10 de junho de 2026

Exclusivo: de atos pacíficos à repressão na segunda maior marcha do Chile

Manifestações pacíficas terminam com bombas de gás lacrimogêneo, tanques de água tóxica e gás de pimenta, balas de borracha e uso de armas de fogo. GGN captou imagens
Foto: Patricia Faermann

De Santiago, Chile

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Jornal GGN – A manifestação deste 1º de novembro foi considerada a segunda maior desde a crise política e social instaurada no país há duas semanas. Sob questionamentos, as cifras oficiais dão conta de 35 mil pessoas na região central de Santiago. De acordo com informe policial, a manifestação pacífica se tornou violenta somente nas proximidades do metrô Baquedano. Repórter do GGN acompanhou os protestos e registrou repressão policial em diversos pontos do ato.

As autoridades amanheceram neste sábado (02) indicando que a “Maior marcha de todas”, assim nomeada pelos chilenos, atingiram cerca de 45 mil pessoas a nível nacional, a maior parte delas na capital do país. Contudo, imagens aéreas indicam que os números foram subestimados pelas autoridades, considerando que pelo menos 2,5 km de extensão das vias centrais de Santiago estavam ocupadas.

Ao mesmo tempo, um relatório divulgado pela polícia informava que a manifestação iniciou de maneira pacífica, tornando-se “violenta com incidentes, ao tentarem incendiar o metro Baquedano”. Nossa reportagem esteve durante todo o ato, desde o início, e registrou que a manifestação pacífica recebeu o confronto das forças de Segurança, por volta das 19h40, em pelo menos três pontos das ruas centrais: na Alameda, na altura da rua Estado; na rua Moneda, nas proximidades do parque Santa Lucia, e na Plaza Itália.

Imagen foto_00000001

Os números de presos, feridos e mortos pelo aparato estatal aumentam a cada dia, mesmo após o presidente Sebastián Piñera retirar o Estado de Emergência, que permitia, até o último final de semana, a presença de militares nas ruas e o toque de recolher. De acordo com o Instituto Nacional de Direitos Humanos (INDH), são 1.574 feridos com ingresso em hospitais, 305 deles vítimas de armas de fogo, 40 por armas de bala e 473 por balas de borracha; 4.316 pessoas presas, e 18 denúncias registradas de violência sexual no país.

Imagem

De acordo com a Procuradoria do Chile, foram 23 mortes durante o Estado de Exceção.
Também na manhã de hoje, o prefeito da Região Metropolitana, Felipe Guevara, disse que a manifestação que “reuniu mais de 20 mil pessoas” na capital ocorreu de forma “pacífica” e sem maiores incidentes.

 


ACOMPANHE O QUE ACONTECE NO CHILE:

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

1 Comentário
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Marcos K

    4 de novembro de 2019 5:41 am

    Uma coisa chama muito atenção nessas mobilizações pelo mundo: a obstinação da direita neoliberal em resistir a qualquer custo, não importando o tamanho das manifestações. Outros tempos e o governo já teria caído… Isto é indício de que ela não está disposta a recuar. Terá que ser apeada do poder à força, com exército e tudo.
    Pior ainda: se ela resistir é como se nada tivesse acontecido e irá continuar enfiando o neoliberalismo goela abaixo, custe o que custar.
    O mesmo vale pra nós. A direita neoliberal está disposta a tudo, inclusive suportar Bolsonaro, desde que sua agenda se imponha. Isso é claro e cristalino. Só não vê quem não quer.

Recomendados para você

Recomendados