A assustadora equipe econômica – 2 anos depois, por André Araujo

Foto: Agência Brasil

Por André Araújo

Há pouco menos de dois anos o GGN publicou um artigo meu, reproduzido em vários outros blogs, como a PUC-Rio, analisando quem eram os novos comandantes da economia e o desastre que essa conjunção de cabeças dogmáticas faria com a economia.

Publiquei na mesma época meia dúzia mais de artigos profetizando que uma politica econômica ultra monetarista focada exclusivamente em trazer a inflação para a meta não traria nenhum alivio à tragédia do desemprego e nem iria resgatar o Brasil da recessão criada pelo ajuste tardio de Joaquim Levy no Ministério da Fazenda, o enterro do Governo.

Os erros da Presidente Dilma foram estratégicos e prejudicariam o País a longo prazo, MAS não foram eles que causaram a recessão, produto da política monetária e fiscal gestada pelo “ajustismo” de Levy que abruptamente paralisou os investimentos públicos, pela Lava Jato, que implodiu a engenharia nacional, os estaleiros, as obras em andamento que foram paralisadas, a implosão dos maiores conglomerados liderados por empreiteiras, os investimentos em petróleo cancelados. Ao combater a corrupção derrubaram uma parede para matar a barata; derrubada a parede, cai a casa inteira por causa da barata.

Uma equipe medíocre, de visão curtíssima e objetivos de rodapé, cujos únicos beneficiários foram o sistema financeiro e seus clientes de alta renda, congelou o desemprego em 12 milhões, no emprego formal, o mesmo número de 2016, que permaneceu estacionado, mais o segundo andar de subempregados com 14 milhões, levando o grupo dos sacrificados a 26 milhões, se considerarmos as famílias, uma imensa parcela da população brasileira foi atingida pela crise e nela continua sofrendo os efeitos da pouca ou nenhuma renda.

Os últimos indicadores sócio-econômicos do IBGE demonstram que a recessão está estagnada.

O número de inadimplentes no SERASA não diminui e vem aumentando nos últimos seis meses. 62 milhões de brasileiros têm o nome sujo nos sistemas de proteção ao credito. NÃO HOUVE NENHUMA MELHORA nos grandes indicadores, só piora, especialmente nos índices sociais, a concentração de renda nas classes altas só aumentou e a renda dos mais pobres caiu. Está tudo nos últimos levantamentos do IBGE, órgão oficial de credibilidade.

Oscilações pequenas de vai e volta no PIB e em um ou outro segmento são normais em qualquer recessão, não significam de modo algum reversão do ciclo, é possível uma continuidade de depressão ou recessão por cinco, oito ou dez anos, ocorrerá não havendo ação consciente do Estado para revertê-la. A Grande Depressão de 1929 foi revertida nos EUA pelo New Deal, na Alemanha pelo programa econômico do rearmamento organizado por Hjalmar Schacht. No Brasil, por ações intervencionistas do governo Vargas.

Com uma profunda aáalise da crise da Grécia, o Fundo Monetário Internacional chegou a conclusão e publicou um paper revisionista do princípio do ajuste linear, concluindo que “politicas de ajuste em meio a recessão APROFUNDAM A CRISE e, com base nessa análise, o FMI fez profundas críticas ao Banco Central Europeu e fez sua própria autocritica relativa ao programa para a Grécia, que APROFUNDOU a crise grega levando o País à Depressão”. No entanto, o Brasil continua aplicando a mesma receita imposta à Grécia e espera com isso sair da recessão, o que não acontecerá sem investimento público em larga escala e brutal correção da política cambial, da política monetária e de crédito e ajuste forte no rentismo dos super salários, no excesso de burocracia e no desperdício pelo mau gasto do Estado.

O investimento privado foca no curto prazo e tende a entrar em empreendimentos prontos ou concessões, o que ao fim do dia gera pouco emprego e pouca reativação da economia. Contar com investimentos em concessões ou privatizações para sair da recessão é um erro de diagnóstico, investimentos nessa categoria não tem escala e impulso para gerar um ciclo continuado de crescimento, essa é a lição da História confirmada na crise de 2008.

O resgate da grande crise financeira americana de 2008 foi executado pelo Tesouro dos EUA através do programa TARP com injeção ultra rápida de US$780 bilhões na economia, foi o Estado americano que resgatou a economia em 2008 e não o mercado – este PROVOCOU a crise que foi solucionada pelo Estado.

No Brasil, parece que não se absorveu a lição e “equipe econômica” continua operando com receitas desmoralizadas e comprovadamente ineficientes que só estão aprofundando a crise social brasileira com seus desdobramentos políticos e nos serviços públicos, na própria estrutura de funcionamento do Estado, com o sucateamento das forças armadas, das policias, dos serviços de saúde e da educação.

Essas constatações não indicam nenhuma novidade. A atual politica econômica NÃO TEM NENHUM  ELEMENTO para puxar o Pais para fora da recessão e relançar o crescimento.

Não há investimento público por causa da obsessão no corte dos gastos públicos, o que leva aos seus alvos fáceis, obras públicas e despesas sociais porque a folha do alto funcionalismo e as aposentadorias precoces do setor público são politicamente blindadas, tudo resultando no afundamento da política fiscal e dos erros de conceito nas políticas monetária e cambial, todas exclusivamente a serviço da meta da inflação e não do crescimento.

Há uma política ostensiva de desindustrialização e de preferência pela importação de produtos manufaturados que gera mais desemprego e perda de massa salarial na economia produtiva.

O CASO DA PLATAFORMA P-71 DA PETROBRAS

Essa plataforma encomendada pela PETROBRAS ao Estaleiro Desenvix, na cidade de Rio Grande no Rio Grande do Sul, estava em adiantado estado de conclusão, já tendo sido gastos US$150 milhões na obra. Por razões não explicadas a PETROBRAS resolveu ABANDONAR o projeto e recomeçar do zero na China com encomenda ao estaleiro CIMC Raffles, largando em Rio Grande a estrutura de 38 mil toneladas já acabada, cujo destino se desconhece, mas provavelmente será a venda como sucata, uma decisão politica para mostrar frieza da PETROBRAS com relação ao  Pais ao qual deveria servir e desprezo à indústria nacional.

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O polo naval de Rio Grande chegou a empregar 24 mil operários e construiu várias estruturas para a Petrobras, hoje em funcionamento no pré-sal. Já na gestão Pedro Parente a nova politica abandonou a ideia de encomendas no País, preferindo comprar tudo no exterior, com desculpa a comprovar de preços mais altos aqui.  Se isso for verdade, esquecem que encomendas no Brasil beneficiam o Pais de vários modos, com empregos, contribuições previdenciárias, impostos aqui pagos, desenvolvimento da engenharia nacional. O Brasil tem mais de 100 anos de tradição na indústria naval, não há nenhuma razão para não construir plataformas aqui mesmo, o pre-sal nasceu no Brasil e não na China, com engenharia nacional, é inconcebível um Estado permitir que podendo gerar empregos no Brasil com recursos nacionais mande encomendas para a Ásia por uma questão de ideologia anti-nacional.

Países com grande costa marítima como o Brasil e os EUA, precisam ter indústria naval por razões de segurança e defesa, os EUA constroem navios nos estaleiros de Newport News e Bath Ironworks no Maine a um custo muito mais alto do que pagariam na China, tudo para manter ativos os estaleiros americanos. Como pode a PETROBRAS, uma empresa de interesse nacional controlada pelo Estado agir dessa maneira contra uma indústria estratégica que interessa ao País como um todo e não apenas à Petrobras? A Petrobras é um instrumento do Estado brasileiro e não uma corporação de acionistas de Nova York.

 Qualquer conceito de Estado veria dessa forma, considerar apenas o preço é ver o Brasil exclusivamente como plataforma do sistema financeiro internacional e essa a visão da atual administração da Petrobras, vista como uma companhia destinada a satisfazer os acionistas da internacionais e não como instrumento de desenvolvimento do Brasil, razão para a qual a Petrobras foi criada em 1953 por grande campanha popular encampada pelo Presidente Getulio Vargas e contra o interesse de grupos estrangeiros que forneciam combustíveis importados  negando em violenta campanha da imprensa, com O GLOBO  à frente, que existisse petróleo no Brasil, apresentando relatórios de geólogos americanos (Relatório Link).

 A visão anti-nacional que existia em 1953 por essas ironias da Historia volta hoje para comandar a Petrobras, em adiantado estado de liquidação de ativos e privatização branca, venderam oleodutos, gasodutos, filiais no exterior, navios , fabricas de fertilizantes e agora entra-se na fase de vender refinarias, quer dizer a Petrobras esta sendo privatizada “por dentro” sem autorização do Congresso e sob aplausos da mídia neoliberal liderada pelo sistema GLOBO de desnacionalização da economia brasileira.

Nos EUA de hoje o Presidente Trump da um freio no globalismo descontrolado ao tentar proteger a indústria nacional de base, exatamente o contrário de Parente & Co. fazem aqui.

É impressionante a raiva que os neoliberais tem do Brasil, de nossa Historia, da capacidade de nossa engenharia que inventou o pre-sal, o que fizemos  para eles nos detestarem tanto?  Esse caso terrível da plataforma P-71 requer muita raiva contida contra o Brasil, só Freud explica, é preciso muita vontade de agredir este País para destruir tanto em tão pouco tempo.

O CASO DAS OBRAS PARADAS

Outra grande fonte de recessão e desemprego é   uma contagem que    aponta cerca de 3.000 obras publicas paralisadas pelo Brasil. As causas são os ajustes fiscais (União, Estados e Municípios)e decisões de  autoridades que tem o poder de paralisar obras porque suspeitam de irregularidades, sem qualquer aferição ou preocupação com o custo da paralisação, que em geral é MUITO SUPERIOR AO  VALOR  DA PRETENSA IRREGULARIDADE. Como nenhum prejuízo pela paralisação pesa no seu salario garantido, a autoridade não está nem ai para esse detalhe.

Obras monumentais como a Usina de Belo Monte foram paralisadas incontáveis vezes por questões de irregularidades alegadas em editais, queixas de índios, meio ambiente, irregularidades trabalhistas. Uma obra tipo Belo Monte, no meio da selva, exige a montagem de grandes canteiros com alojamentos, refeitórios, enfermaria. Paralisada a obra os custos fixos e os salários continuam a correr embora não avance a obra, quem paga esse custo? É o contribuinte ou o consumidor de energia porque tudo se refletirá no custo da usina.

Apurar irregularidades sem parar a obra é algo que não se cogita, tudo isso contribui para a recessão e para o desemprego sem que o comando do Estado enfrente a questão pela base.

A META DE INFLAÇÃO PAGA PELO DESEMPREGO

A politica da equipe econômica dos sonhos do mercado, o pretensioso “dream team”, teve como alvo exclusivo, eixo central de toda a politica fiscal, monetária e cambial, colocar a inflação na meta.  Usou duas armas principais, ambas profundamente danosas à economia produtiva, ao emprego e à renda das comunidades mais pobres.

A primeira arma foi o desemprego proposital, para reduzir o poder de compra da população e assim fazer os preços baixarem. É o emagrecimento pela dieta cega, perder peso a qualquer custo, sem se preocupar se isso causa anemia, tuberculose ou enfraquecimento do organismo.

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O segundo instrumento foi a politica cambial, manter o Real supervalorizado para com isso baratear as importações e assim reduzir os preços de toda a gama de produtos e insumos importados que compõe o índice de preços. No caminho a supervalorização do real causa profundos danos à indústria nacional, cuja participação no PIB caiu de 23% para 9% provocando nesse caminho fechamento de centenas de fabricas e desemprego em massa, tudo contribuindo para colocar a inflação na meta a custo de outros fatores essenciais aos interesses da população e da higidez da economia nacional a longo prazo.

A mediocridade dessa politica é espantosa.  A economia se maneja com um conjunto de fatores e variáveis para se atingir a prosperidade com o menor custo possível, essa é a prova da capacidade e inteligência do economista. Atingir uma só variável, a inflação, à custa de todas as demais variáveis é algo estupido, ilógico, de indigência mental.

A POLITICA ECONOMICA DAS FORMULAS E A POLITICA ECONOMICA DAS CIRCUNSTANCIAS

Economistas medíocres decoram formulas prontas em suas escolas e passam a vida tentando aplicar essas formulas como se fossem a única solução para qualquer problema da economia.

A ciência econômica NÃO é ciência exata, está no campo das ciências politicas e sociais e sua aplicação depende sempre das circunstancias. Não há formulas prontas. Tomemos como exemplo a moeda. Expandir a circulação da moeda pode causar inflação, mas muitas vezes esse é um risco que vale a pena assumir, depende das circunstancias, por exemplo, quando a economia está estagnada por uma deflação ou por falta de poder de compra.

A expansão monetária pode ser uma arma de governo para se atingir um objetivo que é mais valioso do que o risco. O mesmo se aplica à politica cambial, nem sempre é virtuoso ter uma moeda super valorizada, pode ser um desastre, embora para muitos seja uma questão de prestigio de Pais. Em economia tudo é negociável porque tal qual um cozinheiro que combina ingredientes para fazer um prato saboroso, o economista precisa combinar variáveis para atingir objetivos importantes dentro do tempo politico. Nessa combinação não há virtudes fixas, tudo depende das circunstancias. Keynes e Hirschmann, dois dos maiores economistas do Seculo XX traçaram essa linha, a da POLITICA ECONOMICA DAS CIRCUNSTANCIAS.

Albert Hirschmann em suas memorias finais, em português ”AUTO SUBVERSÃO”, segue essa narrativa de que a politica econômica deve ser operada dentro das circunstancias e NÃO por formulas  pretensamente cientificas, prontas para qualquer situação., que pretendem encaixar a realidade dentro da formula, se não conseguem, acham errada a realidade e não a formula.

O crescimento da China é um exemplo pratico de manejo de variáveis para atingir objetivos estratégicos. A China opera sua politica cambial para aumentar as exportações e o emprego, A politica cambial NÃO é de mercado livre e sim de Estado, para atingir objetivos nacionais.

O mesmo com as politicas de crédito, operadas para sustentar o crescimento continuo da economia dentro de politicas traçadas pelo Estado central e não pelo mercado.

AJUSTE FISCAL LINEAR EM PLENA RECESSÃO É UM MEGA ERRO

Com uma situação dramática de desemprego é melhor correr o risco de alguma inflação e criar empregos através de obras publicas do que manter uma super estabilidade monetária e manter a economia estagnada e com alto desemprego que gera tensões sociais e politicas.

É uma perigo enorme entregar o comando POLITICO da economia a economistas, os EUA são um bom exemplo.  A maioria esmagadora dos Secretários do Tesouro na historia dos EUA não foram economistas, mas sim políticos, o mesmo na maior parte dos países da Europa por todo Século XX, o politico deve se assessorar com economistas, mas não ser por eles comandado.

Para dirigir a economia de um grande País o equipamento fundamental é visão politica, muitos grandes economistas a tem, mas a maioria não costuma ter. Exemplos clássicos de grandes economistas com visão politica foram Celso Furtado, Roberto Campos, Delfim Neto, Mario Simonsen, embora os dois primeiros fossem graduados em primeiro lugar em outras profissões e só depois da maturidade fizeram cursos de economia. Hjalmar Schacht, o maior economista operacional alemão na primeira metade do Século XX, que debelou a hiperinflação de 1923 e dirigiu a economia alemã para o rearmamento na década de 30, era formado primeiramente em filosofia na Universidade de Kiel, Schacht foi operador de economia dos anos 20 aos anos 70, adaptando-se a regimes, ciclos, modelos, países, sendo ultra ortodoxo em 1923, inventor heterodoxo em 1933 (os “marcos de compensação” e os “bônus rotativos Mefo”) e novamente ortodoxo na assessoria aos governos da Síria e da Indonésia nos anos 60, era brilhante de acordo com as circunstancias.

Um grande Ministro da Fazenda por dois períodos dramáticos da historia brasileira, Oswaldo Aranha, na década de 30 e na década de 50, nunca estudou economia. Suas ações tiveram excepcional importância nessas duas fases e mereceram uma monografia especialmente composta por Mario Henrique Simonsen, um dos maiores economistas brasileiros, ex-Ministro da Fazenda e fundador da Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getúlio Vargas, grande admirador de Oswaldo Aranha como Ministro da Fazenda em dois momentos separados por décadas, pela Segunda Guerra e por um novo tempo econômico no mundo.

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Todos esses grandes homens conduziram a economia brasileira por um período em que o Brasil se desenvolveu de um País agrícola de monocultura para uma das dez maiores economia integradas do mundo, uma das maiores transformações de Pais nesse período.

Economistas de formulas prontas fizeram essa economia regredir e definhar, a indústria diminuiu sua participação de 23% do PIB para 9%, o País voltou a ser uma economia primaria exportadora de minérios e produtos agrícolas com o consequente desemprego de grandes massas nas cidades, um retrocesso dramático provocado basicamente pelas politicas monetaristas que se iniciaram no plano Real e que erradamente se concentraram na moeda e não na produção, desestruturando o País que vinha em um histórico de desenvolvimento razoavelmente integrado desde os anos 50. O monetarismo e o neoliberalismo desmontaram todo o sistema econômico que até então tinha dado conta do emprego com imperfeições, mas com sucesso social, o Brasil não conheceu desemprego crônico de 1950 a 1994, ano do plano monetarista que trouxe nos seus vagões os economistas de formulas que até hoje dominam a politica econômica e desviaram o Brasil de sua rota de crescimento sustentado que mesmo com crises pontuais asseguram um desenvolvimento continuo desde os anos 30 até o governo FHC, inicio do domínio neoliberal voltado ao financismo e não à produção.

OS ECONOMISTAS DE FORMULAS PRONTAS

As escolas de economia dos EUA seguiam até 2008 no geral uma linha  ortodoxa, cm algumas exceções tradicionais de centros de pensamento econômico mais plural como o da  New School  (New School of Social Research), fundada muito depois das escolas tradicionais e com uma visão mais progressista do pensamento econômico, hoje uma grande instituição que se espalha por 14 predios em Nova York com  milhares de alunos, mantendo um extraordinário “think tank”, o CEPA-Center for Economical and Political Analisys.

Após os desastre da crise de 2008 ocorreu uma revisão doutrinaria  em muitas das grandes escolas de economia , como a da Universidade de Chicago, de onde o “monetarismo” de Milton Friedman foi desalojado e transferido para a Carnegie Mellon University de Pittsburgh.

  O exemplo doloroso do ajuste grego levou o Fundo Monetário Internacional a editar uma autocritica dos programas de ajuste como solução para crises econômicas recessivas. A essência dessa autocritica exposta em vários papers oficiais do Fundo demonstra uma  mudança de visão sobre o repertorio clássico do ajuste pelo corte de gastos para com isso revigorar a economia. Chegou-se à conclusão oposta. É PRECISO CRESER ANTES DE FAZER O AJUSTE e não como se propunha FAZER CORTES DE GASTOS PARA COM ISSO CRESCER.

É MUITO MAIS FACIL E LOGICO CRESCER  ANTES PARA  FAZER OS AJUSTES DEPOIS COM A ECONOMIA CRESCENDO, É QUASE IMPOSSIVEL FAZER AJUSTES COM A ECONOMIA EM RECESSÃO, NA TENTATIVA SE CHEGA Á DEPRESSÃO e não se consegue o ajuste.

 É algo tão simples de entender que parece incrível que toda uma “seita” de economistas neoliberais faz tudo para agir ao contrário, um ajuste impossível que não leva a lugar nenhum, muito menos ao crescimento. O crescimento faz o Estado arrecadar mais e com isso o manejo dos cortes fica mais fácil.  A reforma da previdência torna-se extremamente difícil com a queda de receita das contribuições causadas pelo desemprego, ao mesmo tempo que o corte de benefícios sociais durante a recessão vai penalizar exatamente os mais pobres que estão desempregados pela recessão e que mais do que nunca precisam do apoio do Estado.

O PLANO REAL INVENTOU OS “ECONOMISTAS NO GOVERNO”

O Plano Real criou a categoria de “economistas no governo” e a partir de 1994 montou-se a Lenda brasileira  de que todo Presidente deve entregar obrigatoriamente a politica econômica à economistas, um mega engano que NÃO tem respaldo histórico.

Nos EUA o Presidente Trump  nomeou para o FED um advogado-empresário, Jerome Powell,   e para a Secretaria do Tesouro outro cidadão, Steven Minuchin, que só tem o curso colegial, também empresário bem sucedido, Trump não quis saber de economistas governando.

Os “economistas no governo” tem no Brasil em 100% das biografias um viés ortodoxo e bitolado, os famosos “cabeças de planilha”, não são criativos, inovadores, tentam seguir cartilhas fixas de “tripés” e “ajustes”, geralmente não conseguem por falta de capacidade de convencimento e negociação e ficam então em um limbo de tentar enquadrar a economia em uma camisa de força sem sucesso, dai não vão para lugar nenhum e a economia cai no limbo da pobreza intelectual e política, situação hoje de evidente constatação no Brasil.

O relançamento da economia brasileira para o caminho do desenvolvimento perdido exige ousadia, criatividade, experiência e conexões extensas em todos os setores, o Brasil não cabe em igrejinhas acadêmicas que já estão desgastadas até nos seus berços de origem.

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9 comentários

  1. André, a questão é que com a

    André, a questão é que com a zona política e econômica em que o Brasil se meteu, o rentismo viu aqui um terreno perfeito pra impôr suas políticas em que dinheiro rende dinheiro pra quem já tem muito dinheiro. Nos anos 90, o governo Menen e Cavallo permitiram que o país se submetesse a coisa mais absurda que pode acontecer a um país = o de abdicar, na prática, de ter uma moeda sua, “importar” uma moeda de outro país – que é o que foi a paridade 1 por 1 dólar – peso. O rentismo da época ganhou tudo o que podia com os argentinos, que pensavam que estavam no céu e praticamente tomarem posse das praias de Santa Catarina na época (rs). Quando a farra acabou, em 2001, o país quebrou e até hoje não saiu desse buraco. Se não houver algo fora da curva, o Brasil vai pro mesmo caminho. 

  2. Mas eles não são incompetentes…

    Não acredito que os personagens citados não saibam o que fazem.

    Eles sabem. Não todos. Mas são espertos o suficiente para repetir o mantra da moda e que faz sucesso, por aqui.

    Mas têm uma agenda, deles mesmos e de seus grupos de apoio que será levada até o fim. Ou até onde der.

    E não existe uma relação de causa e consequência para estes indivíduos. Fazem o que fazem e saem numa boa. E ricos…

    Então, aprontar fica fácil e barato, quase irresistível.

    O País perde, os trabalhadores também e boa parte do empresários.

    Mas eles não tem como fazer o seu desconforto se transformar em ação, enquando isso o desastre avança.

    A sensação mais forte que eu sinto é uma paralisia…geral.

    Nem me espanto mais de ouvir empresários apoiando uma política que os inviabiliza.

    Ainda me espanto em ouvir trabalhadores defendendo leis que os transformam em semi-escravos.

    Um dia eu aprendo e me acostumo.

  3. Excelente balanço

    Uma pena que nao há ambiente para colocar esse pontos de vista em nossa sociedade , nossa imprensa que ´´cobre ´´ economia dizia , nos tempos de governos petistas que eles surfavam no sucesso dos tucanos que deixaram tudo em ordem e para melhorar ainda mais bastava tirar o PT, tiraram o PT e dizem que a desgraça economica em que vivemos é culpa do PT ! 

  4. Caro André, talvez você ache

    Caro André, talvez você ache melhor não afirmar, mas lendo seu texto a única conclusão lógica é que o país está sendo atacado por dentro, ataque comandado por traidores instalados em postos chaves, na política, na economia, no judiciário e na grande mídia. O pior de tudo é que, se um dia isso for revertido, o que não acredito, esses traidores sairão impunes, quando deveriam ser enforcados em praça pública, um preço pequeno a ser pago por quem desgraçou a vida de milhões de pessoas e que se estenderá por várias gerações.

    • quadrilha

      Edivan , concordo plenamente! Não são ortodoxos, são bandidos. Sabem muito bem o que estão fazendo. São fiéis capangas de seus mandantes. A forca lhes seria castigo brando dada a extensáo dos crimes que cometem.

    • Caro….

      Edivan, atacados de dentro para fora, estamos desde a Ditadura Vargas. Não aprendemos, não lemos, não estudamos as revoltas populares e operárias (socialistas, sindicais, liberais, anarquistas,…) que sacudiam SP, no início do século passado. Revoltas que ‘temperavam’ a Democracia que nascia e se desenvolvia. A Democracia é movimento e embate. Nunca entendemos isto. Caimos na vala comum da ditadura e caudilhismo. Um Estado Absolutista e sua Elite controlando seus Feudos. Quem precisa de Desenvolvimento? Quem precisa de Empregos? Quem precisa de Liberdade? Para que seus Filhos estudarão, se Engenheiros não tem onde trabalhar? Até o óbvio nos é de dificil compreensão. Para a Elite do Estado, encrustrada no seu protetorado, basta o Estado. Legisla, aumenta, retira, impõe, vende, entrega, conforme seu interesse. Somos o cão atrás do rabo. Não gosto destes ‘historicismos’, mas não continuamos no mesmo período onde os Donos das Minas, entregavam o ouro em troca de Bens? Ferrovias, Manufaturados, Ferramentas, ….Até que tão dependentes dos Britânicos, estes se tornaram donos das Minas e do Brasil? Os tais ‘Paulistas’ que nada entendiam, mas transformaram MG na área mais desenvolvida e urbanizada do Brasil, foram expulsos para GO. MG caiu no ostracismo e decadência. Um pouco de História do Brasil, que Brasileiros insistem em repetir. AA esta aí a explicar.       

  5. Eu como proprietária de uma

    Eu como proprietária de uma empresa pequena, no ramo de tecnologia da Informação, com soluções direcionadas a concreteiras. Fui numa reunião com uma concreteira de pequeno porte, bem antes de Lula ser preso. Durante à apresentação o dono interrompeu puto, pregou abertamente a prisão do moro, alegando que ele não os deixava trabalhar, citou o exemplo de uma grande concreteira, que também era minha cliente de consultoria..que de 100 betoneiras só 30 estavam descarregando!

    Por que o Filho da pu…do moro estava fazendo aquilo “com a gente”…..

    ” na época do Lula não faltava serviço para gente”. Eu segui meu protocolo de não discutir politica ou religião com cliente, simplismente fiquei calada…só que a indignação era latente…só quem conhece o Brasil produtivo sabe o estrago que a republica de curitiba fez.

  6. Condenados na origem

    Andy , o problema do Brasil esta na Universidade. O ensino de Economia tem um vies claro: o neoliberal. Com honrosas exceções.

    Condenados ao atraso, Ensinando e aplicando o que se fazia no final dos anos 60 em Chicago!

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