newsletter

Pular para o conteúdo principal

A criação da Aliança do Pacífico

Por Marco Antonio L.

Da Carta Capital

Criada à direita, Aliança do Pacífico rivaliza com o ‘esquerdista’ Mercosul

Gabriel Bonis

Há cerca de um mês, a criação de um bloco de integração na América Latina passou quase despercebida no Brasil, mas aparentemente não entre os líderes do Mercosul. A entrada da Venezuela no mercado sul-americano é apontada como uma reação à Aliança do Pacífico. Formado por Chile, Peru, Colômbia e México, o acordo prevê a integração das economias dos países do oceano Pacífico para que seus integrantes enfrentem a concorrência asiática e se transformem no motor do crescimento latinoamericano. Uma proposta que imporá desafios ao projeto de expansão do Mercosul, como a solução de problemas internos de seus membros, mas sem inicialmente ameaça-lo.

A Aliança do Pacífico aposta na diversificação de suas relações comerciais para conter o avanço chinês na região, ao mesmo tempo que aproveita os benefícios da demanda asiática por commodities. Todo esse fluxo de comércio comporia uma área de livre circulação de bens, serviços, capitais e pessoas, em um projeto semelhante ao Mercosul. A principal diferença apontada pelos líderes dos países do novo bloco, no entanto, seria a busca por uma integração rápida. Algo que tornaria o mecanismo mais atraente, embora ele já seja visto como a iniciativa “mais importante” e ambiciosa da região pelo economista Roberto Teixeira da Costa, presidente da Câmara de Arbitragem da Bolsa de Valores de São Paulo. Para ele, o plano acerta ao explorar a ligação com Pacífico, que coloca o bloco na rota preferida das Américas com a Ásia, logo, em vantagem ao Mercosul na concorrência pelo mercado asiático.

O novo bloco, que reúne 40% do PIB da América Latina, 55% de todas suas exportações e um mercado de 206 milhões de consumidores, possui planos ambiciosos na relação entre seus membros. O projeto foca na consolidação de novos investimentos, principalmente em uma maior integração energética e de infraestrutura, e mais comércio intrarregional (com colaboração alfandegária). A Colômbia seria o referencial para as exportações da produção geral, por possuir tratados de livre comércio com EUA, Canadá e China, por exemplo. Um fator que pode levar esses itens aos mercados citados em melhores condições de preço que os do Mercosul.

A Aliança também ataca à burocracia, apresentando o Mercado Comum Sul-americano como um exemplo a ser ignorado. O grupo pretende avançar de forma mais rápida sem impedimentos ideológicos em temas comerciais e de integração, abominando itens como barreiras protecionistas. O discurso é totalmente liberalizante, seja nas tarifas, comércio eletrônico, cooperação aduaneira ou investimentos. E mostra também uma divisão ideológica entre os governos dos países da América do Sul. Enquanto o Mercosul vive um momento de líderes de esquerda – com a exceção do Paraguai após a deposição de Fernando Lugo -, a Aliança do Pacífico reúne os países mais neoliberais da América Latina. A exceção fica com o presidente do Peru, Ollanta Humala, da esquerda. Mas o mandatário está preso ao bloco, proposto pelo ex-presidente Alan García, que conduziu reformas liberais no país andino.

O projeto pretende ter grande envergadura regional e abocanhar novos membros. Um discurso que começa a rivalizar com os planos de integração do Mercosul. O novo ministro da Fazenda do Paraguai declarou na última semana que a suspensão do país do mercado comum sul-americano empurra o governo paraguaio a buscar alianças com outros países e blocos, que incluem os EUA e países da Aliança do Pacífico. Mas para Giorgio Romano Schutte, coordenador do curso de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC), essa ameaça poderia ser contornada com os países de ambos os blocos realizando acordos econômicos mais flexíveis por meio da Unasul (União de Nações Sul-Americanas), embora sempre em alerta ao eventual avanço da Aliança. “Se a AP entrar na América do Sul, seria um cenário que a diplomacia brasileira deve atuar.”

Apesar dessa pressão, o Mercosul não deve sentir-se ameaçado. Alguns elementos da formação da Aliança indicam possíveis dificuldades de integração dos países do novo bloco. Entre eles, a heterogeneidade dos interesses comerciais de seus integrantes. Tullo Vigevani, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e especialista em Mercosul, destaca que o fato de México, Colômbia, Chile e Peru estarem ligados por tratados de área de livre comércio com os EUA coloca a possibilidade de uma integração regional e produtiva, como se pretende no Mercosul, difícil de se deslumbrar. Até porque os países da aliança também possuem acordos com o Mercosul.

Para o analista, o Mercosul tem mais chances de seguir consolidar uma integração regional. Isso dependeria, no entanto, de uma solução por parte dos governos dos países do bloco para suas dificuldades regionais e de desenvolvimento interno, que tendem a sinalizar com medidas protecionistas. “Isso não é bom para uma integração, a não ser que se pensasse em um regional desenvolvimentismo.”

Sem votos
13 comentário(s)

Comentários

Comentar

O conteúdo deste campo é privado e não será exibido ao público.
+13 comentários

http://www.lahaine.org/index.php?p=62735

 

 

"Para ele, o plano acerta ao explorar a ligação com Pacífico, que coloca o bloco na rota preferida das Américas com a Ásia, logo, em vantagem ao Mercosul na concorrência pelo mercado asiático."

A logística ajuda, mas não é suficiente para dar tanta vantagem assim a esse bloco.

"Enquanto o Mercosul vive um momento de líderes de esquerda – com a exceção do Paraguai após a deposição de Fernando Lugo -, a Aliança do Pacífico reúne os países mais neoliberais da América Latina. A exceção fica com o presidente do Peru, Ollanta Humala, da esquerda. Mas o mandatário está preso ao bloco, proposto pelo ex-presidente Alan García, que conduziu reformas liberais no país andino."

Isso significa que eles também tem grandes diferenças e semelhanças. Entre as diferenças incluem-se questões ideológicas como as apontadas e uma história de guerras mal resolvidas. As semelhanças mais atrapalham do que ajudam: economias baseadas na mineração e na produção agricola - que interessam à China, é verdade - e políticas neoliberais que acentuam a pobreza da população indígena, como o agravamento dos conflitos sociais.

O "novo" Paraguai se encaixa perfeitamente nesse grupo. E o Equador se encaixaria perfeitamente como porta de saída do Mercosul para a Ásia. Enquanto isso, parece que a Bolívia vai ter que esperar mais pela sua saída para o Pacífico, tanto num grupo quanto no outro.

 

As únicas alianças econômicas que funcionam olham para frente, não para os lados.

 

a fila anda, enquanto aqui nossa diplomacia se perde em infantilidades, profissionais de outros paises atuam com eficiencia maior!

 

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." MAX FRICH

Ué, mude para um país mais "eficiente".

 

Ou o Brasil acaba com o PIG, ou o PIG acaba com o Brasil

"There can be no daily democracy without daily citizenship" Ralph Nader

 

O FUTURO da Aliança do Pacífico?

1) Ser um REMEMBRAMENTO do quintal dos ESTADOS UNIDOS.

2) Serem, os GOVERNOS dos países que o integram, apenas mais CAIXINHAS dependuradas no ORGANOGRAMA em cujo topo estará, como sempre esteve, a caixona dos Estados Unidos!

¿Hermoso futuro, no?

 

Ollanta Humala mesmo sendo de esquerda aderiu a aliança porque sofre do mesmo problema do Lugo, não tem maioria no congresso peruano. Ele fez aliança com o ex-presidente liberal (Alejandro Toledo) para ter maioria no legislativo.

O cenário político peruano é pulverizado e ausente de lideranças, Humala precisa criar um bolsa família local para consolidar seu poder, num país que tem os maiores índices de miséria na América Latina que é o Peru.

 

Correção: América do Sul e não Latina.

 

A Aliança do Pacífico aposta na diversificação de suas relações comerciais para conter o avanço chinês

A Aliança do Pacífico aposta na concentração de suas relações comerciais com os EUA. Na Era FHC o Brasil só mantinha relações comerciais com os EUA e só levava chumbo, não progredia, os EUA queria domínio total, nem pesquisa científica não podia fazer. Com Lula começou a diversificação das relações comerciais. Vamos supor que a Aliança do Pacífico realmente opte por diversificar suas relações comerciais com outros paises mas.....Com a Venezuela não pode....com a China não pode....com a África não pode....Pode com que então...Onde está a diversificação

 

Calendário SPIN

Esta na hora do Brasil começar a jogar.

Um bom movimento seria colocar um satélite no espaço com tecnologia própria.

 

O Brasil deveria também acelerar a construção do submarino nuclear.

Sempre buscando um índice alto de nacionalização, pois se a gente for depender apenas de transferência externa de tecnologia estamos fudidos...

 

Um dos objetivos da recriação da Telebrás foi esse...

 

É geopolítica na veia! A política externa dos EUA para a América Latina é rigorosamente a mesma há 189 anos, mais precisamente desde 1823. É a famigerada Doutrina Monroe que propugna "a América para os americanos". A Aliança do Pacífico está aí para provocar um racha na integração latino-americana, em favor dos EUA. É disso que se trata! Faz quase 200 anos que os EUA impõe sua hegemonia através de guerras, guerras civis e golpes de estado contra todo e qualquer iniciativa de integração regional da América Latina, em especial da América do Sul. Por isso os norte-americanos são contra o Mercosul e contra a UNASUL. Porque esses arranjos regionais diminuem o seu poder de influência e dominação!


A questão de fundo no Paraguai, além do golpe, é uma disputa pela hegemonia política no continente. A entrada da Venezuela no Mercosul (que era bloqueada pelos golpistas paraguaios) é um tiro no peito da Doutrina Monroe e dos EUA. E é também um passo adiante na integração regional, além de fortalecer sobremaneira o interesse nacional brasileiro. Os EUA pretendem manter a América do Sul dividida para dominar e manter sua hegemonia. Quando o Brasil apóia a integração regional, vai contra os interesses do imperialismo norte-americano. Resta saber de que lado as pessoas vão ficar nesse disputa pela hegemonia continental, se do lado do Brasil ou dos EUA...

 

Diogo Costa