Unicef revela raio-x dos homicídios de adolescentes no Ceará

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Foto: EBC
 
Jornal GGN – O estudo “Trajetórias Interrompidas”, divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), mostra que maior parte dos adolescentes vítimas de homicídios no Ceará são garotos (97,95%) e negros ou pardos (65,75%).
 
O relatório, que levantou os dados da violência em 2015, também revela que 67,1% das vítimas tinham renda familiar de um a dois salários mínimos, sendo que 68,7% delas eram beneficiários do Bolsa Família. 
 
A UNICEF também aponta que os homicídios de adolescentes em Fortaleza, capital cearense, se concentram em poucas regiões, nos locais mais vulneráveis. 44% das mortes analisadas ocorreu em 17 dos 119 bairros da cidade, sendo que metade das vítimas foi assassinado a cerca de 500 metros de sua residência. 

 
Entre os municípios analisados, 70% dos adolescentes vítimas de homicídio estavam fora da escola há pelo menos seis meses. Na cidade de Fortaleza, mais da metade dos adolescentes assassinados  haviam sido ameaçados antes de serem mortos, e, em 46% dos casos da capital, as vítimas haviam cumprido alguma medida socioeducativa. 
 
O documento é fruto do trabalho do Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios na Adolescência e foi apresentado na Assembleia Legislativa do Ceará. 
 
Foram analisados os homicídios de adolescentes entre 12 e 18 anos em sete municípios (Caucaia, Eusébio, Fortaleza, Horizonte, Juazeiro do Norte, Maracanaú e Sobral), com entrevistas com 224 familiares.
 
“O estudo nos permite conhecer quem são esses adolescentes que são assassinados todos os dias nas cidades cearenses”, afirmou Gary Stahl, representante do UNICEF no Brasil. “Essas informações serão fundamentais para a criação de estratégias e políticas públicas para a prevenção de novas mortes e, também, de apoio às famílias das vítimas”.
 
Além dos dados sobre as vítimas, o estudo traz recomendações para prevenir os homicídios, como a proteção de famílias vítimas de violência, a ampliação e o fortalecimento da rede de proteção à infância e prevenção ao uso precoce de drogas, entre outros pontos. 
 
O relatório do deputado Renato Roseno, do Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios na Adolescência, aponta para uma “dificuldade persistente de apontar um nexo causal para os homicídios”.
 
“Não existe apenas um fator determinante para a violência, ainda mais quando ela se manifesta na adolescência, período em que o indivíduo passa por tantas transformações orgânicas, emocionais, comportamentais e sociais”, afirma.
 
Leia o estudo aqui.
 
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1 Comentário

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ze sergio

- 2017-06-06 20:35:20

unicef....

Adolescentes? Então garotos que nasceram e foram criados durante governos progressistas de FHC, Lula e Dilma. Embaixo de uma Constituição dita Cidadã. E o resultado é este? Medíocre. O país mais violento do Mundo, onde 100.000 assassinatos são subnotificados para parecerem "apenas" uns 60 mil. E agora não tem outros governos, nem o período militar para se empurrar responsabilidades e incompetências. Culpar a quem? Fora a mediocridade e a certeza que a constatação dos fatos não avaliza ninguém a ter capacidade em resolvê-los. Farsantes sendo desmascarados. Quem paga é a sociedade.  

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