1 de julho de 2026

O dinamismo das exportações para a China e a perda de gás para os Estados Unidos

Quadro chama mais uma vez a atenção sobre os novos mercados brasileiros, especialmente em relação aos produtos agrícolas. China é consumidora de produtos agrícolas brasileiros; EUA, competidor

Um dos desafios mais relevantes da economia brasileira, depois da fase de destruição institucional perpetrados por Jair Bolsonaro, será a recuperação da pauta de exportações da indústria de transformação.

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O acumulado de 12 meses até agosto (em relação a agosto de 2019) mostra uma queda de 11,12% nas exportações da indústria de transformação, e uma alta de 11,61% na agropecuária e 25,28% na extrativa.

Os gráficos abaixo mostram a linha de exportações e importações – no acumulado de 12 meses – e na parte sólida, o saldo do período.

Na agropecuária, o saldo saltou de US$ 30 bi para US$ 40 bi em 5 anos.

Na indústria extrativa, houve uma alta substancial no saldo, em grande parte pela queda das importações, devido ao desaquecimento da economia.  O saldo saltou de cerca de US$ 15 bi para US$ 40 bi.

Na indústria de transformação, pelo contrário, houve queda nas exportações e saldo comercial negativo, apesar da queda das importações.

A composição da pauta de exportações mostra esse fenômeno. De 2015 a 2020, a AGropecuária saltou de 16,8% para 22,4% das exportações totais, enquanto a Indústria de Transformação caiu de 63,5% para 54,9%.

No saldo comercial, houve uma redução no déficit da indústria de tyramsformaçao devido à queda das importações.. Do mesmo modo, o aumento do superávit da industria extrativa se deveu ao menor dinamismo da economia interna, demandando menos insumos importado.

Esse quadro chama mais uma vez a atenção sobre os novos mercados brasileiros, especialmente em relação aos produtos agrícolas. Há uma diferença fundamental entre China e Estados Unidos. China é consumidora de produtos agrícolas brasileiros; Estados Unidos é competidor.

Daí a total falta de senso de isentar a importação de etanol americano sem nenhuma contrapartida.

Abaixo, um retrato das exportações brasileiras para os tres principais mercados, China, Estados Unidos e Mercosul.

As linhas de 3 meses mostram o resultado mais dinâmico de curto prazo. Nela, compraram-se os acumulados trimestrais de cada mês em relação a 12 meses atrás.

Em relação à China , após as quedas provocadas pela pandemia, percebe-se uma recuperação nítida na ponta.

Já em relação aos Estados Unidos, há uma perda ampla de dinamismo. A linha azul mostra os movimentos trimestrais, apontando para baixo.

Finalmente em relação ao Mercosul há uma queda menos drástica.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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4 Comentários
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  1. Zé Sérgio

    17 de setembro de 2020 9:07 am

    Capitalismo e Meritocracia numa Parceria Comercial com a China Comunista. Aqui ainda desejam que ‘Dom Sebastião Lula’ seja imortal e voltemos a ter a Cortina de Ferro. A visão de futuro de 40 anos de farsante Redemocracia. Por que será que patinamos? Pergunta Nassif: Como Fracassados fizeram fracassar uma Nação? Como? Ainda perguntam? Pobre país rico….

  2. José Tanajura Carvalho

    17 de setembro de 2020 9:37 am

    A Vale é grande interessada no gás natural brasileiro, aliás, esta é a sua opção para manter-se competitiva quanto aos seus investimentos na produção de minério de ferro localizados na Quadrilátero Ferrífero (QF) por uma série de motivos. Isso porque a inovadora tecnologia HBI – Hot Briquetted Iron com o uso intensivo de gás natural possibilita a produção de briquetes de alto rendimento nas siderurgias, com baixos índices de poluição e racionalização de custos no transporte internacional do “minério de ferro”. Tudo indica que Vale, juntamente com a Mitsui, intenciona “ganhar” boa parte do gás natural brasileiro a preço vil, e, assim, viabilizar sua posição no mercado competitivo internacional do minério de ferro, então com ameaça de diversos países. A estratégia, tudo indica, é implantar uma usina de HBI no litoral do Espírito Santo com o minério de QF e o gás canalizado vindo do nordeste. A Mitsui já foi grande parceira da Vale e hoje tem forte presença no mercado de gás principalmente no nordeste.
    Acredito que seria oportuna uma reflexão jornalistica sobre o gás natural brasileiro nessa perspectiva.

  3. Marcio

    17 de setembro de 2020 10:26 am

    Se tudo isso foi planejado, é preciso tirar o chapéu pro planejamento, pois deram um golpe parlamentar -judicial, meteram a mão no petróleo do pré-sal, primarizaram a economia sem deixar cair o saldo da balança via destruição da amazonia, e estão destruindo a petrobrás e privatizando tudo que tem valor (refinarias, gasodutos,…) pros gringos….

    pro povo sobra arroz a 40 saco de 5kg. e nenhuma revolta à vista.

  4. Zé Sérgio

    17 de setembro de 2020 12:09 pm

    Moderação imoderadamente é apenas censura

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