Narrativas, as construções de diagnósticos a partir de fatos

 
Por Guinter Zibell
 
Eu costumo enxergar algumas questões importantes como “guerras culturais” ou “conflitos de narrativas”. Entendo que as intermináveis discussões sobre campos políticos na América do Sul e sobre grupos de pressão no Oriente Médio podem ser abordados assim.
 
Nesses debates dificilmente se chega a consenso, a não ser quando os participantes já tinham o mesmo pensamento, porque as pessoas podem crer em diferentes conjuntos de proposições. Embora sempre vá haver diferentes diagnósticos de situações e de proposições, isso fica um pouco incongruente quando o conjunto utilizado de fatos não confere (note-se nas discussões PT x PSDB como os indicadores econômicos que um lado usa são totalmente ignorados pelo outro lado.)

 
As várias narrativas fluem pelos veículos de mídia, em proporções diferentes. O que chamamos de grande mídia costuma ser mais diversificada e apresentar muitas abordagens, mas também claramente favorece a uma narrativa. Um exemplo, novamente retornando à questão política brasileira, é como nossa mídia expõe mais o que interessa a seu público preferencial (digamos classes médias oposicionistas do Sul/Sudeste/Centro-Oeste) sem deixar de vez em quando publicar matérias de interesse do Governo.
 
O que apelidamos de blogosfera busca ser uma contrapartida a esse viés, no entanto apresenta em geral parcialidade ainda maior, quase nunca um argumento dos establishments é considerado. E apesar da profusão de análises, a fonte de fatos costuma ser a grande mídia mesmo.
 
E assim vimos caminhando nas redes sociais, com um intenso mas nem sempre profícuo debate envolvendo desde aqueles que desejam influenciar positivamente as sociedades humanas (e devemos crer que esse desejo é sincero, não importa “o lado”, na maioria das vezes) até aqueles que apenas estão buscando se informar, para não se sentirem perdidos em um Mundo que sempre foi complexo, mas que apenas nas últimas décadas está sendo realmente comentado.
 
Mas se a intenção de todos é influenciar para um futuro bem comum melhor, dois cuidados devem se impor para obter melhores resultados. Um deles é respeitar a boa vontade e a capacidade analítica dos que têm diagnósticos diferentes, pois quando alguém trata a todo aquele que tem opinião diferente como se fosse um troll conspirador, bom, apenas perderá os canais de comunicação.
 
Um outro cuidado é com a credibilidade do que se escreve, do que se oferece ao debate. Em uma discussão que envolva política internacional, por exemplo, qual é a informação que julgamos provável de estar circulando em meios diplomáticos? Em uma discussão sobre economia, o que está sendo publicado pela academia?

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora