A campanha dos EUA contra a cooperação médica internacional de Cuba, por Antonio Mata Salas

Infâmias contra a colaboração médica cubana continuam aparecendo na mídia de direita com a clara intenção de desacreditar e sabotar um programa vital.

A campanha dos EUA contra a cooperação médica internacional de Cuba 

por Antonio Mata Salas

Conforme foi advertido na Declaração do Ministério das Relações Exteriores de Cuba em 29 de agosto de 2019, o governo dos Estados Unidos realiza, desde o ano passado, uma campanha intensa e ofensiva contra a colaboração médica oferecida por Cuba, combinado com a ameaça de sanções e pressão contra os Estados receptores, para que não façam acordo de cooperação.

Dirigido em detalhes pelo Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, conta a participação ativa de senadores e congressistas associados à máfia anticubana da Flórida e a funcionários frenéticos do Departamento de Estado dos EUA, que cuida das relações  exteriores.

Mike Pompeo, que era diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), nomeado chefe do Departamento de Estado após a eleição de Donald Trump, disse em seu twitter: “Pedimos aos países anfitriões que terminem acordos contratuais com o regime de Castro para facilitar os abusos dos direitos humanos que ocorrem nesses programas.”  Após o roteiro, a Organização dos Estados Americanos (OEA), com Luis Almagro no comando, atacou a colaboração médica internacional da ilha.

Eles acusam Cuba de “escravidão moderna”,  “ tráfico de pessoas” que trabalham no sistema de saúde de Cuba, com o objetivo de “exploração, interferência nos assuntos internos dos estados em que são nomeados, e de certas práticas trabalhistas de exploração e coercitivo”.

Essas novas infâmias contra a colaboração médica cubana continuam aparecendo na mídia de direita com a clara intenção de desacreditar e sabotar um programa no qual mais de 400.000 profissionais de saúde participaram, por quase seis décadas, e salvaram milhares de pessoas, preservando a saúde de milhões de pessoas nos 164 países em que trabalharam.

A intenção de atacar uma atividade que beneficia milhões de seres humanos no mundo todos os dias é embaraçosa e faz parte dos esquemas de cooperação Sul-Sul, protegidos pelo Direito Internacional, pelos programas das Nações Unidas e pela Organização Mundial de Saúde.

Apesar do reconhecimento mundial do trabalho realizado por profissionais de saúde cubanos nas mais variadas geografias do mundo, a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) anunciou que estava oferecendo até três milhões de dólares a organizações que “investigariam, coletariam e analisariam informações” relacionadas a supostas violações de direitos humanos por profissionais de saúde cubanos. O governo do presidente Donald Trump destinou mais de 22 milhões de dólares desde o início de projetos de subversão que mantém hoje contra Cuba.

Os caluniadores conhecem muito bem o prestígio que Cuba tem em nível internacional em termos de recursos humanos em medicina e o que seus médicos fazem em muitos países. Por esse motivo, Washington persegue com ódio feroz as missões médicas cubanas no exterior.

A realidade é que, superando climas adversos, barreiras linguísticas e geográficas, limitações materiais, diferenças culturais e vários perigos, especialistas em saúde de todos os cantos da ilha protagonizaram essa longa história de cooperação, cuja página mais recente foi escrita por 50.000 mulheres e homens que atualmente prestam serviços em 65 países.

Hoje não é estranho encontrar uma brigada cubana de jaleco branco em qualquer lugar do mundo. Onde quer que haja uma emergência, onde quer que estejam as pessoas mais vulneráveis, ela pode ser encontrada; esforçando-se e dando conhecimento e amor. Essa atitude é incutida naqueles que praticam a medicina cubana desde os primeiros momentos de sua formação e se consolida a cada missão.

Lá, em qualquer canto do planeta onde é necessário, os médicos cubanos vão ajudar as comunidades mais vulneráveis. É o exército de jaleco branco que combate epidemias como a malária, a cólera ou o Ebola, o que atinge os afetados por um desastre natural e o que vai aos lugares mais intrincados para levar consigo a esperança de uma melhor qualidade de vida. 

A colaboração médica cubana contribuiu ao longo dos anos para proteger setores pobres da população, melhorando os indicadores de saúde e completando com sucesso campanhas de vacinação, promoção e prevenção de doenças em várias regiões.

São médicos que não julgam ninguém por sua cor de pele, recursos econômicos ou ideologia política; pelo contrário, prestam assistência médica e seu conhecimento a todos que precisam, com sua visão de dedicação, humanismo e amor por sua profissão.

A Revolução Cubana é vítima de agressão imperial há 60 anos. Mais de 600 tentativas de assassinato contra o comandante Fidel Castro, invasões militares (Playa Girón), atos terroristas (mais de 3 mil mortos e deficientes), operações psicológicas (operação Peter Pan com a mentira da autoridade dos pais), guerra biológica (introdução da peste suína, mofo azul, entre outros), bloqueio econômico, comercial e genocida financeiro (com uma afetação de mais de 900 bilhões de dólares, dificultando o desenvolvimento do país e afetando o padrão de vida da população) com aplicação extraterritorial (lei americana Helms-Burton) e subversão política e ideológica, são algumas das táticas e estratégias de agressão executadas contra a ilha do Caribe.

Além do imenso esforço imperial para sufocar e destruir o processo cubano com esses mecanismos, o uso de métodos, procedimentos e métodos muito sutis e elaborados, onde tudo acontece com o objetivo de confundir as pessoas e formar imagens ilusórias e critérios distorcidos do trabalho da Revolução Cubana.

Por trás dessas monstruosidades, existem não apenas tecnologias de computador, mas décadas de estudos sociológicos e psicológicos de manipulação de massa que acabaram desenvolvendo tecnologias igualmente perversas para influenciar os seres humanos. Sem dúvida, novas no escopo, são as tecnologias para manipulação de imagens ou mineração de informações capazes de encontrar, quase instantaneamente, fotos falsas ou outras mais sutis que, tiradas do contexto, se adaptam à mensagem que quer levar ao leitor. É assim que vemos fotos de manifestações nas Filipinas de alguns anos atrás, mostradas como manifestações na Venezuela hoje.

Existem centros de pesquisa especializados no estudo de processos de informação para revelar recursos ocultos que possibilitam aumentar a efetividade das mensagens transmitidas. A CIA e a USAID desempenham um papel importante neste trabalho e na coordenação com centros ideológicos baseados em fundações, universidades, centros especializados dedicados a estudos sociais e políticos; bem como na inteligência do Departamento de Estado.

É nesse contexto que lembramos que o conceito da chamada guerra de quarta geração (guerra de quarta geração – 4GW) começou a ser discutido há vários anos, termo usado por analistas e estrategistas militares para descrever a última fase da guerra na época de informática e comunicações globalizadas para manipular a opinião pública.

Enquanto o 4GW está se desenvolvendo, as “quentes” guerras de agressão dos EUA e seus aliados continuam, matando a cada dia mais, com armas mortais e sofisticadas, em qualquer canto do mundo onde seus interesses hegemônicos e expansionistas são afetados. E continuam tentando estrangular Cuba, bloqueando e implementando sua lei Helms-Burton, para que renuncie à construção do socialismo e à sua política de solidariedade internacionalista. No entanto, Cuba resistiu, resiste e resistirá!

Antonio Mata Salas – Cônsul – Consulado de Cuba em São Paulo

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4 comentários

  1. Estivemos em Cuba no ano passado e testemunhamos o excelente trabalho na área da Saúde, na Educação. Transporte e Habitação. Não apenas os médicos com formação humanística, mas pesquisas de ponta e desenvolvimento de medicamentos e terapias avançadas. Acostumados a cifras astronômicas para tratamentos e remédios, surpreende que em Cuba eles sejam gratuitos. Na Colônia de Tarara, milhares de crianças russas, vítimas do desastre de Cheronobil, foram tratadas e se recuraram graças à Saúde, ao sol e solidariedade da medicina cubana. Até mesmo agora, com a nova praga biológica do coronavírus, Cuba está dando sua contribuição, tendo desenvolvido medicamento eficiente em laboratório parceiro com a China. Por que o mundo não pode ser mais solidário? Como o Brasil pode apoiar bloqueio e sansões contra uma ilha que não ameaça ninguém?. Em tempo: fiquei com a frase de um motorista de táxi, orgulhoso do seu país e governantes: “temos pobreza, porém nenhuma miséria”.

  2. Conhecimentos não tem ideologia tem sim a capacidade na busca do melhor para todos vemos os países de esquerdas mais desenvolvidas em todo planeta inclusive na América “Cuba” que esta a décadas a frente do capitalismo ocidental selvagem parabéns aos países que priorizam os seres humanos como condutor da humanidade, parabéns a todos países com “Sociais Democracias de Esquerda”.

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