Sobre discursos e poder de fala, por Cristiane Alves

Sobre discursos e poder de fala

por Cristiane Alves

Dia desses me deparei com uma foto de Joaquim Barbosa acompanhado por uma mulher com uma calça tão justa que mostrava o contorno de sua vagina. Piadas masculinas e risadas femininas na postagem que dizia: “Ele mal chegou e já está levando racha ao partido”.

Auterquei e fui convidada a dispensar minha sororidade à minha bolha racial, segundo o rapaz a mulher não merecia minha solidariedade por ser branca, rica e de direita. Não sei quem ela era, mas achei absurdo que para criticar ou rir de um homem tão cheio de defeitos a mulher ao seu lado e sua genitália fosse o único argumento.

O ilustre desconhecido teve a postagem removida do grupo e eu tive um dia de fortalecimento de minhas convicções.

Penso que nossa fala (oral ou escrita) não nos define exatamente, visto que somos inteligentes o bastante para organizar os pensamentos antes de os expressar, mas que ela dá uma forte pista do que realmente somos.

Então não digo que William Waack seja racista, mas que tenha forte inclinação para ser e, como não mostrou constrangimento depois de sua fala, parece que ele próprio o confirma. Também não conheço Boechat o suficiente para dizer que seja misógino, mas achar que pode se dirigir a uma mulher de Estado como o faria a uma das funcionárias da bem frequentada casa de tolerância Bahamas Club, é o fim.

Sugerir que ex-presidentes se encontrem em um cárcere de cunho político para fazer sexo é até ridículo.

Poderia falar tanto mais sobre a promiscuidade política no judiciário. Seria tanto mais útil por falar da lascívia política que tranformou o país num prostíbulo diplomático onde a posição de cada um depende do montante oferecido.

Infelizmente Boechat, Waack e o rapaz da postagem infeliz não entenderam que o um minuto de aplausos não compensa o borrão biográfico. 

Que se divirtam com a masturbação ideológica celebrada por meia dúzia de pervertidos que não conseguem se manifestar sem o auxílio de emojis.

Cristiane Alves – Formação em Geografia (licenciatura e bacharelado) – UNESP, Especialista em educação especial com ênfase em Altas Habilidades e Superdotação – UNESP

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora

1 comentário

  1. Ficar calados

    Depois dessa elas poderia ficar calados ou no mínimo ficar corado de vergonha, se vem que o Waack na sua arrogância tem certeza que está sempre certo.

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome