4 de junho de 2026

Como fazer do Brasil uma colônia 2.0, por Fernando Brito

Enviado por Adir Tavares

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Por Fernando Brito, no Tijolaço

Recomendo, a quem se interessa por economia, por projeto nacional de desenvolvimento ou, simplesmente, para quem se interessa por nosso país a leitura da reportagem de Marcus Mortari, publicada sexta-feira pelo Infomoney.

Trata das ameaças da “política econômica” do Governo Temer sobre as empresas brasileiras que, com Lava Jato e recessão, vão mal das pernas e serão, com o apoio do crédito estatal, fortes candidatas a desaparecerem, “chupadas” pelo capital estrangeiro.

Mortari trata especialmente de um decreto editado por Temer em janeiro, incluindo uma série de áreas nas quais os bancos públicos brasileiros podem  oferecer garantias financeiras  às empresas estrangeiras interessadas em operar no país.

Entre elas, o petróleo, a indústria têxtil, a saúde (serviços e produtos farmacêuticos), educação, turismo e até o comércio.

Com o decreto, o Brasil vai poder – vejam a insensatez – subsidiar com dinheiro do BNDES a compra de empresas brasileiras nestes setores por grupos internacionais ou mesmo financiar a exploração do nosso petróleo retirado do controle da Petrobras, com a eliminação da exigência de que seja ela a operadora do pré-sal, assim como de novas áreas que venham a ser licitadas e concedidas às petroleiras internacionais.

Ou, alternativamente – o que parece ser a intenção do governo – oferecer, via bancos públicos, garantias contra riscos cambiais para que grupos de fora tomem crédito em dólar para estas aquisições e fiquem imunes à variação da moeda.

No texto de Mortari se registram as apreensões de economistas sobre os riscos dar garantias cambiais a setores que não geram receita em dólar. E que “a expansão de mercado das empresas estrangeiras vai se dar no pior momento possível”, em que as concessões não se dará em igualdade de oportunidade para a empresa nacional e para o investidor estrangeiro.  Como diz ma reportagem o o economista Felipe Rezende: “Eles vão nadar de braçada”.

Creio, porém, que com tudo isso, exceto nos setores onde a propriedade  de jazidas possa esperar o tempo e afora as picaretagens financeiras de curto prazo, não haverá a tal “enxurrada ” de investimentos no Brasil, e não só porque a economia mundial segue em compasso de espera.

É porque o Brasil desceu à condição de um país “desconfiável”, inseguro, onde as regras mudam e mudam de acordo com um jogo político brutal, manipulado e selvagem.

Virou algo assim como um Congo, com todo o respeito aos dois  Congo, mais uma colônia. Moderno, urbano, mas um país sem luz própria, que não cultiva seu próprio destino, mas o entrega.

Colônia, ainda que 2.0.

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8 Comentários
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  1. Juliano Santos

    13 de março de 2017 1:52 pm

    O Brito foi elegante. Meu

    O Brito foi elegante. Meu título seria “com fazer do Brasil um bordel”. Com prostitutas de luxo porém baratas. O unico caso no mundo onde o cafetão patrocina o cliente 

    1. +almeida

      13 de março de 2017 2:43 pm

      Na mosca

      Acertou na mosca, Juliano. Excelente

    2. ze sergio

      13 de março de 2017 3:03 pm

      o….

      Seria inacreditável se não fosse o Brasil. Mais inacreditável é vazar tais idéias e não estarmos à beira de uma guerra civil com tais atentados à soberania nacional. Até ontem, os mesmos, diziam que dinheiro do BNDES não podeia ser usado para alavancar empresas genuinamente nacionais. Usaremos para aumentar nossa escravidão. Escravidão que criamos, aceitamos e alimentamos. 

  2. jossimar

    13 de março de 2017 3:24 pm

    E o pior é que assistimos a

    E o pior é que assistimos a tudo isto como carneiros.

    Temos mais é que nos foder mesmo.

    Assim como o covarde PSG se fodeu por seis vezes diante do barcelona.

  3. AMORAIZA

    13 de março de 2017 3:39 pm

    Merecido?

    Por maior que tenha sido a lavagem cerebral sofrida pelo povo; por mais iludido com as promessas do “fim da corrupção com o  Fora Dilma” , não é de se dizer que a população não mereça sofrer as consequências de seu ato político.

     

  4. drigoeira

    13 de março de 2017 5:09 pm

    Brasil nunca deixou de ser colônia

    Muda o título aí!!!

  5. Victor Suarez

    13 de março de 2017 5:27 pm

    Temos de reconhecer que a

    Temos de reconhecer que a elite letrada do Brasil é fraquinha e tende para a vassalagem por qualquer Mercê. A nossa esquerda tende mais para o liberalismo europeu que para o desenvolvimentismo, além de se contentar com “conquistas” das minorias. Não temos mais elite industrial, todos são rentistas, até o funcionário público é rentista do Tesouro Direto. Todos querem mamar no Estado sem nada produzir. Em breve o Brasil, que já é um nada internacional voltará ao Mapa da Fome e de todas as tragédias do passado. E tudo isso, não se enganem, com o apoio dos colonizadores.

  6. jose carlos lima...

    14 de março de 2017 5:39 am

    A desnacionalização( leia-se

    A desnacionalização( leia-se entreguismo) foi pensada e colocada por um reles juiz de primeira instância, o tucano Sérgio Moro. Ele colocou seus planos diabólicos no papel, deu o golpe de Estado e hoje defende a quadrilha que tomou de assalto o poder: Moro teve quanto votos para, na condição de eleito, implementar tais mudanças? Nenhum. Por isso as implementa através do único meio possivel prá isso: o golpe de Estado, com apoio da Globo. Mas um na nossa lamentável história

    Como a Lava Jato foi pensada como uma operação de guerra [contra o PT]

    https://www.cartacapital.com.br/politica/como-a-lava-jato-foi-pensada-como-uma-operacao-de-guerra-5219.html

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