Entrevistas BRD, N&P, Pi (π): Considerações, por Rui Daher

Por Rui Daher

Clima esplêndido, céu azul na capital do Tucanistão, sábado que iniciou o “Quando Setembro Vier”, filme de 1961, dirigido pelo ótimo Robert Mulligan. No elenco, entre velhos e mortos, Rock Hudson, Gina Lollobrigida, Sandra Dee, Bobby Darin. Cinéfilos com a minha idade devem se lembrar.

Não o confundam, porém, com “Candelabro Italiano” (EUA, 1962), de Delmer Daves, com gente bonita: Troy Donahue, Suzanne Pleshette, Angie Dickinson, Rossano Brazzi. Música? Claro, Max Steiner.

Naquela época, lembro, ia quase todos os dias ao cinema. Incomodou-me o tal Troy. Alto, loiro, olhos azuis e eu, bem eu…

Emulados por ligação de uma secretária da Mark Zuck Tools & Co. Ltd., relatando que o “Principal” (assim são chamados no capitalismo atual aqueles que mandam em tudo) havia gostado muito da entrevista com o dono da Rua Farme de Amoedo, Rio de Janeiro, resolvemos, na forma tradicional, comemorar na Redação.

Não sei se exageramos, mas eu só fui notar que havia cortado o cabelo 12 horas depois, quando cheguei em casa e a Cléo de voleio: “tanto tempo assim para um corte de cabelo?”

– Gostou, querida?

Uns rabiscos em papeluchos misturados a duas notas de 10 reais no bolso mostravam que em algum momento fomos profissionais. Assim: 12 candidatos x 5 semanas/1º turno = cortes … quem fica?

O papelzinho e o vaso sanitário foram me relembrando a conversa da manhã. A voz de Pestana:

– O que fazer?

Nestor responde:  

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– Peça para o Darcy perguntar ao Lênin.

– Duas opções: os melhores posicionados nas pesquisas ou os mais imbecis. Tanto faz. Do jeito que são, as pilhérias estão garantidas.

– A última hipótese dará muito trabalho. A seleção.

– Vamos aos mais bem colocados nas pesquisas. Os demais já são galhofas por si só, pelo menos eleitoralmente.

– Certo. Sugira.

– Álvaro, Ciro, Geraldo, Jair e Marina.

– Faz sentido. Mas e o Haddad?

– Já está no 2º turno. Entrevistamos na ocasião.

– Merda! Assim deixamos o cabo de fora.

– Preferia ele dentro? Eu não.

Ríamos, quando entra na Redação, Everaldo, o armário de lost & founds do nosso grupo de comunicação.

– Ô Nestor, não sobrou uma aí pra mim? Chegou uma cartinha pra vocês e achei importante.

– Everaldo, senta e prova essa que o chefe ganhou de um amigo de Avaré.

Abro o envelope. Ofício nº 35.515.7298-09823 do Tribunal Superior Eleitoral da República Federativa do Brasil.

“Ficam os responsáveis pelo Grupo BRD/N&P/Pi obrigados, em prazo de 5 dias úteis, a retirar do Jornal GGN, a entrevista que fizeram com o candidato à Presidência da República, Sr. João Dionísio F. B. Amoêdo.

Caso isso não ocorra no prazo estipulado, o NOVO, partido do candidato, entrará com processo na Justiça do Paraná, de onde emana toda a sapiência jurídica do País, tendo já escolhida a juíza Carolina Lebbos para conduzir a ação”.

Assina, Rosa Maria Pires Weber – Presidente  

Leio em voz alta o teor do Ofício. Ao final, todos pálidos, lívidos.

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– E agora?

Abro a velha e amarfanhada cadernetinha com números de telefones e realizo a chamada:

– Então é assim, né “Luxemburgo”? Querendo assustar o amigo?

(as gargalhadas não param do outro lado)

– Ah entendo, largou o Luxemburgo e agora é Passos. Rosinha, pelo feito da semana passada, poderia ser Rosa de Hiroshima. Puta estrondo, querida.

– Gostou da entrevista? Ótimo. Achei que fui até leve com o banqueiro, data vênia. Hahaha!

Enquanto ouve, Rui não para de rir.

– Então tá, passo aí, sim. Um abraço no Telmo. Saudades. Beijo.

Diante da curiosidade geral:

Caros, a ministra Rosa Weber é apenas 3 anos mais nova do que eu. Como vocês sabem, por parte de mãe, minha família é toda do Rio Grande do Sul. Os Marin, que pouco uso, nasceram em Pelotas e lá ficaram. Outros saíram para morar em Porto Alegre, o que me fazia visitar com frequência o Rio Grande. Com pai médico e mãe pecuarista, e eu envolvido com os adubos, eles com agropecuária, acabei me aproximando da família. Eu e Rosinha ficamos muito amigos, o que se mantém até hoje.

Pilheriava com ela trocando seu sobrenome de Weber por Durkheim, Marx, Hegel, de preferência nomes da esquerda, sabendo-a reacionária. Não ouviram, Luxemburgo, Hiroshima? Disse que agora, prefere Rosa Passos, a cantora.

Everaldo toma mais uma, pede licença, e sai.

https://www.youtube.com/watch?v=uoUCEoTB4PQ]

[video:https://www.youtube.com/watch?v=kjCdFGsuq7Q

 

 

 

 

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4 comentários

  1. A Biologia Explica o Que Freud Não Conseguiu

    Nassif: descobri o problema do MelianteOperárioNordestino no TSE. Questão de herança gen-ética. 

    A presidenta da Vara Superior de Suplicação Eleitoral, dizem tem cromosso XX originário das coxilhas dos pampas. Já o XY parece recessivo. 

    E não pense que esse pessoal é ruim, só porque “laçam, ferem, marcam e matam”. É da lida. Trata-se de pessoal bom, trabalhador, bravo lutador. 

    Mas, como o caso, quando discamba pra outras atividades, especialmente a Judiciária, o caldo entorna. E é ai que mora o perigo. 

    Geralmente, na atividade fora da campina, trazem um ar angelical na fisionomia. Sorriso morno, olhar vago, de quem evita encarar para esconder a maldade contida na alma.

    Atirados, querem galgar as alturas a qualquer preço. Quando odeiam odeiam de corpo inteiro e, enquanto não destruir o inimigo, não têm sossego.

    Já o escrevinhador do Libelo Condenatório, figura mitológica no ramo do direito, aparentemente, parece trata-se de um caso de empatia com os princípios de Alfred Rosemberg. Nada de “racismomo”. Apenas aversão a pobre, negro, operário, nordestino e outras minorias. De sengue azul, sonha com a realeza. Dizem sonha ser Duque. Mas se contentaria com o título de Barão.

    A pintura em tons fortes não é uma crítica. Apenas constatação. Pois é neste contexto que se encontra o SapoBarbudo.

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