Dos símbolos nacionais e das simbologias, por Alfeu

Na Copa de 70, o Brasil vivia sob terror de Estado, que também queria tirar proveito através do futebol; a publicidade oficial colocava um sanguinário isolado num setor especial dos estádios com um radinho de pilha no ouvido.

Dos símbolos nacionais e das simbologias, por Alfeu

Recentemente em seu canal no YT, Miguel Nicolelis nos revela o momento da descoberta ou da compreensão do que é ser um cidadão brasileiro. Isso acontece durante a Copa do Mundo de 70; e da maneira com que as partidas, as jogadas que resultam em gols vão sendo narradas, incluindo a final da competição vencida pelo Brasil, mostra  a sua veracidade e como foi marcante.

Nada mais natural com que ocorreu com o Nicolelis em se tratando de Brasil; o futebol é uma identificação de uma imensa maioria desse país.

Algum tempo depois em que o futebol aterrissa por essas terras, e o povo trabalhador, mais tarde, começa a ter contato com esse esporte, aos poucos vai despertando uma grande afinidade, e em seguida vai assimilando, metabolizando; e o resultado é uma concepção artística de se jogar, surgindo jogadores de técnica refinada e que tem ao seu lado uma plateia vibrante, os torcedores.

Jogadores e torcedores nessa ocasião  formam uma unidade, suas origens são as mesmas, pertencentes  classe social das periferias, morros, bairros operários e e por isso mesmo, a paixão pelo futebol acaba conquistando o país; abrasileirado ficou mais fácil.

A Seleção Brasileira acabou sintetizando esse universo; a nata dos artistas da bola eram impulsionados pelos seus torcedores, que iam assistir as partidas levando a Bandeira do Brasil, promovendo o encontro de dois símbolos nacionais muito próximos a eles.

Essa relação , de raízes populares, acaba sofrendo a interferência de outros setores como sempre acontece, seja por interesses políticos, de negócios como também serve de objeto para uma outra parte discorrer pensamentos sobre o comportamento de torcedores e jogadores. “Ópio do povo”, “alienados”, “Pátria e chuteiras”; pérolas, depreciação.

Na Copa de 70, o Brasil vivia sob terror de Estado, que também queria tirar proveito através do futebol; a publicidade oficial colocava um sanguinário isolado num setor especial dos estádios com um radinho de pilha no ouvido.

Ao mesmo tempo, os presos políticos vivos vibravam com cada jogada ou gol do Brasil na Copa, reprovado para os que combatem as manifestações populares.

O falso nacionalismo dos militares proibia o uso da Bandeira como, por exemplo, acessório de roupa; deveria ter “respeito” a um símbolo nacional, mas dos países a que eles serviam estava liberado.

A partir do movimento das “Diretas Já” que acabou dando Tancredo, as Bandeiras voltaram com toda a força nas cidades brasileiras, um alívio, nós conseguimos respirar.

Entre os trabalhadores o clima era de uma reconstrução política do país, o nacionalismo naquele momento reaparecia com a imagem da Bandeira de todas as formas e em todos os lugares. Mas para os descolados, esse setor da burguesia esquizofrênica brasileira, isso era sinônimo de xenofobia, eram pelo internacionalismo, óbvio que sem o viés da esquerda; e se autoproclamavam cidadãos do mundo. Foram agraciados com o neoliberalismo, as importações a rodo principalmente dólares para manter esse sistema e os trabalhadores fora da cena política.

Numa etapa seguinte, os trabalhadores com uma pequena melhora na renda mostram o caminho que país deve seguir para crescer junto com eles.

Como para a burguesia os trabalhadores só podem ter alguma participação apenas quando forem chamados, do jeito que estava não podia continuar.

Convoca-se um batalhão daqueles que somente se lembram do Brasil nas Copas do Mundo, e saem com bandeiras, cornetas junto com a camisa da Seleção; cria-se aí mais um símbolo do fascismo tropical, os camisas verde-amarelos.

Esgotado essa fase, volta-se para uma aparente postura democrática e afastando-se da posição anterior; publicamente se arrependem e mais uma vez recorre-se às cores da Bandeira como uma bengala cívica.

Os torcedores agora surgem contra o perigo de se aprofundar a ditadura e do confusionismo de vários setores, mas os últimos acabam reagindo sob a proteção da tropa choque ou largando, pela justiça, esses torcedores no meio das batatas.

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