Comentário ao post “A financeirização espúria da economia verde, de Luis Nassif”, por Antonio Uchoa Neto

Ou seja, dinheiro que não existe, transformado em títulos virtuais que não existem, que geram juros contábeis igualmente virtuais, mas que asseguram a aquisição de bens móveis e imóveis, por um número cada vez menor de pessoas, ou entidades.

Comentário ao post “A financeirização espúria da economia verde, de Luis Nassif, por Antonio Uchoa Neto

Tudo é uma questão de ser capaz de vender, seja o que for, seja do jeito que for.

Toda essa presepada de criar nomes chamativos e originais, bitcoin, operações estruturadas de crédito, credit default swaps, hedge funds, mercado futuro de terras agriculturáveis opcionais, crédito opcional estruturado de reflorestáveis, plano opcional de dejetos preferenciais sólidos, o diabo, tudo isso é a mesma coisa: entrega-se dinheiro, recebe-se um papel – ou seria uma garantia virtual preferencial ao portador, já que é um gasto inútil imprimir papel, ou coisa que o valha – e resgata-se o dinheiro lá na frente, com a sobra – merreca, como é a expressão algorítmica equivalente? – do que o Mercado faturou com a papelada virtual, às custas da cada vez mais combalida economia real.

Ou seja, dinheiro que não existe, transformado em títulos virtuais que não existem, que geram juros contábeis igualmente virtuais, mas que asseguram a aquisição de bens móveis e imóveis, por um número cada vez menor de pessoas, ou entidades. Tanto faz, nos EUA, por exemplo, são a mesma coisa.

Tudo isso graças ao Algoritmo ( creio que já é tempo de escrever com inicial maiúscula, a exemplo de um outro Ser Supremo, igualmente invisível e todo-poderoso), que, como o caviar do Zeca Pagodinho, ninguém sabe, ninguém viu, só ouvimos falar.

Tudo é uma questão de ser capaz de vender, seja o que for, seja do jeito que for.

Tô cansado disso.

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1 comentário

  1. no capitalismo…
    …tudo que é vendável, é vendido.
    Arte, artistas (e “artistas”), produções científicas (quem as financia?) , cãezinhos, gatinhos e comidinhas para eles, carros e estradas para carros, força de trabalho, casas e eletrodomésticos para estas, cigarros e remédios para parar de fumar, bebidas alcoólicas, remédios contra álcool e força de trabalho, tudo é vendido. Força de trabalho, sexo, os corpos e os órgãos dos corpos.
    Podem ser comprados remédios contra as dores do corpo e contra a dor… da alma.
    (Não se preocupe: psicoterapias também são vendidas, as mais variadas e algumas que fariam corar seus criadores.) Vendem-se cremes e cirurgias contra envelhecimento, força de trabalho, silicone para isso e aquilo, brinquedos, roupas, jornais e revistas (que vendem espaços aos anunciantes e ideologia aos leitores, cada vez mais idiotizados), filmes, novelas e até candidatos aos cargos públicos, além da força de trabalho. Tudo é vendido.
    As drogas ilícitas também são vendidas e, claro, a guerra contra as drogas… também os presídios para os narcotraficantes são vendidos.
    O único sentido da vida é ora comprar, ora vender – mas, claro, só para quem pode e, sendo assim, não se admira que a corrupção faça parte indissociável de tal sistema
    Não traz qualquer culpa ser o lobo: aqui se faz e aqui se compra; dói é ficar cordeiro sendo escarrado pela vida, dir-se-ia.
    Portanto, é melhor seguir o ensinamento nietzschiano e não jogar fora seus demônios pois podem ser a melhor parte de você.

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