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Os sapatos de luxo brasileiros na China

Do G1

Rede vai vender calçados brasileiros de luxo na China

Preços dos pares serão de US$ 150 a US$ 900; 1ª loja abre em setembro.  Expectativa é abrir 30 unidades em 3 anos e vender 100 mil pares ao ano.

Até o começo do ano passado, a empresária chinesa Giulia Zhu, de 31 anos, enxergava o Brasil apenas como a terra do futebol e do carnaval. Após visitar uma feira do setor calçadista nacional em Xangai, ela descobriu que os brasileiros são bons, também, em fabricar sapatos. E, em setembro ela inaugura, na cidade de Jinan, província de Shandong, a primeira loja da rede de calçados brasileiros de alto valor agregado que acaba de criar na China, com o nome de Veggi Fever.

“Eu espero que os chineses se apaixonem pelos produtos brasileiros e tenham febre por eles”, explica Giulia, sobre a inspiração para o nome. A expectativa da empresária é de abrir as 30 unidades diretas em três anos e vender mais de 100 mil pares ao ano. Os preços no varejo são estimados entre US$ 150 a US$ 300 para modelos de verão e de US$ 300 a US$ 900 nos modelos de inverno, como botas.

A abertura de uma segunda unidade da rede está confirmada para novembro em Xangai, dentro da loja de departamento japonesa Takashimaya – a primeira também será dentro de uma loja de departamento, chamada Xinduhui. Outros dois pontos estão em análise e serão inaugurados até dezembro “se tudo der certo”, diz. “Esperamos que, até setembro de 2013, tenhamos entre seis e dez lojas em diferentes cidades chinesas.”

Giulia diz que foi surpreendida pela qualidade dos calçados brasileiros. “São lindos, totalmente diferentes dos que existem no mercado chinês. Eles são ‘fashion’, elegantes, coloridos, bem feitos e marcantes”, revela.

Apaixonada por sapatos, a empresária afirma que às vezes é muito difícil encontrar os modelos que gosta nas lojas do país. “O mesmo acontece com muitas de minhas amigas. As mulheres chinesas irão se apaixonar com os calçados brasileiros imediatamente”, garante. As lojas terão tanto modelos femininos quanto masculinos.

'Novo mundo'

A feira que abriu os olhos de Giulia e a apresentou “um novo mundo”, nas próprias palavras da empreendedora, foi promovida pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), dentro de um projeto da entidade, em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), de prospectar oportunidades de negócios em países asiáticos, como explica Cristiano Körbes, coordenador de projetos da associação.

“A China entrou dentro do projeto Brazilian Footwear (...) Em janeiro de 2010 fizemos a primeira missão prospectiva”, explica. De acordo com ele, a conclusão a que a entidade chegou é que há potencial no mercado chinês para produtos de valor agregado, que apresentem design interessante, materiais nobres, com proposta de valor de marca.

Balança de calçados
A intenção da iniciativa é aumentar as exportações do produto ao país asiático, que está longe de ser o principal destino dos calçados brasileiros – não consta nem na lista dos 10 primeiros. De acordo com a entidade, as vendas para a China foram de apenas 36 mil pares de um total 47,7 milhões de pares exportados de janeiro a maio deste ano. Em valores, representaram US$ 804,7 mil dos US$ 444 milhões – faturamento que, aliás, representou queda de 20% sobre igual período do ano passado (US$ 551,8 milhões), influenciada, entre outros fatores, pelo câmbio desfavorável.

O principal país de destino dos calçados brasileiros são os Estados Unidos. Nos cinco meses deste ano, os norte-americanos compraram 5,6 milhões de pares.

Por outro lado, o Brasil compra muitos sapatos da China. De janeiro a maio deste ano, foram de 6,8 milhões de pares, 41% do total de 16,5 milhões deles importados, o que coloca o país no primeiro lugar da lista de importação nesse quesito. Em valores, os pares comprados do país asiático representaram neste ano, até maio, US$ 27,2 milhões, 13% do total de US$ 207,98 milhões, a terceira principal origem no quesito (atrás de Vietnã e Indonésia).

De acordo com Körbes, um grupo de empresários de seis calçadistas brasileiras visitou o país e foram organizadas as rodadas de negócios. Foi em uma delas que Giulia iniciou o contato com os frabricantes brasileiros. Além de Xangai, o grupo também visitou mercados de Hong Kong e Pequim. “O trabalho foi dando resultados, algumas já vendem na China, outros têm negócios sendo realizados”, diz, acrescentando que a entidade está formando um segundo grupo de empresas para visitar o país em outubro deste ano.

Por um acaso
Giulia afirma que foi convidada por um acaso para ir à feira. “Uma amiga me perguntou se eu conhecia alguém que atuava com o mercado calçadista porque aconteceria uma feira do setor com empresas brasileiras em Xangai”. Como não conhecia ninguém da área, a empresária foi convidada a ir.

“Eu e meu sócio estávamos procurando por novos projetos. Por que não conhecer?”, afirmou. “Antes da feira, eu nunca imaginaria que os calçados seriam tão bonitos, apesar de eu ser apaixonada por sapatos. Em uma palavra, a experiência na feira pode ser descrita com um ‘uau’”, diz.

O parceiro da chinesa é o empresário Vero Stoppioni, italiano de 48 anos que vive na China. Ambos já são sócios desde 2010 em uma empresa que exporta peças de vestuário infantis à Itália. “O ramo de sapatos é um negócio novo para mim”, diz a empreendedora.

Apesar de não revelar o investimento no projeto, Giulia conta que ambos estão se empenhando muito na criação da empresa, desde a contratação de pessoas experientes e de consultorias de varejo, além de criar estratégia de marketing e marca e preparos para o evento de inauguração.

“Eu sou uma grande fã de futebol e a seleção brasileira é uma das minhas favoritas, mas, como muitos chineses, meu conhecimento sobre o Brasil era somente futebol e Carnaval. Eu não sabia que o país é tão bom em produzir sapatos, além de outras coisas”, afirma.

A chinesa conta que passou a pesquisar mais sobre o país. “Agora, o Brasil se tornou o primeiro da lista de países que quero conhecer.”

Produtos 'especiais'
Com relação ao preço dos calçados, a empresária afirma que, durante a análise de mercado, os sócios descobriram que podem atrair diferentes tipos de clientes. “Como sabido, produtos de luxo são muito bem vendidos na China, mas os consumidores de alta classe social os têm usado por muitos anos. Claro que eles continuarão comprando esses produtos de luxo, mas eles querem ter algo novo e especial, que poucas pessoas conhecem”, afirma. Para ela, os produtos brasileiros são competitivos levando em conta o design, preço e estilo.

Apesar de valores de até US$ 900 parecerem ser bastante elevados, Körbes, da Abicalçados, avalia que, assim como no Brasil, os comerciantes na China também sofrem com altas taxas e custos, que encarecem os preços.

No começo, a empresária afirma que venderá apenas calçados, mas pretende oferecer vinho brasileiro aos clientes. “Nossa estratégia será oferecer uma taça de vinho brasileiro no momento que os clientes entrarem na loja. Geralmente, nós falamos que para conhecer um país ou um lugar, deve-se começar pelo seu vinho." Ela diz estar negociando com o agente da Miolo no país. No futuro, a expectativa é vender também os vinhos nas lojas – quando existirem unidades fora das lojas de departamento.

Marcas
Por enquanto, a empresária já negociou com quatro marcas de calçados brasileiros, duas de modelos femininos e duas de produtos masculinos: a Dumond, da Paquetá, a Albanese, a Democrata e a Stephanie Classic.

A Stephanie Classic, por exemplo, afirmou que está enviando 1.000 pares, que totalizam US$ 40 mil. “Estamos ainda no início de um trabalho de longo prazo”, afirma Fabio Spohr, diretor da Calçados Q-sonho, que fabrica os modelos da marca.

De acordo com Spohr, contudo, os calçados da marca ainda não podem ser considerados de luxo, categoria que considera ser ainda dominada pelos produtos italianos. "Podemos dizer que almejamos uma classe A, mas ainda estamos com nosso produtos voltados para as classes C e B. (...) Já estamos com uma nova linha de produtos criada para esse novo mercado de luxo, que também traremos para o Brasil, assim como para a Europa e Estados Unidos", afirmou.

De acordo com ele, os modelos são fabricados 100% em couro, "elaborados dentro das tendências da moda internacional". O preço médio de venda FOB (posto a bordo) é de US$ 40. A empresa exporta desde os anos 1980 e hoje vende para 47 países.

Outra fabricante que afirma estar se preparando para fornecer às lojas de Giulia é a Albanese. "Já estamos em fase final de produção para o envio dos calçados", diz Douglas Chicaroni, diretor da empresa. Segundo ele, a marca exporta há cerca de 18 anos, com foco em calçados masculinos de alta qualidade e com um trabalho artesanal. Na Ásia, a estratégia começou há 3 anos. "Já estamos em contato com compradores interessados em nossos produtos da Tailândia, Indonésia, Malásia, Singapura e Brunei".

De acordo com Spohr, contudo, as conversas com Giulia para o envio do primeiro lote de produtos ocorrem há mais de um ano. A própria Giulia afirma que teve dificuldades para encontrar os primeiros pontos de venda, uma dos motivos da demora para fechar os negócios.

Segundo ela, no ano passado a primeira coisa que as lojas de departamento perguntaram era se já existiam pessoas vendendo os produtos, porque ninguém queria arriscar. “Eles queriam as marcas famosas, porque têm certeza que vendem bem”, conta. A partir do começo deste ano é que ela afirma que sentiu mudanças nesse aspecto, com shoppings e lojas procurando por novidades.

“Os chineses estão mudando, abrindo cada vez mais a mente e cada vez mais querendo conhecer mais do mundo (...). Estou muito feliz por ver essa mudança e estou mais confiante de que os chineses irão adorar os sapatos brasileiros.”

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e na propaganda dos sapatos brasileiros para os chineses, com target especial em potenciais chineses suicidas, a promessa de felicidade (e salvação do suicídio...) que existe ao se usar sapatos novos luxuosos, segundo Machado de Assis:

[...]

"Não conto os bilhetes brancos, os negócios abortados, as relações interrompidas;

menos ainda outros acintes ínfimos da fortuna. Cansado e aborrecido, entendi que não

podia achar a felicidade em parte nenhuma; fui além: acreditei que ela não existia na terra,

e preparei-me desde ontem para o grande mergulho na eternidade. Hoje, almocei, fumei um

charuto, e debrucei-me à janela. No fim de dez minutos, vi passar um homem bem trajado,

fitando a miúdo os pés. Conhecia-o de vista; era uma vítima de grandes reveses, mas ia

risonho, e contemplava os pés, digo mal, os sapatos. Estes eram novos, de verniz, muito

bem talhados, e provavelmente cosidos a primor. Ele levantava os olhos para as janelas,

para as pessoas, mas tornava-os aos sapatos, como por uma lei de atração, interior e

superior à vontade. Ia alegre; via-se-lhe no rosto a expressão da bem-aventurança.

Evidentemente era feliz; e, talvez, não tivesse almoçado; talvez mesmo não levasse um

vintém no bolso. Mas ia feliz, e contemplava as botas.

A felicidade será um par de botas? Esse homem, tão esbofeteado pela vida, achou

finalmente um riso da fortuna. Nada vale nada. Nenhuma preocupação deste século,

nenhum problema social ou moral, nem as alegrias da geração que começa, nem as tristezas

da que termina, miséria ou guerra de classes; crises da arte e da política, nada vale, para ele,

um par de botas. Ele fita-as, ele respira-as, ele reluz com elas, ele calca com elas o chão de

um globo que lhe pertence. Daí o orgulho das atitudes, a rigidez dos passos, e um certo ar

de tranqüilidade olímpica... Sim, a felicidade é um par de botas."

Último Capítulo, conto de Machado de Assis

 

 

"Ganhe as profundezas, a ironia não desce até lá" Rilke. "A ironia é o pudor da humanidade" Renard. "A ironia é a mais alta forma de sinceridade" Vila-Matas.

Os sapatos brasileiros sempre foram muito bem vistos nos mercados da Europa e América.  Na cidade de Franca, era muito comum as exportações para estes destinos.  O que começou a dar errado foi o Sr. FHC, quando decidiu equiparar o dolar ao real, 1 para 1....nesta época, muitas fábricas da cidade não aguentaram e fecharam suas portas. Sem poder contar com um mercado interno forte....um país em crise, muitos fabricanters pararam de produzir.   Mas Franca sempre teve tradição em calçados masculinos mas, ultimamente muitas fábricas de calçados femininos abriram suas portas.  Uma saída para uma cidade em crise....  Explica-se...enquanto o homem compra um sapato a mulher compra no mínimo 3 ao ano.....Mas, há tempos, que Franca fabrica calçados para grandes grifes de luxo como  Georgio Armani, Prada, Gucci e outras etiquetas ....muitas vezes o sapato que é comprado lá fora.....é fabricado por aqui, bem pertinho de nós.  Antigamente o sul, Vale dos sinos, era o resopnsável pelos calçados femininos enquanto Franca ficava com o masculino.....infelizmente muitas fábricas boas não aguentaram a crise.  Muitas tiveram que sofrer drásticos cortes em seu pessoal enquanto outras simplesmente não existem mais. Com a entrada do calçado chinês, a cidade sofreu mais uma vez com cortes e fechamentos.  O que se vê hoje, é a criatividade do empresário brasileiro....que consegue agregar um bom design com uma produção praticamente exclusiva fazendo com que seu produto volte a crescer nas prateleiras do exterior e num segmento que não vê crise, o do luxo!  muito bom!!

 

Mas o empresários esquecem de uma faixa de mercado que só cresce. A dos que calçam mais que 44. Calço 45/46 e a maioria dos meus sapatossão importados. A industria nacional fecha os olhos para essa realidade!

 

Klaus, há fábricas em Franca que fabricam até o 47.  O problema são as lojas pedirem.  As grades, normalmente, vão até o 43 podendo chegar no 44 mas, os lojistas tem medo de pegar números acima por conta do encalhe.  Quando o lojista coloca o pedido nas fábricas ele pode comprar a grade inteira mas, normalmente não pedem número acima do 44 para os homens e 40 para as mulheres, sendo que as mulheres que também calçam números pequenos encontram a mesma dificuldade, como é o caso do 33,34.  Hoje,  há muitas mulheres que calçam 41. Eu mesma  tenho uma conhecida que calça 41.  Certa vez ela foi numa loja famosa, comprar sapatos.  quando avisou que calçava 41 o vendedor falou que não tinha este número.  ela, numa tentativa de achar o modelo que tanto gostou, insistiu:

-mas você não sabe aonde eu posso encontrar este modelo no número 41? ao que o vendedor, muito "bonzinho" lhe respondeu sem pestanejar:

- em Itú!!!

como se pode ver, perde-se a cliente mas não a piada!!  Nem preciso dizer da indignação dela com o corrido. 

 

Delicadeza de hipopótamo a desse vendedor! O lojista está caolho então. Atualmente existem sítios na internet que disponibilizam tamanhos maiores, mas a preços indescentes. Aliás, não justifica um tênis custar R$ 500,00 (U$ 250,00) aqui. É aquela velha conversa sobre o empresário ganancioso. Fica mais barato com frete e 60% de imposto pedir nos EUA calçados!

 

("esquecem de uma faixa de mercado que só cresce":

Nao eh so com sapato tampouco.  Meu numero de calca eh 30, mas toda liquidacao comeca de 32 pra cima.)

 

ECHELON saiu da internet. ECHELON agora esta no seu proprio computador.

Tá no "shape" hein Ivan?!?!

 

Uh, antes fosse, Klaus!  A 1.70 so sou meio anaozinho pros padroes americanos mesmo.  Mas esses tamanhos de bundas americanas...

(Piada de minha autoria:  sabe o que eh um settee?  Eh uma cadeira onde cabe um americano, dois brasileiros, ou tres mexicanos!)

 

ECHELON saiu da internet. ECHELON agora esta no seu proprio computador.

KKKKKKKK!

Mas os tamanhos americanos contemplam também os comprimentos e larguras, não é?

 

Pode incluir os 43 nesse calvário também. É um problema quando tenho de comprar sapatos.

Parece que os faricantes não acompanham as estatísticas de crescimento (altura) da população. 

 

Roberto, o 43 sai normalmente da grade de calçados.  Talvez o problema sejam das lojas aonde você compra seus sapatos, que não pedem a grade completa.  Mas posso lhe indicar várias lojas aqui em SP que trabalham normalmente com o 43/44.  Acima, realmente é mais difícil não por culpa do fabricante mas por culpa dos lojistas que não pedem temendo o encalhe.