Meus grandes mestres: um top five, por Mestre Yoda

Paulo Freire foi um dos primeiros pensadores da educação brasileira a dar status central, no processo pedagógico, aos saberes populares, tornando-os elementos fundamentais na seleção e organização dos conteúdos escolares.

Meus grandes mestres: um top five, por Mestre Yoda

  1. Meu avô japa, Toshio Oda, que falava português tão bem quanto uma minhoca sabe nadar, ministrava a outros japoneses, pasmém, aulas de português. Ensinar o pouco que sabia a outros conterrâneos em pior situação foi fundamental para que estes se estabelecessem no Brasil com menos dificuldades do que os primeiros imigrantes. Em reconhecimento a isso, seus alunos peregrinavam, anualmente, de diversas regiões do país, para visitar o velho Toshio no dia de seu aniversário, onde quer que ele estivesse residindo. Toshio, que era maestro, também ensinava música e encenava peças de teatro com adultos e crianças nipodescendentes.
  2. Paulo Bürhnheim, o velho naturalista das antigas que ficou conhecido como o “Homem das Cobras”, tanto por seu trabalho investigativo, como pela postura folclórica diante das serpentes. Pelos riscos que assumia, ao manipular as serpentes, chegou a ser picado por uma coral verdadeira em plena aula de Zoologia, na UFAM. Ele, Paulo Vanzolini e alguns poucos naturalistas embrenharam-se pela Amazônia, enfrentando malária, estradas terriveis e uma precariedade estrutural que demandava, de fato, coragem. Bührnheim era um professor generoso, que jamais vi destratar um estudante, por mais que a questão apresentada denotasse pouca familiaridade com o assunto. Além disso, conhecia a fauna amazônica como poucos e apreciava este enfoque que valorizava esta região, diferente da maioria dos professores de seu tempo.
  3. Anne Sullivan, que perdeu a visão quando criança, foi contratada, aos vinte anos, pra ser professora de Helen Keller, que era cega e surda, além de nunca ter recebido nenhum tipo de educação formal. Com o apoio da educadora, Keller conseguiu aprender inglês, francês, alemão, ficou proficiente em braile e em linguagem de sinais na palma da mão. E mais, se formou em Filosofia e publicou 12 livros.
  4. Michel Foucault, enquanto professor, fez aquilo que de melhor um intelectual pode realizar: a produção de conhecimentos. Suas obras seminais sobre a história da loucura e a história da sexualidade trouxeram para a humanidade, uma percepção absolutamente transformadora sobre estes fenômenos sociais. Foucault era um gênio e, ao mesmo tempo, uma pessoa popular, capaz de arrastar multidões para ouvi-lo.
  5. E, por fim, encerrando este Top Five Docente, não poderia estar outro professor que não o velho Paulo Freire. O velho pernambucano foi um dos primeiros educadores brasileiros a compreender o fenômeno da “invasão cultural”, que marcava o ensino tradicional nas escolas brasileiros, a “educação bancária”, em que predominavam conhecimentos da tradição greco-romana. Por este motivo, desenvolveu o processo de Investigação Temática, a partir do qual desvendou, de modo a valorizar criticamente os saberes populares, crenças, valores e culturas de distintas regiões do país. Não bastasse o seu eficiente e politizado método de alfabetização de adultos, Freire contribuiu para que toda uma geração de pesquisadores e professores pudessem compreender e valorizar conhecimentos que os processos educacionais vigentes insistiam em substituir, desvalorizar e sobrepor. Paulo Freire foi um dos primeiros pensadores da educação brasileira a dar status central, no processo pedagógico, aos saberes populares, tornando-os elementos fundamentais na seleção e organização dos conteúdos escolares.
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