Polícia investiga integrante do PSL que vendia lotes para milícias no Rio

Documentos apreendidos revelam que membro do partido se colocava como proprietária de terreno alvo de ações policiais por conta da exploração ilegal do solo

Jornal GGN – ‘Venda direta com o proprietário, com parcelas a partir de R$ 600, sem análise de crédito. Aceitamos seu carro como entrada. Aqui você pode!’, dizia o anúncio da venda de apartamentos do Residencial Gabriela, divulgados em Paciência, zona oeste do Rio de Janeiro.

Com o objetivo de desmantelar um grupo de milicianos que atuavam na região, em abril do ano passado, policiais da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente estiveram no local, no âmbito da Operação Nocaute. Na ocasião, o delegado que conduzia a ação, Antonio Ricardo, disse que “o loteamento clandestino é uma fonte de renda da milícia que a gente vai combater com mais intensidade”.

A operação encontrou ainda um contêiner onde eram guardados a extração ilegal de barro e contratos ilegais de “promessas de compra e venda” de lotes.

Nos documentos apreendidos, Alessandra Ferreira de Araújo era apresentada como “proprietária terrenista” do Residencial Gabriela. Ela integra o diretório do PSL no município do Rio, como mostra reportagem do UOL.

Alessandra é investigada ainda em outro inquérito, aberto pela polícia civil, sobre o mesmo esquema: suspeita de vender lotes ilegais no terreno da zona oeste do Rio.

De acordo com informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ela atual como “vogal” do diretório do Rio, cargo que tem como função participar de assembleias do partido e ajudar na tomada de decisões.

Nas redes sociais, Alessandra aparece em algumas fotos ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e de outros integrantes do partido, como Major Fabiana, eleita deputada federal. As redes sociais mostram ainda que ela mantém amizades com o ex-funcionário de Flávio Fabrício Queiroz.

Na semana passada, Alessandra foi intimada a prestar esclarecimentos sobre o caso, pelo delegado Marcus Henrique, da 36ª Delegacia de Polícia em Santa Cruz, no âmbito das investigações da polícia civil.

A reportagem do UOL lembra que o empreendimento imobiliário Residencial Gabriela já foi alvo de operações policiais três vezes.

“Esses marginais pegam áreas públicas e, às vezes até particulares e fazem estes loteamentos e depois vendem esses terrenos para pessoas de boa-fé. É importante que as pessoas que fazem aquisições desses lotes, terrenos, se certifiquem da documentação para não passar pelo constrangimento de terem a obra demolida no meio da construção”, afirmou o delegado que conduziu a Operação Nocaute, em abril do ano passado, Antonio Ricardo, ao jornal O Globo.

A terceira ação envolvendo o terreno do Residencial Gabriela relaciona os policiais militares Alan e Alex Rodrigues de Oliveira. Os dois são irmãos de Valdenice Meliga, presidente do PSL no município do Rio.

Alessandra Ferreira no centro, entre o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e a Major Fabiana (eleita deputada federal pelo PSL do Rio e hoje atual secretária no governo Witzel)

*Clique aqui para ler a reportagem do UOL na íntegra.

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