Os médicos estão entre os mais prejudicados pela PEC 241, por Ion de Andrade

por Ion de Andrade

A PEC 241 que pretende congelar o SUS e outras áreas sociais e que ameaça a milhões, poderia ser interpretada como o ato mais lesivo que um governo poderia desferir contra a profissão médica. Dois fatos ainda limitam essa percepção entre os profissionais: não houve tempo suficiente para a  reflexão sobre o impacto dos malefícios trazidos por essa emenda e há verdadeira incredulidade de que um governo, apoiado maciçamente pelas entidades médicas, possa ter sido efetivamente capaz de jogar a uma bomba atômica contra tudo o que interessa à profissão, tanto nos aspectos relacionados ao trabalho médico. quanto nos relacionados ao capital.

Abaixo listei, sem querer ser exaustivo, dez motivos pelos quais a PEC 241 vai agredir frontalmente o exercício profissional médico. Antes, porém, vale posicionar algumas questões chaves, para quem não entendeu ainda o que está em jogo.

A PEC 241 pretende congelar os orçamentos do SUS por 20 anos, corrigindo-os pelos índices da inflação. a) Com o envelhecimento populacional os custos da saúde vão crescer bem além da inflação; b) O cálculo do crescimento do PIB exclui a inflação, o que significa que os orçamentos do SUS vão sofrer um gap  proporcionalmente maior, quanto mais crescer a economia (se a inflação for de7% e a economia crescer 5%,o SUS encolhe 5% por não correção do PIB ou da arrecadação; c) O SUS está sujeito à inflação da saúde, sempre muitos pontos mais alta do que a inflação geral; d) A correção orçamentária pela inflação não prevê a pressão de alta da incorporação tecnológica; d) O altíssimo ônus dessa PEC vai estourar no colo dos pacientes, dos estados e municípios e dos profissionais de saúde; e) o SUS, custa 4% do orçamento federal, (muito pouco), a assistência social custa 2,7% (já incluído o Bolsa Família) a educação3,7% e a segurança 0,9%, mas a remuneração da dívida interna leva 40% dos recursos. Congela-se o SUS mas não a remuneração da dívida. A PEC 241 beneficia portanto apenas aos rentistas, a quem o governo deve…

Juntamente com pacientes estados e municípios e outros profissionais de saúde, os médicos também irão ao sacrifício.

  1. Empregos médicos: Os empregos médicos, hoje disponíveis numa proporção que tornam o desemprego na profissão um fenômeno quase nulo, vão rarear. O SUS, principal, empregador da categoria não terá fôlego para continuar contratando. A PEC 241 impõe um indiscutível viés de baixa ao emprego público do profissional médico. A disputa por empregos privados (normalmente plantões de urgências e terapia intensiva) vai estar dificultada pela maior concorrência o que será fator de redução da remuneração.
  2. Honorários médicos: Pressionados pelo viés de baixa do desemprego, explicitado acima, também sofrerão pesada pressão baixista. Além disto o SUS funciona como um mercado regulador. O viés de baixa da remuneração médica do SUS repercutirá nas demais fontes privadas ou filantrópicas num efeito dominó. Essa onda de choque alcançará inicialmente os médicos mais jovens que estarão entrando no mercado de trabalho, mas depois, em função da lei da oferta e da procura, contaminarão o mercado como um todo.
  3. Os quadros médicos efetivos e já concursados nas instituições públicas perderão poder de pressão, pois o desemprego criará um exército de reserva ávido por vínculos públicos. Tudo isso produzirá congelamento salarial e endurecimento das condições de negociação com um poder público exaurido, mas também com as empresas de saúde, que poderão ser tentadas a substituir os quadros antigos, mais caros, por quadros novos.
  4. No tocante às condições de trabalho médico haverá um inevitável viés de piora decorrente de uma maior incapacidade do sistema de investir em novas tecnologias, ergonomia ou ambientes.
  5. A formação médica se deteriorará. As Residências Médicas estarão empobrecidas, não somente porque já não terão vagas de expansão capazes de absorver os médicos novos, mas sobretudo pelo fato de que terão menos recursos e viverão progressiva obsolescência das tecnologias que lhe dão suporte, o que se acompanhará de uma crescente precariedade dos cenários de práticas, dado o sucateamento do sistema. Os mestrados e doutorados também estarão sujeitos ao mesmo viés de baixa, que poderá tornar a produção científica uma espécie de luxo.
  6. A qualidade dos cursos médicos estará obviamente ameaçada e se hoje o Conselho Federal de Medicina se inquieta com isso, o que esperar para os anos que vêm, onde o setor saúde será sucateado? Além do SUS e das universidades públicas, que sofrerão um sucateamento direto, as próprias universidades privadas serão atingidas. As mensalidades praticadas pelo cursos médicos são proporcionais ao rendimento previsto para a profissão no médio prazo; se essa avaliação de rentabilidade vier a cair, as mensalidades não têm como sustentar-se nos patamares atuais. Vale lembrar que são os cursos médicos que viabilizam diversos outros cursos nessas universidades. A existência desses cursos é condição para que as universidades não regridam à condição de faculdades. Se a PEC 241 passar, a onda de choque alcançará o ensino público diretamente e o ensino privado indiretamente (mas simultaneamente) , tornando-o, em muitos casos, insolvente.
  7. Muitos dos contratos com o SUS na Média e Alta Complexidade estarão com os dias contados. O SUS não somente não contará com certos serviços, o que aliás já ocorre hoje, como também não terá como contratá-los complementarmente. Aprovada a PEC 241 estarão ameaçados contratos, os hospitais, as clínicas e os  assalariados dos serviços contratados.
  8. No que toca às cooperativas médicas, o viés de baixista da PEC 241 tende a atentar tanto contra os postos de trabalho como contra os valores dos honorários. Não é vidência. É a triste realidade dos números que mostram um cobertor muito mais curto do que o atual.
  9. Os Investimentos do SUS em novos serviços também serão reduzidos e a sensação de que progressivamente as coisas tendem a melhorar estará riscada do arco de possibilidades. Sem investimentos, ou com investimentos mirrados, o tônus a ser experimentado por todos será o de um futuro cada vez mais difícil. Parece pouco, mas o clima organizacional, que envolve o sentimento de satisfação e de gratificação com o trabalho, tende a ser, o pior possível.
  10. A atualização tecnológica no SUS da PEC 241, será um luxo.
Leia também:  A conversinha mole de Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19, por Paulo Henrique Pinheiro

De fato, se quisermos abrir os olhos, veremos que o governo está mirando na cabeça dos profissionais de saúde de que fazem parte os médicos com uma espingarda calibre doze. É hora de mobilizar os deputados que tradicionalmente somam com os interesses profissionais dessas profissões para que se oponham à PEC 241. O destino dos profissionais está atado ao dos pacientes.

Como diria Hemingway, nunca pergunte por quem os sinos dobram.

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42 comentários

  1. Sinto muito…

    A classe médica foi a mais ativa em todo esse processo da desconstrução da democracia, portanto, é justo que paguem e paguem caríssimo por sua obtusidade e irresponsabilidade.

    O castigo tarda mas não falha.

    Castigo, aliás, que na verdade é só consequência dos atos praticados pos esta casta que se julga acima do bem e do mal, assim como juízes, promotres e polícias em geral.

    Pra corno, golpista e eleitor/apoiador da direita, todo castigo é pouco…

    • Coitado dos cornos!!!
      Não os ponham em más companhias.

      Faz parte da vida. Acontece. As coisas se desgastam. Não deu pra sair da relação ou não quis. Ele ou ela só está vivendo as nossas imperfeitas vidas.

      Não compare os(as) cornos(as) com golpistas.

      Eles não estão destruindo a sociedade e o estado de direito.

    • PEC de banqueiro pra

      PEC de banqueiro pra banqueiro resultar em benefício pra população? Existe isso na Via Láctea?

      Os médicos não integram o complexo judiciário, daí vão “dançar” como os demais brasileiros. Alguns até podem tentar mudar de profissão e fazer concurso para juiz, procurador … 

       Foram estúpidos, arrogantes e em certa medida desumanos. Exultaram com o resultado de seu ativismo “cívico” que, a rigor,  nem foi tão importante para o desfecho pretendido, tal qual as demais manifestações FORA DILMA. Não me regozijo com esse revés. O golpe será duro demais para o Brasil, para todos, excetuando, claro, os togados e agregados.

  2. Apenas um reparo: talvez a

    Apenas um reparo: talvez a expectativa de vida caia. Afinal, aposentados epensionistas também serão atingidos na sua renda e deverão buscar menos atendimento de saúde, comprar menos remédios, deixar de fazer exercícios, etc… etc… Método eficaz de exterminação de idosos. Como estamos voltando pra 1950 mesmo, a expectativa de vida vai pra lá também. Talvez o aumento da mortalidade infantil também esteja nos planos de eugenia dos entreguistas. Desgraça pouca é bobagem. Mas a classe médica que só pensou em si, e de maneira distorcida, vai pagar um preço alto pela ganância e falta de espírito humanista. 

  3. Bem feito !!!
    Sempre foram a

    Bem feito !!!

    Sempre foram a favor de ajuste fiscal !!! Se incomodavam em dividir aeroporto com pobre, se incomodavam com pobre recebendo atendimento médico !!!

    Poucas pessoas foram contra o Governo Dilma por mais mesquinhez do que os médicos !!

     

  4. Os profissionais da saúde do

    Os profissionais da saúde do SUS não se resumem a médicos. Os demais, também serão afetados, porém prejudicados mesmo, só os usuários que não tem outra alternativa. Para planos privados, é a inflação da saúde com seus altos custos, que levam em conta no momento de reajustar as mensalidades. Não estão nem aí para inflação real e a ANS sempre assina embaixo. É lógico que sem dinheiro, a cobertura do SUS ficará cada vez mais precária, principalmente no que se referir  a tratamentos de alta complexidade, coisa que planos privados de saúde não gostam de cobrir, mas serão cada vez mais pressionados a fazê-lo. Dá para imaginar que ficarão bem mais caros e muitos que bateram panelas e vestiram camisas da CBF (logo da CBF!)  e que acham que saúde pública não é problema deles, talvez entendam de uma vez, que planos de saúde também dependem do SUS. E muito.

     

  5. Médicos e a PEC 241

    Olá, Ion,

    Aqui é Conceição Lemes, jornalista e blogueira. 

    Tudo bem? 

    Achei muito legal o que vc elencou.

    Gostaria de falar contigo.

    Vc poderia enviar o seu e-mail pro meu?

    Abração

  6. SUS

    Primeiramente, fora Temer.

    Gostaria de fazer alguns comentários, tentando ser o mais objetivo possível

    1-É verdade que a classe médica, com poucas exceções, se posicionou maciçamente contra o governo Dilma e a favor do golpe, mas é também verdade que o governo Dilma foi hostil à classe médica e ao trabalhador da saúde em geral. O sucateamento dos hospitais públicos já vinha ocorrendo em consequência do austericídio implantando no início do segundo mandato. O programa mais médicos também foi desastroso para a classe médica, não por trazer médicos cubanos, mas por implantar um regime de trabalho precário e a terceirização de mão de obra no âmbito do SUS, além de organizar, a médio prazo um influxo maciço de médicos ao mercado de trabalho, o que resultará em desemprego e redução da remuneração dos médicos. Além disso, nos confiltos entre médicos e operadoras de saúde, no âmbito da medicina suplementar, os governos do PT (em particular o da Dilma) se colocaram claramente em favor daquelas, o que nos parece uma posição estranha, no mínimo, para um governo de esquerda. Como observou de forma muito interessante, uma reportagem do wsws.org, a respeito desse assunto, o programa não melhorou o atendimento da população mas foi bastante útil para irritar a classe médica.

    2-Feitas essas considerações, não há como negar que a classe médica desse país encontra-se inteiramente alheia ao perigo representado pela PEC 241 e pelo projeto do governo Temer em geral, embora, em linhas gerais, esse projeto não seja muito diferente daquele colocado em prática no segundo mendato do PT, a principal diferença sendo o gradualismo do governo Dilma e o radicalismo do governo Temer. Tenho tentado explicar o problema aos meus colegas, em vão, quando a classe médica acordar vai ser tarde demais, por outro lado, a ameaça de proletarização da classe médica (se o manifesto comunista estiver certo) pode levar a uma mudança de postura por parte da categoria. Nem sempre nós fomos tão coxinhas, na época da eleição do Lula, a divisão era, talvez 50:50, mas hoje a postura da classe dá até náusea. Espero sinceramente que a class médica aprenda com o que está por vir, mas espero também que os governos do PT e de outros partidos de esquerda sejam menos estúpidos ao se relacionar com profissionais da classe médica. A hostilidade gratutita do PT só resultou em prejuízos para ambos os lados.

    • Concordo com você Alexandre,

      Concordo com você Alexandre, a grande maioria dos colegas ainda não percebeu o tamanho do estrago que essa PEC vai nos trazer no médio e longo prazo, talvez ainda, por estar enebriada com a mudança do regime. Um colega compartilhou este mesmo texto que estamos comentando num grupo de médicos no whatsapp fazendo esse alerta e foi simplesmente “trucidado” por ser sabidamente “petralha e comunista”.

      Também faço a mesma crítica em relação ao comportamento do governo Dilma com a classe, o que levou a esta “coxinização” extrema que vivemos, ao ponto de você quase não poder opinar se for de esquerda. Isto é algo que me deixa muito entristecido, pois eu digo que em 2002, quando estava na faculdade (eu estudei na Unifesp) a proporção de quem se dizia de esquerda era muito maior que esta colocada, e hoje até amigos que participavam do Centro Acadêmico e eram envolvidos com a política estudantil tornaram-se reaças e dizem não esperar mais a hora de verem o Lula em cana. E digo mais, hoje, boa parte da classe médica já tornou-se proletária, mas ainda não percebeu; isto talvez aconteça quando começarmos a ver médicos desempregados (como acontece com praticamente todas as outras profissões e nós não temos noção nenhuma do que se trata) mas aí provavalmente já será tarde demais…

      • Olá, Fábio, eu estudei na

        Olá, Fábio, eu estudei na UFMG e me formei em 1990. Desde que me conheço por gente, nunca votei na direita (bem….no Roberto Freire em 1989, mas ele ainda não tinha se mostrado o picareta que é hoje…). De fato, a coxinização da classe médica é um fenômeno interessante, que talvez devesse ser estudado de forma científica. É intressante observar que, de forma geral, nós médicos somos um tanto conservadores, os médicos britânicos, por exemplo, se opuseram à criação do NHS em fins da década de 40, mas na década de 80 também se opuseram, com algum sucesso, às reformas privatizantes de Margareth Thatcher. Eu não sei se a mudança de postura dos médicos tem alguma característica particular, ou se nós estamos acompanhando simplesmente a virada à direita da classe médica como um todo. De modo geral, o nível de cultura política do médico é muito baixo, o que pode estar relacionado às jornadas de trabalho muito longas (33% dos médicos trabalham mais de 60h por semana, então como vc. disse, a proletarização já aconteceu, só que são proletários que ainda conseguem viajar para Miami…enquanto estiverem com saúde, o que não costuma acontecer por muito tempo). Ora, com jornadas de trabalho dessa ordem, quem é que consegue se informar de algum jeito, senão através do lixo oferecido pelo PIG? Seria também interessante descobrir quais atitudes do PT justificaram essa mudança de postura. Certamente a questão do Mais Médicos foi um divisor de águas, mas a postura pró operadoras, do governo federal, também pode ter influído. Outra coisa interessante, que a gente percebeu aqui em Belo Horizonte, foi a migração de médicos sanitaristas, com um discurso progressista, diretamente para os planos de saúde, onde ficaram conhecidos pela truculência e pela hostilidade aos médicos (dessa vez a serviço do capital). É uma coisa curiosa como o capital se apropria de tudo, e como que a medicina baseada em evidências, que começou na Universidade de Mc Master, núcleo do pensamento progressista na área médica, foi colocada a serviço das operadoras de saúde, onde virou uma espécie de religião, cujo objetivo é o de negar procedimentos aos pacientes. Se eu fosse palpitar nessa questão eu talvez apontasse para a relação entre burocratas (públicos ou privados) e médicos, como sendo um dos fatores que mais contribuíram para esse fenômeno. Vc. estudou a teoria das castas de David Priestland?

  7. *

    O pensamento elitista da classe médica se expressa nas publicações da classe, como nos jornaizinhos do conselho federal e dos estaduais. Durante a implantação do Mais Médicos os niveis da irracionalidade ali publicadas eram iguais às das revistas semanais. Mas parece que essa PEC deu uma balançada nos de branco mesmo que ainda estejam nos seus saltos altos.

    Participantes do 1º Fórum Nacional Pró-SUS debatem carreira de Estado para o médico do SUSTer, 04 de Outubro de 2016 19:31

    A viabilidade de criação de uma carreira de Estado do médico do SUS foi debatida na tarde desta terça-feira (4), em Brasília, no 1º Fórum Nacional Pró-SUS, promovido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). A primeira palestra foi do professor do curso de medicina da Universidade Estadual do Rio de Janeiro Mário Roberto Dal Poz, que coordenou por dez anos a área de recursos humanos na Organização Mundial de Saúde (OMS), e falou sobre “A carreira médica em sistemas de saúde comparados”.

    Para Dal Poz, três fatores influenciam a disponibilização de mão de obra em saúde em todo o mundo: estruturais, reformas liberais dos anos 1990 e a globalização. Entre os fatores estruturais está a desigualdade na distribuição geográfica, com concentração de profissionais nos grandes centros e dificuldades para fixação de médicos em locais distantes. Já as reformas liberais impuseram novas formas de contratação, com precarizações de vínculos; e a globalização proporcionou uma flutuação da mão de obra.

    Como forma de levar médicos para localidades de difícil acesso, países oferecem incentivos especiais. “Na Austrália, por exemplo, são oferecidos atrativos, como um salário melhor e infraestrutura de moradia e acesso à internet para que o profissional fique uns cinco anos nesses lugares, mas não há uma carreira. Depois desse tempo, o médico é desligado”, explicou Dal Poz. De acordo ele, apenas a Espanha, o Chile e a República Dominicana têm carreiras nacionais para profissionais de saúde. Para o pesquisador, cada país deve criar um sistema adaptado à realidade local e uma carreira para o médico deve levar em conta os objetivos gerais para a saúde da população e não apenas a estabilidade dos servidores.

    Demografia médica – A distribuição dos médicos no país foi o tema da palestra “Mercado de Trabalho em Medicina: situação atual e perspectiva”, proferida pelo coordenador da pesquisa Demografia Médica no Brasil, Mário Scheffer. Ele começou sua fala argumentando que antes da decisão sobre a criação de uma carreira de Estado para os profissionais de saúde, a sociedade deveria se perguntar sobre para onde vai o sistema de saúde. “A julgar pela perspectiva de aprovação da PEC 241/16, podemos dizer que o SUS está sendo colocado em xeque. Corremos o risco de termos diminuição dos direitos sociais, com uma crise política e econômica resultando em uma crise sanitária”, alertou.

    Apresentando dados do estudo Demografia Médica, Scheffer falou sobre o aumento no número de médicos (serão 626 mil daqui a 10 anos), feminização e juvenização da medicina, remuneração, carga horária (mais de 75% dos médicos trabalham 40 horas semanais ou mais), concentração nos grandes centros e diversidade de vínculos empregatícios (51,2% dos profissionais trabalham concomitantemente nos sistemas público e privado), entre outros pontos abordados no estudo. “Temos na analisar todas essas variáveis para definirmos um modelo de carreira exclusiva”, aconselhou. Ele também ressaltou que o congelamento das vagas na residência médica, anunciado esta semana pelo governo, vai gerar um problema futuro, pois a cada dia se formam mais médicos, sem que eles tenham onde se especializar.

    Scheffer afirmou que o SUS encontra-se hoje numa encruzilhada, pois ao mesmo tempo em que não conseguiu alcançar a universalidade com qualidade, não dá para o Brasil optar pelo modelo privado “que se mostrou caro e excludente” nos países em que foi implementado, como Estados Unidos e Colômbia.

    Aumento de cobertura – O presidente da Associação Médica de Minas Gerais, Lincoln Lopes Ferreira, que falou sobre “Carreira de Estado no SUS: é uma alternativa viável?” foi na mesma linha de Mário Scheffer de que é preciso se pensar antes no sistema de saúde desejado. Segundo Ferreira, estudos mostram que o aumento na cobertura horizontal, com mais pessoas sendo atendidas, causa um impacto orçamentário em torno de 12% dos gastos. O que não acontece com o incremento na cobertura vertical, que consiste na incorporação de serviços mais sofisticados, a qual aumenta em 90% os custos da saúde.

    “O programa Mais Médicos, independentemente da crítica feita em relação à contratação de profissionais sem a aprovação do Revalida, serviu para mostrar que é possível fixar médicos no interior”, concluiu. Para Ferreira, é possível pensar em um modelo de carreira médica para quem trabalha na atenção básica e a criação de especialistas móveis. Ele também defendeu uma regionalização dos serviços de saúde, já que é impossível um município com dez mil habitantes oferecer todos os serviços de saúde, e uma definição melhor sobre o que é responsabilidade do SUS. “Dizer que todo mundo tem direito a tudo é não dar nada a ninguém”, raciocinou.

    Carreira Exclusiva – O coordenador da Comissão Nacional Pró-SUS, Donizetti Giamberardino, considerou como positivo o resultado do 1º Fórum Nacional Pró-SUS, que foi antecedido por três encontros regionais. “Nas discussões que fizemos, realizamos reflexões a partir de quatro eixos: carreira médica e valorização do profissional, financiamento da saúde, contratualização dos serviços e integralidade na assistência. Fizemos boas reflexões e elas serão incorporadas em um proposta, a ser apresentada como contribuição da classe médica para o fortalecimento do SUS”, afirmou. Para Donizetti, foi possível concluir que sempre haverá uma relação tensionada entre os médicos e os governantes quanto à necessidade de mais financiamento para a saúde, que é preciso mais transparência nos contratos entre os governos e os prestadores de serviço, que deve haver um combate efetivo à corrupção e ser valorizada a atenção básica.

    No encerramento, o presidente do CFM, Carlos Vital, elogiou a organização do evento pela Comissão Pró-SUS e defendeu a criação da carreira exclusiva do médico do SUS. “Podemos discutir modelos, mas não há como negar a necessidade de uma carreira, principalmente, para quem trabalha na atenção básica. Os especialistas poderão atuar com outras formas de contratação, mas a população e os médicos que trabalham com medicina de família precisam da segurança de uma carreira”, argumentou.

     

    http://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=26456%3A2016-10-04-22-33-57&catid=3%3Aportal&Itemid=1

     

    • Os médicos e o SUS

      Alfeu, não houve uma mudança significativa da postura das entidades médicas. Em que pesem algumas opiniões mais radicais, a postura do CFM, e da maioria dos CRM´s, antes de 2013, sempre foi o da defesa do SUS e de uma carreira de Esatdo para fixar o médico no interior. Os dirigentes dos órgãos de classe, de modo geral, representam um grupo bastante heterogêneo e incluem muita gente de esquerda, mas mesmo alguns conservadores defendem o modelo SUS. A radicalização dos ânimos começou, na verdade, em 2011, quando o Ministério da Justiça tomou o partido dos planos de Saúde, com relação a algumas paralisações que os médicos vinham fazendo para tentar melhorar os valores pagos pelos planos de saúde, para o trabalho médico. Era um documento muito interessante, mas, em síntese, dizia que o médico, trabalhando em consultório, não tinha direito de fazer esse tipo de movimento, que os honorários deveriam ser fixados pela livre concorrência, um discurso tipicamente Bobfieldiano, posso tentar resgatar esse documento dos meus arquivos. Depois houve a questão do mais médicos, que foi interpretado, pelas lideranças de classe, como uma traição, pois a carreira de estado do médico vinha sendo negociada, a partir daí o caldo azedou de vez, com os dois lados perdando totalmente qualquer tipo de racionalidade. O grande problema do Mais médicos, no meu entender, está na terceirização e no trabalho precário, ninguém da esquerda deveria concordar com esse tipo de relação de trabalho. Os meus colegas não perceberam isso e perderam tempo com ataques absolutamente infantis aos médicos cubanos. Ora, nós não sabemos nada (eu pelo menos não sei) sobre a formação e a qualidade da medicina em Cuba. É bem possível que eles se saiam melhor do que os médicos brasileiros em situações similares, mas a questão não é essa, existem direitos que devem ser respeitados para todo trabalhador em solo brasileiro. Imaginem se um governo do PSDB contratasse, digamos, uma empresa Sul-Coreana para terceirizar mão de obra médica no SUS.  A griita na esquerda seria geral, e com razão. Mas se é o estado cubano entãoa terceirização passa a ser uma boa coisa? É muita miopia ideológica…..Da mesma forma, a indignação da classe médica com o governo Dilma, ao invés de se refletir em um movimento pela melhora do SUS, tomou o caminho de uma radicalização de direita absolutamente estúpida, e que vai se voltar contra a própria classe médica no futuro. O fato é que, o governo Dilma conseguiu a proeza de ter contra si toda a classe médica, é bem possível que isso tenha influenciado no resultado apertado das eleições de 2014, afinal de contas, são 400.000 profissionais com extenso contato com a população e que são, em boa parte, bem vistos por quem usa o SUS. O mesmo poderíamos dizer do papel da truculência do PSBD, com relação aos professores, na derrota de Aécio Neves em MG (eu sou de Minas Gerais, professor aqui quer ver o diabo mas não quer ver o Aécio). Enfim, me parece que essa questão da classe médica não pode ser vista de forma maniqueísta, os interesses envolvidos são mais complexos e ambos os lados cometeram erros grosseiros.

  8. Quando a ferrada chegar nos

    Quando a ferrada chegar nos médicos, já dizimou o povão!

    O povão é o primeiro que morre, é o primeiro a sentir dor e na hora de melhorar é último da fila, e ai quando começa a achar que melhorou, a globo vem e dará outro golpe…

    Daqui a vinte anos, quando caducar a MP do temer, voltaremos a democracia, faremos nova constituição e dez anos depois a rede globo vai se arrepender de ter participado do golpe e vai jogar a culpa na OAB, STF e FIESP…

    Cinco anos depois estarão os marinhos netos dando um novo golpe…

    Eterno ciclo…

    • E os inocentes…

      …vão dizer que não houve golpe porque não vão ler o editorial da Globo – eternamente financiada pelos cofres públicos!.

       

      Será o próximo golpe civil-militar ou uma nova invasão estrangeira aos moldes do século XV?

  9. Temer já disse

    Dilma deixou o país no vermelho, portanto…

    os de jaleco vão, ou já devem estar, comprar esse discurso e proclamar solenemente:

    – Estamos pagando pelos erros e roubos que aquela “cancerosa de merda” cometeu, a culpa não é desse governo.

  10. Eu estava só esperando .  Vi

    Eu estava só esperando .  Vi médico urrando e descendo o pau no governo por causa do mais médicos. Agora vão ver o monstro que ajudaram a criar.

  11. Imagine se amanhã João Maria

    Imagine se amanhã João Maria vai ao médico e constata ser portador de câncer. Esta enfermidade não vê cor, gênero, nem idade. Quando vem, vem de com força, e mesmo não matando deixa o paciente aflito enquanto durar o tratamento.

     

  12. Dengue

    Isto tudo que o arguto autor listou é sem contar a dengue/zika que voltará com a vinda do calor.  Como o Ministério da Sáude vai repassar recursos aos municípios que forem mais afetados se mal haverá dinheiro para manter seus programas básicos?

  13. UMA NOTICIA DESSA ME DA ATÉ

    UMA NOTICIA DESSA ME DA ATÉ TESÃO , ME DEIXA EM ÊXTASE , DE SABER QUE UMA PESSOA ESTUDA TANTO PRA SE FORMAR MÉDICO , POREM , A BURRICE , A IMBECILIDADE NÃO SAI DA PESSOA  , APRENDE O QUE APRENDE PARA SER MÉDICO NAS ESCOLAS , MAS , SABEDORIA , DISCERNIMENTO E PERCEPÇÃO É OUTRA COISA , QUE ESCOLA ,E  FACULDADES NENHUMA ENSINA , TANTO É QUE INTELIGENCIA É COISA DISTINTA DE SABEDORIA. 

  14. Sabe qual a pena que estou

    Sabe qual a pena que estou dos médicos ?? Nenhuma !!!

    Apoiaram o golpe, bem feito !!!! ACharam que só pobre ia se dar mal ??

  15. Medico agora terão que carregar a cruz que professor carrega

    Medicos se preparem para carregar a cruz que um professor carrega e um dia haverão de ouvir a mesma frase que eles ouvirão ” amedico tera de trabalhar por amor a profissão assim como os professores “.

  16. Agora Medicos terão de

    Agora Medicos terão de trabalhar assim como os professores por amor a profissão…

    • Ou seja medicos farao greves
      Ou seja medicos farao greves todos os anos e por cerca de 90 dias.50% dos medicos dos serviços publicos ficaram afastados por motivo de ‘saude’.Ai seria bom se igualar aos professores…

  17. Comentarios
    Comentarios tendenciosos.Tentam colocar na conta do temer a precarizaçao da medicina que aconteceu por conta do pt.Fala que a formaçao medica ficara precaria(ja esta graças ao pt,300 faculdades de medicina abertas)fala q serviço media e alta complexidade estara com os dias contados(muitos senao a maioria ja nao sao realizados-so funciona serviço emergencia)tabela sus sem reajuste ha mais de 10 anos(sera culpa da pec???).
    Vejo alguns falando que medicos se igualaram no serviço publico a professores,Deus queira que nao.Imagina greve todo ano e por cerca de 90 dias…
    56% dos medicos afastados por ‘saude'(media em mg de professores afastados por motivo de saude)

  18. Sinto pelo povo. Mas grande

    Sinto pelo povo. Mas grande parte dos médicos merecem se ferrar.

    Entraram na profissão pela garantia dos bons salários.

    Esculhambaram com o Mais Médicos porque desmascara o elitismo que impuseram na profissão.

    Contribuiram para a derrubada de um governo popular e para o retorno de uma sociedade elitista e exploradora, que marginaliza os pobres.

    Em sua visão restrita, não perceberam que o que sustentava os altos salários da profissão era justamente esse povo.

    Mataram a galinha dos ovos de ouro.

    Ao menos pelos próximos 20 anos, a profissão vai se desvalorizar.

     

     

     

     

     

  19. A MAIORIA DOS MÉDICOS( COM

    A MAIORIA DOS MÉDICOS( COM RARAS EXCEÇÕES) NÃO PASSE DE DISTRIBUIDORES DE REMÉDIOS ORIETADO.S PELOS LABORATÓRIOS DESDE A FURMAÇÃO

  20. Esses, ao lado dos membros do

    Esses, ao lado dos membros do Judiciário, são pessoas das quais não sinto pena e das quais não nutro um fiapo sequer de solidariedade.

    Exceto raríssimas excessões.

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