Parlamento Europeu diz que Bolsonaro “instrumentalizou” atos golpistas e aprova resolução

Patricia Faermann
Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile, repórter de Política, Justiça e América Latina do GGN há 10 anos.
[email protected]

Resolução isola, ainda mais, Jair Bolsonaro da cena internacional. Parlamentares europeus pedem investigação de Bolsonar

Parlamento Europeu – Foto: Divulgação

O Parlamento Europeu aprovou uma moção condenando os ataques golpistas e responsabilizando Jair Bolsonaro pelo extremismo gerado no país, que culminou na invasão dos Três Poderes no dia 8 de janeiro.

A decisão foi tomada pelos deputados europeus, nesta quinta-feira (19). A resolução aprovada por 319 parlamentares isola, ainda mais, Jair Bolsonaro de qualquer atuação ou imagem internacional e pressiona qualquer autoridade europeia a não receber ou demonstrar apoio ao ex-mandatário brasileiro.

No documento, divulgado por coluna de Jamil Chade, do Uol, os deputados afirmam que Jair Bolsonaro, assim como Donald Trump no episódio da invasão ao Capitólio, “tiveram um papel instrumental” nos ataques às instituições dos respectivos países.

Ainda, a resolução “lamenta as tentativas do ex-presidente Bolsonaro e de alguns de seus apoiadores políticos de desacreditar o sistema de votação e as autoridades eleitorais, apesar de não haver evidência de fraude eleitoral, e insta-os a aceitar o resultado democrático das eleições”.

A votação dos deputados europeus por rechaçar, publicamente, Jair Bolsonaro e seus seguidores, com tom de gravidade diplomática, é um recado dos países sobre como irão lidar com o avanço da ultra-direita no mundo.

Nesse sentido, os parlamentares “reconhecem a conexão entre o fascismo transnacional crescente, o racismo, o extremismo e, entre outros, os acontecimentos em Brasília, a invasão do Capitólio dos EUA em janeiro de 2021 e as prisões em dezembro de 2022, referentes a um ataque planejado ao Bundestag da Alemanha.”

Também apontam as redes sociais como os instrumentos para disseminar e difundir “o fascismo transacional e extremismo”, por meio de Fake News, sem qualquer controle e regulação.

Por fim, o documento do Parlamento Europeu expressou “solidariedade com o presidente democraticamente eleito Lula da Silva, seu governo e instituições brasileiras” e fez menção ao Supremo Tribunal Federal (STF) que irá investigar Jair Bolsonaro, que “pode ter contribuído, de forma muito relevante, para a ocorrência de atos criminosos e terroristas.”

“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: www.catarse.me/jornalggn

0 Comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Seja um apoiador