Escritora e ativista bell hooks morre aos 69 anos

Referência para o feminismo negro, hooks faleceu em sua casa nos Estados Unidos e deixa um legado para a teoria política e educação

A escritora e ativista bell hooks. Foto: University of Wisconsin—Madison. Archives

Jornal GGN – A escritora e ativista norte-americana bell hooks, uma das referências para o movimento feminista negro, morreu nesta quinta-feira (15/12) aos 69 anos de idade em sua residência na cidade de Berea, no Kentucky.

“A autora, professora, crítica e feminista fez a sua transição cedo, em casa, rodeada de familiares e amigos”, disse comunicado divulgado pela família. Segundo o jornal The New York Times, a causa mortis foi uma falha terminal nos rins.

Sua sobrinha Ebony Motley divulgou a nota de falecimento em suas redes sociais:

Nascida Gloria Jean Watkins em 25 de setembro de 1952, a escritora adotou o pseudônimo como forma de homenagem à sua bisavó, Bell Blair Hooks. As letras minúsculas eram uma forma de enfatizar sua escrita e não sua pessoa.

Ela se graduou em literatura inglesa na Universidade de Stanford em 1974. Posteriormente, fez mestrado em inglês na Universidade de Wisconsin e doutorado em literatura na Universidade da California, Santa Cruz.

Seu primeiro livro de poemas foi publicado em 1978, dando início a uma produção de mais de 40 livros que tratavam de feminismo, racismo, cultura política, amor e espiritualidade, entre outros temas.

Sua obra foi traduzida para 15 idiomas e, no Brasil, obras como “Olhares negros: raça e representação”, “Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade” e “O feminismo é para todo mundo” são referências acadêmicas.

Em seu artigo “A universidade dos gurus e a universidade das transgressões”, o professor da USP Paulo Fernandes Silveira cita a referência que Paulo Freire exerceu na obra de bell hooks.

“Também influenciada por Freire, no conjunto de ensaios que compõem o livro Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade, bell hooks parece indicar um caminho para evitarmos a universidade dos gurus: “Pedindo a todos que abram a cabeça e o coração para conhecer o que está além das fronteiras do aceitável, para pensar e repensar, para criar novas visões, celebro um ensino que permita as transgressões – um movimento contra as fronteiras e para além delas. É esse movimento que transforma a educação na prática da liberdade” (2013, p. 24)”.

(Com G1 e The New York Times)

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