Fantasias em torno da dívida

Um dos grandes engodos na administração da dívida pública é supor que o aumento dos papéis pré-fixados (aqueles em que os juros não são atrelados à Taxa Selic) melhora a administração da dívida.

Há um custo implícito na mudança do perfil da dívida. Para alongar o prazo e oferecer pré-fixados, o Tesouro precisa levar em conta o custo de oportunidade e o prazo das aplicações selicadas. Se a Selic é mais alta, a taxa pré também será.

Em caso de alguma crise futura, com algum impacto no câmbio e na inflação, haverá dificuldades em rolar os papéis pré-fixados. E como farão o Tesouro e o Banco Central? Terão que voltar novamente aos papéis pós-fixados, pagando o prêmio na ida e na volta.

Moral da história: sem estabilização cambial, não adianta mudar perfil da dívida, contando apenas com a manutenção das condições externas favoráveis. Reduzir a dívida é trabalho de longo prazo. E o país não controla as variáveis internacionais de longo prazo. Ou criando essas fantasias de dizer que, mesmo com a dívida interna crescendo R$ 113,84 bi em 2006, estamos em céu de brigadeiro porque se conseguiu mudar minimamente o perfil da dívida.

Enquanto não se colocar um câmbio competitivo, e formas de reduzir a volatilidade no fluxo de capitais, estaremos enxugando gelo. E pagando caro por isso.

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