11 de outubro de 2026

Xadrez dos jogos da Justiça e do MPF

Atualizado (em negrito) às 10:20

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Primeiro, vamos tentar entender características, particularidades, ambições e limitações dos personagens que atuam no lado jurídico da Lava Jato, começando pelo Ministério Público Federal.

A teoria do fato

Um dos grandes feitos recentes do MPF foi a consolidação de uma técnica de investigação chamada de “teoria do fato” – não confundir com o “domínio do fato”.

Consiste em criar uma narrativa inicial, uma teoria inicial que explique o todo. A sistematização da informação facilita na organização dos fatos em torno de uma narrativa lógica.

Mas para ser eficaz – no sentido de se buscar a verdade – a teoria não pode se sobrepor aos fatos. Na medida em que os fatos vão aparecendo, tem que haver ajustes na teoria.

Esse modelo foi introduzido pelo procurador Douglas Fischer, tornou-se sinônimo de sofisticação na investigação e foi adotado pela primeira vez no “mensalão”.

Fischer, aliás, foi o autor da livre adaptação da teoria do domínio do fato para condenar os réus da AP 470 – uma interpretação que provocou a indignação do próprio autor, Claus Roxin.

Na verdade, essa teoria do fato é um método intuitivo adotado por qualquer repórter mais experiente.

No fim dos anos 90, após a cobertura da CPI dos Precatórios, o diretor de redação da Folha, Otávio Frias Filho, me pediu sugestões sobre estratégias de cobertura, para serem discutidas internamente.

Para as coberturas extensivas, defendi a necessidade de se montar uma espécie de força tarefa, em uma sala de situação, trabalhando em cima de uma hipótese inicial, assim que os fatos permitissem montar essa hipótese.  Mas alertava: a hipótese tem que ser flexível, para ir se alterando à luz dos fatos que forem sendo levantados; não se pode ficar prisioneiro da primeira versão.

Aliás, a ditadura da primeira versão é a responsável pela maioria dos grandes crimes de imprensa.

No MPF, o pensamento burocrático da corporação, que se organiza em torno de manuais de procedimentos, inverteu: em vez de uma teoria flexível, curvando-se aos fatos, os fatos passaram a se subordinar à teoria. Na medida em que vão juntando depoimentos, os fatos passam a ser encaixados à martelada na teoria, que permanece imutável. O pensamento burocrático não imagina a incompletude da teoria, que precisa ser formada pelos fatos. Imagina que qualquer correção de rotas significaria desqualificar os trabalhos, pois revelando que a hipótese inicial era incompleta. Com isso, deixa de ser teoria para se transformar em ideologia, fé cega, faça amolada.

Genoíno foi vítima dessa irracionalidade.

No mensalão, a teoria do fato defendia a tese da formação de quadrilha. Todos sabiam que Genoíno era inocente, inclusive o PGR Roberto Gurgel. Como presidente do PT, meramente dera um aval burocrático a dois contratos de empréstimo porque o estatuto do partido obrigava a isso. Mas se fosse inocentado, toda a teoria da organização criminosa cairia por terra.

Sacrificaram um inocente, como o próprio Gurgel admitiu, pela manutenção da teoria.

Desde o início da Lava Jato, a teoria do fato definia a existência de uma organização criminosa, chefiada por Lula, distribuida entre o núcleo político, o financeiro e o empresarial. Na verdade, os fatos conhecidos são de uma estrutura de empreiteiras, atuando em obras da União, estados e municípios, e financiando todos os partidos. Bastou uma teoria do fato enviesada para direcionar a investigação.

Esse modelo de atuação explica a perseguição a Lula. E não consegue explicar porque, de repente, aparecem Aécio Neves, José Serra, Aloisio Nunes, Antonio Anastasia, Rodoanel, Cidade Administrativa etc., que não cabiam na teoria do fato inicial. Obviamente houve um viés político na definição da teoria do fato inicial.

A Força Tarefa e o domínio da 1a Instância

Um segundo problema é a tal Força Tarefa.

Quando cedeu às pressões da Lava Jato e criou a Força Tarefa, Janot entregou o processo nas mãos da Lava Jato.

Seus antecessores, Gurgel e Antônio Fernando de Souza nunca criaram Forças Tarefas por uma razão objetiva: é investimento tão elevado que, para justificar o custo, obriga a trazer resultados de qualquer maneira. Então acaba induzindo ao prejulgamento. O MPF não tem liberdade para arquivar, pois o arquivamento significaria admitir que o recurso foi investido em vão. Seria considerado dinheiro jogado fora.

Houve mais problemas.

Janot poderia ter criado a Força Tarefa e centralizado as investigações. Se tivesse mantido a operação em sua mão, por conta do foro privilegiado, teria o comando da operação. Na medida em que tivesse que processar quem não tivesse foro privilegiado, mandaria para 1a instancia.

Com Força Tarefa ocorreu a inversão total. É a Lava Jato que decide o que vai chegar ou não no Supremo. Eles determinam o que entra na agenda.

Embora críticos dos métodos de Sérgio Moro, Ministros do STF nada puderam fazer na fase inicial, devido ao rigor técnico com que Moro vem conduzindo o processo.

O enigma Rodrigo Janot

Tem-se, então, um sistema de investigação que define, a priori, a presunção de culpa, uma Força Tarefa que precisa apresentar resultados a qualquer preço, e uma definição de atribuições que deixou na 1a Instância o controle da pauta podendo, a partir de Curitiba, provocar terremotos em todo o país.

É nesse universo que se move o PGR Janot.

Na sua carreira no MPF, passou ao largo do direito penal e dos grandes temas sociais. Seu campo de atuação era os direitos do consumidor.

Desde cedo, acoplou-se ao grupo dos tuiuiús – os procuradores que reagiram contra as limitações impostas pelo chamado Engavetador Geral da República Geraldo Brindeiro -, trabalhando diretamente com o ex-procurador geral Cláudio Fontelles e com Álvaro Augusto Ribeiro Costa, duas figuras referenciais do MPF. Depois, venceu as eleições para presidir a ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República).

Essa experiência deu-lhe um conhecimento único da geografia da casa. Internamente é um estrategista com excelente visão da micropolítica, que introduziu modificações relevantes na organização interna da PGR.

Mas, no campo nacional, tem conhecimento escasso da macropolítica, dos impactos das decisões sobre a economia, a política, o emprego, as questões geopolíticas internacionais.

Quando foi o mais votado na lista tríplice, para o público externo era um completo desconhecido. Recorreu ao então a procuradores com mais inserção externa, para os contatos políticos necessários à sua indicação.

Visitou José Dirceu no Hotel Nahoum. Por duas vezes jantou com o então presidente do PT José Genoíno, em uma delas na companhia do subprocurador Eugênio Aragão (último Ministro da Justiça de Dilma), de José Eduardo Cardozo e Sigmaringa Seixas – ex-deputado e o principal consultor de Lula para indicações no meio Jurídico.

No jantar, tornou-se emotivo. Chegou a oferecer sua casa para Genoíno, sabedor das dificuldades por que passava e da inocência dele no caso do “mensalão”.

Indicado PGR, na primeira semana mandou prender todos os condenados da AP 470, incluindo o próprio Genoíno. E deu uma bronca em Aurélio Rios, Procurador dos Direitos Humanos, pelo fato de ter ido ao presídio da Papuda conferir se estava tudo bem com os prisioneiros políticos.

Foi a primeira grande decepção dos amigos históricos.

A segunda decepção foi no episódio envolvendo o Ministro Marcelo Navarro. Ex-procurador, ex-desembargador pelo TRF-5. Navarro é uma unanimidade no meio jurídico, pelo conhecimento, conduta e caráter.

Em plena campanha do impeachment, Janot anunciou abertura de inquérito para apurar acusações de indicação política de Navarro em troca de um suposto acordo para votar a favor da libertação de Marcelo Odebrecht.

Navarro sempre foi um garantista. Portanto seu voto a favor da libertação de Marcelo não fugiu à lógica. E nem foi decisivo, pois os demais Ministros votaram a favor da manutenção da prisão. A “denúncia” do acordo partiu de ex-senador Delcídio do Amaral no seu acordo de delação.

Dois detalhes chamaram a atenção dos amigos. O primeiro, o fato do próprio Janot ter sido um dos cabos eleitorais de Navarro. O segundo, suas críticas contra o antecessor Gurgel, por ter desenterrado um inquérito contra Renan Calheiros na véspera das eleições para a presidência do Senado. O factoide Navarro foi empinado em pleno processo do impeachment.

O terceiro, a abertura de processo contra Lula e Dilma por obstrução da Justiça, a partir das conversas gravadas ilegalmente e divulgadas.

Houve uma reunião pesada entre ele, Fontelles, Álvaro e Wagner Gonçalves, ex-presidente da ANPR. Foi uma conversa entre amigos, mas em tom duro.

Primeiro, por ter sido uma escuta ilegalmente divulgada. O segundo pela obviedade de que uma carta de nomeação assinada apenas por Lula, não assinada por Dilma, jamais poderia ser salvo-conduto para quem quer que fosse. Terceira, devido ao fato da ira de Janot ter sido em função de um desabafo de Lula, com críticas a ele em uma conversa informal grampeada.

Na parte mais tensa da conversa, os amigos cobraram isenção e falaram duro sobre a blindagem que mantinha até então sobre Aécio Neves.

Coincidência ou não, foi depois desses entreveros verbais que Janot decidiu investigar Aécio, inclusive tirando da gaveta inquérito sobre as contas em Liechtenstein, parado desde 2010.

Na parte inicial da Lava Jato, teve alguns embates com a Força Tarefa. Em pelo menos um episódio, recuou. Foi quando aceitou fechar um acordo de leniência com uma das empresas. Os procuradores da Lava Jato ameaçaram pedir demissão em bloco, contando com o respaldo das Organizações Globo. Janot recuou.

Em outros momentos, acabou avalizando as iniciativas mais radicais do grupo, como o vazamento ilegal dos grampos envolvendo a presidente Dilma e Lula.

Nos últimos tempos, assumiu uma postura persecutória em relação a Dilma e Lula. E parece ter se revestido de uma enorme confiança em relação ao poder de manejar informações e contar com respaldo da opinião pública – isto é, da Globo.

Na terça, fez sua grande aposta, pedindo a prisão de Renan Calheiros, José Sarney e Romero Jucá. Ou enterra definitivamente o modelo político que emerge das diretas; ou compromete definitivamente a Lava Jato.

O enfraquecimento no Supremo e o fator Gilmar

No Supremo, há três Ministros que não se vergam: Marco Aurélio de Mello, Teori Zavascki e Lewandowski.

A maior surpresa foi Luiz Facchin. Até hoje poucos sabem o que ocorreu com seu voto sobre o rito do impeachment. Contra todas as sinalizações, Facchin apresentou um voto desconjuntado, tão ostensivamente parcial que foi destruído por Luís Roberto Barroso.

Algo aconteceu na véspera. A pelo menos um conhecido, um Fachhin disse que iria explicar o que aconteceu. Não explicou, deixando no ar a certeza de que foi vítima de alguma pressão indevida.

Seu relatório foi destruído pelo colega Luís Roberto Barroso. Há indícios de que a apresentação de Barroso se baseou no relatório original do próprio Facchin – mas são apenas boatos.

Curiosamente, esse recuo de Facchin foi mais uma das vitórias do atrevimento de Gilmar Mendes contra a tibieza de governos petistas.

A primeira grande vitória foi no factoide do grampo sem áudio – a suposta gravação de uma conversa entre Gilmar e o ex-senador Demóstenes Torres. Gilmar blefou em cima de Lula e ganhou a parada: Lula afastou o delegado Paulo Lacerda da ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) apesar dos apelos quase desesperados do ex-Ministro da Justiça Márcio Thomas Bastos.

Márcio chegou a procurar a então Ministra-Chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pedindo que abrisse os olhos de Lula. A Polícia Federal era constituída de vários grupos políticos, e Lacerda liderava o grupo mais correto e isento. Caindo, seu grupo se enfraqueceria abrindo espaço para o do delegado Luiz Fernando, figura controvertida. Seus conselhos não foram ouvidos e Lacerda foi defenestrado em cima de denúncias falsas. Ali começou a rebelião da PF.

O segundo blefe foi na indicação de Facchin.

Por fora, corria o subprocurador Eugênio Aragão, colega de Gilmar nos cursos que fizeram na Alemanha – consta que foi aprovado com nota superior ao do colega -, pessoa destemida, inclusive nos embates com Gilmar no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Quando, no TSE, Gilmar deu início ao terceiro turno, ameaçando embargar a chapa Dilma-Temer através do expediente da criminalização do caixa 1, foi procurado por Aloisio Mercadante oferecendo uma barganha: se não embargasse a candidatura de Dilma, o governo se comprometeria a não indicar Aragão para o Supremo.

Na ação em questão, Gilmar havia pressionado tão pesadamente os técnicos do TSE para que produzissem um laudo incriminador das contas de campanha, que o resultado foi um laudo cheio de falhas primárias, com dupla contagem de despesas entre outros pecados. Era um laudo tão vulnerável que se pensou ter sido uma retaliação dos técnicos contra as pressões de Gilmar. Quando o relatório de Gilmar foi para a votação, o laudo já tinha sido destruído pelos demais Ministros e pelo procurador eleitoral Eugênio Aragão.

Mercadante entregou de graça uma indicação para o Supremo que poderia ter sido o contraponto às ofensivas de Gilmar.

O embate final

Esses são os jogadores principais.

Há um embate às claras entre a Lava Jato e o STF, com procuradores e delegados pressionando Teori Zavascki através da imprensa. Janot entrou no jogo de pressão, através do provável vazamento dos grampos de Sérgio Machado.

Se concede o que a Lava Jato e Janot querem, Teori confere-lhes um poder ainda maior. Praticamente instaurará a República dos Procuradores.

Por outro lado, não poderá ir contra as provas apresentadas – se de fato forem consistentes, como se pensa – sob pena de desmoralizar a Justiça e, enfraquecendo a operação, dar gás para uma coalizão política barra-pesada.

O fato do Supremo ter chegado a esse impasse é a prova maior da vergonhosa situação das instituições brasileiras, todas elas – Executivo, Legislativo, Judiciário, Mídia, partidos políticos – pequenas, microscópicas para um país que se pretende moderno.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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96 Comentários
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  1. Vinicius Carioca

    9 de junho de 2016 3:12 am

    sem condições esse governo do pt

    depois dessa revelação do Nassif é pra xingar o mercadante até q geração…desanima, viu.

    “O segundo blefe foi na indicação de Facchin.

    Por fora, corria o subprocurador Eugênio Aragão, colega de Gilmar nos cursos que fizeram na Alemanha – consta que foi aprovado com nota superior ao do colega -, pessoa destemida, inclusive nos embates com Gilmar no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

    Quando, no TSE, Gilmar deu início ao terceiro turno, ameaçando embargar a chapa Dilma-Temer através do expediente da criminalização do caixa 1, foi procurado por Aloisio Mercadante oferecendo uma barganha: se não embargasse a candidatura de Dilma, o governo se comprometeria a não indicar Aragão para o Supremo.”

  2. naldo

    9 de junho de 2016 3:20 am

    Quem sacrifica um inocente

    Quem sacrifica um inocente para provar uma tese estupida só pode ser classificado como canalha, imbecil, calhorda, mau carater, idiota, fdp……………., nada menos que isso.

  3. Henrique Finco

    9 de junho de 2016 3:21 am

    Caráter

    Pequeníssimos, tortos e inflados caráteres. O estrago que já fizeram é incomensurável e, pelo jeito, vão continuar.

  4. sergior

    9 de junho de 2016 3:42 am

    1. Mercadante pode ter feito

    1. Mercadante pode ter feito isso mesmo. Mas será que entregou o que era dele ou se fez de dono? Por diversas vezes fez isso e foi desmentido, em muitas situações. Aragão teria mais dificuldades no Senado que Fachin teve, pois vinha defendendo Dilma no TSE, contra Gilmar.

    2. Quem tem controlado toda essa história é Teori. Fez com Delcídio o que ninguém quer que ocorra consigo próprio. Esculacho público. Manteve Cunha pelo tempo que achou útil.  Mantém Cunha livre da cadeia porque ele ainda é livre. Nada decidiu a respeito da posse de Lula, da escuta sobre Dilma. Só censudou Moro quando não havia jeito de não fazê-lo.

    3. Gilmar permanece como o dono da bola. Talvez essa seja a grande razão para a manutenção de Renan. Jorge Viana seria o novo presidente do Senado. E um eventual pedido de impedimento de Gilmar poderia vir a ser aceito e criar um fato político sem precedente.

    4. Quando Janot ganhou as eleições internas da ANPR, em 2013, Genoíno não era presidente do PT. O presidente do PT já era Rui Falcão.   

  5. Miguel A. E. Corgosinho

    9 de junho de 2016 3:56 am

    A justiça tem um plano

    A justiça tem um plano extraordinário em cima do primeiro fato. O plano tem a preocupação de descobrir o ilícito sem ter as medidas do acontecimento, para a verdade do crime.

    Se a verdade fosse uma teoria do fato, já seria a realidade do fato e não uma teoria. Mas a verdade da verdade é um produto de fatos que estão ocultos que não podem ser de circunstâncias em vazamentos; e sim fatores da causa do primeiro fato; ou que seja de outros relacionamentos derivados que estejam regulamentados para o replanejamento da justiça.

    A justiça de curitiba, porém, parece sombria com a divulgação de fatos que não se veem, como se fosse uma fé do que se espera. Por isso, as diligências acorrem pelo mesmo poder moral da crucificação de Cristo: delação premiada, prisão e a barbaridade do julgamento público. 

    Antes de provarem o crime afligem todos os exercícios emocionais com o aprisionamento, em busca da possibilidade real quase imediata; toda justiça por um império. 

     

  6. mcn

    9 de junho de 2016 4:07 am

    Moro e Janot pularam a cerca da legalidade

    Mais de uma vez. É inadmissível.

    O caso de Moro é pior. Grampeou ilegalmente a presidente Dilma, no palácio. E divulgou para o telejornal (ainda) com a maior audiência no país. É  crime de segurança nacional. Se fosse nos EUA, o juizeco de queixo quadrado já estaria com uma corrente nas canelas, de uniforme laranja, tomando uns choques em alguma prisão no Caribe.

    Quem garante, que nesse crime de oportunidade, não venderam segredos de Estado a quem ofereceu o melhor preço?

    Danem-se a suposta consistência das investigações e das acusações da Lava-Jato. A operação tem vícios de origem,é conduzida por juiz e procuradores que agem fora da lei. É ilegal e tem que ser anulada.

  7. Maria Luz

    9 de junho de 2016 4:12 am

    Golpe sem chefe

    É estarrecedora essa revelação!

    Sem esquecer que Eduardo Cunha pôs em votação o projeto de Lei sobre idade para  aposentadoria compulsoria . Isto Impediu novas nomeações. Significa que o Supremo deve uma ou duas ao Cunha. 

    Não sei o que é mais desolador,   se o  fato de termos um executivo cuja “eminência parda” é  o Eduardo Cunha ou o STF ficar  sob a égide do Gilmar ‘Tucano’ Mendes  um dos maiores inimigos do partido do governo dos últimos 12 anos.

    Finalmente concordo com as ilações sobre o golpe não ter chefe, mas facções em plena disputa de poder.

     

  8. Sérgio BrasiI

    9 de junho de 2016 4:15 am

    Nassif, sempre se superando,

    Nassif, sempre se superando, nenhum, repito, nenhum órgão de imprensa apresenta tantos detalhes, tantas informações pessoais e de bastidores que fazem entender esse imemso quebra-cabeças destrutivo construído por Janot e sua trumpe.

    Lula e Dilma porém, a cada dia que passa, demonstram que não estavam preparados para esse imenso jogo sujo praticado por essa verdadeira quadrilha midiatica-judicial-pf-prf. Não que isso minimize os imemsos erros, a começar da escolha de ministros do stf, algo inaceitável.

    Cada dia que passa eu não tenho a menor ideia do que restará do pais pós lava jato, provavemente uma teraa salgada, devastada.

    Não deixarão o Lula ser candidato, isso para mim porém é uma certeza, esses verdadeiros marginais inven5aram outro conto da carochinha, um barco de lata, um pedalinho que o seja.

    Triste Brasil.

    1. bonobo de oliveira, severino

      9 de junho de 2016 12:50 pm

      Verdade.

      A qualidade, profundidade e consistência das análises corajosas do Nassif não encontram paralelo em nenhum outro veículo, no mister de desvendar as patranhas que ocorrem nos bastidores dessas corporações contaminadas que levaram ao derretimento generalizado das instituições e, por conseguinte, do próprio modelo de governança do país. Aparentemente quando o bando de mafias e maçonarias ignaras, compostas por agentes da alta burocracia do Estado, se associaram às quadrilhas constituídas de empresários de comunicação, notórios praticantes contumazes de crimes de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, ocultaçao de patrimônio, entre tantos outros, agregaram ao poder, já extraordiário do oligopólio midiático cartelizado do país, uma capacidade destrutiva avassaladora que está hoje absolutamente fora de qualquer controle. Nem Lula e nem Dilma estavam preparados para enfrentar tamanha degradação da Alta Burocracia do Estado, realmente, como vc diz. E surge a pergunta. Quem estaria preparado para controlar um país sem instituições minimamente operacionais e sem nenhuma preocupação com a observância e o cumprimento das leis? Eu creio que ninguém estaria. A única saída para um país em que um conjunto de bandidos assumiu o controle do Estado é esperar que se destruam pela própria desqualificação e tentar depois reconstrui–lo com os cacos que restarem porém, dessa vez, focado em enquadrar e limitar essa bandidagem toda agora revelada.

    2. antonio francisco

      11 de junho de 2016 1:31 pm

      Sergio, Nassif vem alertando, mas não o ouvem!

      Em 2010 Nassif escreveu 

      https://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/o-primeiro-pepino-de-dilma

      As ligações – ainda que profissionais – de José Eduardo Cardozo com Daniel Dantas são tão amplas e tão comprometedoras, que foi uma imprudência colocá-lo em um cargo ministerial que tem debaixo de si a Polícia Federal.

      Tenho evitado a estigmatização generalizada de todos os que cruzaram no caminho de Dantas. Mas no caso do Cardozo, não há como minimizar sua atuação.

      Clique aqui para ir ao Conversa Afiada

      http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2010/12/29/ministro-da-dilma-defendeu-dantas-no-mpf-e-com-a-turma-do-berlusconi

  9. Miguel A. E. Corgosinho

    9 de junho de 2016 4:25 am

    Compartilho o que país está passando.

    Estes golpistas vão usar de todas as artimanhas para prejudicar o PT.

     Horror! PF tortura senhora doente pra extrair delação do marido contra Lulapor Conceição Lemes, no Viomundo Desde terça-feira passada, 18, a empresária Cristina Mautoni Marcondes Machado, 53 anos, está presa na Polícia Federal (PF),…OCAFEZINHO.COM  

     

  10. Atillan Cesar Coelho Costa

    9 de junho de 2016 4:36 am

    Queria dizer bem feito
    Se essa parte aí do Mercadante for verdade, pode entregar o troféu ‘burros do século’ para todos que concordaram com tal indecência. É muita frouxura com medo de perder o poder, inacreditável! O PT, receando o combate, temendo instabilidade, passou a vender a alma para preservar a faixa presidencial. Como o destino tende a punir os covardes, hoje estão sem a dignidade e sem a faixa. E ainda são obrigados a assistir a chefe de estado eleita ser diariamente humilhada e constrangida pela truculência covarde do que de pior existe na vida pública brasileira.  Queria dizer bem feito, só que ao final desse espetáculo de burrice e covardia, quem perde pra valer é o povo, não o PT.  

  11. Serjão

    9 de junho de 2016 4:50 am

    Frente Brasil Popular convoca ato para sexta-feira

    O ator principal na resistência ao Golpe: O Povo nas ruas, sexta, dia 10:

    https://www.youtube.com/watch?v=PzPA1x-wgXc

     

  12. A.R. Carvalho

    9 de junho de 2016 4:59 am

    Caro Nassif e

    Caro Nassif e leitores,

    Apenas uma observação: espero que as suas análises (que vem chamando de xadrez) se transformem em um importante livro. Este seu texto é simplesmente histórico. Espero que sirva de inspiração para algum cineasta.       

  13. romulus

    9 de junho de 2016 5:38 am

    Prova da ingenuidade macropolítica de Janot

    JAnot achava que o PMDB ia esperar de bruços ele vir decapita-lo.

    Só invasão bárbara neste menos de um mês de golpe, passando por cima de Contituiçao, lei e moral acordou ele para a desfaçatez de PMDB.

    Oi?

    Acordou?

    Bom dia, Janot!

    Resultado:

    Teve que antecipar em meses o ataque ao PMDB, praticamente forçando o grande acordo entre STF, Senado e forças políticas para impedir a instauraçao da “Republica dos concursados”.

    “Cadeia no PMDB”: Janot se assustou com os hunos    

     ROMULUS    QUA, 08/06/2016 – 06:34    ATUALIZADO EM 08/06/2016 – 12:09

    Por Romulus

    Resumo:

    – Catch me if you can: ou Janot prende PMDB agora…

    – Ou PMDB prende Janot depois (Tiago Nunes)

    O timing da investida de Janot contra o PMDB causa estranheza. O PGR não espera sequer a conclusão da votação do golpe no Senado para sacar suas armas de destruição em massa: pedir a prisão preventiva do Presidente do Senado – em pleno exercício e sem flagrante (!), do ex-Presidente da República e do líder do governo no Senado nas três últimas administrações (FHC, Lula e Dilma), também em exercício do mandato.

    Notemos, contudo, que PGR/MPF não deixam de investir concomitantemente contra Dilma, pois veem que ela vem crescendo na comparação com o golpe. Indicativos do duplo ataque? O vazamento da suposta delação de Marcelo Odebrecht envolvendo Dilma pessoalmente, o ridículo do cabeleireiro de Pasadena, etc.

    Ou seja, claramente a PGR não quer nem Temer nem Dilma e tenta inviabilizar a ambos. E para já!

    Por quê?

    Minha hipótese é que isso se deve à marcha dos bárbaros nesse menos de um mês (!) de golpe. Ações como a intervenção pesada e o desmonte até em instituições unânimes, como Conferencia Nacional de Educação, IPEA, CGU, EBC, etc., não deixaram dúvidas. Os procuradores já viram que não há – e não haverá – limite para os golpistas.

    Para eles não há impedimento constitucional, legal, moral e – sobretudo – institucional.

    LEIA MAIS »

  14. Maria Luisa

    9 de junho de 2016 8:27 am

    “A Cesar o que é de Cesar”

    Parabéns Nassif por todo esse trabalho em entender e destrinchar o que se passa nos bastidores do judiciario e Ministério Publico. Esse xadrez de hoje é bem elucidativo. Dele sobressaem dois sentimentos que muitos filosofos e grandes autores muitas vezes elaboraram teses a respeito: o rancor e a vingança.

    O MPF e o Procurador Janot sofrem terrivelmente desses males e esperam a revanche de quem – mais freudiano impossivel – mais lhes deu poder, que foram os governos petistas. Apesar de desdenharem esse dado, é so olhar para tras e constatarem o que era o MP na época de FHC: Nada.

    E como pensam estar moralmente muito acima na Republica, esperam que se instaure a Republica dos Procuradores, os grandes.

    Quanto ao STF. Os ministros não fizeram nada, o que podiam e deviam ter feito em nome da Constiuição Federal, para deter o golpe. Muito pelo contrario, alguns ministros têm feito tudo para que se efetive aquilo que denominam impeachment e durmam, enfim, o sono tranquilo dos que agiram para “salvar” o Pais e entregarem de bandeja para… Temer, Cunha, Juca, Bolsonaro, pastores evangélicos e tutti quanti. Durmam com seus pesadelos.

  15. Ivan de Union

    9 de junho de 2016 9:49 am

    “Na terça, fez sua grande

    “Na terça, fez sua grande aposta, pedindo a prisão de Renan Calheiros, José Sarney e Romero Jucá. Ou enterra definitivamente o modelo político que emerge das diretas; ou compromete definitivamente a Lava Jato”:

    Nem um nem outro.  O recado de Janot aa quadrilha eh clarissimo:  nao votar para o retorno de Dilma.  E Teori sabe disso muito bem.

  16. antonio francisco

    9 de junho de 2016 10:13 am

    Aragão é Doutor em Direito summa cum laude

    Eugênio José Guilherme de Aragão foi fera nos estudos jurídicos. Diz a Wikipedia:

    Eugênio Aragão formou-se em direito pela Universidade de Brasília (UnB) em 1982. Tornou-se mestre em direito internacional dos direitos humanos pela Universidade de Essex, Inglaterra, em 1994, e doutor em direito pela Ruhr-Universität Bochum, Alemanha, em 2007, com menção summa cum laude.[3]

    Quanto a Gilmar Mendes, a Wikipedia menciona seu doutorado. Certamente não teve a menção obtida por Aragão: 

    Em 1989, concluiu seu mestrado na Universidade de Münster, na Alemanha, sob a orientação do Professor Hans-Uwe Erichsen. Em 1990 obteve seu doutorado nessa mesma universidade, ainda sob a orientação do professor Erichsen.

    Em 2012 postei no GGN um artigo em alemão (glup!) sobre Gilmar:

    https://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/gilmar-no-berliner-zeitung

    Também em 2012 o Centro de Mídia Independente publicou uma lista de perguntas a Gilmar:

    http://www.midiaindependente.org/pt/red/2012/10/513224.shtml

  17. joel lima

    9 de junho de 2016 10:17 am

    Nesse post, revela-se o que

    Nesse post, revela-se o que teria sido o marco zero pra situação em que chegamos = Lula não dar ouvidos a Marcio Thomas Bastos para que não afastasse Paulo Lacerda, no caso do aúdio que nunca houve [ se um aúdio não é vazado no brasil, é porque nunca existiu ] . Infelizmente, aqui,nesse ponto, a intuição política inigualável de Lula falhou. Imagino a cena de MTB indo falar com Dilma pra que ela abrisse os olhos de Lula. Mal imaginava que nem mesmo Lula conseguiria abrir os olhos de Dilma pra ela ver a armadilha que ela mesmo estava ajudando a armar contra ela mesma. 

  18. Messias Franca de Macedo

    9 de junho de 2016 10:27 am

     
    Perguntinha interessante:na

     

    Perguntinha interessante:
    na prisão instantânea – e inédita do ponto de vista da história senatorial brasileira – do senador Delcídio do Amaral, “os supremos” gilMAU Mentes (DEMoTucano-PMDBosta/MT), Teori Zavascki, Celso de Mello… “Fizeram biquinho de contrariado”?
    Com a palavra os bicudos (sic) do STFede!

  19. CB

    9 de junho de 2016 10:32 am

    Só que, do lado de fora dos

    Só que, do lado de fora dos muros do Palácio de Versalhes, a temperatura da fervura está aumentando. Daí eu penso na história do sapo que morreu cozido porque foi colocado na água enquanto ela estava fria.

  20. Messias Franca de Macedo

    9 de junho de 2016 10:38 am

     
    CRIME HEDIONDO
    ATENÇÃO

     

    CRIME HEDIONDO

    ATENÇÃO BRASIL DO BEM

     

    ***

    Genoíno foi vítima dessa irracionalidade.

    No mensalão, a teoria do fato defendia a tese da formação de quadrilha. Todos sabiam que Genoíno era inocente, inclusive o PGR Roberto Gurgel. Como presidente do PT, meramente dera um aval burocrático a dois contratos de empréstimo porque o estatuto do partido obrigava a isso. Mas se fosse inocentado, toda a teoria da organização criminosa cairia por terra.

    Sacrificaram um inocente, como o próprio Gurgel admitiu, pela manutenção da teoria.

    E esse modelo de atuação tornou-se padrão no MPF.

    Por conspícuo e impávido jornalista Luis Nassif

    Em *palestra magistral, pedagógica e histórica o doutor Eugênio Aragão aborda este tema.

    O VÍDEO – *https://vimeo.com/167537432

    [em

    ‘Ministro Aragão: Como aconteceu com os governos da Tailândia e das Filipinas, Dilma foi derrubada através das redes sociais; houve ação de inteligência clandestina?’

    21 de maio de 2016 às 09p5

    (…)

    FONTE [LÍMPIDA!]: http://www.viomundo.com.br/denuncias/ministro-aragao-como-na-tailandia-e-nas-filipinas-dilma-foi-derrubada-pelas-redes-sociais-houve-acao-de-inteligencia-clandestina.html ]

    Vale a pena conferir.

    E quem ressarcirá algo impossível de ser ressarcido ao ínclito e honrado José Genoino Neto [do Brasil]?

    Quais deverão ser as sanções pesadíssimas a serem aplicadas ao fascista (ir)responsável e glutão suarento Robert(o) Gurgel?

    E quais as penalidades que deverão recair sobre o rábula psicopata ‘joquim Mossack Fonseca barbosa’?

    (…)

  21. alexis

    9 de junho de 2016 10:38 am

    O “ambiente criminoso” e o criminoso

    Primeiro, quero comentar que achei muito bom este post do Nassif. Embora não hajam muitas jogadas de xadrez, o Nassif descreve muito bem os atores, os peões, as torres e até a rainha. Assim fica mais fácil jogar neste convite intelectual do Nassif.

    Quero trazer aqui o ambiente onde este jogo é jogado, falando mais do “tabuleiro”

    A justiça brasileira, aparentemente, não consegue lidar com ambiente criminoso na sua devida dimensão e tipificação, apenas quando o establishment começa a achar que é crime mesmo, quando o ambiente escorrega e a mídia levanta muito a bola, como o caso da motosserra (Paschoal). O jogo do bicho é ainda tolerado, como um ambiente criminoso onde o sistema em geral não enxerga tanto “crime” assim e nem criminosos, mas apenas pessoas folclóricas que até são tratadas com simpatia, nas escolas de samba e etc. Assim aconteceu com Castor de Andrade, Carlinhos Cachoeira e muitos outros que possuem até samba na sua homenagem.

    O caso das drogas é um exemplo interessante: O produtor de coca é um agricultor inocente, pois o produto é inofensivo na sua fonte. O consumidor, a partir de determinada quantidade, é também inocente, tratado como um dependente. Sobra então o “traficante” como o vilão desta complexa história; e traficantes e afins mofam nas cadeias, ocupando alta porcentagem do ambiente prisional.

    Ambiente Criminoso entre gente “finíssima”

    O ambiente criminoso que tomou conta da política é antigo, como todos sabem. Apenas da Petrobras temos situações como a do jornalista Paulo Francis, que acabou morrendo de tanto desgosto na década de 90, demandado pela própria Petrobrás, depois do Francis ter levantado a lebre. Boechat fez acusações sobre o esquema já nos anos 90 (ganhou até prêmio).

    Os recentemente anunciados pelo Janot (Sarney, Calheiros, Eduardo Cunha e Juca) atravessam esta história desde as suas origens, de 30 anos atrás, seguindo com os tucanos, mas apenas até a chegada do Lula ao poder ninguém tratou este assunto como um “crime”, mas apenas como um acordo entre cavalheiros, gente finíssima que trocava favores. Fazia parte da política. Todos faziam. A impunidade e tolerância fizeram muitos espertos fazerem carreira política nessa direção. A classe política foi se auto extinguindo.

    Aparece em fim um “criminoso”

    A chegada do PT ao poder e se utilizar dos mesmos expedientes para construir sua caixa 2 deixou de ser tolerado pelo establishment. Pobre não pode entrar nesse clube, naquele jogo entre gente finíssima. Aí não pode. Aí e “crime”. O PT começou a ser criminalizado pelas mesmas ações que antes eram legítimas. Hoje é crime a pedalada, antes não. Hoje é crime assinar decretos, antes não. O Marcos Valério começou a ser criminoso quando pactuou com o PT, antes, com os tucanos, não era tão bandido assim.

    A ação policial enviesada

    Em verdade, neste ambiente da corrupção política, embora tenha havido exageros, se observa exatamente o comentado ao começo, a justiça brasileira não consegue enxergar em forma holística o problema deste ambiente criminoso e, a visão preconceituosa em relação ao PT, fez dirigir as baterias da justiça como se delito comum fosse, com juiz que interroga e prende, com ritos processuais próprios para criminosos comuns, com tipificação inadequada dos delitos. Pior ainda, o objetivo é prender e punir, não de solucionar o problema desde a sua raiz. Sem regras definidas, o juiz partiu direto com o cartão vermelho a expulsar jogadores, começando pelo PT, que já estavam ganhando de 4 eleições a zero dos adversários (indo para a quinta)

    Assim ocorre com o golpe do impeachment, nessa mistura jurídica e política do julgamento, onde se força a barra política para chamar de crime algo que, a rigor, não é; ou pelo menos até então não havia sido considerado assim.

    Nassif diz algo muito interessante em relação á “primeira versão” e a resistência do aparelho judicial e policial em flexibilizar a sua interpretação dos fatos. Assim como no impeachment, ninguém quer reconhecer que aquelas práticas de decretos e pedaladas antes eram permitidas e agora não.

    Para Combater um Ambiente Criminoso

    Os atores que Nassif descreve brilhantemente no seu post, se realmente quisessem acabar com este problema e fazer verdadeira justiça, deviam primeiro dissecar a situação global, compreender a sua origem e as suas implicâncias. Com isso em mãos seriam traçadas as linhas para solucionar o assunto.

    1.       Chamar os atores a conversar. Todos os líderes de grandes partidos e grandes empreiteiras. Colocar o problema e discutir a forma de sair desse labirinto. Primeiro as regras do jogo, depois o cartão amarelo e finalmente o vermelho. Os nossos juízes foram direto ao cartão vermelho e quase que estão fechando o estádio.

    2.       Reforma política, com ênfase na proibição de financiamento de PJ em campanhas (Gilmar sentou um tempão acima dessa solicitação);

    3.       Tipificar os crimes e os criminosos (os atores). Nessa perspectiva poderão ver que existem empreiteiras vítimas e não culpadas, atravessadores gananciosos e políticos de dois tipos: com caixa 2 para propaganda, ou gatunos mesmo;

    4.       Os gatunos para a cadeia. Os políticos contumazes com caixa dois ficam fora por 8 anos da política. As empreiteiras devem receber novo tratamento técnico e comercial nas licitações, mais transparentes.

    Todos os atores ou jogadores estão envolvidos (talvez com exceção de partidos muito nanicos). Se expulsar todos acaba o jogo. Quando direita e esquerda se digladiam com armas equivocadas, se chama a ambos e se normatiza novamente o jogo. Ao expulsar ambas as partes do campo o que é feito é criminalizar a política, em geral, e ainda falindo as empreiteiras e criando o caos no país, rumo a uma ditadura meritocrática e do poder econômico.

    Até maus brasileiros que depositaram bilhões de dólares fora do Brasil recebem hoje anistia e multa simples para trazer de volta capital. Apenas se deve demonstrar que não foi desviado criminosamente. Pois bem, aqui é o mesmo: O Paulo Cunha (PT) tirou 50 mil do banco (a sua esposa o fez) para pagar contas de campanha, e mostrou os comprovantes (foi preso assim mesmo). O xará, Eduardo Cunha (PMDB) pegou dinheiro para ele e para sua esposa gastar, lá no exterior. Esse último é mesmo um criminoso, mas o primeiro, apenas um jogador que jogava com as regras de ontem e que hoje estão proibidas.

    A justiça não pode existir apenas para punir, mas para ajudar a regulamentar a vida ordeira dos brasileiros, orientando, advertindo e, finalmente, punindo criminosos tipificados.

  22. Joel Neto

    9 de junho de 2016 10:42 am

    Isso é bandidagem!

    “Um dos grandes feitos recentes do MPF foi a consolidação de uma técnica de investigação chamada de “teoria do fato” – não confundir com o “domínio do fato”.

    Consiste em criar uma narrativa inicial, uma teoria inicial que explique o todo. A sistematização da informação facilita na organização dos fatos em torno de uma narrativa lógica.”

    Polícias e MPF devem investigar, apresentar os fatos, provar as acusações e ponto. Fora disso é canalhice, bandidagem!

     

  23. Rchiavennato

    9 de junho de 2016 10:49 am

    Tá,

    a explicação é ótima, mas onde fica a responsabilidade do Rei e da Rainha (Executivo) nesse busílis todo? A teoria é ótima, porém não exime de responsabilidade essas duas peças do tabuleiro.

  24. Assis Ribeiro

    9 de junho de 2016 10:53 am

    Excelente leitura das
    Excelente leitura das engrenagens dos poderes

    Mas a reta final chegou e alguns terão que recuar.

    No caso das prisões:

    1- O STF recua ainda mais e não julga o pedido do PGR.

    2- O STF julga pela improcedência das prisões, e põe o PGR na retaguarda.

    3- O STF determina a prisão, e o senado:
    A) recua e autoriza a prisão.
    B) Não autoriza a prisão, e assume a dianteira.

  25. eliane Ferreira

    9 de junho de 2016 10:59 am

    Xadrez dos jogos

    Continuar fingindo que não vemos que as ações estão sendo descaradamente conduzidas via judiciário, a seu bel prazer não é viável e muito menos seguro para uma DEMOCRACIA capenga mal saída de um GOLPE. É coincidência demais, de fatos e acontecimentos. É direcionamentos demais em uma linha do tempo.A pior ditadura é a do Judiciário. Santa Inquisição é café pequeno, a fogueira hoje é o cerceamento de defesa e vazamentos seletivos. A LISTA DA  Odebrecht DELATA 24 PARTIDOS, A LAVAJATO ALCANÇOU QUANTOS ATÉ HOJE?ESTATISTICAMENTE ISSO É EFICIENCIA?   Reabertura do caso BANESTADO urgente.

    1. passarim

      9 de junho de 2016 12:47 pm

      Concordo

      Especialmente na reabertura do caso do Banestado.

  26. Messias Franca de Macedo

    9 de junho de 2016 11:05 am

     
    Conspícuo e impávido

     

    Conspícuo e impávido jornalista Luis Nassif,

    respeitosamente, o senhor poderia analisar a possibilidade jurídica da Revisão Criminal da Ação Penal 470?

    Se possível, abordando os condicionantes políticos que poderão ou não permitir este Processo.

    E observando o *Inquérito 2474 e em apenso o Laudo Técnico 2828 da Polícia Federal – documentos que comprovam a inocência do José Genoino, do Henrique Pizzolato, do João Paulo Cunha e, de certo modo, do José Dirceu.

    *documentos que foram, criminosamente, mantidos sob segredo de Justiça pelo relator Joaquim Barbosa

    Muito obrigado!

    Ah, a história da nação brasileira agradece penhoradamente a sua contribuição inefável!

     

    Saudações democráticas, progressistas, civilizatórias e nacionalistas,

     

    Messias Franca de Macedo

    Feira de Santana, Bahia

  27. Assis Ribeiro

    9 de junho de 2016 11:18 am

    Há falha estrutural na formação da nossa sociedade.
    A Casa Grande e Senzala.

    Nessas condições a formação das instituições de controle seguen a lógica do senhor /escravo.

    Em relação às policias explico no post http://assisprocura.blogspot.com.br/2013/05/a-guerra-contra-o-crime-falhas-nas.html?m=1

    O Ministério Público na área criminal segue essa mesma lógica. Para ele não importa a busca da verdade, o seu impeto é buscar a vitória pela condenação e expor os louros da glória.
    O poder Judiciário é historicamente participe da estrutura Casa Grande e Senzala.

    Não importa a verdade, importa o lado.

    Entenderam porque estão condenando sem provas consistentes?

    Entenderam onde Lula entra na jogada?

  28. Giuseppe Junior

    9 de junho de 2016 11:19 am

    Nassif, não caia nesse conto

    Nassif, não caia nesse conto de que o STF nada pode fazer na Lava Jato, devido “devido ao rigor técnico com que Moro vem conduzindo o processo.”    Qualquer estudante primário de Direito sabe que muitas das medidas adotadas por Moro são, em ordem crescente, controversas, abusivas e potencialmente ilegais.  Bastaria que as instâncias superiores a Moro adotassem, com o mesmo rigor técnico, o outro lado da controvérsia, o garantismo contra o abuso e a repressão à ilegalidade.  Não adotaram, por uma das duas alternativas: medo ou cumplicidade. 

    E ainda insisto: o Senado tem elementos suficientes para demandar o afastamento do Janot por crime, diante do vazamento das delações, sobretudo as útlimas. 

  29. gaúcho

    9 de junho de 2016 11:19 am

    É assustador constatar o grau

    É assustador constatar o grau de contaminação política das instituições brasileiras, um jogo de malandros que se utiliza de expedientes ‘heterodoxos’ para alcançar seus objetivos.

    Temos um ministro do STF e um PGR que fazem mais política do que um político, noves fora o papel da mídia e, agora, o novo ator institucional-político: a polícia federal.

    Até nisso o país experimenta sua inovação, diferente de republiquetas bananeiras tradicionais em que o poder é exercido por um ditador ou por um governo autoritário no Brasil o poder foi fragmentado sendo conduzido de forma fatiada pelas diversas instituições que se digladiam para ver quem ofertará a manchete mais ruidosa para um jornal irresponsável publicar.    

  30. Assis Ribeiro

    9 de junho de 2016 11:33 am

    Uma constatação O Ministério
    Uma constatação

    O Ministério Público desde a promulgação da Constituição até uns cinco anos atrás , ou um pouco mais, era tido como uma instituição parceira e protetora da sociedade. De uns anos para cá, a imagem é de um organismo corporativo com saga não protetora, mas punitiva. Os cidadãos que antes admiravam os MP’s e se sentiam amparados, hoje os temem.

    Entramos definitivamente em uma Era de guerra .

    1. paulo vi

      9 de junho de 2016 12:36 pm

      Além do temor pode-se

      Além do temor pode-se acrescentar o desprezo; onde já se viu pessoas como aquela gente sentindo-se e agindo como ‘eleitos’ sabe-se lá do que ou de quem. Espertalhões malucos por dinheiro!

  31. DanielP

    9 de junho de 2016 11:39 am

    Nassif, vou repetir o

    Nassif, vou repetir o comentário que tenho feito por aqui.

    A única solução para o País é um Poder Executivo forte, seja com quem for.

    Senão a sangria não vai parar.

    Lembremos, Nassif, que o Valor economia e bem estar da população está BEM ACIMA do valor ‘suposta justiça” ou “justiçamento” que é o que esse pessoal gosta de fazer.

    Portanto a LJ e o PGR devem ser sufocados, não há meio termo, ou o País vai se esfacelar até 2018.

    Um dado que chama atenção é a burrice extrema de Dilma. Depois de toda  a decepção com a indicação de Janot, ela ainda o reconduz.

    Nassif, na boa, qual o problema dela ? Voce perguntou a respeito disso na entrevista ?

    1. João Jorge

      9 de junho de 2016 12:29 pm

      Segurança Jurídica

      O problema dela é que ela não tem nada a esconder.

      Aqui vale o ditado: quem não deve, não teme.

      Eleições já, também é golpe.

      As pessoas, por mais esclarecidas que sejam como o Nassif, parecem não entender que para a consolidação de um regime democrático ao longo de décadas, a segurança jurídica é o principal valor a ser defendido.

  32. Severino Januário

    9 de junho de 2016 11:44 am

    O inacreditável Temer

    O inacreditável Temer confessa (ele “confessa”, ele não diz, ele não acha) que “essa história de ideologia está fora de moda”. O que vai valer, segundo ele, são os resultados de qualquer tipo de política que se faça. Falou isso aos “empresários do Brasil”, mais de cem deles reunidos à sua volta no dia de ontem (07/06) talvez para checar se o golpe que financiaram vai ter ou não “resultados”. Não é possível que tenham saído da tertúlia completamente felizes. A qualquer preço, antes que consiga algum bom “resultado” imediato, Temer terá rifado o futuro do país e acabado com qualquer resquício de moralidade nos poderes legislativo, executivo e quiçá também no judiciário.

  33. Edivaldo Dias Oliveira

    9 de junho de 2016 11:55 am

    Peixe morre pela boca

    Peixe morre pela boca.

    Se já estava passando da hora de se dar uma enquadrada no Ministério Público, uma nova oportunidade agora se apresenta.

    Basta para tanto que o PT, PCdoB,PDT e outros partidos de esquerda mais o PMDB, se unam numa aliança TÁTICA, casse o mandato de Janot por crime de lesa pátria, reformule toda a “autonomia” concedida a esse monstrengo capaz de transformar todo e qualquer gorverno, de quaquer matiz ideológica, em refém de suas diatribes.

    É preciso que o chefe do executivo, a exemplo do que ocorre nos EUA, tenha o poder de não apenas nomear, mas também demitir o procurador quando lhe aprouver

    Muito antes da Lavajato e do próprio mensalão; não me lembro se no primeiro ou segundo governo Lula, o então ministro da Casa Civil José Dirceu, já demonstrava preocupação com o poder excessivo mantido por esse monstrengo que atende pelo nome de Minitério Público, que jacta sua “autonomia” frente aos outros 3 poderes.

    Não se consegue governar. Não um país, mas uma quitanda, com um inimigo desse quilate do lado.

    Independentemente das críticas que tenho a fazer aos citados no pedido de prisão, as enxurradas de vazamentos seletivos constituem um afronta aos poderes legalmente constituídos.

    A hora é agora, metam o pé no rabo do Janot, reformem o estatuto do MP, ou mofem todos na cadeia enquanto ele quebra, ainda mais, Brasil.

    .

    1. Aldo Cardoso

      10 de junho de 2016 12:57 am

      Sim, Edivaldo, foi por essa sua…

      “…o então ministro da Casa Civil José Dirceu, já demonstrava preocupação com o poder excessivo…”

      Sim, Edivaldo Dias, foi o vasamento dessa sua preocupação que fez Dirceu angariar a antipatia juramentada de todos todos eles.

  34. Messias Franca de Macedo

    9 de junho de 2016 12:06 pm

     
     
    … Em vez de procurar “o

     

     

    … Em vez de procurar “o supremo” DEMoTucano gilmar mendes (DEMoTucano/MT), o ministro Aloisio Mercadante deveria ter ouvido o eminente e intimorato jurista Dalmo Dallari…

    ***

    TSE não tem poder para cassar Dilma, diz jurista Dalmo Dallari

    Por jornalista Felipe Amorim
    Do UOL, em Brasília

    07/10/2015

    (…)

    FONTE: http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2015/10/07/tse-nao-tem-poder-para-cassar-mandato-de-dilma-diz-jurista-dalmo-dallari.htm

     

  35. Álvaro Noites

    9 de junho de 2016 12:20 pm

    Esse Mercadante é um zero à

    Esse Mercadante é um zero à esquerda.

    Incrível foi a lerdeza de Dilma em não ter chamado o Aragão o quanto antes fosse para o Governo.

    Quanto ao STF, é primordial que haja um ministro que seja o antagonista do empresário e ministro do STF Gilmar Mendes, que aliás, já passou da hora de ter sua cassaçaõ feita pelo Senado.

  36. João Jorge

    9 de junho de 2016 12:22 pm

    Falta esclarecer a acusação relativa aos créditos suplementares.

    O Sistema de Investigação que define, a priori, a presunção de culpa. agora batizada de teoria do fato, sofreu, ontem à noite e hoje de madrugada, mais uma derrota.

    Os acusadores que  denunciaram a Presidenta Dilma Roussef e pediram o seu impedimento, partiram da presunção de culpa por um crime de responsabilidade, somente pelo fato dela ser filiada ao Partido dos Trabalhadores. É petista, então, é criminosa. Similar ao que acontece com Lula, é sindicalista, então, é criminoso.

    Pelo menos no que se refere à acusação de pedaladas fiscais em 2015, relativa à equalização do Plano Safra  junto ao Banco do Brasil, ficou cabalmente demonstrado que a equalização, em 2015, ocorreu conforme o preconizado pelo TCU, Ao término do 1º semestre, nos primeiros dias de julho de 2015, foram pagas as parcelas devidas ao BB, relativas àquele semestre. Assim como, a equalização do 2º semestre ocorreu em 28 de dezembro de 2015 e nos  primeiros dias de janeiro de 2016.

    Depoimentos das testemunhas, técnicos/gestores da Secretaria do Tesouro Nacional;

    Pode-se questionar pedaladas de 2012, 2013  e 2014 que, também, foram zeradas em cronograma de pagamentos ao longo de 2015, conforme orientação de Ministro do TCU, mas estas não são objeto da acusação

    Portanto, a acusação de pedaladas fiscais em 2015 está afastada e só cabe ao relator reconhecer a inépcia da acusação.. Se o senador Anastasia for honesto, conforme apregoa, não há mais o que fazer.

    Falta esclarecer a acusação relativa aos créditos suplementares.

    Confesso que dei um tempo para continuar defendendo o governo Dilma Roussef, como sempre fiz com os governos do PT ao longo dos últimos 13,5 anos, pois as acusações são gravíssimas e resolvi esperar os desdobramentos da Comissão do Impeachment.

    Ontem me convenci que Dilma Roussef não cometeu crime de responsabilidade no que diz respeito a acusação de pedaladas fiscais em 2015.

  37. Marcos Antônio

    9 de junho de 2016 12:40 pm

    IRRESPIRÁVEL

    O Brasil SERÁ OU JÁ É DOMINADO PELA CORRUPÇÃO!

    É impressionante ver pessoas comuns, juizes, politicos REPETINDO AS TESES IMPOSTAS PELO PIG!

    É ANTI-INTELIGENTE  E IRRESPIRÁVEL!

    Tudo dentro do Brasil será dominado pela corrupção!

     

    1. luiz fazza antonio

      9 de junho de 2016 2:48 pm

      Tudo dentro do Brasil será dominado pela corrupção?????

      Senhor Marcos Antonio, trato-o com tal deferência não por ignorar sua idade, que permito-me supor abaixo da minha, septagenário de poucos meses que sou, mas por costume arraigado e do qual jamais me arrependi, porém julgo necessário modificar sua assertiva exclamatória final, pois entendo que se faz necessário pesquisar o “desde quando” esta praga pestilenta corrói as entranhas pátrias, incluindo o “em que grau” em cada período, mormente no período 64-85 em que alguns menos avisados, ou cinicamente inocentes, parecem acreditar ter sido desprezível a existência ou incidência da citada praga. Em conversas recentes, ou em textos que tenho cometido aqui e ali, tenho pugnado pelo levantamento do “quando, como,onde e por obra de quem” surgiu na rica história pátria da engenharia das grandes obras a Construtora Nkrberto Odebrecht, talvez mais especificamente no caso da Petrobrás, porém sem desconhecer todas as outras.

      Da mesma maneira penso que se deveria estudar o caso das maiores empresas do mesmo ramo citadas ou envolvidas na Operação Lava Jato, mas não apenas nesta estranhíssima situação onde se busca fazer parecer “que a grande corrupção nas obras seria uma realização dos governos petistas”, assim como se antes de Lula tudo transcorresse dentro dos rigores das leis em todas as obras públicas no país, dos municípios ao governo federal, passando por estados e empresas estatais ou de economia mista……assim como se o absoluto respeito à “8666” fosse regra jamais descumprida.

      As delações (vazadas sorrateiramente ou liberadas oficialmente) premiadas de P. Barusco, P. R. Costa, A. Youssef, N. Cerveró e outros, mas especificamente a última do ex-Deputado Pedro Correia já cumprindo pena decorrente da AP470, quando creio ter lido que ele diz “conhecer do sistema de corrupção em obras públicas desde a década de 70/80”, deveriam merecer análise em seus últimos detalhes, doa a quem doer, tragam para julgamento quem tiver que ser julgado, inclusive os julgados culpados já falecidos, cujos crimes comprovados deveriam ser inscritos oficialmente em seus “currículum vitae” ou “biografias oficiais”….

    2. luiz fazza antonio

      9 de junho de 2016 2:49 pm

      Tudo dentro do Brasil será dominado pela corrupção?????

      Senhor Marcos Antonio, trato-o com tal deferência não por ignorar sua idade, que permito-me supor abaixo da minha, septagenário de poucos meses que sou, mas por costume arraigado e do qual jamais me arrependi, porém julgo necessário modificar sua assertiva exclamatória final, pois entendo que se faz necessário pesquisar o “desde quando” esta praga pestilenta corrói as entranhas pátrias, incluindo o “em que grau” em cada período, mormente no período 64-85 em que alguns menos avisados, ou cinicamente inocentes, parecem acreditar ter sido desprezível a existência ou incidência da citada praga. Em conversas recentes, ou em textos que tenho cometido aqui e ali, tenho pugnado pelo levantamento do “quando, como,onde e por obra de quem” surgiu na rica história pátria da engenharia das grandes obras a Construtora Nkrberto Odebrecht, talvez mais especificamente no caso da Petrobrás, porém sem desconhecer todas as outras.

      Da mesma maneira penso que se deveria estudar o caso das maiores empresas do mesmo ramo citadas ou envolvidas na Operação Lava Jato, mas não apenas nesta estranhíssima situação onde se busca fazer parecer “que a grande corrupção nas obras seria uma realização dos governos petistas”, assim como se antes de Lula tudo transcorresse dentro dos rigores das leis em todas as obras públicas no país, dos municípios ao governo federal, passando por estados e empresas estatais ou de economia mista……assim como se o absoluto respeito à “8666” fosse regra jamais descumprida.

      As delações (vazadas sorrateiramente ou liberadas oficialmente) premiadas de P. Barusco, P. R. Costa, A. Youssef, N. Cerveró e outros, mas especificamente a última do ex-Deputado Pedro Correia já cumprindo pena decorrente da AP470, quando creio ter lido que ele diz “conhecer do sistema de corrupção em obras públicas desde a década de 70/80”, deveriam merecer análise em seus últimos detalhes, doa a quem doer, tragam para julgamento quem tiver que ser julgado, inclusive os julgados culpados já falecidos, cujos crimes comprovados deveriam ser inscritos oficialmente em seus “currículum vitae” ou “biografias oficiais”….

  38. bfcosta

    9 de junho de 2016 1:00 pm

    Para mim, ainda tem uma parte

    Para mim, ainda tem uma parte desse tabuleiro de xadrez que precisa ser desvendada. As duas torres são a PGR e o STF e a rainha é a globo, a PF é o bispo. Mas estão mesmo PGR e STF (leia-se Gilmar Mendes) do mesmo lado ? A recente reclamação do próprio a respeito dos vazamentos recentes mostra que existem arestas a serem aparadas. Qualquer um deles porém não sobrevive sem a globo bancar, pois todos são dependentes da exposição que tem na mídia. E a globo me parece muito mais próxima de Gilmar Mendes que dos procuradores ou delegados. Estes últimos na minha opiniao são usados por ela assim como os militares radicais foram usados nos anos 60 e 70 e depois deixados de lado. Analisando Gilmar Mendes, não parece ser de seu interesse e do grupo que ele representa a completa implosão do sistema político brasileiro, no máxmo uma implosão da esquerda, em especial o PT. Se Janot realmente bancou uma aposta que não pode cobrir, no caso a implosão do PMDB e de todo o sistema político baseado em fisiologia e financiamento empresarial, penso que Gilmar Mendes vai aparecer e matar esta bola se isso for interesse do seu grupo, leia-se PSDB. E a globo banca o acordo, se isso acontecer. Os próximos dias dirão se estou certo sobre a posição de PGR e Gilmar Mendes no tabuleiro.

  39. Photios Andreas Assimakopoulos

    9 de junho de 2016 1:02 pm

    Vítimas de…

    “…No MPF, o pensamento burocrático da corporação, que se organiza em torno de manuais de procedimentos, inverteu: em vez de uma teoria flexível, curvando-se aos fatos, os fatos passaram a se subordinar à teoria. Na medida em que vão juntando depoimentos, os fatos passam a ser encaixados à martelada na teoria, que permanece imutável. O pensamento burocrático não imagina a incompletude da teoria, que precisa ser formada pelos fatos. Imagina que qualquer correção de rotas significaria desqualificar os trabalhos, pois revelando que a hipótese inicial era incompleta. Com isso, deixa de ser teoria para se transformar em ideologia, fé cega, faça amolada. Genoíno foi vítima dessa irracionalidade.E esse modelo de atuação tornou-se padrão no MPF….” 

    Dito isso, vejo que, incluindo o País, são vítimas da vaidade, arrogância e orgulho que encontraram amplo abrigo não só nessas instituições, mas bem como, e principalmente nesse Governo recente (e não me refiro somente ao usurpador).

  40. atenir

    9 de junho de 2016 1:07 pm

    Isso só prova a maior

    Isso só prova a maior trapalhada desse governo do PT para indicar ministro do stf e do pgr. 

    São incompreensíveis os erros desse governo nessa área. Erram seguidamente e não aprendem. Nem com a prisão das principais lideranças do partido não aprendem.

    Assim, fica fácil para a direita seguir em frente…

    É muita burrada por metro quadrado…

  41. Erismar

    9 de junho de 2016 1:26 pm

    Que analise fantástica!
    Seja

    Que analise fantástica!

    Seja qual for a decisão do supremo ele sai menor…

    O Janot sai fortalecido na opinião publica (globo) e tem como saldo negativo uma pá de inimigos declarados (há quem prefira os inimigos declarados aos inimigos que agem nas sobras). O Senado cedo ou tarde vai querer os miolos de Janot… O risco é ele virar um herói nacional dos coxinhas que andam meio orfãos…

    Para o campo progressista, o xadrez está inalterado, os fatos ainda não indicam que temos forças para virar o jogo do afastamento de Dilma, nem que Lula e Dilma serão poupados pela sanha dos procuradores.

    Continuemos nas ruas e mantenhamos a cautela no máximo para aguardar os próximos lances!

  42. Milton Murilo

    9 de junho de 2016 1:28 pm

    Xadrez dos jogos da Justiça e do MPF

    Tenho manifestado minha posição com o que chamo de “neorepublicanismo”.

    Como bem diz o Nassif o PT e seus governos Lula e Dilma foram incapazes de compreender o que é ser governo. Assumiram o executivo federal e deixaram instituições  livre, leves e soltas para todos os apetites menores de seus integrantes.

    Já na troca de faixas com FHC corre a lenda de que Lula teria lhe dito “ter na presidência um amigo”. Seria isso a confirmação da futura leniência com os malfeitos gritantes havidos na era fernandiana.

    Ao longo dos governos Lula/Dilma, em que pese os enormes avanços havidos em várias áreas, a mãe de todas as reformas, como outras, foi esquecida.

    A  mídia seguiu suas ações deletérias financiada pela própria vítima. Bilhões irrigaram os cofres de globo & cia na mesma medida em que atacavam o governo com ou sem motivo. Ora, o mínimo que se exigiria é a imparcialidade dos veículos favorecidos.

    A PF, foi desarticulada pela saída de Lacerda.

    O STF recebeu ministros que trabalharam contra seus indicadores quando deveriam ser neutros e técnicos.

    O MPF ficou ao sabor de seus integrantese ideários diversos. A aceitação da lista tríplice foi um desastre. Genoino que o diga.

    O BC em, várias oportunidades, atuou contra a política economica federal.

    Enfim, faltou a visão do conjunto dos atores e a incontrastável verdade que se comanda ou se é comandado.

    Foram bisonhos, frouxos e sem noção….

  43. Edson Pontes

    9 de junho de 2016 1:30 pm

    Novas eleições ou Constituinte?

    O atual cenário não indica o término do ciclo da Constituição de 1988? Por quais razões a Presidenta não encampa a proposta de uma nova Consituinte em vez da mera antecipação das eleições. Creio que somente desta forma seria possível promover a mais que constatada necessidade de reformas (política, federativa, tributária etc.) que o atual contexto histórico tem evidenciado. Esta proposta não interessa ao PT e aos principais protogonistas políticos (Ciro Gomes, Marina e outros). Ao que me parece, esta questão precisaria ser melhor discutida com a sociedade. 

    1. Josias Pires

      9 de junho de 2016 1:45 pm

      Instituinte

      Tenho a impressão que fazer nova Constituinte agora quando há evidente crescimento da direita e derrota política da esquerda irá nos levar à defiguração completa da CF de 88 e nada de melhor ficará em seu lugar. Talvez a melhor saída neste momento seria eleições gerais – para a presidência e para o parlamento, sem financiamento empresarial de campanha – e criar um movimento instituinte sólido para os próximos anos …

    2. Marco Vitis

      9 de junho de 2016 2:13 pm

      Saída política ou barbárie

      EDSON

      As reformas política, tributária e do JUDICIÁRIO, podem fazer parte de um pacto endossado por Dilma.

      (1) Restituir Dilma à Presidência;

      (2) Dilma propõe novas eleições gerais antecipadas, condicionadas às reformas prévias.

       

      1. Edson Pontes

        9 de junho de 2016 3:12 pm

        Concordo plenamente!
        A

        Concordo plenamente!

        A restituição da Presidência é fundamental (com ou sem compromisso de pactuação!), no entanto, caso seja compreendida como caminho efetivo para a reordenação política-institucional, a proposta de convocação de nova Constituinte precisa ser claramente assumida, discutida e pactuada com o povo! Não vejo possibilidade de pactuação na esfera político-institucional vigente (Congresso).

  44. Josias Pires

    9 de junho de 2016 1:37 pm

    Nassif fazendo História

    Informações de bastidores preciosissimas. Inclusive trazendo novos detalhes, como no caso do delegado Paulo Lacerda. Tenho a impressão que Lula piscou ali porque sabia que Paulo Lacerda iria desmontar o esquema de Daniel Dantas, de Gilmar Dantas e do PSDB. Na medida em que o PT decidiu continuar a fazer tudo igual e manter o mesmo jogo do PSDB – usar Marcos Valério como operador, manter o esquema de Delcídio/PSDB na Petrobras e outras cositas mais – o mais sério delegado da PF que já tivemos passou a ser desfuncional para o lulismo. O lulismo é uma espécie de PSDB por outras personagens, é o que parece. A informação da merda que fez o Mercadante é estarrecedora – será que fez aquilo de iniciativa própria ou tudo combinadinho com Lula e Dilma? A conferir. É por essas e por outras que acho uma desfaçatez atribuir o golpe do impeachment apenas aos inimigos.  

    1. Aldo Cardoso

      10 de junho de 2016 12:44 am

      Só tenho de concordar

      Josias,

      Sinceramente, torcia para não chegar ao ponto de ter de concordar com conclusões como as de seu comentário, mas chegou,  principalmente as do último parágrafo.

  45. Jossimar

    9 de junho de 2016 2:08 pm

    ”  Embora críticos dos

    ”  Embora críticos dos métodos de Sérgio Moro, Ministros do STF nada puderam fazer na fase inicial, devido ao rigor técnico com que Moro vem conduzindo o processo.”

    Rigor técnico seria o banimento da presunção de inocência, prisão perpétua para forçar delações seletivas(foi o Jucá que disse), incriminação de pessoas jurídicas, vazamentos seletivos, grampos ilegais, inclusive o que iniciou a lava rato, campanha de destruição premeditada das maiores empresas brasileiras, etc etc etc…

    Há tantas ilegalidades na lava jato que se fossem considerar as anulaçãoes de operações anteriores(onde o PT não era acusado) sathiagraha, castelo de areia e outras que esta lava rato deveria ser anulada e a força tarefa presa pelos estragos que provocaram na econômia, na política, no aparecimento do fascismo e ódio entre os brasileiros, na destruição de projetos de interesse nacional, na imagem internacional do país e no golpe perpetrado contra a democracia capitaneado pela mídia golpista, empresários golpistas, ladrões encastelados no congresso e aproveitadores e sanguessugas instalados através de concurso público nas instituições brasileiras, que ao final de tudo se provaram um tremenda porcaria, desperdício de dinheiro e motivo de instabilidade democrática.

    Uma catástrofe que demoraremos décadas para recuperar. Com isto jogamos no lixo o futuro de umas duas gerações de brasileiros.

    Valeu a pena?

  46. Jossimar

    9 de junho de 2016 2:12 pm

    ” se estava tudo bem com os

    ” se estava tudo bem com os prisioneiros políticos.”

    Concordo. Até presos políticos já temos no Brasil. Todos do PT é claro, porque os do PSDB e PMDB não vêm ao caso. E ainda tem gente que fala em democracia.

  47. Jossimar

    9 de junho de 2016 2:26 pm

    “O fato do Supremo ter

    “O fato do Supremo ter chegado a esse impasse é a prova maior da vergonhosa situação das instituições brasileiras, todas elas – Executivo, Legislativo, Judiciário, Mídia, partidos políticos – pequenas, microscópicas para um país que se pretende moderno.”

    Concordo. Agora está provado que não temos nada. Vivemos a barbárie. O mais forte sobrevive.

    Mas, o Supremo chegou a esta condição por sua própria conta. Não sei se foi por omissão ou má-fé. Não digo ignorância porque não é possível que ignorantes cheguem ao STF. Pusilânimes sim. Começou com o julgamento da AP 470, uma fábula sem pé nem cabeça validada pelo STF e continuou depois com a omissão aos abusos cometidos por um Juiz de primeira instância nesta lava rato – que na minha opinião criou outra fábula e agora busca a confirmação na realidade, como não encontra, pelo menos do jeito que querem, atropelam as leis, a constituição e a lógica a fim de provar que estão certos – e que cada vez se propagam mais e para outras áreas.

    Hoje a lava rato se acha superior a DEUS, dona de toda a verdade e quem se atrever a contestar é alvo de ações judiciais indenizatórias, por enquanto, e num futuro próximo, masmorras morinas de curitiba.

  48. Otaviani

    9 de junho de 2016 2:50 pm

    Alguns fatos
    Tem que ser colocado alguns fatos que influenciaram a Lava Jato que ajudam a enteder melhor.Desde o inicio foi uma operação montada com vies politico ideologico e colocaria até um ranço classista,ou seja era contra o PT e a esquerda em geral.Seus componentes(PF e MPF) em sua maioria eram antpetistas e foram aos protestos contra a Dilma,ja so com isto se mostra um porque de se encaixar os fatos a narrativa “as marteladas”.As suspeitas e indicios visto entre articulistas e na blogosfera suja é que havia um ping pong entre a lava jato e os serviços de informações do governo americano,ate a participação de promotores americanos,com troca de visitas.Foi muito citado o volume de informações que a operação ja dispunha e que não poderia ter tanto,ou se ja não houvesse uma grande investigação antes ou foi “auxiliada”.E para culminar o juiz Moro , na semana do golpe vai aos EUA receber homenagem,e depois da votação da camara,incontinente Aloisio Nunes tambem vai aos EUA.Acho que foi uma liderança politica espanhola que disse que se precisa de 10 anos para formar um general democrata,acho que o mesmo se aplica ao juizado.Nos temos um judiciario como um todo da PF ao Supremo de origem de classes media/media alta,maioria esmagadora de jovens brancos que tiveram todas as chances para ingressar,seja por ter frequentado bons colegios e faculdades,cursinhos,para concursos publicos.Temos uma casta dissociada da realidade brasileira,que ganham fabulas,tem regalias e varios se acham merecedores e melhores que as pessoas “normais”.So para finalizar,aqui em BH ha um predio da justiça em que um amigo advogado ja me confidenciou em que ha um elevador usado por juizes e que se um advogado entrar ele é obrigado a se retirar,pois os juizes so compartilham com seus pares,e olhe que este e outro elevador são para uso de autoridades,funcionarios e advogados.

  49. Genaro

    9 de junho de 2016 2:51 pm

    Nassif;
    Excelente, você

    Nassif;

    Excelente, você revelou pontos que nunca sequer passaram pela minha imaginação.

    Existem outros pontos neste xadrez que você porderia nos esclarecer:

    a) Por que o janot foi reconduzido, se na ocasião já estava claríssima sua forma de condução?

    b) A exceção do Eugênio Aragão ainda ninguém questionou mais seriamente e oficialmente o porque  “força tarefa” pender somente para um lado (mp, moro e pf) ?

    c) O que justifica a radical mudança de postura do  toffoli, que passou a ser o mascote do gilmar?

    d) Por que ninguém questiona o negócio (também chamado de escola)  do gilmar, onde4 o teori e o tofoli são seus empregados?

    e) Com relação ao fachin, te poupo de qualquer análise, falta hombridade para este cidadão e excede decepção. Este consegue ser pior que a weber e o fux.

    f) O que justifica a absoluta falta de coragem do lewandowski?? Ele está protelando as coisas para chegar logo agosto.

    g) Por que o lewandowski acenou que o stf analisaria o MÉRITO do afastamento e agora como se não havia dito nada repete o mantra que os senadores são os juizes originários deste processo e que cabe a ele analisar os ritos. Que convicção em presidente!!!

    h) Até que ponto o stf através do lewandowski usou o aumento salarial do judiciário como chantagem ????

    É muita podridão condensada.

    Sem judiciário isento e honesto a quem iremos nós???

    Genaro

  50. Alessandro

    9 de junho de 2016 2:54 pm

    Vacilo calculado

    Às vezes parece que o Janot fez esse pedido de prisão para desmoralizar o lado deles, da lava jato. Desmoralizando a lava jato, atinge-se o objetivo de fazer o STF fazer aquilo que sempre quis fazer: nada. Depois disso, ficará intocada a coalizão política barra pesada que se instaurou.

    O STF vai por freios, nada acontecerá. E o governo interino vai comemorar.

  51. Josias Pires

    9 de junho de 2016 2:55 pm

    Conrado Hübner: O STF é refém do capricho dos seus ministros

     

    Por Israel Nonato

    As “onze ilhas” do STF continuam fortes como nunca. As decisões do Plenário, cada vez mais fragmentadas, parecem uma colcha de retalhos. E, na maior parte do tempo, o Supremo Tribunal Federal é um tribunal monocrático. Para mudar essa realidade, é preciso um choque de colegialidade. É o que defende Conrado Hübner Mendes, 39, professor de Direito Constitucional da Faculdade de Direito da USP e autor do livro Constitutional Courts and Deliberative Democracy.

    Nessa entrevista que concedeu, por e-mail, ao blog Os Constitucionalistas, Mendes afirma que o STF é refém do capricho de cada um dos seus ministros, que a TV Justiça contribui para a rígida fragmentação do colegiado da Corte e que, para aprimorar seu processo deliberativo, o Tribunal deve ser seletivo, decidir pouco e explorar o instituto da repercussão geral. Uma boa Suprema Corte é a que tem energia e tempo para se concentrar em causas relevantes.

    Para Conrado Hübner Mendes, se a Corte deseja contribuir para a democracia, o STF deve levar a sério dois problemas. Deve definir critérios mais transparentes, racionais e menos arbitrários para a definição da pauta do Tribunal. E precisa disciplinar o poder de obstrução dos ministros, que individualmente podem sequestrar o Plenário por meio de pedidos de vista e de decisões liminares.

    Segundo o entrevistado, não compete ao STF ser vanguarda iluminista. O Tribunal, como Corte Constitucional, deve enfrentar sensos comuns superficiais, lutar por preservar uma ambiciosa linguagem de direitos e desafiar os poderes eleitos a não subestimar os valores civilizatórios da Constituição.

    Questionado se o Tribunal poderia atuar como representante argumentativo da sociedade, Mendes diz que o STF tem sido fonte de cacofonia constitucional. E que nem que tivéssemos toda a boa vontade poderíamos permitir ao Tribunal se valer desse título. A representação argumentativa é uma credencial que não se presume nem se auto-atribui, mas que se conquista.

    Na opinião de Conrado Hübner Mendes, o STF vive o ápice de suas patologias institucionais. Dialogando com entrevista de Oscar Vilhena Vieira, Mendes pontua que chamar de supremocracia o protagonismo do Supremo Tribunal Federal é dar ênfase num alvo errado. E é incisivo. Cortes fortes existem no mundo. Cortes desgovernadas e reféns do capricho e dos cálculos pragmáticos de cada um dos ministros, não há.

    Sobre a possibilidade de o STF rever a decisão do processo de impeachment de Dilma Rousseff, o professor Hübner Mendes destaca que o fato de o Senado Federal deter a última palavra não transforma o processo em “político”. O Senado pode, em tese, tomar uma decisão juridicamente mais bem fundamentada que o STF. Não se pode pedir ao Supremo que seja um salvador da pátria. Porém, o Tribunal pode controlar com rigor, prudência e discernimento o procedimento do impeachment.

    Indagado sobre as propostas de parlamentarismo e semipresidencialismo para o Brasil, Conrado Hübner Mendes ressalta que o debate é superficial, simplista e esconde outras variações importantes das diversas formas pelas quais o Executivo e Legislativo podem interagir.

    Leia a entrevista.http://www.osconstitucionalistas.com.br/conrado-hubner-mendes-o-stf-e-refem-do-capricho-dos-seus-ministros 

     

     

     

  52. Fabiana Oliveira

    9 de junho de 2016 3:27 pm

    Xeque-mate

    Gosto muito de ler suas análises, sempre tão detalhadas e com uma visão de jogo impressionantes. 
    Muitas das coisas que li abriram a minha mente em relação a esse golpe, e mais ainda, me dão base para discutir sobre isso. Quantas e quantas vezes eu li suas análises, e quando surgia o assunto falava sobre o que tinha lido, algumas pessoas até falavam que “imagina vc está louca!”, e depois de algum tempo a mídia desenrolava a história que vc já tinha sacado antes.

    Outro dia nos comentários um leitor disse que vc tinha que disponibilizar os textos do XADREZ em ordem cronológica; concordo PLENAMENTE!!!

  53. antonio francisco

    9 de junho de 2016 4:15 pm

    Gilmar foi quem soltou a funcionária?

    Twitter do Stanley Burburinho:

     

     3 hhá 3 horas

    A funcionária q quer furtou processo da Globo na Receita foi solta por quem? Gilmar Mendes!

    78 retweets66 curtiramResponder Retweetar 78  Curtir 66 Mais

     

  54. O Ilusionista

    9 de junho de 2016 5:51 pm

    Escravos de Jó

    Apesar da sua análise extremamente aprofundada e riquíssima em detalhes, alguns dos quais já soterrados pelas areias do passado, eu, cá onde me encontro, à grande distância destes bastidores sinistros, ainda prefiro, entre a lógica e síntese, entender o ocorrido por uma outra ótica.

    Presumo, em primeiro lugar, que o PGR tem em seu poder relatos de fatos incriminadores contra todos os citados. Iria além, possui provas de envolvimento dos referidos em conspiração para desativar a Lava Jato e desarmar assim seus protagonistas do judiciário.

    Os Ilmos. citados jamais passaram pela minha ideia como indivíduos a quem se pudesse confiar uma chave de cofre. E investigações levam a fatos, senão à provas. E Já que resolveram exumar os jazigos nos jardins da esplanada, é previsível que se encontre cadáveres, zumbís, morcegos, dentes de ouro, larvas carnívoras e toda a espécie de parasitas e vampiros, ativos e inativos.

    Ora, então, de posse de informações comprometedoras, o PGR decidiu, até para proteger a continuação da operação LJ, pedir a prisão destes 4 personagens. Mas eu diria que esse fato não é recente. Suponho até que foi gerado antes da posse de Temer.

    Ocorre que, ainda na linha da presunção, o STF deve ter entendido, na figura do juiz Teori, que o prato era por demais apimentado, que seria indigesto para o momento, e que, dadas as circunstâncias acusatórias que a denúncia envolve, poderia o PGR ter concedido o pedido a posteriori, sem prejuízo do poder acusatório do processo.

    Mas, é aqui que as peças se encaixam, deve ter chegado ao PGR informações sobre interferências ou influências no processo de impeachment, ocasionadas pelos 4 personagens, especialmente Renan, inspirado por Sarney. E esse foi o gatilho. Dada a complexidade burocrática do judiciário, assim como as regras cerimoniais que envolvem encaminhamentos ao STF, o PGR não poderia pegar o telefone, ligar para Teori, e fundamentar a urgência do seu pedido em conjecturas, suposições e nem em receios. Ainda mais tratando-se do juiz Teori, com seu olhar fuzileiro.

    Nesta condição, resta uma única opção ao PGR. Vazar o pedido para pressionar o juiz. E foi o que ele fez.

    Na verdade são 4 pedidos, 2 por interferência no impeachment, 1 por uma questão de honra da política, que é o Cunha, e o outro talvez por que cometeu delito grave. Mas isto são suposições. Talvez até eles estejam ligados, embora duvide que Cunha se ligasse a Renan até para tomar um cafézinho. Sarney não seria maluco a ponto de ter negócios com Cunha. A incógnita é Jucá.

    Mas acho que aquilo que o PGR está fazendo é passar o pepino para frente. Porque? Logo saberemos.

  55. Aldo Cardoso

    9 de junho de 2016 6:12 pm

    Muito obrigado, Nassif, por tanta luz!

    Nassif,

    Primeiro, muito obrigado por tanta luz que fizeste jorrar sobre a penumbra com que via as nossas instituições maiores.

    Cheguei ao final do seu xadrez meio atônito e estupefato por descobrir o quanto que nossos poderes constituídos mantém-se, não de manobras que o Gilmar não gosta, mas de manhas e artimanhas visando a preservação de egos, de jogadas rasteiras e traições onde o que menos conta são os interesses do país e/ou a melhoria de vida do seu povo.

    Fiquei farto desse estado de coisas e de todos os seus autores, sem excessão!

    Como só temos constatações clamorosas e nenhuma solução à altura delas, não custa nada externar um desejo sincero: ver tudo isso que está aí implodir pra dar lugar a um outro tempo que pudesse ser de atores públicos de práticas mais dignas.

  56. alexandresdc

    9 de junho de 2016 6:20 pm

    Brilhante análise, mais uma

    Brilhante análise, mais uma vez, do melhor jornalista do Brasil. Será um prazer ver sua entrevista com Dilma hoje.

    Eu só discordo do tamanho e da natureza dos erros de Lula e Dilma. A derrota do projeto não aconteceu por causa do sistema judiciário manipulado, mas sim de uma imensa “frente ampla” da grande mídia contra o mesmo. A eleição de 2014 já tinha deixado isso claro. O orçamento de 2015 deveria ter sido radical fosse para reduzir a zero as verbas a esta mídia (como fez Requião no PR), fosse para empoderar a mídia alternativa. 

    A batalha perdida foi a da opinião pública. 

    Sou otimista, mesmo assim. Acredito que o interino não vai saber descascar o abacaxi. Dilma volta propondo referendo em que a escolha será por novas eleições OU pela manutenção dela até o fim de 2018. Levaremos esta!

    1. Severino Januário

      10 de junho de 2016 1:21 pm

      O que aconteceu foi que a

      O que aconteceu foi que a mídia fez um “arrastão” uma “blitz”, contra Dilma em 2013 e 2014. Já tinha havido antes grande engajamento da mídia, mas como em 2014 jamais se viu no país, foi uma campanha arrasadora contra Dilma. E contra Lula. E mesmo assim perderam a eleição. Ganhar foi precioso, mas a presidenta não poderia governar, já que perder não era uma opção para a oposição, mil planos haviam sido traçados que dependiam da vitória líquida e certa. Então todos partiram para o golpe sem pensar duas vezes.

  57. Severino Januário

    9 de junho de 2016 6:27 pm

    A Teoria do Fato seria a

    A Teoria do Fato seria a adoção de uma verdade provisória. Mas para funcionar civilizadamente, essa verdade teria de ser genérica, sem envolver nomes que no processo fossem depois considerados inocentes. O pr´rio processo se encarregaria de ir revelando nomes. A Teoria do Fato que parte da verdade provisória de que toda a corrupção estaria interligada e seria obra de uma só quadrilha cujo chefe seria o Lula, é uma invenção ideologizada sem base real, nada mais que isso. Chega a ser a inversão da Teoria do Conhecimento de Kant. “O conhecimento é possível porque o homem possui faculdades que o tornam possível” cede à imposição de que “torno isso possível porque a literatura jurídica assim me permite e possuo faculdades que podem torná-lo possível”. 

  58. mcn

    9 de junho de 2016 6:43 pm

    Papa Doc 300 mil

    O veneno que mata a Democracia e a República no Brasil não é a corrupção, mas a tirania absolutista do Poder Judiciário.

    Alguns cangaceiros do MPF do Paraná recebem gratificações e abonos que ultrapassam os 6 dígitos (o que é ilegal) e processam os jornalistas que ousarem divulgar a informação (o que também é ilegal). E depois, vêm blasfemar em nome de Deus que querem limpar o Brasil. Limpem-se primeiro!

    No novo Brasil que emergirá dessa crise, um poderoso arrocho no Poder Judiciário será absolutamente necessário. Tipo: controle social externo, impeachment de Ministros do STF e STJ, prisão de procuradores e juízes que atentaram contra a Segurança Nacional e corte radical de gratificações, abonos e outras verbas pornográficas na ponta da pirâmide.

  59. junior50

    9 de junho de 2016 7:53 pm

    “Ministro sem pasta “

        Caro Nassif, 

         Pelo que recordo  em uma unica ocasião tivemos um “ministro sem pasta ” ( Celso Furtado durante o periodo parlamentarista de Jango ),  efetivamente nomeado e reconhecido como do governo.

         Pergunto-lhe : Será que Michelzinho inova mais uma vez em possuir um “ministro sem pasta”, um articulador de seu “governo”, com transito em varias instancias ( judiciario, militares, GSI, partidos e figuras importantes da oposição e até no STF ), que não está aparecendo ? Tipo um “shadow minister” ?

         Operadores politicos quando “desaparecem”, é porque estão fazendo alguma coisa, ninguem de certo nivel, ainda mais especialista em bastidores, “some” ou para de articular.

  60. Alcarpinteiro

    9 de junho de 2016 8:37 pm

    Nassif,
     
    bem que você

    Nassif,

     

    bem que você poderia aplicar suas ideias nesse post. Sua hipótese inicial é que o MP usou uma teoria que não foi adaptada conforme os fatos apareceram. O MP não é formado por tontos. Não cometeram aquelas barbaridades todas por engano. Conforme as mágicas foram acontecendo, vc deveria ter alterado sua teoria. A que melhor explica tudo é que o MP tinha a intenção firme de pegar o PT, atropelando qualquer lei que pudesse atrapalhar. Essa explica o domínio do fato, os abusos contra as testemunhas, as prisões contra petistas, os muitos não-vem-ao-caso para os tucanos.

    Acho que o alvo maior não é o PT, mas consolidar a corporação como salvadora da pátria. Os procuradores seriam os guardiões. Teriam enorme poder e uma vida de riquesa e os demais se submeteriam a ele. Há um dizer popular sobre isso: Deus não deu asa a cobra. O PT deu e estamos colhendo o resultado. Acho que a tentativa de fortalecer as instituições foi boa, mas foi um desastre no Brasil. As pessoas são despreparadas.  

    1. noctivagovago

      10 de junho de 2016 12:50 pm

      Uma discreta rebarba, no raciocínio
      O MP não é tonto. É ignorante mesmo. Num plano de mau alunato de Direito, mesmo. O próprio fato de comporem-se e doutrinarem-se por potência estrangeira do Norte do globo e, ao acharem isto o máximo, ou é simples falta às aulas, ou então sentar na frente, prestar atenção e anotar das aulas mas sequer – porque o chopp não deixa – ler a bibliografia básica da disciplina.

      Só um exemplo: a jurisdição estadunidense do FBI não é doutrinariamente, seu território ( e espantosamente todo o mundo só pode ter polícia federal de seu próprio e respectivo território, oras ), mas no caso dela, espante-se é o globo mundial todo!!! Isto é inacreditável…(a da CIA é o globo todo, menos o território ianque). A patetice deste PGR dentro do território estadunidense, oferecendo posições e informações estratégicas sensíveis do governo e ‘inside informations’ das empresas estratégicas brasileiras de infraestrutura, disfarçadas de ‘colaboração penal’ acima – e mesmo por cima – do Itamaraty soa, ilustra ( mas não somente isto ) e desenha, junto com o retrato de caráter que lhe faz esta presente e nítida descrição do Nassif, não o mal do poder do MP. Mas sim a profunda crise que se abateu sobre a indústria da educação, esta anulada, e não meritória, esta da descaracterização profunda do nome de magistério, deslocado agora para ‘prestação de serviços’ ( ou seja, não é aquele certo e vocacionado, aquele(a) professor(a) que ensina – mas informação agora passa a negócio, de qualificada à mercadoria precificada, no mais sempre de forma doentia; enfim apenas sumária transferência de dados, como também glorificação exponencial e incompreeensível de apenas um dos raciocínios – o indutivo; notar que, nisto, a seriedade pertinente da palavra magistério, culturalmente e semanticamente mui junto à palavra magistratura – ambas por Moro e companhia, profunda, indelével e mortalmente atingidas), implantada nos moldes de quem, e por quem… exatamente pelo fraudador educacional, o governo FHC!

      Culpe-se então esta falta e logro do comparecimento físico porém nunca moral, às aulas. Nunca a Disciplina Técnica rigorosa, advertente e compositiva, ainda que esta apenas pareça-se ou esteja vista como incompleta….

      Enfim, temos atribuições demais juntado ao exercício técnico de menos. Mas apenas atendendo – rigorosa e meticulosamente – por mera ignorância educacional técnica…

  61. Rodrigo Queluz

    9 de junho de 2016 8:53 pm

    Série Xadrez

    Fala Nassif, grande salve!

    Queria fazer um pedido e uma sugestão. Acho sensacional a série “Xadrez….” e gostaria até de compartilhar com amigos que querem se inteirar mais do que acontece, mas acho um pouco confuso e díficil rastrear os posts.

    Poderia fazer uma série especial, ou apenas uma TAG específica, que facilite a busca. Sei que posso apenas digitar na barra de pesquisas, mas acho que merece uma série especial.

  62. resistente

    9 de junho de 2016 9:08 pm

    como é um jogo de burocratras

    como é um jogo de burocratras não eleitos,

    resulta num jogo sujo e infame,.illegítimo….

  63. Messias Franca de Macedo

    9 de junho de 2016 10:13 pm

     
    REVISÃO DA *AÇÃO PENAL 470

     

    REVISÃO DA *AÇÃO PENAL 470 JÁ passou da hora!

    *Vulgo Mensalão [do PT!] – porque no Mensalão do famigerado &$ fatídico conluio criminoso DEMo/PSDBosta o reú confesso MENSALEIRO/QUADRILHEIRO eduardo AZARedo há tempo exerce o cargo de presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais do congênere ‘Aécio 1/3 El Chato Principado de Liechtenstein Furnas Forever’!

    Ali, sim, dinheiro público surrupiado, Cemig, Copasa, Bemge…

    ***

     

    (…)

    Sacrificaram um inocente, como o próprio Gurgel admitiu, pela manutenção da teoria.

    Desde o início da Lava Jato, a teoria do fato definia a existência de uma organização criminosa, chefiada por Lula, distribuida entre o núcleo político, o financeiro e o empresarial. Na verdade, os fatos conhecidos são de uma estrutura de empreiteiras, atuando em obras da União, estados e municípios, e financiando todos os partidos. Bastou uma teoria do fato enviesada para direcionar a investigação.

    Esse modelo de atuação explica a perseguição a Lula. E não consegue explicar porque, de repente, aparecem Aécio Neves, José Serra, Aloisio Nunes, Antonio Anastasia, Rodoanel, Cidade Administrativa etc., que não cabiam na teoria do fato inicial. Obviamente houve um viés político na definição da teoria do fato inicial.

    (…)

    Por conspícuo e impávido jornalista Luis Nassif

  64. Elza

    9 de junho de 2016 11:21 pm

    Nassif, boa noite e parabéns

    Nassif, boa noite e parabéns pelo seu magnifico trabalho, se você puder esclareça uma questão: O Ministro Teori não havia mandado o caso da Eletronuclear para o Rio de Janeiro e o pessoal da Lava Jato ficaria só com a Petrobrás?

    A noticia que vem agora é que a Lava Jato chegou ao Rio para investigar a Eletronuclear isto não é uma desobediência aberta e escancarada ao Supremo? e agora Xadrez do que? da queda do Supremo?

    http://g1.globo.com/politica/operacao-lava-jato/noticia/2016/06/ministerio-publico-cria-forca-tarefa-da-lava-jato-no-rio-de-janeiro.html

     

  65. claus.casto

    9 de junho de 2016 11:58 pm

    Não duvido nada:

    Só falta o pedido de prisão estar lastreado em conversa capturada a envolver os que tiveram a prisão requisitada e um certo ministro do STF, aquele que correu para dizer que a divulgação do pedido era inadequada…

    (Tô aqui imaginando o cúmulo do surrealismo político brasileiro: nessa pisadinha que vamos, logo teremos ministro do STF diretamente envolvido nessa situação! Seria o clímax dessa doideira geral que aparece desavergonhadamente exibida.)

  66. ROGERIO FARIA

    10 de junho de 2016 12:02 am

    Carinhas do mal

    CLIQUE NA IMAGEM PARA MAIS TIRINHAS!

  67. wft

    10 de junho de 2016 12:28 am

    Dizem que há alguns dias um

    Dizem que há alguns dias um chinês falou para um parceiro de negócios americano: tá vendo o que a Democracia é capaz de também permitir? Referia-se ao surgimento  de Donald Trump na política dos EU.

    O tal chinês deve estar pasmo com o que ela tem permitido aqui no seu parceiro de BRICS.

    Fantástica análise. Jornalismo de alto nível Nassif.

    Jogo bruto esse, heim?

    Agora entendo porquê o Cunha falou enigmático ao votar naquela noite: “Deus tenha piedade dessa nação…”.

     

     

     

     

     

  68. arkx

    10 de junho de 2016 12:35 am

    também os anões começaram pequenos

    no longínquo ano de 1993, agora tão presente no impasse da crise atual, o escândalo dos anões do orçamento (link) é o gênesis do pacto de governabilidade agora demolido pela Lava Jato. Lula e o PT optaram então pelo conchavo de cúpula, por julgarem ser inevitável sua vitória nas eleições do ano seguinte. esqueceram de combinar com FHC e o Plano Real…

    apesar de usarem cartões premiados da Loteria Federal para legalizar as comissões recebidas, a sorte grande vinha mesmo é do propinoduto das empreiteiras. qualquer coincidência com o esquema investigado pela Lava Jato é muito mais do que mera semelhança.

    naquela época, como nos muitos casos subseqüentes, a casa trincou, mas logo a solução à la Brasil se impôs para a salvação nacional das oligarquias e dos poderosos caciques parlamentares. algumas poucas cabeças foram decepadas apenas para manter intacto o organismo de um sistema político irremediavelmente contaminado.

    agora, com a crise agigantada e com todas as pontes de acordo demolidas, as fissuras se expandem por inteiro na estrutura de poder erguida com a Nova República. o ultimato do PGR ao STF é mais uma explosão da demolição controlada do sistema político-partidário. a delação premiada de Eduardo Cunha será a pedra lapidar das instituições do país: Executivo, Legislativo e Judiciário enterrados na vala comum da lumpen plutocracia brasileira (link).

    os 13 anos de lulismo deveriam ter sido a paciente e cronometrada, minuciosa e determinada, corajosa e astuciosa, reengenharia de um novo pacto político de uma nova estrutura de poder. mas Lula se dedicou a desperdiçar seu prestígio e popularidade em postergações, hesitações, meias-medidas, apaziguamentos, conciliações, conchavos, recuos e capitulações voluntárias.

    Dilma parece ter finalmente assumido: entre se manter indefinidamente paralisada por uma teia de laços tóxicos é menos pior parar de inutilmente tentar que todo o edifício venha abaixo.

    “De repente, surgiu ao longo do caminho uma luz estranha, e eu me voltei para ver donde poderia ter saído uma claridade tão insólita, pois atrás de mim só havia a mansão com suas sombras. O resplendor vinha de uma lua no ocaso grande e cor de sangue, que agora brilhava vivamente através daquela fenda antes apenas perceptível, da qual eu disse que se estendia desde o telhado do edifício, fazendo ziguezague, até ao alicerce.”

    “A Queda da Casa de Usher”, Edgar Allan Poe

    .

  69. Marcos Antônio

    10 de junho de 2016 1:05 am

    Na minha opinião, o Janot e

    Na minha opinião, o Janot e estes procuradores e ministros do STF NÃO ESTÃO NEM AI PARA NADA!

    Se o Brasil entrar em crise e for invadido pelos EUA, eles continuam trabalhando do mesmo jeito…

    Não vão chegar nem atrasados ao serviço!

    Tanto faz para eles as vidas dos MAIS POBRES!

    Mas, o pior são os políticos, a elite e a mídia por que O querem mesmo é PODER E GRANA!

  70. MAureli

    10 de junho de 2016 2:33 am

    O maior dano: a descrença

    O maior dano ao Brasil por efeito de todo esse ´imbróglio´ é a descrença cada vez maior do cidadão, especialmente dos mais jovens. Considero esse um dano que terá repercussão por muito tempo na nossa sociedade. E isso nos deixa extremamente angustiados pois quando, após a Constituição de 88 nos oferecer algumas esperanças, vivemos esse bloqueio ou mesmo recuo social e político. Aparentemente, dávamos passos à frente mas o espírito mesquinho e antibrasil volta a definir a vida nacional.

     

  71. Helio Mello de Oliveira

    10 de junho de 2016 9:49 am

    Janot

    Nassif, você esqueceu  a ida do Janot e sua cambada aos EUA para entregar, de bandeija  a Petrobras no auge da lava jato.

    Ele tem o rabo preso e nos sabemos a quem ele deve essa vassalagem.

  72. Marcos Antônio

    10 de junho de 2016 2:20 pm

    Lado bom e lado ruim

    Uma coisa me deixou MUITO CHATEADO…

    É que a rede globo é quem manda na Lava-jato…

    Por consequência, manda no Brasil…

    Por outro lado, fiquei mais tranquilo sabendo que se o Brasil entrar em Guerra BASTA QUE O INVASOR ATAQUE A REDE GLOBO E PRENDA OS MARINHOS e voilá – tomaram o Brasil…

    Não precisam destruir mais nada…

    O inimigo agora é outro, então deveremos estar MUITO  preocupados agora é com a FOX, CNN…

  73. Eunice Ostrensky

    10 de junho de 2016 3:54 pm

    Excelente! Agora as coisas

    Excelente! Agora as coisas fazem mais sentido. Obrigada!

  74. serralheiro 70

    10 de junho de 2016 4:43 pm

    Salutar assunto para discução

    Nassif, o assunto além de oportuno sempre foi negligenciado pela nossa mídia. Vejo nos desmandos praticados por moro. mpf, pgr  crimes de agentes públicos de lesa-pátria, prevaricação, denunciação fraudulenta,  além da continuada violação de princípios jurídicos estabelecidos ao longo de história. Nisto talvez a presunção da inocência, na dúvida e desconhecimento do mal feito, na imputação fraudulenta e oportunista tem sobressaído no que ora se denomina de república do paraná

  75. Flics

    10 de junho de 2016 7:32 pm

    Falta um Xadrez.

  76. romulus

    10 de junho de 2016 7:43 pm

    Sobe Xadrez na Justiça…olha quem quer sair da foto:

    Latim gasto em vão: STF goste ou não, golpe está tatuado na testa de seus Ministros   

    ROMULUS      SEX, 10/06/2016 – 14:35   ATUALIZADO EM 10/06/2016 – 15:27

    Por Romulus

    Latim gasto em vão: STF goste ou não, golpe está tatuado na testa de seus Ministros

    Deus! ó Deus! onde estás que não respondes?

    Em que mundo, em qu’estrela tu t’escondes

    Embuçado nos céus?

    Castro Alves

    O Estadão registrou ontem fala do Min. Barroso a estudantes da UnB sobre o processo de impeachment. Confesso que, como ex-aluno dele, fiquei um pouco mais decepcionado, mas não mais chocado. Há pouco ainda capaz de chocar no Brasil atual – e isso inclui a sua mais alta Corte.

    (i) A fala de Barroso

    – Penélope (Barroso) borda um lindo bordado durante o dia

    O impeachment depende de crime de responsabilidade. Mas, no presidencialismo brasileiro, se você procurar com lupa, é quase impossível não encontrar algum tipo de infração pelo menos de natureza orçamentária. Portanto, o impeachment acaba sendo, na verdade, a invocação do crime de responsabilidade, que você sempre vai achar, mais a perda de sustentação política.

    Eu acho que quem acha que (o impeachment) é golpe tem fundamentos razoáveis para dizer que não há uma caracterização evidente de crime político e, na verdade, está-se exercendo um poder do ponto de vista de quem foi derrotado nas eleições. Esse é um discurso plausível. O outro é: a presidente não tinha mais sustentação política para fazer o que o País precisava, e a maior parte da sociedade e a maior parte do Congresso acharam que era melhor afastá-la. 

    – Mas a própria Penélope (Barroso) desfaz todo o seu bordado à noite

    Não é papel do Supremo jogar o jogo político quando ele chega nesse estágio. Essa deixa de ser uma questão de certo ou errado e passa a ser uma questão de escolhas políticas. Não é papel do Supremo fazer escolhas políticas.

    (ii) Traduzindo a fala

    Na primeira parte, em que a suprema Penélope faz o bordado, fica claro o que diz: este impeachment é sim golpe – descontadas as firulas retóricas.

    Mas e a segunda parte, em que Penélope desfaz o próprio bordado?

    Nela diz Barroso: é golpe sim, mas eu não vou fazer nada a respeito. E eis a desculpa que vou dar para a minha omissão: o STF deve se omitir para não se queimar em definitivo com nenhum dos nossos comensais em Brasília.

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  77. solle

    10 de junho de 2016 7:59 pm

    Fica cada vez mais claro

    Fica cada vez mais claro porque Lula escolheu a Dilma pra sucede-lo.

    Tantas eram as merdas que estava fazendo que se sabia que o PT não dispunha de nenhum nome que pudesse

    sobreviver ao que estaria por vir. Coitada da Dilma!

  78. Danilo Andrade

    11 de junho de 2016 12:56 am

    Lavou as mãos…

    Na minha modesta opinião, o que Janot fez foi lavar as mãos! Nunca teve a intenção de fazer a limpeza da política brasileira!

    Agora pouco devolveu um processo contra Lula ao Moro, seria a deixa para conclusão do objetivo inicial de tudo isso?

    Prender o LULA e inviabiliza-lo!

    Fez esse jogo com o STF para não ficar feio e pra não dizer: “Vocês só querem o  LULA! 

    Tipo dizendo: “Fiz a minha parte, se virem ai vocês!”

    Conseguiram o aumento que queriam, conseguiram a prisão do Lula, contribuíram para tirar o PT do poder (O GRANDE MAL!), agora de alma lavada e dever cumprido, jogam a merda no ventilador do STF e saem de perto!

     

     

  79. José Carlos Lima...

    11 de junho de 2016 1:46 pm

    Janota, com sua cara de xerife americano, nunca me enganou

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=qRz-hWqSCCU%5D

    Lula está pagando o preço por ter ousado competir com os EUA..,..agora se sabe que essa coisa de prender Sarney e cia era apenas jogo de cena para que Janot dissesse no JN desta noite que todos estariam à mercê do cadafalso dele(Janot)…agora se sabe que quando Obama disse “Lula é o cara” era apenas jogo de cena, pois a trama contra ele (Lula) estava correndo nos bastidores….basta ver os vazamentos do WikiLeaks e NSA para ver que os EUA começaram a tramar contra o Brasil tão logo descobrimos o pré-sal, de imediato a 4a. Frota fora reativada….e há uma porção de inocentes úteis que torcem para que Lula tenha o mesmo fim de Kadafi, não estou fazendo aqui qualquer comparação entre Lula e ditadores, só estou dizendo que todos que ousam desafiar a supremacia americana tem fim trágico

  80. JOACIL DA SILVA CAMBUIM

    11 de junho de 2016 2:11 pm

    XADREZ DOS JOGOS DA JUSTIÇA E DO MPF

    Cada dia  fica mais evidente a ingenuidade de lula e Dilma, bem como da incompetência de seus auxiliares mais próximos.  Eles imaginaram  que, em pouco tempo, pode-se mudar uma cultura. Ora, por que querer ser “republicano” num país onde não se pensa uma Reública  decente. Por que quiseram ser melhores e máis éticos que Fernando Henrique Cardoso? Não precisariam nomear somente “companheiros” para o STF e PGR, mas nomear antipetistas, alguns que até  se tornaram inimigos? Pordoem-me pela agressividade, algo que não gosto, mais é burrice! Da qual , como vemos, estão pagando alto preço.

  81. franciscopereira neto

    11 de junho de 2016 2:58 pm

    Varejo versus atacado

    Então ficamos assim:

    Enquanto Nassif trata da crise política no varejo, ou seja, no ambiente doméstico com os personagens das instituições da política, da PF, do MPF e STF, todos conectados para o objetivo final de entregar de bandeja o Brasil para os EUA, Pepe Escobar escreve no atacado no site Sputnik Brasil o artigo “o Golpe – 2016 nasceu em Washington”.

    Desculpem-me o copiar/colar, mas dessa vez acho que vale a pena.

    Lista de matar: esmagar o “B” de BRICS

    Comecemos pelo kafkiano tumulto interno. O golpe de Estado contra a presidenta Dilma Rousseff continua a ser tragicomédia político-midiática que parece recomeçar todos os dias. Também é caso de guerra de informação convertida em ferramenta estratégica para maior controle político.

    Uma sucessão impressionante de vazamentos de áudios revelou que setores chaves dos militares brasileiros e seletos juízes da Suprema Corte legitimaram o golpe contra uma presidenta que sempre cuidou de proteger a investigação de corrupção chamada “Car Wash”, que já dura dois anos. Até a mídia-empresa ocidental dominante teve de admitir que Dilma, que nada roubou, está sendo impedida e derrubada por uma gangue de ladrões. A agenda deles: fazer parar a investigação “Car Wash”, que eventualmente pode vir a jogar muitos deles na cadeia.

    Os vazamentos também revelaram a carnificina que ruge entre as elites brasileiras comprador — periférica e central. Essencialmente, as elites periféricas foram usadas como moleques de recados no Congresso, para fazer o trabalho sujo. Mas agora podem estar a ponto de se tornarem assaltantes de estrada – junto com o ‘governo’ ilegítimo, impopular, interino de Michel Temer, liderado por uma gangue de políticos corruptos até o cerne do PMDB, o partido que é herdeiro da única fachada de ‘oposição’ tolerada durante a ditadura militar brasileira (dos anos 1960s aos 1980s).

    Conheça o chanceler vassalo

    Personagem insidioso em toda a trama do golpeachment é o ministro interino de Relações Exteriores, senador José Serra do PSDB, social-democratas convertidos em operadores de forças neoliberais. Na eleição presidencial de 2002 – quando foi derrotado por Lula –, Serra tentava livrar-se das oligarquias brasileiras periféricas.

    Agora contudo está cumprindo outro papel – perfeitamente posicionado não só para fazer regredir a política externa do Brasil, de volta para algum ponto do golpe militar de 1964, mas, sobretudo, no papel de homem de ponta do governo dos EUA dentro da gangue golpista.

    A oligarquia em São Paulo é aliada chave do Excepcionalistão no Brasil. São Paulo é o estado mais rico do Brasil e capital financeira da América Latina. É a lista A do Brasil. É das fileiras dessa oligarquia que talvez ‘surja’ um eventual “salvador nacional”.

    Tão logo as elites periféricas tenham sido aniquiladas, não haverá nada que impeça a criminalização – e provável prisão – de vários líderes da esquerda brasileira, Lula inclusive. Em seguida se urdirá algum tipo de eleição fake, ‘legalizada’ por Gilmar Mendes, juiz da Suprema Corte e operador do PSDB.

    Tudo depende do que aconteça nos próximos dois meses. O procurador-geral afinal ordenou a prisão de três altos quadros da elite periférica; os três são acusados de conspirar para impedir que avancem as investigações da operação “Car Wash” – rede extremamente complexa de agentes jurídico-políticos-policiais, de miríades de círculos concêntricos/sobrepostos.

    Entrementes, o julgamento final do impeachment de Dilma no Senado deve acontecer dia 16 de agosto – 11 dias depois do início dos Jogos Olímpicos. Os golpistas sofreram um duro golpe, quando tentaram acelerar os procedimentos. No pé em que estão as coisas, o resultado é incerto; depois dos vazamentos, quatro de cinco senadores já estão oscilantes quanto ao voto, uma vez que os vazamentos implicam Temer, o presidente interino, pessoalmente. ‘Líder’ de uma gangue pesadamente envolvido em corrupção e com zero de credibilidade, Temer é alvo de várias investigações por corrupção, e acaba de ser declarado inelegível e impedido de concorrer a cargo político eletivo nos próximos oito anos.

    O monopólio (cinco famílias) que controla a mídia-empresa dominante no Brasil, conhecido como PIG (sigla de “Partido da Imprensa Golpista”) mudou de tom, deixando de lado o antiesquerdismo obcecado e agora se dedica a fazer campanha contra elementos selecionados da gangue de Temer.

    Segundo a Constituição, se a presidência e a vice-presidência ficam vagas nos últimos dois anos de mandato, cabe ao Congresso eleger o novo presidente.

    Essa disposição legal implica dois cenários possíveis. Se Dilma não for impedida e reassumir, vai-se configurando como muito provável que ela determine que se realizem novas eleições presidenciais ainda antes do final de 2016.

    Se a presidenta for impedida, o PIG tolerará a gangue interina dos ‘quadros’ temeristas até, no máximo, janeiro de 2017. O passo seguinte seria o que Serra e o quase presidiário e ‘líder’ do Senado, Renan Calheiros, trabalham para conseguir: o fim de eleições diretas para presidente e o início de um parlamentarismo à brasileira.

    O nome mais bem posicionado para ser o ‘salvador’ nacional nesse caso é o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – também ex-“Príncipe da Sociologia” e superstar (nos anos 1960s e início dos 1970s) da Teoria da Dependência, logo depois metamorfoseado em neoliberal ávido. Cardoso é parceiro próximo de Bill Clinton e de Tony Blair. O eixo Washington/Wall Street é louco por ele. Cardoso seria ‘eleito’ pela mesma matilha de hienas que tramam o impeachment de Dilma desde 17 de abril.

    Mas o núcleo duro do golpeachment brasileiro ultrapassa em muito as elites periféricas brasileiras. É constituído de um partido político (PSDB); do império Rede Globo de mídia; da Polícia Federal (muito próxima do FBI); do Ministério Público; da maioria dos juízes da Corte Suprema e de setores das Forças Armadas. Só o eixo Washington/Wall Street tem os meios e a necessária ‘pegada’ para arregimentar todos esses players – com dinheiro vivo, por chantagem ou com promessas de glória.

    E isso se encaixa perfeitamente com perguntas chaves não respondidas relacionadas aos áudios vazados recentemente. Quem gravou as conversas. Quem vazou as conversas. Por que agora. Quem se beneficia com meter o país no mais total caos político, econômico, jurídico, com virtualmente todas as instituições completamente desacreditadas.

    Neoliberalismo ou caos

    Longe vão os dias quando Washington podia comandar impunemente aqueles antiquados golpes militares bem ali no quintal deles – como foi feito no Brasil em 1964. Ou no Chile, no 11/9 original, em 1973, como se vê no emocionante documentário sobre Salvador Allende, assinado pelo cineasta chileno craque Patricio Guzman.

    A história, como se poderia prever, repete-se como farsa no golpe de 2016 que converteu o Brasil – a 7ª maior economia do mundo, e player chave no Sul Global – numa espécie de Honduras ou Paraguai (onde golpes apoiados pelos EUA foram bem-sucedidos).

    Já demonstrei como o golpe no Brasil é operação extremamente sofisticada de Guerra Híbrida que ultrapassa em muito a guerra que se conhecia como guerra não convencional (ing. UW); guerra de 4ª geração (ing. 4GW); as revoluções coloridas; e os movimentos de R2P (“responsabilidade de proteger”) e o ápice do smart power; até se converter em golpe político-financeiro-jurídico-midiático soft a que os brasileiros estão assistindo em câmera lenta. Eis a beleza dos golpes, quando promovidos por instituições democráticas!

    É possível que o neoliberalismo tenha falhado, como até o setor de pesquisas do FMI já percebeu. Mas o cadáver putrefato ainda faz feder o planeta inteiro. O neoliberalismo não é só um modelo econômico; sub-repticiamente ele cobre também todo o campo jurídico. Eis mais uma faceta perversa da doutrina do choque: o neoliberalismo não sobrevive sem uma implantação firme no quadro jurídico-legal.

    É quando as atribuições constitucionais são redirecionadas para o Congresso que mantém sob controle o Executivo, ao mesmo tempo em que gera uma cultura de corrupção política. O político foi subordinado ao econômico. Empresas privadas engajam-se em campanhas eleitorais – e é quando compram políticos, para poderem influenciar qualquer poder político, por mais ‘eleito’ que seja.

    Washington trabalha precisamente assim. E aí está também a chave para compreender o papel do ex-líder da Câmara de Deputados no Brasil, Eduardo Cunha. Cunha montou uma rede de financiamento de campanhas eleitorais dentro do próprio Congresso, onde controla dúzias de políticos, ao mesmo tempo em que lucra de incontáveis proverbialmente gordos contratos de empresas fornecedoras do Estado.

    Os Três Patetas no que chamei de República das Bananas dos Escroques Provisórios  são Cunha, Calheiros e Temer. Temer é mero fantoche; Cunha permanece uma espécie de primeiro-ministro ‘nas sombras’, comandando o show. Mas não por muito tempo. Já foi suspenso do cargo de presidente da Câmara de Deputados; embolsou milhões de dólares daqueles contratos gordos e meteu-os em contas secretas na Suíça; agora é só questão de tempo, até que a Suprema Corte levante todas as provas e – mas nada é garantido! – o meta no xilindró.

    OTAN vs. BRICS, a pleno vapor, por todo o planeta

    E isso nos traz outra vez para O Grande Quadro, no qual acompanhamos uma análise de Rafael Bautista, presidente de um grupo de estudos da descolonização em La Paz, Bolívia. É dos melhores e mais brilhantes analistas sul-americanos, sempre muito alerta ao fato de que qualquer coisa que aconteça no Brasil nos próximos meses determinará o futuro, não só da América do Sul, mas de todo o Sul Global.

    O projeto do Excepcionalistão para o Brasil é nada menos que impor aqui uma doutrina Monroe remixed. O principal alvo de uma planejada restauração neoliberal é separar a América do Sul, dos BRICS – quer dizer, essencialmente, da parceria estratégica de Rússia e China.

    É uma breve janela de oportunidade em todos esses anos do continuum Bush-Obama, quando Washington viveu obcecada com o MENA (Middle East/Northern Africa [Oriente Médio/Norte da África]), também conhecido como Oriente Médio Expandido. Agora, a América do Sul volta a ocupar o centro estelar no teatro da guerra (soft) geopolítica. Livrar-se de Dilma, Lula, Partido dos Trabalhadores, custe o que custar, é só o começo.

    Volta tudo ao de sempre: a guerra que definirá o século 21: OTAN contra os BRICS, Organização de Cooperação de Xangai e, afinal, contra a parceria estratégica Rússia-China. Esmagar o “B” de BRICS traz, de brinde, o esmagamento do Mercosul (o mercado comum sul-americano); a Unasul (União Política das Nações Sul-americanas); a ALBA (Aliança Bolivariana); e toda a integração sul-americana, além de acabar também com a integração com atores emergentes chaves no Sul Global, como o Irã.

    A desestabilização do “Siriaque” combina perfeitamente com esse Império do Caos: não havendo integração regional, a única alternativa é a balcanização. Mas a Rússia já demonstrou graficamente aos estrategistas de Washington que não poderão vencer guerra alguma na Síria; e o Irã já demonstrou depois do acordo nuclear que não será vassalo de Washington. Assim sendo, o Império do Caos pode tratar de garantir-se pelo menos no próprio quintal.

    Um novo quadro geopolítico teve de ser parte do pacote. É onde entra o conceito de “América do Norte”, apoiado pelo Council on Foreign Relations e concebido, principalmente, pelo ex-superastro do surge no Iraque David Petraeus e ex-honcho do Banco Mundial Bob Zoellick, hoje a serviço de Goldman Sachs. Pode-se dizer que é um mini quem-é-quem do Excepcionalistão.

    Ninguém lera notícia alguma, nem será anunciado em público, mas o conceito que Petraeus/Zoellick imaginaram como “América do Norte” pressupõe mudança de regime e desmonte da Venezuela. O Caribe está definido como um Mare Nostrum, um lago norte-americano. “América do Norte” é, de fato, uma ofensiva estratégica.

    Implica controlar toda a massiva riqueza de petróleo e água do Orinoco e do Amazonas, o que deve garantir ao Excepcionalistão predominância sobre a fronteira sul, para sempre.

    O Caribe já é assunto resolvido; afinal, Washington controla o CAFTA. América do Sul é osso mais duro de roer, polarizada entre o que resta da ALBA e a Aliança do Pacífico comandada pelos EUA. Derrubado o Brasil para uma restauração neoliberal, acaba-se com o país como promotor de integração regional. O Mercosul acabará eventualmente absorvido na Aliança do Pacífico – especialmente com alguém como Serra, como principal diplomata brasileiro. Quer dizer: é imperioso anular a América Latina, em termos políticos, custe o que custar.

    Restará para a América do Sul agregar-se – como atores marginais, parte da Aliança do Pacífico puxada pelos EUA – àquela OTAN de parcerias comerciais, TPP e TTIP. O “pivô para a Ásia” – do que a parceria Trans-Pacífico é o braço comercial – é o movimento da doutrina Obama para conter a China, não só na Ásia mas também em todo o Pacífico Asiático. Assim, é natural que a China (principal parceira comercial do Brasil) deva ser contida no quintal do hegemon, a América do Sul.

    Do Atlântico ao Pacífico, e além

    Nunca será demais destacar a importância geoeconômica da América do Sul. O único meio pelo qual a América do Sul pode ser plenamente integrada ao mundo multipolar é mediante uma abertura para o Pacífico, fortalecendo sua conexão estratégica com a Ásia, especialmente com a China. É onde se encaixa o movimento chinês para investir num massivo projeto de ferrovias para trens de alta velocidade unindo a costa Atlântica do Brasil e o Peru no Pacífico. É, em resumo, a interconectividade sul-americana. Com o Brasil politicamente anulado, nada disso jamais acontecerá.

    Por tudo isso, todo e qualquer golpe é agora literalmente permitido na América do Sul: ataques indiretos à moeda brasileira, o real; propinas para as elites comprador com o apoio do sistema financeiro global; atentado concertado a favor de implodir simultaneamente as três principais economias : Brasil, Argentina e Venezuela. O Comando Sul dos EUA, SOUTHCOM chegou a ponto de produzir um relatório sobre “Venezuela Freedom” [Liberdade para a Venezuela], assinado pelo comandante Kurt Tidd, que propõe uma “estratégia de tensão” completada com técnicas de “cerco” e “sufocamento” e admitindo ação de rua com uso “calculado” de força armada. Aplicam-se aqui ecos do Chile, 1973.

    Pode-se dizer que a América do Sul é hoje o mais importante espaço geopolítico onde o Excepcionalistão está lançando as bases para restaurar sua hegemonia sem rivais – como parte de uma guerra geofinanceira multidimensional contra os BRICS e que visa a perpetuar o mundo unipolar.

    Todos os movimentos anteriores levaram a essa geoestratégia de implodir os BRICS e reduzir a América do Sul à situação de apêndice da América do Norte.

    Wikileaks revelou como a Agência de Segurança Nacional dos EUA espionou a Petrobrás. Em 2008, o Brasil propôs sua própria Estratégia de Defesa Nacional, focada em duas áreas chaves: o Atlântico Sul e a Amazônia. Não era coisa que se desse bem com o SOUTHCOM. A Unasul deveria ter desenvolvido aquela estratégia para o nível continental, mas não o fez.

    Lula decidiu garantir à Petrobras o primado da exploração dos depósitos do pré-sal – a maior descoberta de petróleo do século 21. O governo Dilma garantiu impulso firme ao Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS (baseado no BNDES do Brasil); e também decidiu receber pagamentos dos iranianos deixando de lado o dólar norte-americano. Qualquer um envolvido no comércio sul-sul que negocie deixando de lado o dólar norte-americano entra, imediatamente, numa lista de matar.

    Hillary Clinton é a candidata de Wall Street, do Pentágono, do complexo industrial militar e dos neoconservadores à presidência. É a Deusa da Guerra – e, num continuum Bush-Obama-Clinton, ela irá à guerra contra qualquer ator no Sul Global que ouse desafiar o Excepcionalistão.

    É isso. Os dados foram lançados. Saberemos com certeza quando houver novo presidente nos EUA – e provavelmente também um novo presidente não eleito no Brasil – no início de 2017. Mas o jogo estratégico permanece o mesmo: o Brasil tem de ser esmagado, para que a integração puxada pelos BRICS seja esmagada e, assim, o Excepcionalistão possa concentrar todo o seu poder de destruição no confronto de vida ou morte contra Rússia-China.

  82. druida

    15 de junho de 2016 12:14 pm

    Pensamento burocrático…

    Nassif, como sempre uma boa análise. Mas não acho que a abordagem de “martelar os fatos à teoria” é produto de pensamento burocrático. É uma prática política de agentes (judiciário, midia…) partidarizados e/ou em defesa de certos interesses de classe, econômicos, ou mesmo ganhos pessoais.

    Nossa “grande-pequena” midia é comprometida com o poder do dinheiro, em particular em uma época de brutal transição tecnológica que coloca a falência à porta das empresas devido a sua incapacidade ou impossibilidade de ajustar-se aos novos tempos. O compromisso dessa midia é com os grupos políticos (e seus aliados no judiciário) que prometem salvá-la. Não há ideologia, não há compromisso com a nação. Nada a ver com visão burocrática.

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