A retomada fantasma da economia, por André Araújo

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Por André Araújo

A RETOMADA FANTASMA – Os ciclos recessivos não se resolvem apertando um botão, o processo é lento e passa pelo aumento da renda na ponta da demanda. O Brasil não está apenas em recessão, trata-se de uma DEPRESSÃO, fase mais profunda pela decorrência do tempo da recessão e de sua perspectiva de permanência.
 
A declaração do Ministro da Fazenda de que “a recessão acabou” indica não só leviandade incompatível com o cargo, pressupõe também um completo desconhecimento de economia, de história da economia e de história do pensamento econômico, o ciclo da recessão tem uma duração de ida e volta que se contam por anos e não por semanas.
 
Como é possivel estar em recessão no último trimestre de 2016, e os números do IBGE divulgados na segunda feira mostram isso, e no trimestre seguinte, como por milagre, dizer que a recessão acabou?

 
A recessão, como o câncer, não acaba de um dia para o outro e depende de condições objetivas que não se apresentam.
 
Um dos clássicos sinais do reaquecimento da atividade econômica é a alta da inflação e não seu oposto, a BAIXA DA INFLAÇÃO no caso brasileiro indica perda do poder de compra, os produtos e serviços não tem compradores e com isso o mercado esfria, empregos são cortados e a recessão se transforma em depressão.
 
Na crise de 1929, o fim da recessão se deu exclusivamente pelo aumento do poder de compra pela criação de empregos por políticas públicas, os CIVILIAN CONSERVATION CORPS, que criou seis milhões de empregos e a RECONSTRUCTION FINANCE CORP., que salvou 120.000 empresas injetando dinheiro na economia. A saída da crise levou 8 anos e só terminou com a Segunda Guerra e suas imensas encomendas de material bélico, todo processo que determinou o fim da Grande Depressão se deu por expansão monetária em grande escala para gerar poder de compra.
 
A impressão que se tem hoje no Brasil, tanto na equipe econômica como na midia econômica, é de um absoluto desconhecimento de princípios elementares de economia, em achar que se sai da recessão com pequenos gestos e micro iniciativas, como R$ 17 bilhões em concessões que se pretende lançar. As concessões mudam a gestão de ativos públicos para administração privada, NÃO CRIAM EMPREGOS e não tem como sequer fazer coceira na recessão.
 
A recessão-depressão brasileira necessita de DOIS TRILHÕES DE REAIS de expansão monetária para criar demanda, será preciso correr o risco de inflação que pode ocorrer em pequena escala, não existe outro meio de sair da recessão em prazo razoável. Na atual política econômica, NÃO HÁ NENHUM ELEMENTO para sair da recessão.
 
 
 
 

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47 comentários

  1. Como é possivel estar em

    Como é possivel estar em recessão no último trimestre de 2016, e os números do IBGE divulgados na segunda feira mostram isso, e no trimestre seguinte, como por milagre, dizer que a recessão acabou?

    Simples. Não é a você ou a quem entenda de economia real que ele está querendo convencer, mas sim a turba de paneleiros, a mesma que acreditou na recuperação “instantânea” após a saída da Dilma.

  2. De todas as imputações que o

    De todas as imputações que o André Araújo fez ao ministro Meirelles, a única com a qual concordo, totalmente, é a de leviandade.

    De resto, não se pode atribuir ao ministro “completo desconhecimento de economia, de história da economia, e de história do pensamento econômico”, e nem “um absoluto desconhecimento de princípios elementares de economia”.

    Sei que o André Araújo é consultor de Grandes Empresas internacionais, etc., e que tem que ter muito cuidado com o que escreve.

    Assim como o Nassif, que é jornalista, e também tem que ter cuidado com o que escreve.

    Afinal, sendo um homem progressista, humanista, e correto, tem muito a temer em relação ao sistema judiciário desse país.

    Mas para um mero leitor, e eventual comentarista de blog, como eu, é triste ver que se reluta muito, mesmo na imprensa alternativa, em dar nome aos bois.

    A senha está no texto do AA: “…mudam a gestão de ativos públicos para administração privada, NÃO CRIAM EMPREGOS, e não fazem sequer cócegas na recessão.”

    Meirelles, a administração do Banco Central, são agentes da iniciativa privada, e agem em benefício dela.

    Não são burros, nem ignorantes.

    Esses somos nós.

    Como disse em comentário anterior, ainda hoje, se sobrar alguma coisa para o bem público, ótimo. Se não sobrar, ótimo do mesmo jeito.

    Não estão nem aí.

    • Antonio, discordo da tua análise, pois a política deles é …..

      Antonio, discordo da tua análise, pois a política deles é suicída, ou seja, podem ganhar nos próximos dois ou três anos, depois disto certamente será a degringolada.

      • A política deles, rdmaestri,

        A política deles, rdmaestri, é homicida.

        Depois dos dois ou três anos, eles voarão para Miami, ou noviorque (o goldfazn pode ir para Israel), gozar a vida.

        Os degringolados seremos nós.

        Já somos.

        Eu já perdi meu emprego.

  3. Olha, André acho mesmo que o Meirelles é BURRO.

    Meirelles, como sempre escrevi aqui, é somente um operador de mercado e alguém que segue a onda. Quando alguém diz o que ele deve fazer ele faz com cuidado, trabalho e esmero, como todo o Burro que consegue algum sucesso.

    Mas quando chega a hora de analisar a situação, entendê-la e tomar medida o Tico fica batendo com o Teco e vale o ditado, da onde não se espera nada daí mesmo que não sai nada.

    Atribuir a manutenção de uma depressão simplesmente a vontades daqueles que teriam que investir é uma burrice, ele deveria induzir o investimento e não ficar com uma cara de imbecil esperando que alguém o faça.

    • Meirelles não é burro…

      … tal adjetivo seria dizer que a política econômica é na base do “foi sem querer”.

      Seria como dar uma aura de inimputável a alguém que estudou pra fazer o que faz.

      Ele é um executor material daquilo que a banca quer.

      Reconheço que me sinto bastante ignorante em muitos momentos sobre como organizar a massa de informação econômica (em cibernética, muita informação trava qualquer sistema – sem entrar nos termos técnicos da coisa). Mas, olhando o conjunto, que engloba os fatos econômicos, o jogo político interno e externo que envolvem os fatos econômicos, a conclusão e sobretudo o que os sabichões/ malandrões dos jornalistas a soldo dos grandes jornais e a sua novilíngua econômica… bom…

      Boechat hoje deu uma de fole do sopro alheio, declarando a fala de um analista (que ele não sabia quem ao certo), que declarou que a responsabilidade da crise é mezzo Dilma, mezzo Temer. Pra isso, ele teve que tirar Lava-Jato, Cunha, “sangrar o governo Dilma” (sono predileto do multidelatado impune)… da conta. Daqui a pouco, o Temer declara que é tudo culpa… do governo.

       

  4. O senhor não tem por que se

    O senhor não tem por que se queixar,da minha má vontade com seus escritos.Prescisava escrever quarenta linhas,que eu com meu poder de sintase herdado de Papai,resumiria em 6 ou 7 palavras:”Henrique Meireles é um grande cara de pau”.Eu teria mais alguma coisa a acresentar a respeito do mangano,mas deixemos a vida dos outros pra lá.Ah,ia me esquecendo.Nem todo mundo teve o privilegio de ter um Papai que eu tive.

  5. Duas pequenas observações, André, se você me permite

    “A recessão, como o câncer, não acaba de um dia para o outro e depende de condições objetivas que não se apresentam”. André Araújo

    Acho, Amigo, que uma vírgula cairia bem depois da palavra objetivas, senão (ou seria se não?) fica parecendo que o fim da recessão depende de condições objetivas que não se apresentam, e não de condições objetivas, que não se apresentam.

    Você afirmou que as concessões NÃO CRIAM EMPREGOS. Você se esqueceu de dizer que, ao contrário, as concessões CORTAM EMPREGOS, já que os Donos das Concessionárias vão cortar custos e esses cortes se dão basicamente na dispensa de trabalhadores.

  6. Um aviso ao troll Marcio Barreto dos Santos:

    O A.A., um dos nossos escritores (como o troll chama os missivistas) não é esquerdista.

  7. Se no plano do Real é

    Se no plano do Real é impossível mudar os fatos, que então se recorra ao imaginário. O popular de antigamente diria: “vontade e ponta de cigarro é o que mais se vê por aí”.

    A questão é que as diretrizes econômicas desse governo usurpador e TRANSITÓRIO dá uma de “Brás, o tesoureiro”. Ou seja, quer sofregamente se aproveitar dessa “interinidade” para promover reformas de base, tarefa complicada que até governos legitimados e eticamente infensos à críticas não se arriscam dada a complexidade envolvida. 

    Ontem mesmo o distinto ministro verberou pela páginas de O Globo: “ou o Brasil(eles adoram metonímias) faz a reforma(da Previdência) ou quebra”. 

    Como assim? Quer o país mais quebrado do que já está? Como inverter uma conjuntura econômica adversa, na qual mais de 12 milhões de brasileiros penam no desemprego, focando esforços em reformas estruturais como é a da Seguridade Social? 

    O certo mesmo é que temos hoje a conjugação de três fatores que raramente ocorre em governos: incompetência, má fé e ilegitimidade. 
     

    • Quer dizer que você lê o

      Quer dizer que você lê o Globo.Agora já sei por que tenho serissimas dificuldades de entender seus enigimaticos comentários.

  8. É que o sr nao entendeu

    Acabou a recessao e nesse exato momento começa a depressao  profunda a industria automobilistica demitira em massa assim como ja fizeramas demais industrias o comercio e a construçao civil .

  9. Produtividade no Brasil está

    Produtividade no Brasil está estagnada há 35 anos, desde 1981, diz estudo

    Do UOL, em São Paulo

    07/03/201717h09 

    Marcelo Justo/Folhapress

    A produtividade do trabalho no Brasil cresceu 3,5% ao ano entre 1950 e 1980, mas não melhorou nada dos anos 1980 até hoje, aponta um estudo elaborado pelo banco Credit Suisse. 

    Segundo o levantamento, no acumulado entre 1981 e 2016, ou seja, em 35 anos, a produtividade nas empresas brasileiras ficou estagnada: 

    O pior período foi entre 1981 e 1990, quando a taxa de produtividade no país caiu 2% ao ano;Nas duas décadas seguintes (de 1991 a 2010), houve crescimento acumulado de 2,8%;Entre 2011 e 2016, houve uma nova queda, de 1,1%.

    Entre os motivos, estão o baixo uso de tecnologias nas empresas e o peso dos impostos, segundo o Credit Suisse.

    Aumento de renda vai depender mais da produtividade

    A renda per capita (por pessoa) cresceu, segundo o estudo:

    3,9% ao ano, em média, entre 1950 e 1980;0,7% ao ano, em média, entre 1981 e 2016.

    De acordo com o banco, a renda do trabalhador depende de dois fatores: 

    da taxa de emprego;e da produtividade. 

    No caso brasileiro, a alta de renda no período analisado foi puxada pelo aumento na taxa de emprego: de 37,6%, em 1950, para 52%, em 2016 –considerada uma taxa relativamente alta, se comparada à de outros países, diz o banco. Por isso, nos próximos anos, não se deve esperar alta significativa na taxa de emprego.

    “Os resultados sugerem que o crescimento da renda per capita no Brasil será ainda mais dependente da dinâmica da produtividade nos próximos anos”, conclui o Credit Suisse.

    [https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2017/03/07/produtividade-no-brasil-esta-estagnada-ha-35-anos-desde-1981-diz-estudo.htm]

    • NÂO acredito ..isso é mentira

      NÂO acredito ..isso é mentira ..coisa tendenciosa  ..BASTOU tirar o governo pro país virar novamente uma BOSTA ?

      ..isso não dfeve usar critérios críveis, auditáveis, confrontáveis

      ..relatório de banco ? ..cuidado  ..querem desmerecer ..querem nos abater como quando com THC

      Neste período, TRINTA E CINCO ANOS, o país saiu de ZERO e se informatizou, se INTEGROU ..se urbanizou, mecanizou, robotizou ..bateu recordes no agronegócio e em outros setores, o financeiro por exemplo ..de certo que a industria em parte migrou pra outros cantos tb

      ..qual seja, a coisa não é tão fácil de se mensurar e diagnosticar como querem estes agentes do CAOS

    • O aumento da produtividade depende da mecanização da produção

      A elevação da produtividade depende basicamente da introdução de máquinas e equipamentos poupadores de mão-de-obra no processo de produção. Ou seja, quanto mais elevada a produtividade, maior o desemprego estrutural, e quanto mais elevado o desemprego estrutural (ou conjuntural), maior a concorrência entre os trabalhadores, o que provoca a redução dos salários. Ricardo, Marx e Engels, bem como os Luddistas constataram essa realidade:

      “Na mesma medida em que a burguesia, isto é, o capital se desenvolve, nessa mesma medida desenvolve-se o proletariado, a classe dos operários modernos, os quais só vivem enquanto encontram trabalho e só encontram trabalho enquanto o seu trabalho aumenta o capital. Estes operários, que têm de se vender à peça, são uma mercadoria como qualquer outro artigo de comércio, e estão, por isso, igualmente expostos a todas as vicissitudes da concorrência, a todas as oscilações do mercado.

      O trabalho dos proletários perdeu, com a extensão da maquinaria e a divisão do trabalho, todo o caráter autónomo e, portanto, todos os atrativos para os operários. Ele torna-se um mero acessório da máquina ao qual se exige apenas o manejo mais simples, mais monótono, mais fácil de aprender. Os custos que o operário ocasiona reduzem-se por isso quase só aos meios de vida de que carece para o seu sustento e para a reprodução da sua raça. O preço de uma mercadoria, portanto também do trabalho, é, porém, igual aos seus custos de produção. Na mesma medida em que cresce a repugnância [causada] pelo trabalho, decresce portanto o salário. Mais ainda: na mesma medida em que aumentam a maquinaria e a divisão do trabalho, na mesma medida sobe também a massa do trabalho, seja pelo acréscimo das horas de trabalho seja pelo acréscimo do trabalho exigido num tempo dado, pelo funcionamento acelerado das máquinas, etc.” – Marx e Engels, Manifesto Comunista

      Certamente o Credit Suisse ignora que “as verdades científicas serão sempre paradoxais, se julgadas pela experiência de todos os dias, a qual somente capta a aparência enganadora das coisas”.

      A estagnação da produtividade tende a manter os salários estáveis e sua redução tende a elevar os salários. Em outras palavras, o Credit Suisse captou apenas a aparência enganadora da realidade econômica:

      “Vimos que o valor da força de trabalho, ou, em termos mais populares, o valor dotrabalho, é determinado pelo valor dos artigos de primeira necessidade ou pela quantidade detrabalho necessária à sua produção. Por conseguinte, se num determinado país o valor dos artigos de primeira necessidade, em média diária consumidos por um operário, representa 6 horas de trabalho, expressa em 3 xelins, este trabalhador terá de trabalhar 6 horas por dia a fim de produzir um equivalente do seu sustento diário. Sendo de 12 horas a jornada de trabalho, o capitalista pagar-lhe-ia o valor de seu trabalho entregando-lhe 3 xelins. Metade da jornada de trabalho será trabalho não remunerado e, portanto, a taxa de lucro se elevará a 100 por cento.

      Mas vamos supor agora que, em conseqüência de uma diminuição da produtividade, se necessite de mais trabalho para produzir, digamos, a mesma quantidade de produtos agrícolas que antes, com o que o preço médio dos víveres diariamente necessários subirá de 3 para 4 xelins. Neste caso, o valor do trabalho aumentaria de um terço, ou seja, de 33,3 por cento. Afim de produzir o equivalente do sustento diário do trabalhador, dentro do padrão de vida anterior, seriam precisas 8 horas de jornada de trabalho. Logo, o sobretrabalho diminuiria de 6 para 4 horas e a taxa de lucro se reduziria de 100 para 50 por cento. O trabalhador que nestas condições pedisse um aumento de salário limitar-se-ia a exigir que lhe pagassem o valor incrementado de seu trabalho, como qualquer outro vendedor de uma mercadoria que, quando aumenta o custo de produção desta, age de modo a conseguir que o comprador lhe pague esse incremento do valor. E se os salários não sobem, ou não sobem em proporções suficientes para compensar o incremento do valor aos artigos de primeira necessidade, o preço do trabalho descerá abaixo do valor do trabalho e o padrão de vida do trabalhador piorará.

      Mas também pode operar-se uma mudança em sentido contrário. Ao elevar-se a produtividade do trabalho, pode acontecer que a mesma quantidade de artigos de primeira necessidade, consumidos em média, diariamente, baixe de 3 para 2 xelins, ou que, em vez de 6 horas de jornada de trabalho, bastem 4 para produzir o equivalente do valor dos artigos de primeira necessidade consumidos num dia. O operário poderia, então, comprar por 2 xelins exatamente os mesmos artigos de primeira necessidade que antes lhes custavam 3. Na realidade teria baixado o valor do trabalho; mas este valor diminuído disporia da mesma quantidade de mercadorias que antes. O lucro subiria de 3 para 4 xelins e a taxa de lucro, de 100 para 200 por cento. Ainda que o padrão de vida absoluto do trabalhador continuasse sendo o mesmo, seu salário relativo e, portanto, a sua posição social relativa, comparada com a do capitalista, teria piorado. Opondo-se a esta redução de seu salário relativo, o trabalhador não faria mais que lutar para obter uma parte das forças produtivas incrementadas do seu próprio trabalho e manter a sua antiga situação relativa na escala social.” – Marx, Saláprio, Preço e Lucro

      Isso parece paradoxal e contrário à observação cotidiana, né?

      “Parece também paradoxal que a Terra gire ao redor do Sol e que a água seja formada por dois gases altamente inflamáveis.” – Marx

      • A baixa produtividade é causada por baixos salários

        Em Salários, Preços e Lucros, Marx afirma que quando os salários são baixos, a produtividade é baixa e quando os salários aumentam a produtividade aumenta, já que os capitalistas investem em tecnologia poupadora de mão-deo-obra, de forma a pagar menos salários:

        “Quanto aos limites do valor do trabalho, sua fixação efetiva depende sempre da oferta e da procura, e refiro-me à procura de trabalho por parte do capitalista e à oferta de trabalho pelos operários. Nos países coloniais, a lei da oferta e da procura favorece os operários. Daqui resulta o nível relativamente elevado dos salários nos Estados Unidos. Nestes países, faça o que fizer o capital, ele não pode nunca evitar que o mercado de trabalho esteja constantemente desabastecido pela constante transformação dos trabalhadores assalariados em lavradores independentes com fontes próprias de subsistência. Para grande parte da população norte-americana, a posição de assalariados não é mais do que uma estação de trânsito, que estão seguros de abandonar, mais tarde ou mais cedo. Para remediar este estado colonial de coisas, o paternal governo britânico adotou, há tempos, a chamada teoria moderna da colonização, que consiste em atribuir às terras coloniais um preço artificialmente elevado para, deste modo, obstar à transformação demasiado rápida do trabalhado assalariado em lavrador independente.

        Mas passemos agora aos velhos países civilizados onde o capital domina todo o processo de produção. Tomemos, por exemplo, a elevação dos salários agrícolas ingleses, de 1849 a 1859. Qual foi a sua conseqüência? Os agricultores não puderam elevar o valor do trigo, como lhes teria aconselhado nosso amigo Weston, nem sequer o seu preço no mercado. Ao contrário, tiveram que resignar-se a vê-lo baixar. Mas durante estes onze anos introduziram máquinas de todas as classes e novos métodos científicos, transformaram urna parte das terras de lavoura em pastagens, aumentaram a extensão de suas fazendas e com ela a escala de produção; e por estes e outros processos, fazendo diminuir a procura de trabalho graças ao aumento de suas forças produtivas, tornaram a criar um excedente relativo da população de trabalhadores rurais. Tal é o método geral segundo o qual opera o capital nos países antigos, de bases sólidas, para reagir, mais rápida ou mais lentamente, contra os aumentos de salários. Ricardo observou, com exatidão, que a máquina está em continua concorrência com o trabalho e, amiúde, só pode ser introduzida quando o preço do trabalho alcança certo limite; mas a aplicação da maquinaria é apenas um dos muitos métodos empregados para aumentar a força produtiva do trabalho. Este mesmo processo, que cria uma superabundância relativa de trabalho ordinário, simplifica muito o trabalho qualificado e, portanto, o deprecia.”

    • Renda média per capita não é um bom parâmetro.

      Isto é mais uma enganação contábil, explico porque.

      A renda média por capita não leva em conta diversos fatores, por exemplo o crescimento da população. Pois se a população cresce e com ela cresce o PIB há na realidade um ingresso de pessoas no cálculo que não é levado em conta. O cálculo não leva em conta a concentração ou não da riqueza. O cálculo também não leva em conta o grau de escolaridade da população que subiu em muito nestes trinta anos fazendo que a entrada no mercado de trabalho fique retardada e por consequência maior o tempo fora do mercado de trabalho.

      Como sempre, os bancos fazem cálculos toscos e errados divulgam e as pessoas não tem o mínimo senso crítico e replicam sem pensar, é muita burrice.

      • Pô! chapa. Releve as

        Pô! chapa. Releve as diferenças: Eu, burro, Tu, inteligente. Parabéns.

        A intenção primária em postar o artigo foi, dado a minha modesta, ou grandiosa ?, burrice, foi apenas trazer como os de sempre se aproveitam e ainda colocam o carimbo “Credit Suisse”.

        Mas, conceda-me o direito, mesmo que não gostes, em ficar na sala e aprender.

         

        i

  10. Voltamos aos tempos de

    Voltamos aos tempos de THC

    Empresas e familias desconfiadas ou endividadas NÂO investem nem consomem  ..o ESTADO de quatro e ideológicamente tomado por “mercanticistas”

    SOBROU tentar passar a sacolinha via PRIVATARIA (venda de patrimonio e/ou direitos de toda sociedade) pra agente externo que quiser se aventurar  ..ou aproveitar a XEPA

    https://www.youtube.com/watch?v=hcG9wSe64MQ

  11. Sr. André Araújo: vou repetir

    Sr. André Araújo: vou repetir mais uma vez que sou vendedor e me relaciono com pelo menos 200 clientes relativamente importantes. Converso com todos e a queda nas vendas foi pelo menos de 50%. É fácil, muito fácil constatar isso; é só ir a uma loja de roupas e perguntar ao vendedor. Todos nós compramos roupas e todos nós conhecemos vendedores de roupas. Alguém por acaso acha que roupa não é primordial? Roupa é um item que dá perfeitamente pra medir a força da economia sem sofismas tecnicistas. Claro está que temos de visitar varias lojas e depois tirar a média dos resultados obtidos. Então há que sair do sofá e ir à luta para poder falar com autoridade.

  12. Pois é, André Araújo. Acho

    Pois é, André Araújo. Acho que o Temer vai enviar uma MP ao congresso pondo fim à recessão. Já que conta com maioria expressiva, vai ser fácil encerrar a recessão assim.

    Poucas vezes na vida tive tão pouca fé no Brasil. Os grupos que têm o poder e que deveriam ter o conhecimento para dirigir o pais resolveram pensar unicamente em si e esqueceram de seus compromissos.  

  13. Uma questão psicológica…

    A mim parece que é uma questão puramente psicológica. Os brasileiros estão em estado de negação. Após vários anos de bom desempenho da economia com a mídia aladeando mentiras dizendo que estávamos em um desastre econômico quando na verdade não havia nada disso, a população parou de se preocupar com o desemprego e a recessão. As pessoas percebem que há uma enorme dificuldade econômica mas ficam com a impressão de que é só uma questão de tempo a melhora de sua situação. 

    Ainda vai levar um tempo para cair a ficha de que estamos em uma situação muito diferente das crises inventadas pela imprensa para atacar os governos etistas e que o GOLPE nso fez perder a perspectiva de recuperação da economia e que a situação ficará cada vez mais difícil por um longo tempo, talvez mesmo permanentemente. Quando essa ficha cair não sei o que vai acontecer, mas alguma coisa vai acontecer.

    • Bem colocado

      Acho que deva ser isso mesmo, parece realmente que ainda não caiu a ficha. Além disso, tem muita gente que leva a Dupla Mereles-Goldfian a sério…

    • Exatamente, parecemos zumbis

      O povão está anestesiado, correndo atrás de emprego como barata tonta. A classe média ainda nem entedeu que foi/é manupulada pela mídia. E as esquerdas estão atordoadas, pelo tamanho da porretada que levaram.

      Enquanto isso as aves de rapina fazem a festa: não é assim que os animais caçam. Provocam pânico e atordoamento e depois atacam.

      Quando a ficha cair vai muito tarde e teremos perdido tempo demais. O Brasil vai levas décadas para se levantar desses 2 anos de abismo.

      Estamos todos em estado zumbi, indo pro abismo neoliberal.

      O povo é manso demais. É tudo carneirinho. E quem os tange não é Deus, mas o Lobo-Mau!

  14. Sem nada….

    Sem nada  de “inteligente” para comentar faço um pouco de Humor

    Frase do Meirelles n momento da foto:

    -E então voces ver, o estado vai ficar deeeeeeste tamaninho………

  15. O meirelles são as mãos do

    O meirelles são as mãos do capital financeiro nos cofres públcos. Ele não é burro, sabe o que está fazendo. A conversa de que a recessão está no fim é para os irmãos Marinho transformarem em notícia no JN. Faz parte do teatro macabro dos golpistas. 

  16. Acho que Meirelles insiste

    Acho que Meirelles insiste num plano – que nada mais é que a continuação elevada ao quadrado do que o Levy começou a fazer – não por ignorância, mas porque ele é uma pessoa que não tem a menor ligação com o país, como o André já nos informou. Se a bomba estourar, ele se demite ( Temer nem pra demitir Meirelles tem ou teria força )e vai pra Nova York, enquanto aqui o país pode começar a entrar num período de caos institucional como houve com a Argentina com o fim da paridade do dolar e o confisco dos pesos. Houve 5 presidentes em um mês, se não me engano. 

  17. https://origin-www.bloombergv

    https://origin-www.bloombergview.com/articles/2016-03-22/friedman-s-money-dropping-helicopter-gains-speed

    DINHEIRO DE HELICOPTERO segundo Milton Friedman : O papa da segunda escola monetarista, a de Chicago, Milton Friedman, sugere que para acabar uma recessão profunda o mais racional metodo é JOGAR DINHEIRO DE HELICOPTERO para que os transeuntes peguem e passem a  gastar, assim reativando a economia.

    Segundo Friedman, que não oferecia almoço gratis, É MAIS BARATO PARA O PAIS JOGAR DINHEIRO DE HELICOPTERO DO QUE BANCAR OS CUSTOS DE UMA RECESSÃO PROLONGADA.

    A atual politica economica aqui faz o contrario: diante de uma recessão prolongada ENCOLHE O DINHEIRO E TRAVA AINDA MAIS A ECONOMIA, o bisturi dessa operação é a INFLAÇÃO NO CENTRO DA META que agora querem reduzir para 3%.

     

    • Distribuir dinheiro equivaleria a apagar incendio com gasolina

      Eu acho que distribuir dinheiro aos transeuntes poderia até aquecer a economia, pois a demanda aumentaria, mas isso só seria possível na hipótese da recessão ser causada pela superprodução. No médio prazo, o mercado de trabalho absorveria trabalhadores desempregados, aumentando a (super)-produção e piorando o quadro recessivo/depressivo. No caso de escassez da oferta, a distribuição de dinheiro aos transeuntes e o conseqüente aumento da demanda só faria piorar o quadro recessivo, fazendo a economia se tornar hiperinflacionária.

      No caso da superprodução, o melhor a fazer seria reduzir a jornada de trabalho.

      As crises são inerentes ao modo de produção capitalista.

      • Não há incendio algum, há uma

        Não há incendio algum, há uma paz de cemiterio na economia por falta  de RENDA que causa falta de DEMANDA mas há enorme capacidade ociosa nos ativos de produção, as fabricas de cimento estão operando com 30% da capacidade, o aumento de poder de compra aumenta a produção sem causar inflação por causa da CAPACIDADE OCIOSA em todos os setores da economia, de barbeiros a siderurgicas. Não entendi seu raciocinio, não há nsqse quadro atual risco de hiperinflação e sequer de inflação pois o primeiro degrau da inflação é a escassez de mão de obra que gera aumento de salarios, estamos ha anos luz disso.

        • Para você, AA, o problema está na demanda, não na oferta

          Sr. André, ao afirmar que o arrefecimento da economia não é efeito da baixa oferta, mas da baixa demanda, você reconhece que a crise é de superprodução. Ora, se a crise é de superprodução, ao distribuir dinheiro aos transeuntes, a demanda vai se elevar, a economia vai se aquecer, os empresários vão ficar eufóricos e contratar trabalhadores, o que fará aumentar ainda mais a produção. Em pouco tempo, essa solução vai se tornar um problema ainda maior, pois recrudesceria o quadro recessivo/depressivo, com uma super-produção ainda mais profunda.

          Ora, se a crise atual é de superprodução, o aquecimento da economia, decorrente da distribuição de dinheiro aos transeuntes e os conseqüentes aumento da demanda e da absorção de trabalhadores pelo mercado de trabalho, só faria aumentar ainda mais a superprodução, o que equivaleria a apagar incêndio com gasolina.

          Numa economia em crise por causa da superprodução, a receita do Milton Friedman só funcionaria se a distribuição de dinheiro àqueles cuja demanda é reprimida por falta de renda fosse complementada pela redução da jornada de trabalho.

          Eu não disse que, nessa hipótese, haveria inflação ou hiperinflação, mas, a médio prazo, a produção aumentaria muito mais, tornando-se um problema ainda maior, piorando, portanto, a situação.

          “Para nós, não se trata de reformar a propriedade privada, mas de sumprimí-la; não se trata de atenuar os antagonismos de classe, mas de abolir as classes; não se trata de melhorar a sociedade existente, mas de estabelecer uma nova.” Marx e Engels

          Será que eu me fiz entender dessa vez eu me embananei mais ainda de dinamite?

          • A solução monetária só agravaria o problema

            Se a crise derivasse do subconsumo, a solução monetária seria de fato uma solução. Mas a crise não é de subconsumo, mas de superprodução. Nesse caso:

            “Em resposta aos seus pares do cenário político e econômico que buscavam soluções aos problemas do desemprego em massa e da recessão pelo “lado da oferta” – ou seja, eliminando as barreiras ao livre mercado, tais como os sindicatos, que na visão desses economistas restringiam a capacidade do mercado para encontrar o “equilíbrio natural” para os salários – Keynes “inclinou a vara” na direção oposta e simplesmente focalizou a questão da demanda, ou da “demanda efetiva” como ele se referia – ou seja, a capacidade dos produtores de mercadorias de encontrar a vontade compradora que seja capaz de pagá-las (em oposição à demanda no sentido das “necessidades” ou “desejos” na sociedade).

            Como já explicamos anteriormente, Keynes via a crise da Grande Depressão como um círculo vicioso no qual o alto desemprego resultava em uma demanda efetiva reduzida por mercadorias, o que, por seu lado, levava as empresas a reduzir ou fechar, e dessa forma aumentar o desemprego ainda mais. Em tal situação, Keynes acreditava que estímulos governamentais eram necessários para dar um impulso à demanda efetiva e, dessa forma, transformar o círculo vicioso em virtuoso, com demanda crescente do governo levando a uma expansão da produção e do emprego, e, dessa forma, salários mais elevados e maior demanda por bens de consumo etc., etc.

            Para Keynes, qualquer estímulo seria suficiente, como ironicamente comenta em A Teoria Geral: “A construção de pirâmides, os terremotos e mesmo as guerras podem servir para aumentar a riqueza, se a cultura de nossos estadistas sobre os princípios da economia se mantiver em um caminho algo melhor…

            “(…) Se fosse para deixar o Tesouro cheio de notas bancárias, seria mais adequado enterrá-las em velhas garrafas nas profundezas das minas de carvão em desuso, que são atualmente preenchidas até a superfície com o lixo urbano, e entregá-las às empresas privadas com seus preciosos princípios de laissez-faire para extrair mais uma vez as notas (o direito de fazer isto seria obtido, naturalmente, através de concurso para arrendamento da área minerável de notas), não haveria mais desemprego e, com a ajuda das repercussões do fato, a renda real da comunidade, e sua riqueza de capital também, provavelmente se tornariam um bom negócio, maior do que realmente é. Seria, de fato, mais recomendável construir moradias e coisas semelhantes; mas, se houver dificuldades políticas e práticas neste último caminho, a recomendação acima seria melhor que nada” (A Teoria Geral, capítulo 10, Keynes).

            O New Deal dos EUA nos anos 1930 é frequentemente citado como um êxito das políticas do keynesianismo, mas, como o episódio de “Donos do Dinheiro” sobre Keynes sublinhou, foi somente a militarização da economia durante a II Guerra Mundial que deu um fim à Grande Depressão, um processo que terminou em milhões de mortos, na destruição de gigantescas quantidades de capacidade de produção da sociedade e levou a uma dívida pública de mais de 200% do PIB em países como a Grã-Bretanha – dificilmente isto pode ser considerado um êxito!

            Subconsumo e superprodução

            Essencialmente, a explicação keynesiana da crise é uma teoria de “subconsumo” – ou seja, de uma falta de demanda dos consumidores para as mercadorias que são produzidas. Como já explicamos em outra ocasião, o marxismo, em contraste, vê a crise capitalista como uma crise de “superprodução” – ou seja, que o capitalismo é inerentemente incapaz de encontrar um mercado para todas as mercadorias que são produzidas. Isto decorre do fato de que o capitalismo é produção para o lucro, e este lucro é simplesmente o trabalho não pago da classe trabalhadora. Em outras palavras, a classe trabalhadora é sempre paga em salários menos do que o valor que ela cria no processo de trabalho; dessa forma, sua capacidade de comprar as mercadorias que produz é sempre menor que o valor total destas mercadorias. Mercadorias são produzidas, mas não podem ser vendidas; o lucro não pode ser realizado; a produção cessa e o sistema entre em crise.

            A ideia keynesiana de criar demanda através de estímulos governamentais é basicamente idealista e antidialética. Uma só questão deve ser respondida: onde os governos obtêm o dinheiro para estes estímulos? Se o dinheiro vem dos impostos, então isto quer dizer: ou tributar a classe capitalista, o que significa uma mordida em seus lucros, criando uma greve de capital e, dessa forma, reduzindo investimentos; ou tributar a classe trabalhadora, o que reduzirá o seu poder de consumo e, dessa forma, reduzindo a demanda – o oposto do que os estímulos governamentais pretendiam fazer!

            Em tempos modernos, o governo foi recorrendo cada vez mais ao empréstimo de dinheiro do mercado financeiro, através da venda de bônus governamentais. Mas com o socorro financeiro dos bancos e com o colapso das receitas fiscais, os países foram deixados com grandes dívidas e déficits, e os mercados financeiros globais, em vez de financiar os empréstimos do governo, estão insistindo para que os governos cortem o gasto público.

            Para os keynesianos e líderes reformistas do movimento dos trabalhadores, que se inspiram nas ideias keynesianas, a resposta é simples: devemos tributar os ricos e aumentar salários! Mas sob o capitalismo, como explicamos acima, a produção é para o lucro e a classe trabalhadora nunca pode receber em salários o valor pleno das mercadorias que produz, como Marx explicou em O Capital em resposta às teorias subconsumistas de seus dias: “É mera tautologia dizer que as crises decorrem da carência de consumo solvente ou de consumidores capazes de pagar. O sistema capitalista não conhece outra espécie de consumo além do solvente, excetuados os casos do indigente e do gatuno. Ficarem as mercadorias invendáveis significa apenas que não encontraram compradores capazes de pagar, isto é, consumidores (sejam as mercadorias compradas, em última análise, para consumo produtivo ou para consumo individual). Mas se, para dar a essa tautologia aparência de justificação mais profunda, se diz que a classe trabalhadora recebe parte demasiado pequena do próprio produto, e que o mal estar seria remediado logo que recebesse parte maior, com aumento dos salários – bastará então observar que as crises são sempre preparadas justamente por um período em que os salários geralmente sobem e a classe trabalhadora tem de maneira efetiva participação maior na fração do produto anual destinada a consumo. Esse período, de acordo com o ponto de vista desses cavalheiros do ‘simples’ bom-senso, teria, ao contrário, de afastar as crises. A produção capitalista patenteia-se, portanto, independente da boa ou má vontade dos homens, implicando condições que permitem aquela relativa prosperidade da classe trabalhadora apenas momentaneamente e como sinal prenunciador de uma crise”).

            Igualmente, a explicação keynesiana para a crise não é, na verdade, uma explicação das causas da crise capitalista. Na melhor das hipóteses, é uma explicação da continuação ou aprofundamento de uma crise que já existe na economia, ou uma recomendação de como os governos podem tentar escapar de uma crise sem sair dos limites do capitalismo. Se uma carência de demanda solvente – ou seja, o subconsumo – é a culpada da crise, então apenas se pode perguntar: o que levou a este subconsumo em primeiro lugar? Como Engels afirmou em sua polêmica contra Dühring: “[O] subconsumo das massas, a restrição do consumo das massas do que necessitam para sua manutenção e reprodução, não é um fenômeno novo. Existe desde que há classes exploradoras e classes exploradas…

            “(…) O subconsumo das massas é condição necessária a todas as formas de sociedade baseadas na exploração, consequentemente também à forma capitalista; mas é a forma capitalista a que primeiro causou crises. O subconsumo das massas é, portanto, uma condição pré-requisito das crises e desempenha nelas um papel que é reconhecido há muito tempo. Mas isto nos diz muito pouco por que as crises de hoje não são como as crises anteriores” (Anti-Dühring, Parte III, capítulo 3, Engels).

            Em outras palavras, uma vez que a classe trabalhadora nunca pode comprar todas as mercadorias que ela produz, por que o capitalismo não está sempre em crise?

            Historicamente, esta contradição da superprodução tem sido superada através do papel do investimento, através do qual os capitalistas gastam e investem continuamente uma grande porção de seus lucros em novos meios de produção – em pesquisa e nova maquinaria, para elevar a produtividade, reduzir custos, ganhar uma maior fatia do mercado e aumentar os lucros ainda mais. Como explicado anteriormente, é este investimento, decorrente da concorrência e da busca de lucros, que permite ao capitalismo desempenhar um papel historicamente progressista no desenvolvimento dos meios de produção. Mas, como também foi explicado anteriormente, este reivestimento de lucros, em vez de resolver a contradição da superprodução e restaurar o equilíbrio econômico, somente cria forças produtivas ainda maiores – produzindo maiores quantidades de mercadorias e valores, que devem ainda ser vendidas em um mercado continuamente restrito – dessa forma, exacerbando as contradições e preparando o caminho para maiores crises no futuro.

            O investimento improdutivo – tal como o exemplo anterior dado por Keynes de enterrar garrafas velhas cheias de notas bancárias – também foi usado no passado para proporcionar demanda e criar empregos. Por exemplo, havia um determinado número de supostos marxistas durante o boom do pós-guerra que acreditava que o gasto militar do governo poderia ser usado para se evitar, de forma permanente, uma crise. Mas, como já foi apontado, os governos não podem simplesmente “criar” demanda; na realidade, eles devem levantar seu dinheiro tomando um pedaço da riqueza ou dos capitalistas ou dos trabalhadores. Este investimento improdutivo é gasto sem se produzir qualquer valor real e serve como capital fictício, que, no final das contas, gera inflação – ou seja, aumenta a circulação de dinheiro na economia sem gerar um valor equivalente que também está na circulação. Isto é exatamente o que foi visto no final do boom do pós-guerra, por meio do qual as políticas keynesianas levaram à crise dos anos 1970, em que a estagnação econômica veio acompanhada do aumento da inflação – um fenômeno nunca visto antes conhecido como “estagflação”.

            Tudo isto mostra a natureza antidialética e mecânica do keynesianismo e outras soluções reformistas das crises, que não segue através das implicaçãoes de suas sugestões até a sua conclusão lógica. Se o investimento é utilizado para evitar uma crise, isto significa investir em algo material – ou seja, em meios de produção, que logo devem produzir mais mercadorias, dessa forma aumentando a crise de superprodução. Se os salários devem ser aumentados para aumentar a demanda, isto significa uma mordida nos lucros dos capitalistas; mas isto, por sua vez, reduz os investimentos, que, sob o capitalismo, são guiados para fazer lucros. Se a demanda deve ser “criada” através de estímulos governamentais, isto, na realidade, significa ou tomar dinheiro dos capitalistas e dar uma mordida em seus lucros, ou tomar dinheiro da classe trabalhadora e reduzir a demanda do consumidor. 

            Em contraste à economia burguesa, o marxismo busca examinar a economia dialeticamente – quer dizer, o marxismo busca explorar todas as implicações de qualquer ação; ver a interconexão e a retroalimentação entre diferentes processos e fenômenos; examinar o sistema em seu movimento e em toda a sua complexidade. A economia marxista vê as contradições dentro do processo em jogo e mostra como estas contradições sempre podem ser resolvidas, mas unicamente criando novas contradições no processo. Este é o caso com o capitalismo: uma crise sempre pode ser evitada temporariamente, mas isto só serve para fortalecer as contradições e pavimentar o caminho para uma crise maior no futuro.”

            http://www.marxismo.org.br/content/marx-keynes-hayek-e-a-crise-do-capitalismo/

          • Caro André, a paralisia é decorrente da superprodução

            Sr. André, assim como depois da tempestade vem a bonança, depois da superprodução vem a escassez:

            “A partir do início do século XIX, da época em que surgiu a grande indústria mecânica, o curso da reprodução ampliada capitalista é interrompido periodicamente pelas crises econômicas.

            As crises capitalistas são crises de superprodução. As crises manifestam-se, antes de tudo, em que as mercadorias não encontram saída porque foram produzidas em quantidade maior do que podem comprar os principais consumidores — as massas populares, cujo poder aquisitivo está limitado dentro de marcos muito estreitos. Os “excedentes” de mercadorias entulham os depósitos. OS CAPITALISTAS DIMINUEM A PRODUÇÃO E DISPENSAM OPERÁRIOS. Centenas e milhares de empresas são fechadas. Cresce aceleradamente o desemprego. Grande número de pequenos produtores da cidade e do campo são arruinados. A falta de saída para as mercadorias produzidas leva ao transtorno do comércio. Rompem-se as relações de crédito. Os capitalistas sentem uma carência aguda de dinheiro em mão para os pagamentos. O “crack” irrompe nas bolsas — caem aceleradamente as cotações das ações e de outros títulos. Espraia-se a onda de bancarrotas de firmas industriais, comerciais e bancárias.

            A superprodução de mercadoria na época das crises não é absoluta, mas relativa. Isto significa que o excesso de mercadoria existe apenas em comparação com a procura solvente, mas não em comparação com as necessidades reais da sociedade. Durante as crises, as massas trabalhadoras sentem uma privação particularmente aguda do mais essencial, suas necessidades são satisfeitas em condições piores do que em qualquer outra época. Massas de milhões passam fome porque foi produzido demasiado ’ trigo, pessoas padecem de frio porque se extraiu “demasiado carvão. Os trabalhadores são privados dos meios de vida, precisamente porque produziram estes meios de vida em quantidade demasiada. Tal é a escandalosa contradição do modo de produção capitalista, no qual, segundo as palavras do socialista utópico francês Fourier, “a abundância torna-se fonte de indigência e privações”.”

            Marx e Engels foram precisos a esse respeito já em 1848:

            “As relações burguesas de produção e de intercâmbio, as relações de propriedade burguesas, a sociedade burguesa moderna que desencadeou meios tão poderosos de produção e de intercâmbio, assemelha-se ao feiticeiro que já não consegue dominar as forças subterrâneas que invocara. De há decénios para cá, a história da indústria e do comércio é apenas a história da revolta das modernas forças produtivas contra as modernas relações de produção, contra as relações de propriedade que são as condições de vida da burguesia e da sua dominação. Basta mencionar as crises comerciais que, na sua recorrência periódica, põem em questão, cada vez mais ameaçadoramente, a existência de toda a sociedade burguesa. Nas crises comerciais é regularmente aniquilada uma grande parte não só dos produtos fabricados como das forças produtivas já criadas. Nas crises irrompe uma epidemia social que teria parecido um contra-senso a todas as épocas anteriores — a epidemia da sobreprodução. A sociedade vê-se de repente retransportada a um estado de momentânea barbárie; parece-lhe que uma fome, uma guerra de aniquilação universal lhe cortaram todos os meios de subsistência; a indústria, o comércio, parecem aniquilados. E porquê? Porque ela possui demasiada civilização, demasiados meios de vida, demasiada indústria, demasiado comércio. As forças produtivas que estão à sua disposição já não servem para promoção das relações de propriedade burguesas; pelo contrário, tornaram-se demasiado poderosas para estas relações, e são por elas tolhidas; e logo que triunfam deste tolhimento lançam na desordem toda a sociedade burguesa, põem em perigo a existência da propriedade burguesa. As relações burguesas tornaram-se demasiado estreitas para conterem a riqueza por elas gerada. — E como triunfa a burguesia das crises? Por um lado, pela aniquilação forçada de uma massa de forças produtivas; por outro lado, pela conquista de novos mercados e pela exploração mais profunda de antigos mercados. De que modo, então? Preparando crises mais profundas e mais devastadoras, e diminuindo os meios de prevenir as crises.”

             

            Como praticamente não é mais possível expandir os mercados, pois o capitalismo está sob todo o globo, exceto na Coréia do Norte, nem é possível uma guerra destruidora de forças produtivas, como a 2ª guerra mundial, de forma a fazer as forças produtivas recuarem ao nível das relações de produção burguesa, o capitalismo praticamente está em crise permanente. E a impressão de dinheiro não é solução, se fosse, os EUA teriam saído da crise logo em 2009, pois em 2008 eles abarrotaram a economia de dólares. Apesar desse tsunami monetário, ainda hoje a economia dos EUA patina.

  18. Economistas precisam trabalhar

    A sociedade precisa enquadrar os economistas e exigir deles o trabalho que temos (me incluo) capacidade de realizar.

    O povo precisa entender que não se deve escolher a melhor política econômica. Primeiro se deve eleger que tipo de desenvolvimento queremos, depois sim empregar os economistas para estudar quais políticas vão naquela direção e quais impedem os resultados pretendidos.

    A política econômica atual está corretíssima para aqueles que defendem um projeto de redução da economia popular e trabalham a favor de maior concentração de renda, patrimônio e poder, nesta ordem. Está errada para quem quer desenvolvimento e ganho civilizatório.

    É preciso desmascarar os professores de deus que receitam ações sem confessar seus propósitos e a quem querem favorecer.

    A economia deve ser dirigida pela Política. Os policymakers só devem vir a reboque.

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