O Congresso sob domínio de aventureiros, por Janio de Freitas

Jornal GGN – O governo deve aproveitar o recesso de fim de ano para tentar reverter sua fragilidade crescente, mas seus opositores também irão utilizar a pausa para organizar reações aos retrocessos propostos pela equipe de Michel Temer.

Além disso, deputados e senadores irão recolher impressões em seus Estados, e deixam cada vez mais claras as dúvidas sobre a continuidade de Temer no Planalto. Para Jânio de Freitas, na Folha de S. Paulo, os parlamentares vão encontrar o “desequilíbrio esmagador” entre o governo e a expectativa da população.

Para o colunista, é difícil compreender o país “permitiu-se chegar à baixeza cultural e política que ostenta”. “Só países muito chinfrins se deixam estropiar por um governo inerte e incapaz, repleto de exemplares da pior condição moral”, argumenta. Janio também diz que seria também difícil imaginar um Congresso “sob o domínio de aventureiros”, além da disputa de “desrespeitos e abusos” entre o Judiciário, o Ministério Público e o próprio Congresso.

Leia mais abaixo:

Da Folha

Quando se imaginaria que veríamos o Congresso sob domínio de aventureiros?

Janio de Freitas

Dois em cada três brasileiros desejam a renúncia de Michel Temer. Só dez em cada cem lhe concedem a graça de um apoio, proporção verificada ainda antes dos “vazamentos” da Lava Jato sobre Temer. Única preocupação que de fato o inquieta e mobiliza, essa fragilidade crescente será revertida em grande parte, na opinião de Temer e ao seu redor, com o aproveitamento promocional durante o recesso parlamentar e judicial, de agora a fevereiro. Providências nesse sentido já estão em curso, dirigidas a setores da imprensa e da TV. Mas não falta o “outro lado”.

O aproveitamento do recesso está nos planos também dos opositores a Temer e às suas alegadas reformas. Partes importantes dos movimentos sociais planejam aproveitar este período para organizar, com redes de internet e com o setor sindical, reações aos retrocessos originários do governo Temer.

Entre o otimismo aflito e a remobilização pretendida, os políticos deixaram sinais sugestivos e vão recolher em seus Estados, queiram ou não, impressões influentes. Deputados e senadores deixaram claro que as dúvidas sobre a permanência de Temer estavam cada vez menos sutis. No PSDB, sócio do governo, e no DEM as menções a Fernando Henrique eram claras quanto a acontecimentos possíveis, ou previstos, para 2017. No PMDB, Nelson Jobim foi citação corrente, inclusive como solução a que o PT não se oporia. Foi nos dois esteios da própria base governista, portanto, que a substituição de Temer se tornou cogitada no Congresso.

Em seus Estados, o que os deputados e senadores vão encontrar será a figuração em carne, osso e voz daquele desequilíbrio esmagador entre Temer e a expectativa dos brasileiros. É um velho consenso em política, embora nem sempre confirmado, que os parlamentares de volta dos recessos não são os mesmos que o iniciaram. A repetir-se mais uma vez a influência dos conterrâneos, já se sabe em que rumo os acontecimentos virão.

Mas é muito difícil entender como o Brasil permitiu-se chegar à baixeza cultural e política que ostenta –e levou-a ao paroxismo nas duas últimas semanas. Só países muito chinfrins se deixam estropiar por um governo inerte e incapaz, repleto de exemplares da pior condição moral. E ver sem reagir a sua já insuficiente indústria desintegrar, o comércio fechar portas incontáveis, o investimento fugir, o futuro apodrecer antes de ser.

E o povo sofrido perder outra vez, como nos 500 anos anteriores aos poucos em que pela primeira vez deixara de perder. E perdida a pequena melhoria, é o desemprego de volta, é a queda dos salários, o atraso do pagamento. É a perda de direitos. É a pobreza de volta à miséria.

E quando se imaginaria, retirada a ditadura, que nas altitudes das instituições democráticas assistiríamos —passivos, como se apenas víssemos um filme— ao Congresso sob o domínio de aventureiros e presidido por um réu e acusado em numerosos inquéritos? E esse Congresso, o Ministério Público e o Judiciário a se engalfinharem na disputa de desrespeitos e abusos de poder.

Nesse país ensandecido, e vergonhoso, faz-se o teste definitivo dos militares: se têm resíduos dos tempos cucarachos ou se, como parece, passaram adiante do país em civilização.

Como descobriu o “Drive Premium”, informativo de Fernando Rodrigues e equipe, na quarta-feira Michel Temer recebeu João Roberto Marinho para jantar. Foi a segunda vez, sendo a primeira logo ao tomar posse. Mas o que Temer queria agora? Queixar-se de certo noticiário da TV Globo. Quer conter as divulgações negativas para sua imagem. Poderia, talvez, incomodar-se um pouco com as informações negativas sobre a situação do país.

Na mesma quarta, opositores faziam uma reunião em São Paulo,  inclusive com presenças ilustres, para examinar hipóteses de mobilização.

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11 comentários

  1. Acorda povo brasileiro! como

    Acorda povo brasileiro! como deixar um bando de saqueadores operar em nome do povo sem nenhuma objeção. Estão preparando um golpe dentro do golpe. Se um golpe ja virou essa merda toda, imagina outro golpe?

  2. ninguém reage

    ninguém reage. Ninguém faz nada.

    Sim , há políticos e mesmo blogueiros e jornalistas que denunciam e cobram, mas muito esparsos aqui e ali.

    Mas cadê as lideranças? Onde estão lideres sindicais nacionais pra puxar de cima pra baixo uma grande greve? Onde grandes figuras, grandes líderes, gentre respeitada pra, unidos e coordenados, puxar manifstações?

    Noso povo é muito pasivo e moldado a obedecer, é sábido. mas a falta de inércia, união, co-ordenação de lideranças que guiem grita e grita alto! O povo já é inerte, ignorante, manipulado pel midia, e falta gente alta, de porte, amostra o que está errado e principalmente, como reagir!

    Parece que o golpe ou desnudou muita liderança esquerdista como corrupta, ou deixou em estado de choqeu os honestos e capazes. Ou, simplesmene, não temos liderança, somo sum país de mediocres e gente baixa.

    • A única liderança é Lula

      Gilmar Francisco,

      Realmente o Brasil está carente de líderes. 

      O falastrão Ciro Gomes esbraveja e chama para a briga os provocadores, diz que desfará todos os entreguismos criminosos da quadrilha golpista e do sr.  pedro parente. Pura bravata, como mostrou o professor Rui Costa Pimenta.

      O MST, um dos poucos moviementos sociais autênticos, está monitorado, sitiado, vigiado pela quadrilhas verde-oliva que apóiam e sustentam o golpe, tendo à frente o sr. sérgio etchegoyen.

      O MTST e seu líder, Guilherme Boulos, se acovardaram, se acoelharam e não dão mais as caras nem organizam manifestações e protestos.

      Aos estudantes sobram vontade, energia e voluntarismo, mas faltam conhecimnetos mais elaborados, técnicas e estratégias de mobilização. Ocupar escolas não faz revolução alguma. a burocracia estatal e as polícias têm o trablaho facilitado, quando os jovens estão num espaço confinado , como o das escolas.

      O PT foi desmantelado, páos implacável perseguição política a seus líderes. 

      O PSOL pensa que vai herdar o apoio dos petistas desesperançados e desiludidos. Lideranças psolistas sonham em ser o que o PT foi. Jamais o serão. NUNCA MAIS surgirá um líder operário como Lula. Inteligências políticas como José Dirceu são tão raras como líderes populares do porte de Lula.

       

  3. ninguém reage

    ninguém reage. Ninguém faz nada.

    Sim , há políticos e mesmo blogueiros e jornalistas que denunciam e cobram, mas muito esparsos aqui e ali.

    Mas cadê as lideranças? Onde estão lideres sindicais nacionais pra puxar de cima pra baixo uma grande greve? Onde grandes figuras, grandes líderes, gentre respeitada pra, unidos e coordenados, puxar manifstações?

    Noso povo é muito pasivo e moldado a obedecer, é sábido. mas a falta de inércia, união, co-ordenação de lideranças que guiem grita e grita alto! O povo já é inerte, ignorante, manipulado pel midia, e falta gente alta, de porte, amostra o que está errado e principalmente, como reagir!

    Parece que o golpe ou desnudou muita liderança esquerdista como corrupta, ou deixou em estado de choqeu os honestos e capazes. Ou, simplesmene, não temos liderança, somo sum país de mediocres e gente baixa.

  4. Executivo e Judiciario também sob dominio de aventureiros

    “é muito difícil entender como o Brasil permitiu-se chegar à baixeza cultural e política que ostenta”

    Desmantelamento da educação durante os anos de chumbo e continuado nos governos democraticos e paralelo à isso, aumento do dominio do audiovisual, principalmente a rede Globo no Brasil.

    Em conversas com pessoas que ascenderam à classe média à partir dos anos 2000, observei o quão arrogantes tornaram-se, ignorantes que são do lugar que ocupam no tabuleiro do poder econômico e da historia. Pensam miseravelmente que fazem parte da “elite”, tornam-se algozes de si memos e exploram os de baixo, como outrora eram explorados. O discurso dessa parcela é terrivelmemente moralista e mera pantomima daquilo que lê e ouve nos canais classicos de Comunicação. Ouvir coisas dessa classe em ascenção, como se ouve por vezes da antiga classe média, de que Lula deve ser preso é bem signiticativo de que so consumo não faz uma Nação.

  5. Quem já deu as caras para se

    Quem já deu as caras para se colocar contra o Governo foi ninguém menos que Reali Júnior. Talvez por não querer dizer-se totalmente arrependido, acha que Temer está cercado de corruptos, sem saber conversar com a população.

    Na verdade, tem razão Jânio, pra variar, pode ser mesmo que após o recesso, essa cambada de infeliz temista volte de seus redutos eleitorais sentindo, na carne, o que o povo já está sentindo nesses meses de projetos contra o trabalhador, e todo o povo brasileiro que não precisa de mais violência do Estado para se dizer vítima. As divulgações do Natal magro, que apresentam apenas algumas comunidades, ou pessoas, não retratam a verdadeira infelicidade que voltou a contaminar aqueles que estavam vivendo com dificuldades, porém aind sentindo no ar uma certa esperança.

    Esse bando de corruptos, seguidores de Temer, sabem que 2017 será decisivo para as eleições de 2018. 

  6. Foda-se consultar as bases e

    Foda-se consultar as bases e derrubar  Temer com PEC 55 aprovada.

    Não adianta mais nada.

  7. + comentários

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