Os novos cidadãos

Um dos fenômenos mais interessantes do atual momento é o que o jornalista Franklin Martins chama de fim do efeito “pedra na lagoa”. A opinião pública brasileira moderna começou a se formar nos anos 80. Nos anos 90 ganhou músculos e criou-se o efeito “pedra na lagoa”. Começava-se um movimento na chamada opinião pública midiática que, depois, ia se ampliando como as ondas da lagoa, até atingir o povão. Aí se tornava irresistível, e o impeachment de Fernando Collor é a prova maior.

Franklin ouviu do Montenegro, do IBOPE, e do Marcos Coimbra, da Vox Populi, que esse efeito-onda acabou nessas eleições.

O fato suscita boas indagações.

Nos últimos anos, as classes C, D e E ascenderam ao mercado de consumo e de cidadania. Hoje em dia, fazem parte da estratégia de venda de qualquer empresa moderna, da Nestlé ao Pão de Açúcar. Ao mesmo tempo multiplicaram-se os pontos de acesso à informação. A própria Internet já tem cada vez mais usuários da classe C.

Mas esse fenômeno passou despercebido da grande mídia, especialmente daqueles que apostaram no impeachment. Saíram atrás das primeiras denúncias – que procediam – e foram ampliando cada vez mais o fogo, certos de que comemorariam a queda de um presidente em seu currículo.

Nem sei se se pode atribuir a resistência ao fato das classes C e D terem acesso a outras fontes de informação. Mais provável é que sua ascensão ao mercado de consumo e cidadania coincidiu com a de Lula, visto como seu representante genuíno. Quando a campanha ganhou forte conotação elitista e preconceituosa, quebrou-se a magia da crença cega na mídia.

Aparentemente, depois de se incorporarem ao mercado de consumo, as classes C e D passaram a navegar no mercado da opinião. E é bobagem considerar que têm menos discernimento que a opinião pública midiática. O efeito-manada é similar. Habemus uma sociedade mais sofisticada, ainda que com duas pontas mal informadas, o que aumenta a responsabilidade do combate incessante à corrupção dentro das regras da legalidade.

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