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Blog de luisnassif

A música esquecida da dupla Rodger e Teti

Os cearenses explodiram nos anos 70. Alguns permaneceram, outros menos.

Fuçando nos meus arquivos, encontrei esse LP da dupla Rodger e Tati. No repertório, a inesquecível "Siá Mariquinha", que nossa mãe Teresa cantava para os filhos na infância.

Depois do som, uma reportagem de O Povo de 2013 com Rodger.

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Xadrez do aprofundamento da crise fiscal, por Luís Nassif

Peça 1 – a hora do espanto

O agravamento da crise é a peça inicial do jogo, em torno da qual se posicionarão as demais peças.

Até agora, mesmo com 14 milhões de desempregados, a crise não produziu a desorganização econômica das grandes crises dos anos 80 e 90.

Agora, o fantasma da desorganização se aproxima. A máquina do Estado esta parando por todo o país. A partir de setembro não haverá mais recursos para o essencial, o que obrigará o governo a emitir moeda ou títulos.

O chamado “dream team”, a equipe econômica de Temer, aprofundou as loucuras cometidas pela gestão Joaquim Levy em nível inédito, com uma cegueira ideológica da qual só acordarão quando a ponta do iceberg rasgar a crosta do navio.

Têm-se um quadro claro pela frente:

1.     A economia está exangue. Não há consumo, não há investimentos.

2.     Toda a lógica dos cabeções consiste em definir um horizonte fiscal sólido recorrendo exclusivamente a cortes em despesas – e, agora, a aumento de tributação.

3.     Julgam que bastará isso para haver uma queda nas taxas de juros longas e, automaticamente, despertar o espírito animal do empresário.

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Nassif: Os cachês de Henrique Meirelles foram lobby na veia

 
Apenas para efeito de avaliação: a não ser consultorias  geopolíticas de altíssimo nível, como as de Henry Kissinger, não existe consultoria para negócios no Brasil, pelo menos nas áreas de especialização de Henrique Meirelles, que justifique os ganhos obtidos nos últimos anos.
 
Meirelles nunca foi um consultor estrategista. Muito menos um executivo que se destacasse. No seu tempo no Bank Boston o máximo que chegou foi a Global President, ou seja, diretor da área internacional do banco, representado apenas por ativos no Brasil e na Argentina. 

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Nassif: Mr. Bean e a lavagem de apartamento da Lava Jato

De todos os absurdos lógicos da Lava Jato, o campeão inconteste é o caso do apartamento que foi lavado. Segundo a brilhante versão dos bravos procuradores da Lava Jato, endossada pelo juiz Sérgio Moro, o tal triplex foi uma propina paga a Lula, em troca de facilidades em três contratos com a Petrobras (depois, quando não conseguiram provas documentais sobre os tais contratos, trocaram por contrato genéricos).

Toda a lógica da lavagem de dinheiro é a da destruição dos rastros das propinas.

O corruptor paga o corrupto em conta no exterior, preferencialmente em paraíso fiscal em nome de uma offshore – isto é, uma empresa aberta no exterior. A empresa é registrada por um escritório especializado, que fornece seu próprio endereço como endereço da empresa.

Só o dono da empresa e o escritório de advocacia sabem de quem.

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Nassif: A ignorância econômica da Lava Jato

Volto ao último Roda Viva, que discutiu a condenação de Lula, e o desempenho da procuradora Thaméa Danellon, uma espécie de Deltan Dallagnol paulistano.

Trata-se de uma procuradora bem-sucedida, bem avaliada por seus pares. Portanto, seu nível de informação está em linha com o melhor do pensamento médio do Ministério Público Federal. Isso é que assusta!

A primeira surpresa é com o desconhecimento completo de Thaméa sobre as características de uma economia de mercado e relações de causalidade. Montou uma equação simples: as nações desenvolvidas são menos corruptas do que as nações não desenvolvidas. Logo, se acabar com a corrupção, a nação se desenvolverá.

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Nassif: Xadrez de como Serra tentou fincar um pé na cooperação internacional

Vamos colocar mais uma peça nesse nosso xadrez. É um dado ainda não definitivo, mas que poderá se tornar relevante na análise futura da influência norte-americana no golpe do impeachment. Mas também indicativo de como o senador José Serra sempre teve um faro apurado para perceber de onde vinha o perigo.

Desde o começo era nítido o alinhamento do grupo do senador José Serra (incluindo Aloysio Nunes) com os interesses norte-americanos. Havia três pistas interessantes:

1.     A conversa de Serra com o representante da Chevron, prometendo acabar com a lei de partilha, se eleito. O diálogo foi divulgado pela Wikileaks.

2.    Mal consumado o golpe, a corrida entre Serra e Eduardo Cunha, para quem conseguia emplacar primeiro uma nova lei revogando a lei de partilha.

3.     A ida inopinada de Aloysio aos EUA, com o golpe em pleno andamento, para encontro com senadores norte-americanos e sabe-se lá mais quem.

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Nina Wirtti e Luiz Barcelos, apenas voz e bandolim

Algum tempo atrás, a imagem do piano ao cair da tarde era a que melhor descrevia as canções para descansar o espírito, não com sons mundanos, mas com aqueles que penetram suavemente na alma do cristão e o coloca em paz.

A combinação exclusiva de bandolim e voz é desafiadora. O bandolim permite contrapontos, mas não tem os recursos do violão e do piano. Exige do intérprete especial sensibilidade para se colocar no contraponto e acompanhamento da voz. Há uma grande possibilidade da audição não resistir a três faixas.

Mas este  “Chão do Caminho”, com a voz de Nina Wirtti e Luís Barcelos merece a contemplação de um CD no aparelho, uma bebida no copo, e lembranças amenas no coração.

Com seus irmãos Guto e Grazie, Nina pertence à estirpe gaúcha dos Wirtti, que conquistou o Rio ao lado de Yamandu. Luiz Barcellos é um senhor bandolinista, que já acompanhou várias das melhores cantoras. Leia mais »

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Nassif: Os problemas de Danellon, a Dallagnol paulista

Não começou bem a história da Lava Jato paulista.

Resume-se à transferência, para São Paulo, do desmembramento de algumas denúncias analisadas pelo STF (Supremo Tribunal Federal), contra réus que não disponham de foro privilegiado. De imediato, ganhou a cara da procuradora Thaméa Danellon, lotada em São Paulo, apresentada como a chefe da Lava Jato paulista.

Pelos primeiros movimentos, Thaméa representa a face mais comprometedora da Lava Jato.

É ativista política, conforme demonstrou participando ativamente das convocações do MBL (Movimento Brasil Livre) a favor do impeachment. Aliás, é sintomático o fato de terem sido abertas representações contra procuradores que participaram de atos contra o impeachment, e nada ter sido feito contra os que participaram ostensivamente dos atos a favor. Mas, enfim, esta é a cara do MPF.

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Nassif: Xadrez de como a montanha de Dallagnol pariu um rato

Peça 1 – o enredo da Lava Jato

Apesar do comando difuso, entre mídia, troupe de Eduardo Cunha, PSDB e Departamento de Estado norte-americano (através da cooperação internacional), a trama da Lava Jato era de roteiro relativamente simples.

Haveria uma ação intermediária, o impeachment de Dilma. Depois, a ação definitiva, a condenação de Lula com o esfacelamento automático do PT como força política.

Houve intercorrências inevitáveis – como as denúncias contra próceres tucanos, rapidamente abafadas -, importantes para se tentar conferir legitimidade política  ao jogo, e um desastre imprevisível: as delações da JBS que atingiram Aécio Neves no peito. Aí o elefante ficou muito grande para ser escondido debaixo do tapete.

Tudo caminhava nos conformes. Inclusive chantagear o grupo que assumiu interinamente o poder, obrigando-o a caminhar com o desmonte do Estado social para conseguir alguma sobrevida política. Depois engaiolá-los como grande gesto final.

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A blindagem dos MPs a José Serra, por Luis Nassif

 

Quando vazaram os dados da agenda de Marcelo Odebrecht no seu celular, os policiais da Lava Jato trataram de colocar uma tarja sobre o nome de José Serra. Quando os arquivos se tornaram públicos, pelo vazamento, não foi difícil eliminar a tarja. O encontro se daria n escritório de Verônica Serra, filha de Serra.

Há mais de vinte anos se conhecem os modus operandi de Serra:

1. Através de contas no exterior, operadas por Ronaldo César Coelho e Márcio Forte.
2. Através dos fundos de investimento de sua filha.

Se se avançar até seu início de carreira no serviço público se encontrará sinais exteriores de riqueza no imóvel que adquiriu, logo que se tornou Secretário do Planejamento de Franco Montoro e, como tal, o homem que controlava a fila dos precatórios e as aprovações para importações de equipamentos médicos.

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Nassif participará de Seminário no Rio que discutirá o Renascimento das Utopias

Jornal GGN - O jornalista Luís Nassif, editor do Jornal GGN, participará como palestrante do evento Renascimento das Utopias, promovido pelo Centro de Estudos Avançados em Cosmologia e pelo Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas.

 

O evento será de 13 a 15 de setembro.

 

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A eugenia de Dória, ou condenados à morte pelo frio

Dos Jornalistas Livres

 

 

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A grande celebração bárbara do impeachment, por Luís Nassif

Regras sociais são uma construção da civilização. São elas que impedem que desavenças sejam resolvidas com a morte de um dos contendores, que pessoas sejam agredidas em locais públicos, que famílias consigam conviver com diferenças internas.

Comparem-se os hábitos de crianças, adolescentes e adultos. o aprendizado continuado dos direitos e limites. A música é uma forma de interação social. Na periferia, os ambientes que cultivam a música são menos propensos a quebra-paus do que os sem-música.

Em um ambiente social, presencial, pessoas que não se bicam cruzam, mas se respeitam. Cada qual ocupa seu espaço, com seu círculo, sem maiores problemas. Quem ousa manifestar irritação pública, é censurado por olhares ou gestos dos demais presentes ou, no limite, pela polícia.

Essas regras sociais vão sendo aprimoradas na medida em que as sociedades se civilizam. É mais fácil um quebra pau em um boteco de periferia do que em um restaurante do centro. Eram mais usuais assassinatos políticos nos anos 20 do que agora. Leia mais »

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Xadrez da guerra final entre Temer e a Globo, por Luis Nassif

A ópera do impeachment vai chegando a uma segunda onda decisiva, com o vale-tudo que se instaurou envolvendo os dois principais personagens da trama: a organização comandada por Michel Temer; e a organização influenciada pela Rede Globo.

Do lado da Globo alinha-se a Procuradoria Geral da República e a Lava Jato. Do lado de Temer, o centrão, o Ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), alguns grupos de mídia, como a Rede Record, e provavelmente políticos jogados no fogo do inferno, como Aécio Neves.

No pano de fundo, o agravamento da crise, com um plano econômico inviável aplicado por economistas radicais valendo-se do vácuo político. E, fora das fronteiras, ventos complicados ameaçando botar mais lenha na fogueira.

O caos – que irá se ampliar nos próximos dias – é resultado direto da quebra da institucionalidade, com a Lava Jato e o impeachment. No mínimo servirá para que cabeças superficiais, como o Ministro Luís Roberto Barroso, se deem conta da imprudência que cometeram ao cederem às pressões especialmente da Rede Globo.

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A curiosa história de Paulo Rabello de Castro, por Luis Nassif

É no mínimo curiosa a biografia de Paulo Rabello de Castro. Ele entrou no debate econômico no início dos anos 90, como um dos discípulos de Roberto Campos, ao lado de Paulo Guedes e outros.

Desde o início, mostrava ser o mais político (no sentido amplo) e de visão mais elaborada sobre desenvolvimento e ferramentas institucionais. Ao contrário dos colegas, não se fixava exclusivamente nas discussões sobre política monetária e fiscal.

Desenvolveu uma boa sensibilidade de mercado para trabalhar em cima de ajustes patrimoniais, comparações entre fluxos e estoques, com soluções criativas capazes de serem aplicadas por gestores mais ousados.

No início dos anos 90, encampei uma de suas propostas, o encontro de contas no setor público, acoplado a um modelo de privatização através dos chamados fundos sociais – reconhecendo os passivos históricos da União, estados e municípios com os fundos sociais.

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Paulo Rabello de Castro e o jornalismo do senso comum

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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Uma das grandes pragas dessa era das redes sociais é o opinionismo desenfreado. Todos têm opiniões taxativas sobre tudo, pouco importa o grau de complexidade do tema e de desinformação do autor.

Desde os anos 90, teve início essa praga do populismo do colunismo. Em vez de explicar, interpretar, atender às dúvidas dos leitores, o colunista se colocava no mesmo nível do leitor, com as mesmas indignações e o mesmo nível de ignorância. É o chamado colunismo do senso comum.

A maneira como uma colunista da Folha ataca Paulo Rabello de Castro, no artigo abaixo, é significativa da ditadura do pensamento leigo, justamente onde deveria estar o escrito especializado. Em negrito é sublinhado, meus comentários  

Sem respostas

Paulo Rabello de Castro, presidente do BNDES há pouco mais de um mês, fala muito mas diz pouco. O economista é loquaz na defesa política do governo Temer e evasivo nas explicações substantivas sobre as operações do banco. A verborragia de Rabello já levou dois diretores a pedir demissão.

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O dia em que Doria acabou com a feirinha da praça Buenos Aires

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Foto: Prefeitura de SP

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Duo Scofano-Minetti leva o chamamé para o Rio

O avanço da música do sul e do centro-oeste incluiu de vez o chamamé e outros ritmos na grande árvore da música popular brasileira.

O Rio de Janeiro terá boa oportunidade de assistir um dos expoentes do ritmo, o Duo Scofano-Minetti, bandonéon e piano. Passa pelo Rio, e depois, roda outras cidades brasileiras, do Uruguai e da Argentina promovendo seu CD Estaciones. O repertório é de tangos e do chamado novo chamamé, uma atualização do ritmo.

Há composições de Richard Scofano e peças clássicas do repertório do tango moderno de Astor Piazzolla.

Scofano, bandeonista, é de Corrientes, Argentina, mas com forte influência da música brasileira. Descende de três gerações de músicos, filho de Ricardo Scofano, figura maior do chamamé.

Seu concerto para bandoneón e orquestra, o Iberá, estreou em outubro de 2016 em Chicago, sob regência do maestro Mina Zikri, com a Orquestra Sinfônica Oistrakh. Leia mais »

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Por que a TAM saiu ilesa do acidente que vitimou mais de cem, por Luis Nassif

Acidente com avião da TAM no aeroporto de Congonhas completa 10 anos
Acidente com avião da TAM no aeroporto de Congonhas completa 10 anos - Foto:Milton Mansilha/Agência Lusa

A não-identificação de nenhum culpado no acidente da TAM de dez anos atrás, que vitimou mais de uma centena de pessoas, é mancha na reputação do Ministério Público Federal, particularmente do procurador Rodrigo de Grandis.

O Procurador buscou culpados individuais, operador de vôo, pilotos (que morreram no acidente), ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil). Levou algum tempo para entender que um acidente de tal porte não depende de um fator específico, mas de uma soma de fatores.

Aqui no Blog um leitor trouxe o fio da meada para entender o acidente, logo após sua ocorrência. Mas há uma incapacidade crônica de alguns procuradores de trabalhar fora dos autos. Ora, um acidente de tal relevância exigiria uma investigação que transcenderia a mera elaboração de laudos técnicos, seja do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da ANAC ou de quem quer que seja. Mesmo porque, esses órgãos se limitam a identificar aspectos parciais da questão, como o fato do piloto ter se enrolado no manejo dos instrumentos. Além disso, a imprensa estava empenhada em atribuir a Lula todos os males do país, e concentrou-se especificamente na questão do recapeamento da pista.

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Nassif: Como defender em tucanês a sentença de Moro

Veja o desafio.

Brilhar nas páginas de um jornal conta pontos para um advogado. O padrão aceito é o de defender a Lava Jato, embora a unanimidade comece a ceder. Mas, ao mesmo tempo, há uma reputação a ser zelada da parte dos mais advogados sérios.

Como se equilibrar?

Confiram como o brilhante dr. Carlos Ari Sundfeld se safou para atender a dois soberanos: o sistema e o direito.

Em cada sentença, há a análise da forma e do mérito. O mérito é essencial, a forma é acessória, embora possa levar à anulação de julgamentos.

O título do artigo dr Sundfeld é "Ao rejeitar parte da denúncia, Moro fortaleceu sentença". Aparentemente, uma opinião definitiva sobre a sentença. De fato, é isso o que ele diz na abertura do artigo.

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Chico Buarque, a Globo que faz a diferença e o fradinho do Henfil, por Luis Nassif

 
Existem o João e seu cunhado Francisco. João, de alcunha Gilberto, é sempre pule de dez; Francisco também Buarque, é uma seta certeira. Um ou outro já consagra a vida de qualquer foca. Basta uma frase, um bocejo, uma poesia do Tejo, um resmungo, um suspiro, qualquer coisa que se extraia de boca de um ou outro, é como a pepita rara bem no fundo da bateia, pouco importa a areia que sempre o editor coloca: quem entrevista o Chico, nunca mais será um foca.
 
Maranhão no fechamento, pensando na roda de sexta, ouve o Ascânio gritar: esqueçam os bacharéis, esqueçam os empresários, deixem Temer e seus sicários, data venia, e os infiéis, esqueçam a malta das ruas, as fontes indignadas, nem me fale em jogadores, em paspalhos ou atletas, parem as rotativas que quero ouvir os poetas chorando gotas de sangue, arrancando os cabelos, quero ouvi-los furibundos, maldizendo Deus e o mundo e a falta de futuro que aguarda seu presidente.

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Xadrez do início de uma nova campanha histórica, por Luis Nassif

Peça 1 – o julgamento de Lula
 
O ponto central da acusação de Sérgio Moro contra Lula é relativamente simples (mencionei acusação de Sérgio Moro devido ao fato de ele ter se comportado como acusador, não como juiz)
 
Tese 1 - Lula ganhou um apartamento (ou a reforma dele) da OAS.
 
Tese 2 – Houve uma contrapartida em vantagens para a OAS.
 
Tese 3 – Como o apartamento não está em nome de Lula, mas da OAS, então se tem um caso de lavagem de apartamento ops, de dinheiro.
 
Tese 1 - Sobre o presente da OAS a Lula
 
O mínimo a ser apresentado por Sérgio Moro deveria ser a prova cabal de que o apartamento é, de fato, de Lula. Moro apresentou uma montanha de documentos mostrando aparente interesse do casal Lula pelo apartamento. E ficou nisso.

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Sérgio Moro, perdeu, playboy!, por Luis Nassif

Até que ponto, na era da informação, uma decisão ilegítima tem condições políticas de se perpetuar?

Nos últimos meses começou um questionamento maior dos métodos da Lava Jato. Mesmo pelo filtro parcial, tosco, manipulador da mídia, ficou claro, para os leitores mais antenados, a diferença entre acusações meramente declaratórias e a apresentação de provas concretas.

Até em manifestações do Ministério Público Federal já há a admissão do óbvio: o delator fala o que o procurador ou juiz quer ouvir; por isso a delação só poderá ter valor se acompanhada de provas. Simples assim.

Em outros tempos, grandes injustiças históricas levavam anos, até décadas, para serem reparadas. As notícias caminhavam lentamente, a única alternativa às blindagens do sistema eram livros de baixa circulação, depoimentos pessoais, panfletos e jornais menores, que não influíam nos grandes circuitos de informação.

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Nassif: Xadrez das caçadas do rinoceronte por Sérgio Moro

Cena 1 – as caçadas de Pedrinho e de Sérgio Moro

A história é de Monteiro Lobato no seu clássico “As Caçadas de Pedrinho”.

O rinoceronte foge do circo e se embrenha no mato. Cria-se um pânico geral e é montada uma força tarefa para caçar o rinoceronte. Em pouco tempo, a força tem centenas de homens nas mais variadas funções. Instala centrais telefônicas, de telégrafo para seus membros de comunicarem.

Por fim, descobrem o rinoceronte vivendo placidamente no sítio do Pica Pau Amarelo. Toca então negociar com a dona do sítio, dona Benta, com a intermediação da boneca Emília.

Decidem deixar o bicho por lá, mas com a condição de se manter o caso sob sigilo. Se soubessem que o rinoceronte estava em paz, o governo teria que desmontar toda a força tarefa criada. Leia mais »

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Xadrez do fim da Lava Jato e do avanço da ultra-direita, por Luis Nassif

Vamos colocar alguns balizamentos nesse mar revolto da política nacional.

Peça 1 – a admissibilidade do julgamento de Temer

Artigo 52 da Constituição:

Compete privativamente ao Senado Federal:

I - processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República nos crimes de responsabilidade, bem como os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica nos crimes da mesma natureza conexos com aqueles; 

Como é definido o crime de responsabilidade:

Segundo o Senado Federal,

“a rigor, não é crime, e sim a conduta ou comportamento de inteiro conteúdo político, apenas tipificado e nomeado como crime, sem que tenha essa natureza. A sanção nesse caso é substancialmente política: perda do cargo ou, eventualmente, inabilitação para exercício de cargo público e inelegibilidade para cargo político”. Leia mais »

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Contrato de Separação, o clássico de Dominguinhos e Anastácia em dez versões

Uma das mais belas canções da música brasileira, "Contrato de Separação", de Dominguinhos e Anastácia, à altura das canções de Tom-Vinícius ou de Tom-Chico. Aqui em várias interpretações.

De matar.

 

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O dia em que Ron Carter incluiu Rosa Passos na seleção das suas 10 maiores gravações

Durante bom período, anos 90 até meados dos 2.000, me vangloriava de ter sido o primeiro jornalista a chamar a atenção para os novos craques que surgiam, de Renato Braz a Fabiana Cozza, Yamandu, Alessandro Penezzi.

Mas, admito, perdi duas enormes oportunidades: o reconhecimento de Rosa Passos (o primeiro a falar dela foi o Ruy Castro) e do Guinga (mérito do Mauro Dias).

Aqui, um exemplo da razào de Rosa Passos ser das maiores. Alguém já a chamou de João Gilberto de saias. João tem méritos históricos, a consolidaçào da batida da bossa, criada por Garoto e Johnny Alf, e a síntese histórica da MPB.

Mas, cantor por cantora, Rosa Passos é um passo além. O que faz com a pequena voz, o uso de timbres sutilíssimos, o balanço, consegue se diferenciar do mestre maior. João usava basicamente o mesmo timbre, fazendo a diferenciação no balanço e nas maneiras de usar a boca.

Já os timbres de Rosa saem do fundo da garganta, como gotículas de ouro ornamentando a interpretação. E um senso de balanço à altira de João.

Confiram o que ela faz com "Só danço o samba".

https://goo.gl/4UgDN2 Leia mais »

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A procuradora Raquel Dodge e os aloprados da Polícia Federal, por Luís Nassif

Um dos grandes dilemas dos modernos sistemas de controle do crime organizado, é a estrutura de comando, as maneiras de coordenar uma corrente que tem como elos principais o Judiciário, o Ministério Público Federal e a Polícia e na qual as relações hierárquicas não são suficientemente claras.

São conhecidos os arrufos periódicos entre MPF e PF acerca das atribuições de cada um. O MP questiona o monopólio da investigação pela PF que, por sua vez, rebela-se contra o controle externo da PF, a ser exercido pelo MP. É um conflito que se estende também aos MPs estaduais.

Trata-se de convivência complicada, cheia de resistências de lado a lado.

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As relações de Palocci e do BTG Pactual, por Luis Nassif

Não tenho motivos pessoais para gostar de Guido Mantega. Pequeno, mesquinho, inseguro, foi o primeiro Ministro da Fazenda, desde que iniciei a carreira de jornalista econômico, a me colocar na lista negra. Ele e Alexandre Tombini, presidente do Banco Central.

Mas não bate bem esta história de Antônio Pallocci, de que Mantega montara uma central de vazamento de informações financeiras.

Vamos entender um pouco mais esse jogo.

Desde que se criou o chamado Open Market brasileiro – venda diária de títulos públicos e privados – há vazamentos de informação. No governo Sarney, Maílson da Nóbrega tinha um esquema de vazamento de informações, não apenas no Banco Central, mas na Receita Federal – que dispunha de um índice de correção.

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O STF, o CNJ e a mídia digital, por Luis Nassif

Há duas semanas estive com a Ministra Carmen Lúcia, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) e do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), em uma audiência por mim solicitada.

A Ministra foi muito gentil, me recebendo com pão de queijo e histórias de Minas.

A visita teve dois motivos:

A Ministra anunciou a recriação de um grupo de mídia, no âmbito do CNJ, visando resguardar a liberdade de imprensa contra a indústria das ações judiciais. Mas incluiu no grupo exclusivamente a parte menos vulnerável da imprensa: os grupos de mídia, empresas consolidadas, com departamentos jurídicos, capazes de se defender.

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