Vlad Tepes, Drácula ou Herói Romeno?

Castelo de Bran, também conhecido como Castelo do Drácula, foi residência do Príncipe Vlad Tepes.

 Introdução

A maioria dos especialistas acreditam que o personagem Drácula no romance de Bram Stoker foi baseado na figura histórica de Vlad Tepes, que governou de forma intermitente uma área dos Balcãs chamada Valáquia, em meados do século 15. Ele (Vlad) também foi conhecido pelos nomes Vlad III, Vlad Dracula e Vlad, o Empalador. A palavra Tepes significa “Empalador”, ele assim ficou conhecido devido a sua propensão em punir suas vítimas espetando-as em estacas, para exibi-las publicamente a fim de assustar seus inimigos, e alertar os pretensos transgressores de seu rígido código moral sobre o seu destino. A ele foi creditado uma matança de entre 40.000 a 100.000 pessoas desta forma.

Origem do nome “Drácula”

O rei Sigismundo da Hungria, que se tornou o imperador do Sacro Império Romano, em 1410, fundou uma ordem fraternal secreta de cavaleiros chamada a Ordem do Dragão, para defender o cristianismo e o império contra os turcos otomanos. Seu emblema era um dragão com asas estendidas pendurado em uma cruz. Por sua bravura na luta contra os turcos, o pai de Vlad III (Vlad II) foi admitido na Ordem por volta de 1431. De 1431 em diante Vlad II usou o emblema da ordem e, mais tarde, como governante da Valáquia, passou a cunhar suas moedas com o símbolo do dragão.

A palavra dragão em romeno é “drac” e “ul” é o artigo definitivo. E assim Vlad II tornou-se conhecido como “Vlad Dracul”, ou “Vlad, o Dragão.” Em romeno o sufixo “Ulea” significa “filho de”. De acordo com esta interpretação, Vlad III tornou-se, assim, Vlad Draculea, “o filho do dragão”. (A palavra “drac” também significa “diabo” em romeno. O apelido foi usado no duplo sentido pelos inimigos de Vlad Tepes e de seu pai).

Emblema do Dragão

Antecedentes Históricos

Para apreciar a história de Vlad III é essencial entender as forças sociais e políticas da região durante o século 15. Em termos gerais, esta é uma história de luta para obter o controle da Valáquia, uma região dos Balcãs (atualmente, o sul da Romênia), situada exatamente entre as duas poderosas forças da época, a Hungria e o Império Otomano.

 

Europa por volta de 1560

Durante quase mil anos, Constantinopla foi o posto avançado de proteção do Império Bizantino ou Império Romano do Oriente bloqueando o acesso do Islão à Europa. Os otomanos, no entanto, conseguiram penetrar profundamente na região dos Balcãs, durante este tempo. Com a tomada de Constantinopla, em 1453, pelo sultão Maomé II, o Conquistador, todo o mundo cristão ficou, subitamente, ameaçado pelo poder armado dos turcos otomanos. O Reino Húngaro, ao norte e ao oeste de Valáquia, que atingia seu apogeu nessa época, assumiu o novo papel de defensor da cristandade.

Os governantes da Valáquia eram assim obrigados a agradar estes dois impérios para manter sua sobrevivência, muitas vezes forjando alianças ora com um, ora com outro; dependendo daquilo que lhe servia no momento. Vlad III é muito conhecido pelo povo romeno por seu sucesso em levantar-se contra os invasores turcos otomanos e estabelecer uma relativa independência e soberania, embora por um breve tempo.

Outro fator que influenciou a vida política de Valáquia foi sua regra de sucessão ao trono. O trono era hereditário, mas não pelo direito de primogenitura. Os boiardos (boyars, nobres proprietários das ricas terras) tinham o direito de eleger o príncipe entre os vários membros elegíveis da família real. Isso gerava violência na sucessão. Assassinatos e outras destituições violentas entre as partes reinantes eram acontecimentos usuais. De fato, tanto Vlad III como seu pai, Vlad II, assassinaram seus concorrentes para conseguir o trono da Valáquia.

A História da Valáquia antes de Vlad III

A Valáquia foi fundada em 1290 por Radu Negru (Rodolfo, o Negro), sendo dominada pela Hungria até 1330, quando se tornou independente. O primeiro governante do novo país foi o príncipe Basarab, o Grande, um antepassado de Drácula. O avô de Drácula – o Príncipe Mircea, o Velho – reinou de 1386 a 1418. Depois, a Casa de Basarab foi dividida em duas facções- os descendentes de Mircea, e os descendentes de outro príncipe chamado Dan (Danesti). A maioria das lutas para assumir o trono, durante o tempo de Drácula, foram entre estas duas facções rivais.

Fortaleza de Belgrado

Em 1431, o rei Sigismundo nomeou Vlad Dracul como o governador militar da Transilvânia, uma região a noroeste de Valáquia. (Vlad III nasceu neste tempo, no final de 1431.) Vlad não estava contente em servir como mero governador, e reuniu simpatizantes para seu plano de tomar a Valáquia de seu atual ocupante, Alexandru I, um príncipe Danesti. Em 1436, ele conseguiu seu objetivo, matou Alexandru e tornou-se Vlad II. (Presumidamente, houve também um príncipe anterior chamado Vlad).

Durante seis anos, Vlad Dracul tentou seguir um meio termo entre seus dois poderosos vizinhos. O príncipe da Valáquia era oficialmente um vassalo do rei da Hungria e como um membro da Ordem do Dragão jurou lutar contra o infiel. Nesse tempo, o poder dos otomanos parecia incontrolável. Vlad – assim como seu pai, Mircea – foi forçado a pagar tributo ao sultão.

Em 1442 Vlad tentou permanecer neutro quando os turcos invadiram a Transilvânia. Os turcos foram derrotados, e John Hunyadi, o Cavaleiro Branco da Hungria, comandante dos húngaros, por vingança forçou Vlad Dracul e sua família a fugirem de Valáquia. Em 1443, Vlad recuperou o trono da Valáquia com o apoio turco, mas na condição de enviar, anualmente, um contingente de garotos da Valáquia para se juntar aos janízaros do sultão (soldados mirins que atuavam como guarda-costas do sultão). Em 1444, para demonstrar ao sultão sua boa-fé, Vlad enviou seus dois filhos mais novos – Vlad III e Radu, o Belo – para Adrianópolis como reféns. Vlad III permaneceu refém em Adrianópolis até 1448.

Em 1444, a Hungria quebrou a paz e lançou a Campanha de Varna, liderada por John Hunyadi, numa tentativa de expulsar os turcos da Europa. Hunyadi exigiu que Vlad Dracul cumprisse seu juramento como membro da Ordem do Dragão e vassalo da Hungria, juntando-se à cruzada contra os turcos, mas como um político astuto Vlad II tentou agradar os dois lados. Ao invés de, pessoalmente, juntar-se às forças cristãs, ele enviou o seu filho mais velho, Mircea. Talvez com isso, ele esperasse que o sultão poupasse seus filhos mais jovens, por ele próprio não se juntar à cruzada.

Os resultados da Cruzada Varna são bem conhecidos. O exército cristão foi totalmente destruído na batalha de Varna. John Hunyadi conseguiu escapar da batalha em condições inglórias. Deste momento em diante, John Hunyadi foi amargamente hostil em relação a Vlad Dracul e seu filho mais velho. Em 1447, Vlad Dracul foi assassinado junto com seu filho Mircea. Mircea, aparentemente, foi enterrado vivo pelos boiardos e comerciantes de Tirgoviste – Vlad III viria, depois, vingar-se contra esses boiardos e comerciantes. Hunyadi colocou seu próprio candidato, um membro do clã Danesti, no trono da Valáquia.

Ao receber a notícia da morte de Vlad Dracul, os turcos liberaram Vlad III e o apoiaram como candidato ao trono da Valáquia. Em 1448, aos dezessete anos de idade, Vlad III tomou o trono da Valáquia. Porém, dentro de dois meses, Hunyadi forçou-o a entregar o trono e fugir para junto do seu primo, o Príncipe da Moldávia. Seu sucessor, Vladislov II, inesperadamente instituiu uma política pró-turca, que Hunyadi considerou inaceitável. Ele, então, preferiu Vlad III, o filho de seu velho inimigo, como um candidato mais confiável para o trono, e ambos forjaram uma aliança para retomar o trono à força. Vlad III recebeu os ducados da Transilvânia, anteriormente regidos por seu pai, e lá permaneceu sob a proteção de Hunyadi, aguardando uma oportunidade para retomar a Valáquia de seu rival.

Em 1453, o mundo cristão ficou chocado com a queda final de Constantinopla pelos Otomanos. Hunyadi aumentou sua campanha contra os insurgentes turcos da região. Em 1456 Hunyadi invadiu a Sérvia turca. Enquanto isso, Vlad III invadia a Valáquia. Na Batalha de Belgrado, Hunyadi foi morto e seu exército derrotado. Vlad III conseguiu matar Vladislav II e tomar o trono da Valáquia.

Vlad III, então, começou o seu principal reinado da Valáquia, que se estendeu de 1456 a 1462. Foi durante este período que ele instituiu suas políticas rigorosas, levantou-se contra os turcos e começou seu reinado de terror pelo empalamento.

A vida de Vlad III (1431-1476)                                        

Vlad III nasceu em novembro ou dezembro de 1431 na cidade de Sighisoara, na Transilvânia. Na época, seu pai, Vlad II (Vlad Dracul), vivia no exílio na Transilvânia. A casa onde ele nasceu ainda está de pé, localizada em um bairro próspero era cercada pelas casas dos comerciantes saxões e magiares (húngaros) e pelas moradias da nobreza.

Pouco se sabe sobre os primeiros anos da vida de Vlad III. Ele tinha um irmão mais velho, Mircea, e um irmão mais novo, Radu, o Belo. Sua educação primária foi deixada nas mãos de sua mãe, uma mulher nobre da Transilvânia, e sua família. Sua verdadeira educação começou em 1436, depois que seu pai conseguiu reivindicar o trono da Valáquia, matando seu rival Danesti. Sua formação foi típica dos filhos da nobreza em toda a Europa. Seu primeiro tutor em seu aprendizado ao título de cavaleiro foi um boiardo idoso que havia lutado contra os turcos na batalha de Nicolopolis. Vlad aprendeu todas as habilidades de guerra e de paz consideradas necessárias a um cavaleiro cristão.

Em 1444, com a idade de treze anos, o jovem Vlad e seu irmão Radu foram enviados para Adrianópolis como reféns, para apaziguar o Sultão. Ali, permaneceu até 1448, quando foi liberado pelos turcos, que o apoiaram como candidato ao trono da Valáquia. Seu irmão mais novo, aparentemente, optou por permanecer na Turquia, onde ele cresceu (Radu foi, posteriormente, apoiado pelos turcos como um candidato ao trono da Valáquia, em oposição ao seu próprio irmão).

Como observado anteriormente, o reinado inicial de Vlad III foi bastante curto (dois meses), e em 1456, sob o apoio de Hunyadi e do Reino da Hungria ele retornou ao trono. Ele elegeu Tirgoviste como sua cidade capital, e começou a construir seu castelo, nas montanhas perto do rio Arges, nas proximidades da cidade. A maior parte das atrocidades associadas à Vlad III aconteceu durante este tempo.

Atrocidades de Vlad Tepes

Mais do que tudo, o Drácula histórico é conhecido por sua desumana crueldade. O empalamento era o método preferido de Vlad III para tortura e execução, que por ser lento e doloroso foi e é uma das formas mais terríveis de morte que se possa imaginar.

Vlad, normalmente, mantinha cada perna da vítima presa a um cavalo, enquanto uma estaca apontada era gradualmente forçada para dentro do corpo. A ponta da estaca era, geralmente, oleada, e cuidados eram tomados para que a ponta não fosse muito afinada, senão a vítima poderia morrer muito rapidamente pelo choque. Normalmente, a estaca era inserida no corpo através das nádegas e forçada através do corpo até surgir na boca. Houve muitos casos em que as vítimas eram empaladas através de outros orifícios do corpo, através do abdômen ou do tórax. Os bebês eram, algumas vezes, empalados na estaca e forçados através dos peitos de suas mães. Os registros indicam que, às vezes, as vítimas eram empaladas de cabeça para baixo na estaca.

Vlad Tepes mantinha as estacas estocadas de várias maneiras. O padrão geométrico da disposição mais comum era em anéis de círculos concêntricos nos arredores da cidade alvo. A altura da lança indicava o “ranking” da vítima. Os cadáveres em decomposição eram muitas vezes deixados por meses no local do empalamento. Há um relato, que um exército turco invasor voltou para casa assustado com a cena de milhares de cadáveres apodrecendo empalados nas margens do Danúbio. Em 1461 Maomé II, o conquistador de Constantinopla, um homem conhecido por sua falta de melindres, retornou à Constantinopla após ter-se sentido mal com a visão dos vinte mil prisioneiros turcos empalados fora da cidade de Tirgoviste. Esta terrível cena é lembrada na história “A Floresta do Empalado”.

Muitas vezes, milhares de pessoas eram empaladas na mesma cerimonia. Dez mil foram empalados na cidade de Sibiu, na Transilvânia, em 1460. Em 1459, no dia de São Bartolomeu, Vlad III executou trinta mil comerciantes e boiardos, todos empalados na cidade de Brasov, também na Transilvânia. Uma das mais famosas xilogravuras do período mostra Vlad Drácula tomando sua refeição ao lado de uma floresta de estacas com seus corpos, enquanto um carrasco prepara outras vítimas, próximo a Brasov.

Embora, o empalamento fosse o método de tortura favorito de Vlad Dracula, não era esse o seu único método. A lista de torturas empregadas por este príncipe cruel mais parece uma lista do inventário das ferramentas do inferno: pregos na cabeça, decepamento de membros, cegueira, estrangulamento, queimadura, corte do nariz e orelhas, mutilação dos órgãos sexuais (especialmente no caso das mulheres), escalpe, esfola, exposição ao tempo ou aos animais selvagens e queima em vivo.

Ninguém era imune às atenções de Vlad. Suas vítimas incluíam mulheres e crianças, camponeses e grandes figuras, embaixadores de potências estrangeiras e comerciantes. Mas, a grande maioria de suas vítimas veio dos comerciantes e boiardos da Transilvânia e da sua Wallachia.

Muitos tentaram justificar as ações de Vlad Dracula, com base em um nacionalismo nascente e da necessidade política. Muitos dos comerciantes na Transilvânia e na Valáquia eram saxões, estes eram vistos como parasitas que predavam os nativos romenos da Valáquia. Os proprietários das ricas terras, os boiardos, exerciam sua forte influência, muitas vezes caprichosas e desleais junto aos príncipes reinantes. O próprio pai de Vlad e seu irmão mais velho foram assassinados por desleais boiardos. Mas, além disso, muitas vítimas de Vlad Dracula foram valáquios, e poucos negam que ele sentia um prazer perverso das suas ações.

Vlad Dracula começou seu reinado de terror logo que chegou ao poder. Seu primeiro ato significativo de crueldade pode ter sido motivado pelo desejo de vingança, bem como pela necessidade de solidificar seu poder. No início de seu principal reinado, ele ofereceu uma festa aos seus boiardos e suas famílias para celebrar a Páscoa. Vlad estava bem consciente que muitos desses nobres fizeram parte na conspiração que levou ao assassinato de seu pai, e a enterrar vivo seu irmão mais velho, Mircea. Muitos haviam, também, desempenhados seus papéis na derrubada de vários príncipes da Valáquia. Durante a festa, Vlad perguntou aos seus nobres convidados se durante suas vidas conheceram muitos príncipes que governaram a nação. Todos os nobres presentes afirmaram que sim. Nenhum deles havia visto menos do que sete reinados. Vlad, imediatamente, ordenou que todos os nobres fossem presos. Os nobres idosos juntamente com suas famílias foram empalados no local. Os nobres mais jovens e saudáveis foram levados com seus familiares para o norte de Tirgoviste às ruínas do seu castelo nas montanhas acima do rio Arges. Estes foram escravizados e forçados a trabalhar por meses na reconstrução do antigo castelo com materiais de uma ruína próxima. De acordo com os relatórios, eles trabalhavam sempre com a mesma roupa no corpo e, quando suas roupas se desfaziam pelo tempo de uso, eles eram obrigados a trabalharem nus. Pouquíssimos sobreviveram a essa provação.

Ao longo de seu reinado, Vlad continuou, sistematicamente, a erradicar a velha classe boyar da Valáquia. Aparentemente, Vlad estava determinado a construir o seu poder em uma base segura e moderna. No lugar dos boiardos eliminados, Vlad promoveu novos homens dentre os camponeses e da classe média; homens que seriam leais apenas ao seu príncipe.

As atrocidades de Vlad Tepes contra o povo da Valáquia eram, certamente, uma tentativa de impor o seu código moral no país. Até as mulheres estavam incluídas nesse seu objetivo. Ele se preocupou com a castidade feminina, particularmente. Donzelas que perderam sua virgindade, esposas adúlteras e viúvas com comportamento imoral foram alvos da crueldade de Vlad.

Essas mulheres muitas vezes tinham seus órgãos sexuais ou seus seios cortados, e muitas vezes eram empaladas através da vagina com estacas em brasa. Um relatório fala da execução de uma esposa infiel: seus seios foram cortados, então ela foi esfolada e empalada numa praça em Tirgoviste e sua pele colocada sobre uma mesa ao lado. Vlad insistia que seu povo fosse honesto e trabalhador. Comerciantes que enganassem seus clientes tinham grandes chances de serem encontrados enfiados em uma vara ao lado de ladrões comuns.

O Crepúsculo de Vlad III

Apesar de Vlad III ter experimentado algum sucesso em afastar os turcos, suas realizações foram relativamente passageiras. Ele recebeu pouco apoio de Matthius Corvinus, rei da Hungria (filho de John Hunyadi) e os recursos de Valáquia eram muito limitados para um sucesso duradouro contra os poderosos turcos.

Os turcos finalmente conseguiram forçar Vlad a fugir para a Transilvânia em 1462. Conforme os relatórios, sua primeira esposa cometeu suicídio pulando de uma das torres do castelo de Vlad nas águas do rio Arges, ao invés de render-se aos turcos. Vlad escapou por uma passagem secreta e fugiu através das montanhas para a Transilvania, e apelou por ajuda à Matthias Corvinus. O rei imediatamente prendeu Vlad e o manteve em uma torre real.

Há, ainda, algum debate sobre o a extensão exata do confinamento de Vlad. Os panfletos russos indicam que ele foi prisioneiro de 1462 até 1474. No entanto, durante este período, ele foi capaz de recuperar as graças de Matthias Corvinus e, acabou conhecendo e casando-se com um membro da família real (possivelmente a irmã de Corvinus), sendo pai de dois filhos. Seria improvável que um prisioneiro tivesse permissão para se casar com um membro da família real, e como o filho mais velho tinha cerca de 10 anos de idade quando Vlad recuperou o trono da Valáquia em 1476, a sua libertação, provavelmente ocorreu por volta de 1466.

Nota: A narrativa russa, normalmente muito favorável à Vlad, indica que, mesmo em cativeiro ele não resistia a se livrar do seu passatempo favorito; frequentemente ele capturava pássaros ou ratos e os torturava ou os mutilava. Alguns eram decapitados, outros recebiam uma camada de grude e penas, depois eram liberados. Muitos foram empalados em pequenas lanças.

Outra razão possível para a reabilitação de Vlad foi o fato de o novo sucessor para o trono da Valáquia, o próprio irmão de Vlad, Radu, o Belo, ter instituído uma política muito pró-turcos. O rei húngaro pode ter visto Drácula como um possível melhor candidato para retomar o trono. E também, o fato de Vlad ter renunciado à fé ortodoxa e adotado o catolicismo, muito certamente seria na intenção de satisfazer seu captor húngaro.

Em 1476 Vlad se preparou novamente para reconquistar o poder. Vlad Dracula e o Príncipe Stephen Bathory da Transilvânia invadiram a Valáquia com um contingente misto de forças. Nessa época, o irmão de Vlad, Radu, já havia falecido e fora substituído por Basarab, o Velho, um membro do clã Danesti. Durante o ataque de Vlad, Basarab e seus companheiros fugiram. Porém, pouco depois da retomada do trono, o príncipe Bathory e a maioria das forças de Vlad voltaram para a Transilvânia, deixando Vlad em uma posição vulnerável. Antes de conseguir reunir apoio, um grande exército turco entrou na Valáquia. Vlad foi forçado a marchar e enfrentar os turcos com menos de quatro mil homens.

Vlad Dracula foi morto em batalha contra os turcos perto da cidade de Bucareste, em Dezembro de 1476. Alguns relatórios indicam que ele foi assassinado por boiardos valaquianos desleais, quando estava prestes a varrer os turcos do campo. Outros contam que foi derrotado mesmo cercado por fileiras de seus guarda-costas moldávios leais. Há, ainda, outros relatórios que afirmam que Vlad, no momento da vitória, foi acidentalmente atingido por um de seus próprios homens. O único fato indiscutível é que, finalmente, o seu corpo foi decapitado pelos turcos e sua cabeça enviada para Constantinopla, onde o sultão a exibiu em uma estaca, como prova de que o temido Empalador estava, finalmente, morto. Seu corpo teria sido enterrado na ilha Snagov, 40 quilômetros de Bucareste, próximo ao mosteiro.

Evidências Históricas

Na análise dos relatos sobre Vlad Dracula, é importante saber que grande parte das informações vem de fontes que podem não ser totalmente fiéis. Interesses políticos e preconceitos locais podem ter influenciado nas informações de cada uma das três principais fontes.

As três principais fontes são as seguintes:

(1) Panfletos publicados na Alemanha logo após a morte de Vlad. (2) Panfletos publicados na Rússia logo após os panfletos alemães. (3) a tradição oral romena.

Panfletos Alemães

Na época da morte de Vlad Dracula, Matthias Corvinus da Hungria buscava reforçar sua própria reputação no Sacro Império Romano e pode ter utilizado os primeiros panfletos como justificativa do insuficiente apoio de seu vassalo. Deve-se lembrar, também, que os comerciantes alemães eram vítimas frequentes da crueldade de Vlad Dracula. Os panfletos então pintavam Vlad Dracula como um monstro desumano que aterrorizava a terra e massacrava inocentes por puro sadismo.

Os panfletos eram também uma forma de entretenimento de massa, em uma sociedade onde a imprensa estava apenas começando a ser difundida em larga escala. Os panfletos foram reimpressos inúmeras vezes ao longo dos trinta e poucos anos seguintes à morte de Vlad- prova da sua enorme popularidade.

Panfletos Russos

Na época de Vlad III, os príncipes de Moscou estavam começando a construir as bases daquilo que se tornaria a autocracia dos czares. Assim como Vlad III, eles estavam tendo problemas consideráveis com os incômodos boiardos, por serem desleais e criadores de problemas. Na Rússia, Vlad Dracula foi então apresentado como um príncipe cruel, porém justo, cujas ações destinavam beneficiar o bem de seu povo.

Tradição Oral Romena

Lendas e contos relativos a Vlad, o Empalador, se manteve como parte do folclore entre os camponeses romenos. Estes contos foram passados de geração em geração por 500 anos.

Naturalmente, por meio da constante releitura eles se tornaram um tanto distorcido e confuso, e foram sendo gradualmente esquecidos pelas novas gerações. No entanto, eles ainda fornecem informações valiosas sobre Vlad Drácula e seu relacionamento com seu povo.

Vlad Dracula é lembrado apenas como um príncipe que defendeu seu povo dos estrangeiros, sejam esses estrangeiros os invasores turcos ou os comerciantes alemães. Ele também é lembrado como um herói dos homens comuns que venceu a luta contra a opressão dos boiardos. A parte central da tradição verbal é a insistência de Vlad na honestidade para eliminar o crime e o comportamento imoral da região. Infelizmente, apesar das interpretações mais positivas de sua vida, Vlad Dracula é lembrado como um governante excepcionalmente cruel e muitas vezes caprichoso.

Apesar das diferenças entre essas diversas fontes, existem alguns relatos que são comuns entre eles. Os panfletos alemães e russos concordam, notavelmente, em muitos detalhes das obras de Vlad Dracula. Este nível de concordância levou muitos historiadores a concluir que tais informações devem, pelo menos em certa medida, serem verdadeiras.

Histórias peculiares

Há cerca de nove histórias que são sempre apresentadas na literatura sobre Vlad Dracula:

O Cálice de Ouro

Vlad Dracula era conhecido por toda a sua terra pela sua feroz insistência na honestidade e na ordem. Ladrões raramente ousavam praticar sua arte dentro de seu domínio, pois sabiam o que os esperava se fossem apanhados. Vlad era tão confiante na eficácia de sua lei que expôs um cálice de ouro na praça central de Tirgoviste. O cálice nunca foi roubado e ali permaneceu sem ser molestado durante o seu reinado.

A Queima dos Doentes e Pobres

Vlad Dracula era muito preocupado com que todos os seus súditos trabalhassem e contribuíssem para o bem-estar comum. Certa vez, ele percebeu que os pobres, vagabundos, mendigos e aleijados haviam se tornados muito numerosos na sua terra. Então, ele fez um convite a todos os pobres, doentes e inválidos da Valáquia para vir a uma grande festa em Tirgoviste, alegando que ninguém deve passar fome em sua terra. Quando os pobres e aleijados chegavam, eles eram conduzidos a um grande salão, onde uma festa fabulosa havia lhes sido preparada. Os convidados comeram e beberam até tarde da noite. Vlad, no final, fez uma aparição e perguntou-lhes: “O que mais vocês desejam? Vocês gostariam de viver sem nenhuma preocupação, sem faltar nada neste mundo?” Quando eles responderam positivamente Vlad ordenou que o salão fosse lacrado e incendiado. Ninguém escapou das chamas. Vlad explicou sua ação aos boiardos, alegando: “que eles não mais representem encargos aos outros homens, e que ninguém será pobre no meu reino”.

Os embaixadores estrangeiros

Apesar de haver algumas discrepâncias entre os panfletos alemães e russos na interpretação dessa história, eles concordam no seguinte: Dois embaixadores de uma potência estrangeira visitou a corte de Vlad em Tirgoviste. Quando na presença do príncipe, eles se recusaram a tirar seus chapéus. Vlad ordenou que os chapéus fossem pregados em suas cabeças, de modo que nunca precisassem removê-los novamente.

Nota: A prega de chapéus nas cabeças daqueles que desagradavam um monarca não era um ato desconhecido na Europa Oriental e pelos príncipes de Moscou.

O Mercador Estrangeiro

Um comerciante oriundo de uma terra estrangeira visitou Tirgoviste, e ciente da reputação da terra de Vlad Dracula no quesito honestidade, deixou sua carroça de transporte com seus bens na rua, durante a noite. Ao retornar para sua carroça pela manhã, o comerciante ficou chocado ao notar que faltavam 160 ducados de ouro. Então, o comerciante foi queixar-se ao príncipe Vlad, que lhe garantiu a devolução do dinheiro. Vlad Dracula, em seguida, emitiu um anúncio para a cidade-encontrem o ladrão e devolvam o dinheiro, ou a cidade será destruída. Durante a noite, ele ordenou que 160 ducados, mais um extra, retirados de sua própria tesouraria fossem colocados no carro do comerciante. Ao voltar para o seu carro na manhã seguinte e contando seu dinheiro o comerciante descobriu o ducado extra. O comerciante retornou para Vlad e relatou a devolução acrescida de um ducado extra. Enquanto isso, o ladrão havia sido capturado e entregue aos guardas do príncipe juntamente com o dinheiro roubado. Vlad ordenou o empalamento do ladrão, e informou ao comerciante que caso ele não tivesse relatado o ducado extra, ele seria empalado ao lado do ladrão.

A mulher preguiçosa

Certa vez, ao passar por uma área no campo, Vlad notou um homem que trabalhava vestindo uma túnica (camisa) muito curta em relação ao seu corpo. O príncipe parou e pediu para ver a esposa do homem. Quando a mulher foi levada até ele, perguntou-lhe como ela passava os seus dias. A pobre mulher respondeu que passava os dias lavando roupa, fazendo pão e costurando. O príncipe apontou para a curta camisa do marido como prova de sua preguiça e desonestidade, e ordenou que fosse empalada, apesar dos protestos do marido que dizia estar satisfeito com a sua esposa. Vlad, então, ordenou outra mulher para se casar com o camponês, mas advertiu-a a trabalhar duro ou ela sofreria o mesmo destino.

O Fidalgo com o Olfato Apurado

No Dia de São Bartolomeu em 1459, Vlad Dracula empalou trinta mil dos comerciantes e nobres da cidade de Brasov, Transilvânia. Para se divertir um pouco com o resultado de seu feito, o príncipe ordenou que instalassem a mesa para sua refeição entre a floresta de corpos empalados, e exigiu que seus boiardos se juntassem a ele para uma comemoração. Enquanto jantavam, Vlad notou que um dos seus boiardos tampava o nariz para aliviar o cheiro terrível do sangue coagulado e dos dejetos humanos. Vlad, então, ordenou que o sensível nobre fosse empalado em uma estaca maior do que as outras, para que ele ficasse acima do mau cheiro.

A Amante de Vlad Dracula

Vlad Dracula teve uma amante que morava em uma casa numa viela de Tirgoviste. Esta mulher amava fervorosamente seu príncipe e estava sempre disposta em agradá-lo. Vlad, frequentemente, se apresentava mal-humorado e deprimido, e a mulher juntava todos os esforços para aliviar o peso da carga do seu amado. Em uma das vezes que ele chegou muito deprimido, ela ousou contar-lhe uma mentira, dizendo que estava grávida. Vlad a levou para ser examinada pelas matronas de banho. Ao ser informado que a mulher havia mentido, Vlad sacou a faca e cortou-a desde a virilha até o peito, deixando-a morrer em agonia.

O Nobre Polonês

Benedito de Boithor, um nobre polonês a serviço do rei da Hungria, visitou Vlad Dracula em Tirgoviste em setembro de 1458. No jantar, Vlad ordenou que fosse colocada na mesa uma lança de ouro disposta diretamente em frente ao emissário real. Vlad, então, perguntou ao enviado se ele sabia por que a lança estava ali. Benedito respondeu que imaginava ter algum boiardo ofendido o príncipe e era sua intenção honrá-lo. Vlad respondeu que a lança era em homenagem ao seu nobre convidado polonês. O polaco então respondeu que se ele tivesse feito algo para merecer a morte, que Vlad fizesse aquilo que achasse melhor. Vlad Dracula ficou muito satisfeito com a resposta, cobriu-o de presentes, e declarou que tivesse ele respondido de outra forma, ele teria sido imediatamente empalado.

Os Dois Monges

Há algumas discrepâncias na maneira de contar esta história. As diversas fontes concordam, no entanto, quanto à história básica. Dois monges de uma terra estrangeira veio visitar Vlad Drácula em seu palácio de Tirgoviste. Curioso para ver a reação dos clérigos, Vlad lhes mostrou as fileiras de corpos empalados no pátio. Quando requeridos por suas opiniões, o primeiro monge respondeu: “Você foi designado por Deus para punir os malfeitores”. O outro monge teve a coragem moral para condenar o príncipe cruel. Na versão da história mais comum nos panfletos alemães, Vlad recompensou o monge bajulador e empalou o honesto. Na versão encontrada nos panfletos russos e na tradição verbal romena, Vlad recompensou o monge honesto pela sua integridade e coragem e empalou o bajulador por sua desonestidade.

As Origens do Mito do Vampiro

Certamente, não foi por acaso que Bram Stoker escolheu os Balcãs como o habitat do seu famoso vampiro. Nos tempos de Stoker, os Balcãs ainda eram, basicamente, medievais. Eles haviam recentemente se livrados do domínio turco quando Stoker começou a trabalhar em seu romance, e as superstições da Idade das Trevas ainda eram predominantes.

A primeira edição de “Drácula” Constable, 1897

A lenda do vampiro foi e ainda está profundamente enraizada na região dos Balcãs. Sempre houve criaturas vampirescas nas mitologias de suas várias culturas, porém, o vampiro, como ele tornou-se conhecido na Europa e, consequentemente na América, foi em grande parte, originado nas terras eslavas e gregas da Europa Oriental. http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/b6/Balkan_topo_en.jpg

Uma verdadeira epidemia de vampirismo varreu toda a Europa Oriental a partir do final do século XVII e continuou por todo o século XVIII. O número de casos notificados aumentou dramaticamente na Hungria e nos Balcãs. A partir dos Balcãs, a praga se espalhou para o ocidente pela Alemanha, Itália, França, Inglaterra e Espanha. Os viajantes que retornavam dos Balcãs traziam com eles os contos dos mortos-vivos, despertando um interesse pelo vampirismo, que continua até hoje.

Os filósofos ocidentais começaram a estudar o fenômeno. Foi durante este período que Dom Augustin Calmet escreveu seu famoso estudo sobre o vampirismo na Hungria. Foi também durante este período que os autores e dramaturgos começaram a explorar o mito do vampiro. O romance de Stoker foi apenas uma obra resultante de uma longa série de obras, que foram inspiradas nos relatórios provenientes da região.

Poderia Bram Stoker ter Baseado seu Drácula no Drácula Histórico?

Embora seja amplamente assumido, mesmo entre os estudiosos, que Bram Stoker baseou seu romance sobre a figura histórica de Vlad Tepes, há pelo menos uma proeminente estudiosa que desafia essa suposição. O nome dela é Elizabeth Miller, professora do Departamento de Inglês da Universidade Memorial de Newfoundland ou Terre-Neuve-et-Labrador no Canadá, autora de vários livros nesse assunto (Drácula; Reflections on Dracula; Dracula: Sense & Nonsense). Seu argumento principal é que Bram Stoker deixou notas meticulosas das suas referências na criação do Drácula, e nenhuma dessas referências contem informações específicas sobre a vida e/ou atrocidades de Vlad Tepes.

Há evidências relativamente fortes que os dois Dráculas estão ligados. Os argumentos em favor desta posição incluem o seguinte:

O Drácula ficcional e o Drácula histórico compartilham o mesmo nome. Não pode haver dúvida de que Bram Stoker baseou seu personagem em cima de alguma referência a Vlad Dracula.

Stoker pesquisou várias fontes antes de escrever o romance, incluindo a Biblioteca de Whitby (CAN) e literatura do Museu Britânico. É bem possível que em suas leituras sobre a história dos Balcãs tenha incluído informações sobre Vlad Tepes.

Stoker foi amigo de um professor húngaro de Budapeste, chamado Armínio Vambery, e se encontraram pessoalmente em várias ocasiões. Vambery pode ter-lhe fornecido algumas informações sobre o Drácula histórico.

Alguns textos do romance de Stoker fornecem correlações diretas entre o Drácula ficcional e Vlad Tepes (por exemplo, a luta contra os turcos; também, a descrição física de Drácula no romance é muito parecida com a imagem tradicional de Vlad Tepes).

Outras referências no romance podem estar relacionadas com o Drácula histórico. Por exemplo: o uso da estaca de madeira no coração do vampiro pode ser uma relação com o empalhamento; a fixação de Renfield com insetos e pequenos animais pode se relacionar com aquilo que acontecia no tempo de reclusão de Vlad; e a aversão de Drácula aos símbolos sagrados com a sua renúncia à Igreja Ortodoxa.

A Professora Miller contrapõe cada um desses argumentos. Em particular, ela alega que a única referência fornecida por Stoker em suas notas que contém alguma informação sobre Vlad Tepes é o livro de William Wilkinson, intitulado “Um Relato dos Principados da Valáquia e Moldávia” (1820), que Stoker emprestou da Biblioteca Pública de Whitby em 1890, enquanto lá esteve de férias. O livro contém algumas breves referências a um “Governador Drácula” (nunca referido como Vlad) que atravessou o Danúbio e atacou as tropas turcas. Além disso, o que parece ter atraído Stoker foi uma nota de rodapé em que Wilkinson afirma: “Drácula em linguagem valáquia significa Diabo”. Stoker aparentemente adicionou isso nos rascunhos de histórias romenas de outras fontes. A Professora Miller argumenta que “Os Principados da Valáquia e Moldávia” é a única fonte conhecida de onde Stoker obteve informações sobre o Drácula histórico, e que o resto é mera especulação.

Quanto ao relacionamento de Stoker com o professor húngaro, Vambrey – Miller observa que o registro apenas confirma duas reuniões entre os dois indivíduos, e não há nenhuma evidência de que Vambrey tenha citado Vlad Tepes, vampiros ou Transilvânia durante suas visitas.

Quanto à semelhança entre o histórico Vlad Dracula e as descrições fornecidas no romance, a Professora Miller observa que o mais provável é que Stoker baseou sua descrição do Conde Drácula nos antigos vilões da literatura gótica, ou em seu próprio patrão, Sir Henry Irving.

Na conclusão, Miller apresenta sua própria versão: “No romance, Stoker fornece completos detalhes históricos obtidos a partir de suas várias referências. Ele não incluiu as atrocidades de Vald Tepes em seu romance”.

Para uma argumentação mais detalhada da professora Miller, consulte http://www.ucs.mun.ca/~emiller/kalo.htm.

Bibliografia:

A maioria das informações foi obtida no site

“O Drácula Histórico”, de Ray Porter.

http://www.eskimo.com/~mwirkk/vladhist.html

http://www.donlinke.com/drakula/vlad.htm

Informações adicionais foram obtidas nos seguintes sites:

http://www.geocities.com/Athens/Aegean/7545/Dracula.html

http://www.mediaport.org/~eric/dracula/history/history.html

http://www.ucs.mun.ca/~emiller/owner.htm

Algumas universidades e escolas on-line oferecem cursos de Estudos Medievais, que beneficiam os estudantes interessados em Vlad Tepes e na história da Europa Oriental.

7 Comentários

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-Charlie-

- 2014-12-22 22:26:46

Fantástico o post! Parabens e

Fantástico o post!

Parabens e obrigado pela aula de história.

rdmaestri

- 2014-12-21 20:26:25

Museu da tortura.

Há muito tempo atrás quando em férias visitei um museu itinerante da tortura, museu este que tinha por objetivo a criminalização internacional da tortura como crime inafiançável, logo ele mostrava a vulgarização e a doença mental que persegue a humanidade.

Porém era notável como a tortura era vulgarizada e tida como algo normal há poucos séculos, mostrava também que tortura tinha no passado mais a função de matar com dor do que qualquer outro objetivo, como obter confissões.

O museu mostrava em detalhes a criatividade doentia das pessoas que, por exemplo, em mortes com tortura que o torturado perdia sangue estas eram feitas de cabeça para baixo para não faltar sangue no cérebro e o torturado sofrer mais um pouco.

Realmente se vê que a tortura é algo que tem que ser reprimido com força por todos os Estados, pois se assim não for, os piores instintos humanos brotam facilmente de algum lugar obscuro de nosso cérebro.

rdmaestri

- 2014-12-21 20:11:24

Depois falam que o mundo está

Depois falam que o mundo está cada vez pior! Falta de conhecimento histórico.

stanilaw Calandreli II

- 2014-12-21 15:06:05

mulțumesc

Obrigado, Mario!

Cesar Saldanha

- 2014-12-21 14:20:42

História de monstros, que

História de monstros, que nunca devem ser contadas em filmes ou aos pés da cama para menores de 17 anos. Mais uma terrível página da história, Hitler, Bonaparte e as cuxificações do Império Romano são fichinhas diante dessa atrocidade. 

Alexandre Weber - Santos -SP

- 2014-12-21 14:14:54

Natal, solstício de verão - The Giver ( O doador de memórias)

Uma análise do filme o doador de memórias.

[video:https://www.youtube.com/watch?v=iJNNugNe0Wo]

 

 

 Resumo do filme: “Em uma comunidade perfeita, sem guerras, sofrimentos, diferenças nem escolhas, um garoto é escolhido para ser o Receptor de Memórias, cuja função é guardar todas as memórias ruins do passado e as tristezas dos habitantes. De posse desse conhecimento, Jonas enfrenta difíceis momentos de escolha diante da vida e do futuro.”

 Phillip Noyce, diretor do filme, procura usar a tática da mídia moderna, ou seja, a neutralidade diante dos fatos, deixando para que o telespectador escolha as decisões, porém ele oculta o lado ruim da utilização das memórias.

Ora, dessa forma o ator principal do filme são as memórias, controladas por um ancião. Compete a ele transmitir essas lembranças do passado para aconselhar a anciã chefe em como dirigir o futuro. E o seu novo aprendiz deve ser treinado para isso. O filme traz de volta a emanação platonista gnóstica de sabedoria.No passado essa emanação serviu de inspiração para a era medieval e o surgimento de algumas seitas.

No caso desse filme, a gnose mística pseudo cristã acontece pela emanação das lembranças que são transferidas entre o ancião e seu aprendiz pelas marcas que  ambos possuem nos punhos. Quando os dois estão conectados as lembranças são compartilhadas. O rapaz escolhido é o número 52 da sua comunidade. Quando se soma os números temos o 7 que representa o cristianismo, mas um falso. Já as marcas no punho servem como alusão a crucificação de JESUS.

É nesse ponto que precisamos falar sobre o bahaismo. A comunidade descrita no filme é a mesma que os seguidores do cristo cósmico Baha’u’llah ensinam para o futuro. O treinamento Bahá’i é dividido em 3 etapas (infância, adolescência e início da fase adulta) , exatamente como no filme. Tal divisão tem como meta preparar um pequeno número de pessoas para a ordem mundial de Baha’u’llah através da educação, onde cada aluno deverá descobrir o seu papel dentro da unidade da diversidade após os estudos. É importante dizer que as três tapas de ensino estão dentro de um ” círculo” de estudos. No vídeo abaixo feito pela comunidade Bahá’i pode se ter uma idéia mais ampla sobre o tema (obs.:  Substitua a palavra Deus no vídeo por Baha’u’llah):

https://www.youtube.com/watch?v=RQhm9zJuc7E

Por outro lado, temos outra sociedade secreta disputando o poder do mundo. Essa é bem conhecida de muitos e chamada Illuminati. Se o leitor assistir o filme verá que o delta luminoso, o triângulo sagrado do esoterismo, está em toda a parte. A cidade é fechada em um círculo mágico para que as memórias não entrem. Os templos Baháis são construídos em círculos para se protegerem das outras religiões com esse fim.

Os illuminatis não estão na cidade, mas conjurados para fora do círculo. Do lado de fora temos o caos,a dor, a disputa e o sofrimento (claro que tudo em nome da paz global) querendo entrar na cidade, mas para que isso seja feito um doador de memória, ou melhor um dos dois guardiões, deve quebrar o encantamento simplesmente ultrapassando a fronteira criada por uma linha imaginária, porém mística. Ora, quem quebrará a fronteira entre a ordem espiritual e material? O executivo mundial (vulgo anticristo).

O rapaz escolhido como ancião, após absorver um número de lembranças passadas necessárias, rompe com a barreira e traz o caos para a cidade perfeita e outro ancião fica para administrar. O caos se inicia com a celebração pagã do natal.

Esse é o primeiro conceito de condicionamento do filme, o conhecido lema chamado “Ordem Através do Caos”. Um golpe baixo dos responsáveis do filme para dizer que esse falso reino de DEUS na terra precisa aceitar e conviver nessa dialética sem solução ou síntese. Quando pensamos Biblicamente tal pensamento está correto, pois a função da besta de 10 chifres (ou o reinado do Anticristo) é realmente esmagar os opressores, já a função da besta do abismo onde se encaixa perfeitamente o cristo cósmico Baha’u’llah é criar e preparar espiritualmente o cidadão global para o novo código de ética que surgira com a chegada da nova ordem mundial.

Abaixo segue apenas alguns alertas importantes sobre esse filme:

1) Não importa em que tempo estamos, mas as mudanças sempre procuram os jovens é por isso que eles são usados nos filmes. Podemos observar isso na agenda gay, na liberação da maconha e nas manifestações contra o governo.

2) Por outro lado, o autor criou uma mistura entre Admirável Mundo Novo (crianças criadas fora dos país) e 1984 de Orwel (O governo da tirania). Um alerta que talvez as novas gerações não conheçam.

3) Estamos na era da cibercultura ou sociedade em rede, porém após ela temos a era dos drones, tema muito utilizado no filme.

4) O filme Doador de Memórias segue a mesma linha de Jogos Vorazes e Divergente, mas aplica conceitos mais cognitivos e com menos ação. A mente relaxada assimila melhor conceitos hipnóticos e místicos.

5) Atenção para as condições do falso espírito santo. O filme inicia em preto e branco, mas na medida em que a unidade da diversidade entra na cidade tudo fica colorido e o ápice acontece com a entrada do caos. Isso representa o sentido duplo da iniciação nos mistérios maiores da cabala onde 666 (caos) e 999 (paz) fazem parte apenas de um equilíbrio místico.

6) Para enganar os cristãos, o filme sugere a necessidade de uma III Guerra mundial, mas Biblicamente falando ela seria o Amargedom, ou seja, a ordem já estratará previamente instalada.

7) Faltaria tempo para falar da xenofobia, o retorno das raças superiores (eurocentrismo) ou a mudança do conceito de morte. Algo como matar ou torturar alguém será natural.  Ah! Em nome dos direitos humanos claro!

Referências:

http://www.ingresso.com/rio-de-janeiro/home/espetaculo/cinema/o-doador-de-memorias/espaco-itau-de-cinema-botafogo

O filme pode ser assistido em:

http://www.megablogfilmes.net/2014/09/assistir-filme-o-doador-de-memorias.html

Mário Mendonça

- 2014-12-21 12:08:01

Prezado STANILAW  Parabéns

Prezado STANILAW 

Parabéns pela aula; entre verdades e mitos, o maravilhoso mundo gótico.

Um outro assunto que seria bem vindo é sobre esta "ordem do dragão", tão propalada em diversos generos de filmes.

Abração

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