humano torna-se apenas um detalhe.
    Mais do que Hemingway, no entanto (apaguemos da memória os dois jumentos e mentecaptos anteriormente mencionados), essa transformação do ser humano em matemática me impressionou aqui:
    https://pdf.usaid.gov/pdf_docs/PCAAB500.pdf
    Este é o Kissinger Report, de 10 de Dezembro de 1974.
    Em resumo, expõe, sem meias palavras, como a humanidade pode se beneficiar de catástrofes naturais e/ou provocadas por homens.
    A ONU pode estar preocupada com os 235 milhões que vão sofrer, nos próximos meses ou anos, as consequências da pandemia.
    O seu principal sócio, os EUA, acho que não.

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