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    SBPC e Andifes propõem que se ofereçam informações corretas ao presidente, por Mariluce Moura

    Para o presidente da Andifes, “basta uma pesquisa sobre os indicadores formulados pelo próprio governo, através de órgãos como ministérios e agências de fomento, para se verificar a elevada produtividade científica e tecnológica nas universidades públicas”.

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    do Ciência na Rua

    SBPC e Andifes propõem que se ofereçam informações corretas ao presidente

    por Mariluce Moura

    Em palavras distintas, o presidente da Associação Nacional das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Reinaldo Centoducatte, e o presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Ildeu de Castro Moreira, expressaram no fim de semana basicamente a mesma avaliação e idênticas preocupações ante a recente declaração do presidente da República (em entrevista à rádio Jovem Pan, no dia 8 de abril) sobre inexistência de pesquisa científica nas universidades públicas brasileiras. “A afirmação do presidente da República está evidentemente incorreta”, disse Ildeu, que é professor do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ela “decorre de absoluta falta de informação”, considerou Centoducatte, reitor da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).

    Para o presidente da Andifes, “basta uma pesquisa sobre os indicadores formulados pelo próprio governo, através de órgãos como ministérios e agências de fomento, para se verificar a elevada produtividade científica e tecnológica nas universidades públicas”. Em paralelo, o presidente da SBPC pondera que, “se consultamos os estudos nacionais ou internacionais sobre as publicações científicas feitas por instituições brasileiras, como demonstrado claramente em documentos citados em matéria anterior do Ciência na rua, verifica-se a predominância grande das publicações provenientes de universidades públicas, de mais de 90%”.

    Centoducatte observou que “o país produz mais da metade de CT&I no conjunto dos países da América Latina” (veja tabela ao lado) e ocupa a primeira posição na produção científica dos países ibero-americanos. “A produção brasileira não alcança 3% da produção científica global, mas isso ainda é significativo, considerando o baixo investimento do Brasil em relação à média mundial”.

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    Ildeu ressaltou que “as universidades privadas têm uma contribuição muito menor que as públicas, embora importante em vários casos, e bastante concentrada em universidades confessionais, como as PUCs do Paraná, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, que contam também com substantivo apoio de recursos públicos para as pesquisas que realizam”. A posição de maior destaque entre as universidades privadas, destacou, “é a da PUC-PR, em 37o lugar. É importante frisar que existem também instituições públicas de pesquisa, que não são universidades, como a Fiocruz, Embrapa, Butantã, ITA, institutos do MCTIC etc, que superam os níveis de publicação da imensa maioria das universidades privadas”.

    A reação necessária

    No quesito das preocupações com a afirmação do presidente da República, o presidente da Andifes disse que “enquanto outros países emergentes, sem considerar os desenvolvidos, investem cada vez mais em CT&I, o Brasil caminha na contramão”. Evidência nesse sentido, segundo ele, é o corte de aproximadamente R$ 300 milhões do orçamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), principal órgão federal de fomento à ciência, que possibilitaria a oferta de cerca de 80 mil bolsas para o desenvolvimento de mais de 10 mil projetos de pesquisa. “O MCTIC, por sua vez, terá cerca de 40% do orçamento deste ano contingenciado”.

    Já o presidente da SBPC disse ao Ciência na rua que a avaliação do primeiro mandatário da nação sobre a pesquisa feita no Brasil, ao refletir a convicção, não fundamentada nos fatos, de sua concentração em instituições universitárias privadas, é muito preocupante porque “poderia trazer implicações graves para a definição das políticas públicas para C&T”. Em particular, os recursos das agências de fomento como CNPq e Capes, “são uma fonte importante para o funcionamento dos grupos de pesquisa em todas as instituições, públicas ou privadas, ainda mais em uma situação crítica em que os recursos para investimento em CT&I do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações, que já estavam em nível muito baixo, foram contingenciados recentemente em cerca de 42%”.

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    Para Centoducatte, uma política nacional de CT&I com adequado suporte orçamentário “é uma questão nacional de soberania e de desenvolvimento do país, e deve ser desenvolvida com planejamento para um futuro sem dependência tecnológica”.

    Já Ildeu lembrou que a publicação científica crescente do país, “que nos levou ao 13º lugar no mundo, decorreu de um esforço grande e continuado da comunidade científica brasileira, escorada no apoio das agências governamentais e essencialmente localizada em instituições públicas”.

    “Claro que ainda há um longo trajeto a ser percorrido, como a melhoria da qualidade e do impacto das pesquisas produzidas, e sua repercussão no setor produtivo e na gestão pública, possibilitando a geração de inovações tecnológicas e sociais. Este é um desafio essencial, no qual o Brasil está muito atrasado, e que deve ser enfrentado com políticas públicas adequadas que incentivem e apoiem as empresas inovadoras. Mas é igualmente essencial que a pesquisa científica básica seja apoiada com continuidade e com recursos adequados, e que o Sistema Nacional de CT&I, construído nas últimas décadas com muito trabalho e com recursos públicos significativos, não seja desarticulado”, disse.

    Há uma grande preocupação na SBPC com “os pesquisadores, que estão tentados a deixar o país, e com a parcela grande de jovens que sequer se dirigirão para carreiras científicas e tecnológicas por ausência de estímulo e de condições adequadas de trabalho”.

    O presidente da SBPC entende que é necessário que “a comunidade científica, e também os organismos de governo ligados à área de C&T, (re)apresentem os dados corretos aos dirigentes máximos da Nação, aos parlamentares e à sociedade em geral, para que não pairem dúvidas sobre como se dá a real produção de ciência no Brasil”.

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    Por isso mesmo a instituição está organizando, para os dias 8 e 9 de maio, atividades em Brasília em defesa de ciência, tecnologia e inovação. No dia 8, representantes da comunidade científica farão no Congresso Nacional o lançamento da “Iniciativa de C&T no Parlamento”, “mais uma oportunidade para se esclarecer e debater a situação real e os desafios da ciência no país”.

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    4 comentários

    1. Os cientistas são pessoas muito ingênuas. Acreditam que Bolsonaro falou o que falou por ter dados incorretos ou informações distorcidas. Não. Falou o que quer que seja verdade e o que quer tem que ser. Mesmo não sendo. Não entenderam com quem estão lidando.

    2. A proposta se baseia em premissas equivocadas. O presidente não quer saber da realidade. Ele e seu grupo já têm todas as respostas, obtidas em quatro ou cinco minutos de filmes do Olavo (ninguém aguenta assistir mais) ou nos livros de generais de pijama, como os descritos em outro artigo de hoje. A luta contra as universidades junta a cruzada contra o marxismo cultural, o grancianismo (como pronunciam), e, muito importante, a ganância para se apossar do dinheiro para eles desperdiçado nelas. Nem amarrando esses caras em cadeiras com grampos abrindo os olhos (como em Laranja Mecânica) eles tomarão conhecimento da realidade. A divulgação deve ser feita em relação ao povo (palavra meio esquecido), mostrando o que está perdendo e perderá ainda mais, chamando à luta. Os bolsonaristas de carteirinha não serão afetados, mas a maioria, os enganados que agora sentem cair a ficha da burrada que fizeram, e os mais conscientes, que terão dados para argumentar. Mas sem ilusão, a luta será muito dura.

      • Concordo que Bolsonaro não está interessado em números, o objetivo dele é um só, a guerra ideológica contra a esquerda e tudo que for público. Uma pessoa só diz uma besteira daquelas envolvido em atmosfera venenosa. Mas nem todos que estão no governo são assim, e acho que toda e qualquer forma de evidenciar os desgovernos é um passo positivo. Por exemplo, convencer o ministro Marcos Pontes pode ser mais fácil, não acho que ele tenha a mesma opinião do Bolsonauro nesse sentido. Assim como ele há outros, podem ser conservadores mas não são fanáticos. Tem que continuar martelando. Ficar só dando chilique também não serve.

    3. PQP… ciranda esquerdinha, vamos todos cirandar

      Achar que Bozo está “mal informado” equivale a pensar que os EUA estão preocupados com a Democracia na Venezuela, que as empresas aéreas foram sinceras quando falaram que cobrar pela bagagem iria baratear as passagens ou que a entrega da Embraer à Boeing é boa para o Brasil.

      Fingir-se de palerma em pleno fascismo tupiniquim não resolve nada, além de grudar a máscara de palermas em certos setores. Que dificuldade, que relutância em dar nome aos bois!

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