A constituição foi rasgada, lutemos por uma nova Lei Áurea, por Fábio de Oliveira Ribeiro

O futuro do Brasil está estampado nos jornais diários gregos. Ao adotar medidas de austeridade fiscal a Grécia cavou o seu próprio túmulo.

A constituição foi rasgada, lutemos por uma nova Lei Áurea

por Fábio de Oliveira Ribeiro

A moralidade evangélica virou política pública. O Exército fornece mão de obra não especializada para diversos ramos especializados da administração pública civil. Abandonada à própria sorte, a população brasileira empobrece e passa fome. Transformado em política externa, o fanatismo religioso ameaça destruir a economia agroexportadora. O crescimento industrial brasileiro já se tornou irrelevante ou inexistente. Ao que parece, a prioridade do governo é manter a economia deprimida para doar aos banqueiros todas as reservas internacionais acumulados na era Lula/Dilma Rousseff. Parcerias público-privadas já foram consolidadas e atuam para exterminar índios e trabalhadores sem-terra.

O avanço do mito da sagrada propriedade privada defendida violentamente por uma teocracia neoliberal que impõe sua moralidade retrógrada equivale ao recuo da legalidade laica instituída pela constituição promulgada em 1988. Bolsonaro não quer cidadãos e sim vassalos. Weintraub odeia os estudantes e prefere estimular a doutrinação ideológica. Ricardo Salles se consolida como um impiedoso destruidor da natureza. Paulo Guedes cuida dos próprios interesses e pouco se importa com a saúde econômica dos industriais e trabalhadores brasileiros.

Não há saída para essa crise brasileira. A perpetuação dela é um programa de governo apoiado pela imprensa corporativa. A judicialização da política não vai resolver os problemas do Brasil, pois os juízes fazem parte do sistema de poder criminoso que assaltou a presidência em 2016 para permitir aos banqueiros assaltar os cofres públicos desde então.

O futuro do Brasil está estampado nos jornais diários gregos. Ao adotar medidas de austeridade fiscal a Grécia cavou o seu próprio túmulo. Aquele país ficou mais e mais endividado e atolado numa depressão econômica sem fim que obriga o povo a sofrer e a reagir de maneira violenta.

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A população grega foi programaticamente empobrecida. Esse fenômeno criou as condições ideais para o surgimento e o crescimento dos partidos de extrema direita. Enquanto os gregos brigam entre si e com a polícia os banqueiros franceses e alemães seguem cobrando juros extorsivos de dívidas contraídas para pagar dívidas que se tornaram impagáveis. A finalidade da atividade econômica na Grécia já não é produzir riquezas e distribuir renda.

O povo grego já não pode dizer que tem um Estado. A soberania da Grécia foi revogada. Ela se tornou algo irrelevante e intolerável. Aquele país só existe para cumprir uma missão: garantir a lubrificação de um sistema financeiro irracional e predatório desligado de qualquer contato com a realidade cotidiana e que despreza a teoria econômica.

De 1453 a 1832 a Grécia foi uma província do Império Otomano. Há alguns anos aquele país se tornou uma província do mercado. Seria interessante comparar o legado da dominação turca ao que está sendo construído pelo jugo financeiro. Em breve o mesmo poderá ser dito sobre o Brasil, com uma diferença. A escravidão não foi um fenômeno economicamente relevante na Grécia turca. Nosso país foi praticamente construído por escravos. Portanto, é mais provável a escravidão renascer com força entre os brasileiros do que entre os gregos.

Sempre que aparece em público, Jair Bolsonaro destila seu ódio pelas normas que outorgam direitos aos trabalhadores, limitam o poder dos empresários e obrigam o Estado a garantir alguma civilidade nas relações de trabalho. Ele sabota o combate à escravidão e estimula o restabelecimento da hierarquia bestial que existia entre os fazendeiros e seus escravos antes da Lei Áurea.

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Se quiser sobreviver, a esquerda terá que organizar um movimento suprapartidário semelhante ao abolicionismo. Caso contrário os gregos ainda poderão se consolar ao dizer: Somos homens livres num país pobre que foi escravizado pelo sistema financeiro internacional. Estamos melhores do que os brasileiros, pois eles estão sendo transformados em escravos num país que estava em condições de rejeitar o jugo neoliberal.

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