Colagens da Mídia e os planos de negócios de Guedes e seus 40 Acepipes, por Frederico Firmo

Em outras palavras a economia vai mal, a sociedade padece, mas os negócios do competente Ministro da Economia e de seus grupos e fundos vão bem.

Foto: El País

Colagens da Mídia e os planos de negócios de Guedes e seus 40 Acepipes

por Frederico Firmo

O super ministro da Economia assessorado pelos seus acepipes (esta é a tradução  Weintraubiana de asseclas) não tem mostrado nenhum Plano ou projeto para a Economia e ou Educação, mas tem colocado em marcha seus planos de negócios. Sua caravana continua em marcha enquanto o presidente ladra a pauta autoritária e de costumes.

Entres os acepipes de Guedes temos o presidente da Petrobrás que declara aos quatro ventos que vai acelerar o  fatiamento da companhia, gerando lucros imensos para os compradores. Não sei quanto os membros da caravana levam nesta jogada, mas com certeza é bem mais do que o tal petrolão.

Abaixo coletei e fiz uma  colagem  de   trechos  retirados de colunas e artigos e reportagens na secção de economia da midia e  jornais como Folha e Estadão.
Comecemos por uma  manchete:

Petrobras reduz participação na BR Distribuidora de 71% para 41%

A Petrobras vendeu na terça (23) cerca de 30% da sua participação na BR Distribuidora. O capital foi de 71,25% para 41,25%. Com isso, a subsidiária de postos de combustíveis passa a ter mais participação privada do que estatal. Foram arrecadados R$ 8,6 bilhões com essa ação idealizada por Paulo Guedes, ministro da Economia de Jair Bolsonaro.

A fatia da companhia cairá de 70,3% para cerca de 37,5%. Líder em distribuição de combustíveis no País, a BR planejava desde o início do ano fazer uma oferta de novas ações no mercado, como antecipou o Estado em abril. A transação foi conduzida pelos bancos JP Morgan, Bofa (Bank of America Merril Lynch), Credit Suisse, Citi, Itaú BBA e Santander.

Os clichês liberais  são reforçados pela ação do CADE, cujos conselheiros eu desconheço, mas  que  anunciam o ato heroico de  combater os monopólios estatais em nome da competitividade. Nas letras minúsculas das colunas de jornal  escondidos no meio dos textos se pode ver que muitas das vendas são  para um único grupo ou para  monopólios privados.

O acordo firmado entre a Petrobras e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) prevê a saída total da estatal do mercado de transporte e distribuição de gás natural o que indica que  não se trata de aumentar a competitividade, mas sim de retirar a Petrobras da  competição.

Outro tópico é a questão do gás, já tratado aqui no blog por Nassif. Após esconderem as descobertas, feitas em governo anterior,  das jazidas de gás,  para subvalorizar o preço na privatização,  a equipe econômica anuncia,

.…. o programa pretende aprimorar o aproveitamento do gás do pré-sal da Bacia Sergipe/Alagoas e de outras descobertas, aumentar a competição na geração termelétrica a gás e ampliar os investimentos em infraestrutura de escoamento, processamento, transporte e distribuição de gás natural.

O acordo do gás vai mais além  e  prevê:
.. o arrendamento de uma planta de GNL, a oferta de capacidade remanescente em seus dutos a terceiros, a abertura de dados sobre capacidade de transporte da NTS e da TAG, e o fim de cláusulas de exclusividade em contratos vigentes. A Petrobrás também se comprometeu a não contratar novos volumes de gás natural, de parceiros ou terceiros, a partir da data de assinatura do compromisso.

Ou seja a Petrobrás promete não competir no ramo. E o defensor da competitividade, Castello Branco anuncia:

“A Petrobrás está comprometida a sair integralmente do transporte e distribuição de gás. Pretendemos concluir as transações no período mais curto possível e, ao final do processo, nossa participação em distribuição será zero”,

O executivo disse  ainda que, a estatal já está conversando com a Mitsui, sócia na Gaspetro, para estruturar a venda da participação da Petrobrás isto é, está “tentando sair” do mercado de distribuição de gás no Uruguai. 

Para fingir  que existe um plano econômico associado a este negócio, o governo anuncia um plano   para diminuir o preço do gás. Anuncia que  vai diminuir o preço para o comércio e indústria, mas que não poderá fazê-lo para as residências, visto que segundo o governo, o preço já estava subsidiado. Porém, preocupado com o povo,  vai instituir   a venda de  meio bujão de gás. Com isto decreta que as famílias podem comer até o meio do mês.

Surpreendentemente a equipe econômica, num lapso divulga que apesar dos bujões serem  vendidos, em média, a R$ 70 o custo do produto é de R$ 26; tributos estaduais representam R$ 10, e federais, R$ 2. Em outras palavras de um custo total de R$38 reais o consumidor paga em média quase o dobro, o restante fica com intermediário. Como disse o presidente: é duro ser empresário neste país.

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Este anúncio  só perdeu em demagogia, para o da  a liberação de  500 reais do FGTS anunciado como um ato pró recuperação da economia.  Contraditoriamente nos programas televisivos liberais  a população é incentivada a pagar suas dívidas com sistema financeiro. De onde se conclui que nada ou quase nada vai para recuperação da economia, mas os bancos vão agradecer muito a ajuda.

Os mantras sobre  monopólio e competitividade vão ganhando outras tonalidades quando as mesmas colunas liberais  noticiam  em tom efusivo que  a British Petroleum e Bunge se juntam para dominar o negócio do etanol.

A gigante do agronegócio Bunge e a petroleira BP anunciaram ontem a criação de uma nova empresa na qual atuarão juntas na produção de açúcar e etanol no Brasil. Foi a saída que as duas companhias encontraram para ganhar competitividade no setor, que está em crise há quase dez anos.

Ou seja ao invés de se fatiar as companhias se juntam.  Mas são aplaudidas mesmo assim em nome da competitividade.

Quando se trata de negociar com a coisa pública nossos bravos guerreiros liberais se tornam tchutchucas e sem nenhuma vergonha e  sem comentários sobre incompetência e inépcia  uma perda de R$1 bilhão.

 “Os acionistas vendedores das ações do ressegurador IRB-Brasil – a União e o Banco do Brasil decidiram cortar o valor que seria pago: ……….
No fim da oferta, a venda dos papéis foi concluída a R$ 88 e gerou R$ 7,39 bilhões para os dois sócios. O valor é 13% menor que a cotação do dia do anúncio dessa operação, em 10 de julho. Portanto, União e BB embolsaram R$ 1,1 bilhão a menos que o calculado oito dias antes.”

Como diria um amigo argentino, um espetáculo! um  fenômeno! Neste negócio de alguns dias a União perde metade do dinheiro que vai ser contingenciado no orçamento. Mas a imprensa  festeja ativamente  a pilhagem:

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Na coluna de José  Fucs no Estadão em tom de vitória se anuncia :
“Em 200 dias de governo, bancos públicos já venderam R$ 16 bilhões em ativos
Com a venda de suas participações em empresas como IRB Re e Petrobrás, bancos estatais, liderados por Caixa e BB, saíram na frente na estratégia do governo de diminuir a presença do Estado na economia; BNDES ficou como coadjuvante”

No comando do BNDES, o acepipe Montezano  promete não apenas abrir a tal caixa preta do BNDES, mas manter o foco nos objetivos da caravana. Promete um BNDES menor … com um patamar de desembolsos em torno de R$ 70 bilhões por ano,…  o menor nível em 20 anos.

Aplaudido pelos de sempre, ele anuncia que vai destruir o Banco Nacional de Desenvolvimento  e transformá-lo em  “‘prestador de serviços”  financeiros ao governo. Ou seja o BNDES vai trabalhar com o mercado e vai liberar todas as indústrias a captarem dinheiro em instituições bancárias privadas e sobretudo estrangeiras.

Mas a expressão máxima da negociata   vem de Guedes e com implicações na pasta de Weintraub . A manchete de artigo de página inteira, parecendo matéria paga diz:

Grupo nacional de educação levanta R$ 1 bi na Nasdaq

Voltada a cursos de medicina, a Afya estreou na bolsa americana Nasdaq levantando US$ 300 milhões em sua abertura de capital. A demanda por papéis superou em 15 vezes a oferta.

O brasileiro Afya, grupo de educação voltado a cursos de medicina, estreou ontem na bolsa americana Nasdaq, levantando cerca de R$ 1 bilhão (US$ 300 milhões) em sua abertura de capital. A companhia, criada quando o ministro da Economia, Paulo Guedes, fazia parte do fundo Bozano (hoje Crescera), deverá encerrar este ano com pelo menos duas aquisições, apurou o ‘Estado’.
Idealizada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, quando era sócio do fundo Bozano (hoje Crescera), empresa de educação brasileira deverá acelerar movimento de consolidação do setor; companhia já está avaliando a compra de duas concorrente ( Isto me parece uma tentativa de monopolizar o mercado???)

Já nos próximos meses, a Afya chegará a quatro novos estados no Norte do Brasil, depois de vencer sete editais do Programa Mais Médicos, do governo federal.  Em cada unidade, a Afya está autorizada a ofertar 50 vagas por ano para o vestibular de medicina.
O grupo pertence à família Esteves e ao fundo Crescera (ex-Bozano), que mudou de nome este ano, após a saída do ministro Paulo Guedes. A Medcel, que pertence ao fundo Crescera, também é dono de uma rede de hospitais. Concretizada este ano, a fusão que deu origem à Afya foi idealizada no ano passado por Guedes, segundo fontes a par do assunto.

A oferta da Afya na Nasdaq foi liderada pelos bancos Bank of America Merrill Lynch, Goldman Sachs, UBS, Itaú BBA, Morgan Stanley, BTG Pactual e XP Investimentos.

Como podem notar os editais do  programa Mais Médicos  tem agora uma nova função que é  aumentar o valor da  cotação na bolsa  das ações de um grupo ligado ao Ministro da Economia. Interessante também observar que em todos os casos a lista dos operadores do mercado financeiro se repetem em cada uma das transações. Afora que o plano de negócios na Educação apresentados por Weintraub turbinou ainda mais o lançamento na Nasdaq. Me apavora pensar que um grupo com dezenas de cursos de medicina, que nunca são nominados e prometendo criar mais quatro,  possa valer  1 bilhão de dólares, sem sequer ter um curso ou faculdade de excelência em seus quadros, sem ter pesquisa , sem ter um quadro de professores renomados, sem laboratórios.  Existe alguma coisa  e me leva a especular  que tudo isto esta ligado ao próximo projeto que será  fazer desta Afya a Organização Social que controlaria todas as universidades publicas  e inúmeras privadas  com alunos pagos pelos vouchers, isto é dinheiro público ou empréstimos bancários. Com certeza este bilhão de dólares não se baseia em Educação.

Em outras palavras a economia vai mal, a sociedade padece, mas os negócios do competente Ministro da Economia e de seus grupos e fundos vão bem.

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PS: o uso do termo acepipe é porque estes asseclas parecem ter muita fome.

 

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