A loira que sabia demais, por Jota A. Botelho

Tippi Hedren (dir/esq) e a bela ilustração de Daniel Mitchell (centro).

A loira que sabia demais

por Jota A. Botelho

No filme “Os Pássaros” (The Birds, 1963) com o ataque de tantas aves como canários, bombos, gaivotas, corvos e outros, havia um gavião de nome Alfred, Alfred Hitchcock, é o que denuncia a atriz Tippi Hedren, protagonista do filme do mestre do suspense, que se sentiu ultrajada com o assédio sexual do diretor e resolveu também abrir o bico e partir para o ataque. Em consideração à reputação de ambos, mas sobretudo à de um dos maiores cineasta da história do cinema, vamos tentar apurar este caso espinhoso mais de perto, tão em voga nos dias atuais. 


ANTECEDENTES – O ENCONTRO DE TIPPI HEDREN E ALFRED HITCHCOCK

Em trechos do documentário sobre Hitchcock, na versão em espanhol, temos algumas pistas reveladas como se deu o encontro da atriz com o diretor. Além da apresentação do filme “Os Pássaros” (1963), vimos os testes de filmagens e a escolha e apresentação da ex-modelo e completa desconhecida Tippi Hedren para atuar como protagonista no filme em que o lugar seria de Grece Kelly, mas esta estava impedida porque havia se casado com o príncipe Rainier de Mônaco. Todos já devem saber ou leu em algum livro ou artigo das paixões de Hitchcock pelas suas heroínas que remontam desde Madeleine Carroll, do filme “Os 39 Degraus”, de 1935, ainda da sua fase inglesa, mas principalmente por Ingrid Bergman e Grece Kelly. Comenta-se ainda da frequente presença das mulheres em seus trabalhos, sobretudo de sua esposa Alma Reville, sua grande colaboradora pela vida toda. Neste período, Hitchcock se livrou de David Selznick depois de sete anos de intromissões e exploração financeira, mas ocorreram fracassos como produtor ao criar sua própria Companhia que foi a pique, a Transatlantic Pictures, embora, ao retornar para o sistema de estúdios como a Warner Bros. e a Paramount Pictures, fez grandes sucessos como Janela Indiscreta (1954), O Homem Que Sabia Demais (1956), Vertigo (1958) e Psicose (1960). Mas com a escolha de Tippi Hedren para o seu filme seguinte, de 1963, iniciou-se aí uma época bastante agitada com as nuvens que vão se acumulando, o que levaria sua vida afetiva a assumir um verdadeiro caos.

https://www.youtube.com/watch?v=4cKzB128R2c align:center]


O livro de memórias de Tippi Hedren: “Tippi, A memoir”

O executivo-chefe Lewis Wasserman da MCA, uma grande agência de talentos que se tornou a mais poderosa de Hollywood, e que acabou adquirido os estúdios da Universal Pictures, contratou o cineasta da Paramount, que além de transformar Hitchcock em um grande êxito comercial devido ao enorme sucesso de televisão com a série “Alfred Hitchcock Presents”, também deu ao diretor uma ampla autonomia que ele jamais tivera. Foi com todo esse poder que Hitchcock contratou a estreante Tippi Hedren e passou a cultivar uma certa paixão tardia pela atriz, controlando seus passos, vigiando-a todo o tempo, a ponto de se vingar pela rejeição da nova estrela, segundo denúncias da própria Hedren em seu livro de memórias, “Tippi – A memoir”, 2016, que ele passou a ataca-la  com pássaros reais em vez de mecânicos na clássica cena quando ela fica presa no quarto do sótão da casa de Mitch, personagem do filme. As aves a atacaram deixando ferimentos reais abaixo de um de seus olhos, os quais a levou ficar por quase uma semana em repouso por recomendações médicas. Mas foi no filme “Marnie, confissões de uma ladra”, de 1964, que as obsessões do cineasta se intensificaram. De acordo com atriz, o pior momento foi quando o diretor tentou agarrá-la a força na traseira de uma limusine. Ao rechaça-lo, Tippi Hedren passou a sofrer todo o tipo de retaliações ao longo do restante das filmagens, onde eles deixaram de se falarem. Ela alega ainda que Hitchcock arruinou sua carreira, uma vez que ela havia ficado famosa e todos queriam trabalhar com ela, mas o diretor usou as cláusulas do contrato e sempre respondia que ela estava indisponível, pagando-lhe uma pequena quantia durante os dois anos restantes que ainda a prendia ao diretor. Eles nunca mais voltaram a filmar juntos. Embora seu primeiro filme tenha feito um enorme sucesso no Festival de Cannes de 1963, na amostra dos realizadores, e ela tenha ganhado o Globo de Ouro em 1964, por “Os Pássaros”, a atriz nunca mais fez sucesso no cinema. Tippi Hedren, atualmente com 87 anos, teve uma única filha, Melanie Griffith, de seu primeiro casamento com o publicitário e ator de peças infantis, Peter Griffith, que também é atriz com uma carreira de relativo sucesso, e que lhe deu um neto e duas netas, sendo que uma delas, Dakota Johnson, também é atriz, e a outra é filha do ator Antonio Banderas.

https://www.youtube.com/watch?v=guCGXmBpYTA align:center]

AS DENÚNCIAS DE TIPPI HEDREN CONTRA ALFRED HITCHCOCK 
A atriz disse que na época não havia leis para proteger as mulheres contra tal assédio. Ainda assim, Hedren disse que “viveu muito bem”. “Ele arruinou minha carreira, mas ele não arruinou minha vida”, disse ela. “Se isso acontecesse hoje, eu seria uma mulher muito rica”

https://www.youtube.com/watch?v=W0b5PXIMj8s align:center]

HITCHCOCK MARQUETEIRO

Fotos de Tippi Hedren nos filmes “Os Pássaros” e “Marnie” e a publicidade do filme “Os Pássaros” (The Birds, 1963). Hitchcock também era um grande marqueteiro.

[video:https://www.youtube.com/watch?v=v25HE_IE5yc align:center

A POLÊMICA DE TIPPI HEDREN COM ALFRED HITCHCOCK NO FILME “A GAROTA”

O filme “A Garota” (The Girl, 2012), produzido pela HBO Filmes, com direção de Julian Jarrold, baseado no livro “Fascinado pela Beleza”, de Donald Spoto, conta um pouco sobre essa obsessão do diretor pela atriz, onde mostra a conturbada relação entre a atriz Tippi Hedren (Sienna Miller) e o cineasta Alfred Hitchcock (Toby Jones) durante as gravações dos longas “Os Pássaros” e “Marnie, confissões de uma ladra”, ambos com os mesmos personagens da trama. Na verdade, o filme explora a versão dos fatos apenas de um lado, uma vez que o velho Hitch já não está mais entre nós para se defender. Ele faleceu em Los Angeles, em 29 de abril de 1980.

[video:https://www.youtube.com/watch?v=ifwhW16mZpY align:center

OS FILMES DE HITCHCOCK 

A obra cinematográfica de Hitchcock em animações e a presença do diretor em seus filmes.

[video:https://www.youtube.com/watch?v=1GrQw4SKAo8 align:center

Assista ao filme “Os Pássaros” e o Making of de “Marnie” aqui & aqui.   

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Referências: Pesquisas Google (blogs & sites)
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8 comentários

  1. (So pra constar:  a biografia

    (So pra constar:  a biografia de Hitchcock que eu li nos 90 expoe o sofrimento da atriz durante a filmagem mas nao menciona “agarro” nenhum,  De la pra ca Hedren deve ter falado mais coisas.)

    • Há controvérsias

      Realmente, não há nenhuma testemunha que possa confirmar as afirmações de Tippi Hedren, não que eu saiba, mesmo porque a própria Hedren afirma que esses fatos ocorreram quando ambos estavam sozinhos. Mas enfim, fica a polêmica. Mas que o velhinho era danado, lá isso era. Aliás, esse assunto de assédio sexual é tão antigo quanto o rascunho de Hollywood em seus primórdios. Eu particularmente, prefiro as sutilezas que Hitchcock dava em relação ao sexo, como nesta cena abaixo no final do filme Intriga Internacional. Dá uma olhada… Simplesmente genial.

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  2. A palavra de um contra outro, morto

    Há várias gravações em DVDs onde Tippi Hendren fala das filmagens de Os Pássaros sem nenhum comentário desabonador a ALfred Hitchcock. Agora, depois de velha, a fracassada atriz (era apática) aparece com acusações pesadas contra HItchcock, morto em 1980. Naturalmente, ele não pode se defender. O pior é darem espaço para essa destruição de reputação partindo de uma atriz que teve chances de mostrar talento fora dos filmes de HItchcock. Sem etstemunhos, fica só a palavra  de um , que está vivo, contra alguém que está morto. Haja covardia.

     

    • Nao, eh documentado que Tippi

      Nao, eh documentado que Tippi Hedren foi filmada sendo atacada por passaros varias horas por dia por uma semana inteira por Hitchcock, que no ultimo dia ela foi ferida perto do olho por um dos passaros, que ela saiu das filmagens e desapareceu por duas semanas, que mandou a famosa “carta de advogado” para Hitchhcock nesse meio tempo, e que foi um trabalhao enorme pra ele a fazer voltar pras filmagens e terminar o filme.

      So o aspecto “sexual” das novas alegacoes me surpreende pois tambem consta que Hitchcock nao era la tao sexual assim.  Mas a mulher veio de uma epoca de “damas” e ainda eh uma.  Ela so descobriu a liberdade de se abrir bem depois dos fatos.

      Eu acredito nela.  Nao foi covardia, uma dama nao saberia o que eh isso:  maneiras eram mais importantes pra ela, aa epoca e no contexto dela.

      • É verdade

        Ela, de fato, se comportou como uma dama. Tanto no documentário quanto numa das entrevistas ela faz rasgados elogios a Hitchcock, e não creio que ela esteja precisando de dinheiro, embora em muitos casos a grana nunca é demais. Penso que seu livro de memórias é mais um desabafo de algo que a deixou atordoada durante muito tempo. E velhice instalada, é a hora de revelar os segredos antes da indesejada aparecer e nos jogar para fora da vida. Quanto à sua carreira, em se tratando de Hollywood, a época dos grandes estúdios estava chegando ao fim, e com ela o desaparecimento dos grandes talentos, como os grandes diretores, por exemplo. Ela continuou trabalhando no cinema, inclusive com Charlie Chaplin, numa ponta em “A Condessa de Hong Kong”, por sinal o último filme e considerado o pior em toda a carreira cinematográfica de Chaplin. E tal como o genial vagabundo, o sucesso dela também já havia passado, talvez seja esta a questão central: a perda da continuidade do sucesso no momento de ascensão – e de forma “traumática” – ou seja, entrar em decadência antes de atingir o apogeu. Mal comparando, um retrato do Brasil de hoje, razão pela qual me interessei pelo assunto de forma velada, pois tenho me recusado a tratar de um país que não o reconheço mais. Não agora, nos dias atuais.

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  3. O denuncismo

    Parece que o denuncismo se espalha, e a mídia dá espaço para denúncias sem provas ou de dificil comprovação. Essa então… Hitchcock já morreu, sua mulher Alma também. Assim como denuncismo espalhado no Brasil que ressoa rapidamente na mídia e destroi reputações, o mesmo se dá nas artes cênicas. Lembrem do caso da cenoura. Quando criança, havia a história de um ator, um galã de TV cuja esposa o havia castrado ao flagrá-lo com outra. Anos depois, fiquei amigo da amante dele e do próprio. A questão surgiu e a amante deu ama resposta bem humorada: “se é verdade ou não, não sei, mas o que tem dá conta do recado.”

  4. Texto visivelmente escrito às pressas

    Tempos de infâmia, estes que vivemos, em que o espírito de $ergio Moro parece inspirar todas as narrativas.

    O GGN precisa estabelecer alguns critérios mínimos de qualidade. Neste texto, por exemplo, o autor, não cita fontes fiáveis que corroborem suas afirmações. Não satisfeito em atacar tardiamente a memória de Hitchcock, pisoteia a gramática com pérolas como “ferimentos […] os quais a levou” e “eles deixaram de se falarem”.

  5. Acho que tem que se dar. . .

    Acho que tem que se dar um pouco de crédito à atriz Tippi Hedren, se até agora em pleno século XXI, vemos casos de machismo, de assédio sexual fisicamente entre atores famosos e atrizes novatas, o que se dirá nos anos 50? A atriz não teria porque inventar essa história. De qualquer maneira isso não tira o brilho de Hitcock como diretor de cinema.

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