Vinho velho em garrafa nova, por Fernando Horta

Vinho velho em garrafa nova, por Fernando Horta

Joseph Goebbels foi chefe da maior organização nazista na cidade de Berlim com 28 anos. Aos 36, ele se tornou ministro-chefe de comunicação da Alemanha nazista. Heinrich Himmler se tornou chefe supremo da polícia política nazista (a SS) com 29 anos. Na Itália fascista, Ítalo Balbo, se tornou ministro da aeronáutica com 33 anos, e “Marechal do Ar”, o maior posto da aeronáutica italiana, com 37. Com apoio de Hitler, Dino Grandi, uma das lideranças fascistas da época, se tornou ministro da justiça da Itália de Mussolini com apenas 34 anos.

O hino nacional italiano da época de Mussolini era a “Giovinezza” (Juventude) e dizia:

“Finalmente o triunfo do ideal

Pelo qual nós lutamos tanto

A fraternidade nacional

Da civilização italiana

 

Juventude, Juventude

Fonte da beleza

Na salvação do fascismo

A nossa liberdade”

De uma maneira geral, havia nos regimes nazistas e fascista uma histeria pelo “novo”. Tudo, de Mozart e Beethoven a Schiller e Marx, tudo o que não representasse o “novo” não deveria ser idolatrado. O rejuvenescimento em todos os cargos de administração pública, e mesmo no exército, era visível. O velho perecia nos cantos, nas marchas e nos discursos alvoroçados do nazismo e do fascismo. Um “novo mundo se erguia sob as ruínas do velho”, e com este discurso Hitler prometia um Reich de 1000 anos e Mussolini afirmava que a Itália fascista seria o modelo para o mundo nos séculos vindouros.

Numa das muitas contradições do nazi-fascismo, a glorificação do “novo” contrastava gritantemente com as práticas em luta contra a modernidade. O mal-estar do final do século XIX, com crises econômicas quase cíclicas, guerras e o questionamento de todo o arcabouço civilizacional da Europa da época, encontravam uma resposta muito forte no materialismo de  Marx e Engels.

Ao negarem a modernidade, os fascistas e nazistas denunciavam o materialismo como filosofia, a revolução social como objetivo e a quebra das amarras sociais como problema quotidiano. O “novo”, na concepção dos regimes de Hitler e Mussolini (e muitos outros pelo mundo afora), não aceitava a emancipação feminina nem a miscigenação “racial”. Na prática, fascistas e nazistas falavam em “novo”, atacavam a “corrupção” e se declaravam “arautos do povo”, exatamente porque não toleravam as rupturas sociais e econômicas, inerentes ao próprio avançar das sociedades capitalistas.

Velhos e decrépitos por dentro, a exaltarem corpos jovens, beleza juvenil e a força de guerra da juventude.

Davi Alcolumbre se tornou presidente do legislativo brasileiro após vergonhosas manobras legislativas. Em meio à histeria do final de semana no Senado, os membros recém-eleitos faziam coro esganiçado para que tudo na casa fosse subvertido. Pediam que os mais jovens tivessem precedência, repetiam à exaustão que representavam “o povo” cansado de “corrupção”. Diziam-se os jovens eleitos pelo povo para fazer um “novo Brasil”. A realidade, porém, é que todos ali representam os velhos pensamentos, as velhas ordens sociais e os velhos poderes. Agora, sem o refino intelectual e a experiência do uso do poder.

Toscos conservadores, apedeutas da sociedade que os elegeu.

E para que não pairem dúvidas a respeito do quão “novos” eles acham que são, Alcolumbre desenha, nas mesmas cores do fascismo:

“Esta é a hora em que cabe ao Senado Federal a legítima representação de um povo, a hora em que podemos nos libertar das amarras que nos prendem a formas ultrapassadas e injustas da velha política; hora de construir um novo cenário e assumirmos um compromisso com a renovação do nosso país e desta Casa.”

Alcolumbre tem só 41 anos e já é processado por crime eleitoral. Tem 41 anos e já votou para salvar Aécio Neves, as velhas ordens e as velhas práticas.

É o mesmo “novo” nazi-fascista. Agora, com cheiro de goiaba.

 

5 comentários

  1. Num país em que Bolsonaro faz escola, não poderia ser diferente

    Durante a campanha eleitoral, questionado sobre quais direitos trabalhistas iria retirar em seu possível governo, o Bolsonaro respondeu:

    “O trabalhador terá que escolher entre mais direito e menos emprego, ou menos direito e mais emprego”.

    Em outra oportunidade, o jênio mítico falou:

    “O Brasil é o país dos direitos, só não tem emprego”.

    Depois afirmou:

    “Eu não vou tirar direito. Está na constituição, não vou dar murro em ponta de faca”.

    Veja como o jênio mítico Bolsonaro está fazendo escola entre os economistas do Brasil. Um economista mencionado numa matéria do g1 asseverou:

    “A sociedade sempre tem que escolher entre salários mais altos ou salários mais baixos com mais empregos. Isso é uma imposição aritmética. Não há como forçar o empresário a contratar o trabalhador que vai gerar um produto que traz menos retorno do que o que ele custa”. – Rosenberg.

    https://g1.globo.com/economia/noticia/2019/02/03/veja-as-expectativas-de-economistas-sobre-o-novo-governo-1-mes-apos-a-posse.ghtml

    A lógica econômica mostra justamente o contrário: quanto maior o número de empregados, mais elevados os salários, e, consequentemente, quanto mais baixos os salários, maior o número de desempregados. É que se há muitos desempregados, a oferta de trabalhadores supera a demanda respectiva e, em consequência, o preço da força de trabalho se reduz.

    Rosenberg e Bolsonaro são economistas tabajaras.

    Se levarmos o raciocínio do Bolsonario às suas últimas consequencias, teremos que concluir, logicamente, que ele não vai gerar empregos, pois se ele afirma que só terá mais empregos se tiver menos direitos e se ele diz também que não vai tirar direitos, pois isto equivaleria a dar murro em ponta de faca, então ele não vai criar empregos.

  2. Desde Collor que não se vê

    Desde Collor que não se vê tanta gente desqualificada ocupando os postos chaves da Republica. Como diz Deltan Dallagnol, aquele que o silencioso Gilmar Mendes chamou de débil mental ou algo semelhante, o Brasil esta mudando. Faltou dizer se para melhor ou pior. E o narciso FHC diz em palestra que a historia não se repete. Tem inveja até de Marx. Como se o fasci-nazismo não pudesse se repetir nos dias de hoje… E com a mesma roupagem.  

    Mas e o Gilmar Mendes? Tera sido chantageado… 

  3. Como está escrito na bandeira que ilustra a matéria…

    Como está escrito na bandeira que ilustra a matéria: “DEM e Progresso”.

     

    O DEM já está garantido.

     

     

    Progresso, só por milagre.

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