A um passo do terrorismo

Do leitor João Xavier

Meu trabalho de conclusão de curso foi um livro-reportagem sobre o PCC. (que me rendeu um inquérito policial) Deixei meu antigo emprego e dediquei um ano e meio ao trabalho. Por conta disso, fiquei desconcertado ao ler sua coluna de hoje (sobre o trabalho do Juiz de Direito em Tupã, Edmar de Oliveira Cicliati) e constatar algumas informações incorretas.

O PCC realmente “adota” os presos quando chegam ao presídio. Porem, a cooptação é muito mais assistencialista do que intimidatória. Quando os presos saem, não têm qualquer perspectivas de (re)inserção no mercado de trabalho. Procuram as ONGs que também não tem estrutura de encaminhamento. Sem outros meios para sobreviver, recaem no crime. Muitas vezes, por valores ínfimos.

Resposta – o juiz diz que a primeira abordagem é assistencialista mesmo. Mas os que não se comportam, depois, com lealdade em relação ao PCC, são executados

As namoradas são atraídas, por motivos outros que os apontados. Os presos dedicam grande parte do tempo a tratar as possíveis namoradas como “princesas” nas palavras de uma delas. Na visão delas, o preso é o estereótipo do namorado perfeito: forte, protetor, valente, gentil, romântico, etc. Que outro homem escreve cartas de amor para a namorada hoje em dia? Eu vi pessoalmente advogadas de classe média abandonarem casa e família para se unir a presos.

Resposta – no trabalho, o juiz diz que a primeira abordagem é pedir para a namorada do colega de cela trazer uma amiga. A corte se dá obviamente depois do primeiro contato.

Agora chegamos ao ponto realmente preocupante do texto.

Ao contrário do informado, as visitas não são as grandes fornecedoras de drogas e celulares. Claro, que entra uma parte considerável, mas não é o duto principal. As mulheres e mães são obrigadas a se despir e de cócoras fazer movimentos, nuas, para que agentes verifiquem se cai algum objeto da vagina.

Resposta – conversei pessoalmente com um motorista que guia ônibus para visitas a presos. Sua informação é de que a maioria das pessoas é constrangida a efetuar as visitas.

O grosso dos celulares entra mesmo via agentes da SAP. Eles não são revistados, não passam no detector de metais e ganham cerca de 1.200 reais por mês. Dizer que “corrupção interna, é bem mais fácil de identificar e impedir”, infelizmente não corresponde em nenhuma medida à realidade. Essa é, infinitamente, a parte mais difícil do problema.

Resposta – a dificuldade de identificar a corrupção interna decorre do fato de que a entrada de qualquer objeto encontrado nas celas pode ser atribuída às visitas. Sem esse álibi, fica mais fácil coibir a corrupção interna.

De modo que toda aquela discussão de revistar advogados e instalar bloqueadores é inócua.

Outra informação errada: para se apresentar como mulher do preso é preciso comprovar estabilidade, e a liberação demora alguns meses. Não tenho o número exato agora.

E o governo de São Paulo, demorou a isolar as lideranças por pura e simples miopia. Simplesmente recusava-se a admitir que houvesse facções se digladiando no sistema prisional. Mas mesmo assim, o governo da época, espalhou os líderes pelo sistema.

Na década de 1990, havia outras facções na disputa, e isso impedia o domínio de uma delas, o que acabou ocorrendo com o PCC. Um dos maiores fermentos do PCC é justamente o não-cumprimento da legislação pelo próprio Governo do Estado. Os líderes ocupam esse espaço e formam um exército de miseráveis, cuja única ferramenta de conquista social por eles conhecida é a violência.

É previsível que o PCC vá ampliar sua escalada de violência.

Em algum momento do futuro, próximo ou não, eles vão atacar estações de metrô, centros comerciais como shoppings e matar autoridades. O ex-líder do grupo, Geleião, defendia explodir a Bovespa.

Será o caos, cansativamente anunciado.

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