O PT e a reforma agraria, por Caiubi Miranda

 A reforma agrária foi, desde o princípio, como um dogma para o PT que, já em 1980 defendia a luta pela nacionalização das nossas terras. O discurso evoluiu para chegar, em 1982, pela luta por uma reforma agrária feita pelos próprios trabalhadores. No programa de 1989, a reforma agrária foi alçada a bandeira de luta e previa a punição dos crimes de latifúndio em favor de um novo modelo de agricultura cuja prioridade seria voltar a produção para o mercado interno e alimentar adequadamente toda a população brasileira. Para isso, então, era exigido o controle dos atuais oligopólios do setor industrial.

Na campanha presidência de 1982, a promessa era assentar nos 250 mil famílias nos próximos quatro anos do mandato, ou um milhão de famílias ao final do mandato. Durante a campanha de 1998, o próprio Lula garantia que iria que iria desapropriar, em favor da reforma agrária, as terras dos usineiros em dívida com a União.

Chegando ao governo em 2002, o PT mudou de opinião e os bandidos de outrora vivaram heróis salvadores da pátria. Na cartilha comemorativa dos 10 anos no PT no governo não há uma única menção à reforma agrária. Não foi um engano – o fato é que nesse período o balanço é muito, mas muito negativo. Esperava-se uma reforma agrária e o que veio foi uma contrarreforma agrária.

Havia muita esperança do povo brasileiro de que, no governo, o PT garantiria a justiça no campo. Porém Lula e Dilma continuaram e até ampliaram a obra de FHC privilegiando o agronegócio em detrimento dos milhões de trabalhadores brasileiros sem-terra.

Leia também:  Mais uma derrota em gestação?, por Emerson Sousa

Durante os oito anos de FHC foram assentadas 528.400 famílias, uma média de 66.000 mil famílias por ano. Nos oito anos do mandato de Lula foram assentadas 530 mil famílias, uma média de 66.200 famílias por ano. Nos dois primeiros anos do andado de Dilma foram assentadas 32.700 por ano. O governo de Dilma conseguiu ser pior que FHC em termos de reformas agrária. Dilma não conseguiu resolver o problema das 150 famílias de sem-terra que perambulam de acampamento em acampamento às margens das rodovias brasileiras.

O GOVERNO DO PT SE UNIU AO AGRONEGÓCIO E ABANDONOU A REFORMA AGRÁRIA

Hoje 30 empresas dominam – 20 delas multinacionais – dominam 70% das terras produtivas brasileiras. O restante está não mão de 30 milhões de agricultores  muito pobres ou miseráveis.

Por isso, todos concordam unanimemente com as afirmações de João Pedro Stédile: “Nos últimos 10 anos não houve avanços em termos de reforma agrária.. Nos últimos 10 anos ampliou-se a concentração da propriedade da terra. E o pior: concentrou-se em empresas de capital estrangeiro e de fora da agricultura. O governo não conseguiu nem resolver o problema social das 150.000 famílias que estão acampadas ao longo de nossas rodovias. O Governo Dilma abandonou a reforma agrária iludido com o sucesso do agronegócio que produz, ganha dinheiro, mas concentra a riqueza e a terra e aumenta a pobreza no campo.”

Caiubi Miranda  

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome