Retomada da economia pós-crise é mais lenta do que de outras recessões

Dentre os fatores do lento crescimento, Ganz Lúcio aponta os baixos investimentos públicos e privados e o desemprego

da Rede Brasil Atual

Retomada da economia pós-crise é mais lenta do que de outras recessões

“Considerando o período da crise de 1981-1983, a velocidade de saída da crise foi três vezes maior do que a observada neste momento” avalia diretor-técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio

São Paulo – O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) divulgado na sexta-feira (30) mostra que a retomada econômica do Brasil vem acontecendo a passos lentos, avalia o diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, na Rádio Brasil Atual. No terceiro trimestre, o PIB cresceu 0,8%, na comparação com os três meses anteriores, mas o resultado, de acordo com Clemente, é pior do que o observado em outros períodos de recessão.

“Considerando o período da crise de 1981-1983, a velocidade de saída da crise foi 3 vezes maior do que a observada neste momento”, compara o diretor técnico. Segundo ele, os resultados aquém do esperado estão atrelados em parte ao baixo investimento público e privado, ao desemprego, à capacidade do mercado interno em sustentar o consumo e ao endividamento das famílias brasileiras.

Para o próximo ano, Clemente avalia que, apesar da expectativa por um desempenho melhor da economia, a repercussão sobre o emprego ainda deve ser baixa. “Nós teremos em 2019 e 2020, provavelmente, uma economia que vai estar no mesmo tamanho da economia de 2014, dada a queda que a recessão trouxe e a nossa velocidade lenta na saída da crise”, afirma.

Ouça a análise na íntegra:

 

2 comentários

  1. Isto poderia ser chamado de crescimento vegetativo.

    Quando há um crescimento que fica abaixo do crescimento populacional poder-se-ia denominá-lo como crescimento economico vegetativo. Ou seja, para um crescimento populacional que apresenta uma taxa relativamente baixa no Brasil desta década, em torno de 0,7% a 0,8% ao ano, se acumularmarmos nos últimos quatro anos teríamos algo em torno de 3,0%.

    Isto não é um produto de inversões de capital, mas sim de utilização da mão de obra que naturalmente cresce com o crescimento da população e para o seu sustento tem que produzir algo.

    Para exemplificar, no meu bairro tem um jóvem, passando dos 30 anos, que para sobreviver ele faz coleta de frutas de árvores que estão em áreas públicas (em algumas épocas, abacates, por exemplo) e as vende aos moradores da região. Isto é uma das atividades que ele realiza, ou seja, atividades de sobrevivência.

    Num país como o Brasil há uma séries de atividades deste tipo de baixíssimo valor agregado que são feitas pela população desempregada, que gera um pouco de riquesa, pois a capacidade de consumo é muito baixa, mas impacta sempre positivo nas contas públicas.

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