4 de junho de 2026

GT de Mulheres se manifesta pelo fim da violência de gênero

Texto publicado para marcar Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres aponta as falhas cometidas no último governo
 FERNANDO FRAZÃO/AGÊNCIA BRASIL

O grupo de trabalho de Mulheres do Gabinete de Transição divulgou nesta sexta-feira (25/11) um manifesto pelo fim da violência de gênero, como forma de marcar o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

O texto é assinado pela Coordenação do Grupo de Trabalho das Mulheres do Gabinete de Transição: Aava Santiago, Ana Clara Ferrari, Anielle Franco, Anne Moura,  Aparecida Gonçalves, Eleonora Menicucci, Eliana Magalhães Graça, Maria Helena Guarezi, Roberta Eugênio, Roseli Faria, Sandrali Bueno e Vilma Reis

“Em mais de 160 países esta data marca o início dos 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres”, diz o grupo, lembrando que a campanha no Brasil tem uma característica especial: ela começa cinco dias antes, em 20 de novembro, o Dia da Consciência Negra, enquanto uma estratégia para aliar o enfrentamento à violência de gênero com as lutas antirracistas.

“Essa jornada de 21 dias de ativismo se encerra em 10 de dezembro, o Dia Internacional dos Direitos Humanos. Delimita-se assim a violência contra as mulheres enquanto uma violação de direitos humanos”, ressalta o texto.

O dia 25 de novembro foi escolhido em memória das irmãs Pátria, Minerva e Maria Teresa Mirabal, conhecidas como “Las Mariposas”, e opositoras do governo do ditador Rafael Trujillo, que ordenou seus assassinatos na República Dominicana.

“O caso de Las Mariposas expõe a brutalidade contra a vida das mulheres, seja em âmbito doméstico ou no curso de suas vidas públicas”, diz o texto. A comoção gerada ajudou a fortalecer o combate contra a ditadura dominicana, que culminou com a morte de Trujillo meses depois.

Violência de gênero no Brasil

As mulheres do grupo de trabalho lembram que, no Brasil, “as mulheres não encontram segurança ou desfrutam do direito a uma vida livre, qualquer que seja sua classe social, posição ou cargo, raça, sexualidade, território ou religião”.

No caso da violência política de gênero no Brasil, ela “é a marca de um país com uma população composta majoritariamente por mulheres (52%)”, e como exemplos são lembrados o impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff e o assassinato da vereadora Marielle Franco, além das ameaças à vida das mulheres indígenas, camponesas, quilombolas e ribeirinhas.

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2022, somente no ano de 2021, mais de 66 mil mulheres foram vítimas de estupros, um aumento de 4,4% em relação ao último ano – sendo que, dessas vítimas, 61.3% eram crianças de até 13 anos de idade.

Ao mesmo tempo, a violência doméstica aumentou: mais de 230 mil mulheres foram vítimas de agressões físicas cometidas, em quase 90% dos casos por seus companheiros. Contudo, tal violência não é marcada apenas pelo gênero, uma vez que são as mulheres negras 62% das vítimas de feminicídio.

A violência contra mulheres transexuais também atingiu o grave número de 175 assassinatos apenas em 2020, segundo dados do Dossiê: Assassinatos e Violência Contra Travestis e Transexuais Brasileiras. Ainda no Anuário da Segurança Pública de 2022, a violência contra LGBTQIA+ aumentou em todos os tipos: agressão (aumento de 35,2 %); homicídios (aumento de 7,2%) e estupros (mais 88,4%).

Uma avalanche de mulheres clama por proteção, com um aumento de 13,6% nas solicitações de medidas protetivas de urgência. Um socorro que, em muitos casos, nunca chegou.

Desmonte generalizado

Segundo o grupo de trabalho, houve um completo desmonte das políticas de proteção e enfrentamento à violência contra a mulher.

“Por meio da alteração de programas como o Mulher Viver Sem Violência, do sucateamento da Central de Atendimento à Mulher, o Disque 180 e do profundo corte nos recursos da pasta, este Grupo de Trabalho tem analisado os escombros das principais políticas públicas (des)implementadas no país para as mulheres”, ressaltam.

O orçamento das ações da Secretaria de Políticas para Mulheres, transformada em 2019 em Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, passou de R$ 265 milhões (em 2016) para R$ 23 milhões, provisionado para 2023.

“Sabemos que para colocar em prática uma política pública é preciso definição de prioridades e compromisso financeiro”, pontua o grupo de trabalho.

“E para que isso ocorra, afirmamos, é indispensável que as mulheres brasileiras sejam inseridas no centro do orçamento público e, junto a elas, pensadas ações em todas as áreas temáticas do novo governo”.

Saiba Mais

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados