21 de maio de 2026

A palavra do presidente, por Sr. Semana

Resumo agora a crônica dos primeiros dias desta semana quando o Brasil foi o centro das atenções mundiais.

A palavra do presidente

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por Sr. Semana

A palavra de um presidente da república, dita num púlpito, numa declaração oficial ou num vídeo gravado em seu gabinete, pode dizer a mesma coisa dita por um fanático bloqueando uma rodovia ou, em outro extremo, por um intelectual. Segundo a teoria dos atos de fala do filósofo John Searle, as mesmas palavras têm força ilocucionária (o que é feito com o ato de fala) e perlocucionária (o impacto do ato de fala nos ouvintes) distintas em função de quem as pronuncia. As palavras antidemocráticas de um manifestante bloqueando uma estrada podem ter a força ilocucionária de um ato criminoso e a força perlocucionária de motivar agressões físicas. Estas mesmas palavras ditas por um presidente podem ter a força ilocucionária de uma declaração de guerra civil e a força perlocucionária de levar milhares de seguidores para as ruas dispostos a matar ou morrer.

Resumo agora a crônica dos primeiros dias desta semana quando o Brasil foi o centro das atenções mundiais.

Pouco após a divulgação do resultado da eleição pelo TSE o presidente eleito do Brasil falou que governará para todos os brasileiros, tentará reunir o país e as famílias.

Logo em seguida ouvimos as palavras de vários outros presidentes. Cito somente as de dois presidentes de países que estão entre os mais importantes do mundo. O dos Estados Unidos parabenizou o presidente eleito pela vitória e afirmou a lisura do processo eleitoral. O da França gravou um vídeo da sua conversa com o presidente eleito expressando todo o seu alívio com a perspectiva de alternância de poder no Brasil, do retorno de um presidente civilizado ao comando de uma das maiores nações do planeta.

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Após um silêncio ensurdecedor de quase dois dias, o atual presidente do Brasil, em pronunciamento de dois minutos, não reconheceu sua derrota eleitoral e declarou que os protestos contra o resultado das eleições bloqueando estradas e causando todo tipo de prejuízo pessoal e econômico são justos, embora condenando sua forma.

Em muitos dos seus seguidores fanáticos, primeiro o silêncio, depois os dois minutos de palavras tiveram a força ilocucionária de declaração de desobediência civil e perlocucionária de produção de ódio e violência. Lembro-me de um dos seus primeiros discursos na ocasião de sua eleição quatro anos atrás: a “petralhada” iria para a ponta da praia, base da Marinha na Restinga de Marambaia onde corpos de vítimas da ditadura eram clandestinamente descartados. O contraste com a palavras do presidente agora eleito não poderia ser maior. As do presidente em fim de mandato parecem dirigidas ao submundo, a uma horda de fanáticos, à deep web, este Hades da contemporaneidade. As do presidente eleito foram dirigidas a todos cidadãos e cidadãs, às instituições brasileiras que esperam uma reconstrução do estado e da sociedade, e mesmo à ágora mundial que espera uma reversão da destruição em curso da Amazônia.  Caso assuma a presidência e possa levar o seu mandato a bom termo, como esperamos nós democratas, ouviremos várias palavras do presidente eleito, ex-presidente calado por quase dois anos por decisão injustificável dos seus juízes algozes. Não faltarão às palavras presidenciais forças ilocucionárias favoráveis à justiça social, à saúde, à ciência e à educação, nem forças perlocucionárias em favor da paz mundial, da união dos brasileiros e da compaixão pelos mais pobres.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para dicasdepauta@jornalggn.com.br.

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