Está na hora de ‘normalizar’ Haddad. E ‘desanular’, por Gunter Zibell

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Está na hora de ‘normalizar’ Haddad. E ‘desanular’, por Gunter Zibell

Um dos principais argumentos do voto nulo é “Bolsonaro é ruim, mas o PT não fez autocrítica”.

E por acaso Bolsonaro faz autocrítica de algo? Ele reafirma, isto sim e constantemente, que o projeto dele é a liberalização da economia a ferro e fogo, mesmo que precise atropelar direitos individuais e quaisquer ativismos (seu espantalho favorito.) Também fala claramente que autorizará ainda maior desmatamento da Amazônia, que reduzirá cotas raciais e que é contra o estado laico.

O PSL é um partido sem quadros técnicos, o único grande economista da equipe está ligado aos mesmos escândalos de corrupção que o candidato diz condenar, o futuro ministro da Casa Civil é delatado na Lava Jato e Bolsonaro também nunca recusou, durante os 28 anos de PP, recursos de Caixa 2 para campanha.

Os eleitores de Bolsonaro dizem recusar partidos do sistema, desse modo Haddad não poderia ser votado por ser do PT de Lula. Então porque Doria (do PSDB de Beto Richa) e Sartori (do PMDB de Cabral e Geddel) podem ser votados? É mero discurso de conveniência.

Haddad é tão “novo” quanto Doria, portanto. E, se foi prefeito muito criticado da capital de SP, Doria também foi. Afinal, porque se dá esse “milagre” de SP ser uma das poucas capitais do Centro-Sul onde Haddad “virou” e onde Doria também perde feio para França?

Porque eleição para Presidente e Governador requer competências diferentes, bases de apoio diferentes.

Bolsonaro dizer que Haddad foi mau prefeito (mas não mau ministro…) somente traz a luz que Bolsonaro nunca se candidatou a prefeito do RJ. Ele seria capaz para isso? E nunca foi sequer secretário estadual. Ele só está surfando na tendência, que vislumbrou antes de outros, da política por redes sociais.

E, praticamente, só fala coisas decoradas ou lidas em teleprompter. Fora a conveniente omissão quando apoiadores usam fake news.

Haddad nunca foi minha primeira opção este ano. Meu plano A era Marina (boicotada pelo pensamento de centro), meu plano B foi Alckmin (boicotado pelo Mercado e Agronegócio). No fim votei no Plano C de Ciro (boicotado pelo lulismo.)

Mas escolher agora Haddad é apenas reconhecer que o programa de governo dele é parecidíssimo com os de Marina, Alckmin e Ciro. E que é a distopia de ultradireita de Bolsonaro que é distante de todos.

O único mérito de Bolsonaro, portanto, é ser crítico ao PT. E isso lá é o suficiente? É um imenso tiro no escuro.

Os eleitores de Bolsonaro se esforçam para ‘normalizar’ Bolsonaro. Dizem que acreditam que ele será ‘democrata’ agora. Que não perseguirá minorias e opositores e não destruirá a Amazônia. Que não tentará cooptar o STF (à moda Maduro.)

E dizem isso sabendo que a bancada BBB, o Centrão e o Mercado estão com ele. E achando que o Centrão não cobrará emendas ou cargos para apoiar PECs impopulares.

Vocês acreditam mesmo em tudo isso, depois de ver como outros políticos da onda populista governaram em vários países? Na primeira crise de impopularidade fecham o Congresso ou perseguem jornalistas e professores.

Então, porque não podemos ‘normalizar’ Haddad e acreditar que ele não repetirá os esquemas patrimonialistas, que nem foram inventados pelo PT? (Inclusive, por isso mesmo, a população nos seus estados preservou muito mais as bancadas e governadores da “URSAL” que do MDB/PSDB. Há até a chance inédita do PSB alcançar o PSDB em SP!)

Se as pessoas podem acreditar que Bolsonaro não será autoritário, porque não podem acreditar que Haddad não será corrupto?

Afinal, teremos Judiciário, Congresso e Mídia policiando-o constantemente. Mas quem vigiará um governo militarizado e que já não é capaz de desautorizar as milícias que se formam?

Haddad não representa risco a ninguém. A economia crescerá de qualquer modo nos próximos anos, com o aproveitamento da capacidade ociosa atualmente presente.

O maior risco com Haddad, na verdade, é um não-risco. É uma transição mais demorada, sim, mas muito mais ordenada e democrática de uma economia engessada para um modelo menos estatista. Mas Haddad respeita a todos e é capaz de coordenar uma transição no estilo “pacto social”.

Já Bolsonaro representa um projeto que ficará por 4 anos sendo criticado persistentemente por minorias, ongs de direitos humanos e agências ambientais internacionais.

No último debate da Globo, antes do 1º turno, Meirelles já advertira que o plano econômico de Paulo Guedes não daria certo.

E sua maior aposta para futura popularidade é a intensificação da Guerra às Drogas em um modelo extremamente punitivista (como o de Duterte), que já está sendo abandonado nos países desenvolvidos (Canadá, Califórnia) e que apenas substituirá traficantes por milicianos.

E Bolsonaro não tem um único projeto social respeitado para superar os grandes problemas brasileiros, como as carências em educação e saúde, enquanto o PT, mal ou bem, tem muito melhor experiência nesses assuntos.

Devemos votar por aquilo que realmente se apresenta como provável, não pelo autoengano que construímos para justificar nossas preferências recentes.

A rejeição ao PT tem seus fundamentos, mas isso não deve justificar colocar o país em um ponto sem retorno de adoção de um programa certamente antissocial e muito provavelmente com viés autoritário.

 

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9 comentários

  1. Engrenagens

    A única plataforma de dória nas eleições para prefeito foi o seu ataque ao PT.

    Experiência de vídeo, boa maquiagem, boa iluminação e vendeu-se como a margarina de família.

    O Doriana.

    Deu no que deu.

    O coiso, na pessoa de seus chefes e orientadores de campanha, embarcou na mesma filosofia.

    Não precisa prometer nada; não precisa ter experiência nenhuma; não precisa saber de administração pública, economia, legislaçao, direitos humanos…

    Basta eleger um inimigo poderoso e opor-se a ele com fervor, angariando solidariedade incondicional dos descontentes.

    O coiso latindo para a cadeira vazia do Lula no primeiro debate foi mais expressivo que 20 dias de exposição diária.

    Dória viu força no coiso e colou pra subir, assim como colou no Alckmin pra virar prefeito 

    Hoje ele é um bolsodória, que se acha “governador”

    A única plataforma dos parasitas são as árvores fortes.

    Não entendo como as pessoas não percebem isso de pronto.

     

    É interessante como mesmo em situação de perigo máximo  demora tanto  para cair a ficha das pessoas.

  2. Bolosnaro não faz

    Bolosnaro não faz autocrítica, e muito menos aceita crítica que parta dos outros. A palavra “crítica” para ele é frescura, o negócio é porrada. Não se prontifica a criticar adversários, mas sim eliminá-los. E cá para nós, “normalizar” Haddad é muito fácil, ele já é “normal” o suficiente.

    Dito isso, caro Gunter, quero aqui desculpar-me por debates antigos, em que me excedi. Só agora diante do que vivemos agora, percebo que em certa medida contribui para esse ambiente. 

    Houve sim reações desmedidas de defensores do PT às críticas vinda de pessoas de centro. Hoje claramente se mostra o abismo de diferença entre os antipetitas democráticos e os de índole fascista. Na paixão das discussões realmente desrespeitamos e desqualificamos argumentos que seriam “coisa de pig”.

    Bom, agora com o susto Bolsonaro, que se Deus for mesmo brasileiro, será apenas isso, acho que sobrevivendo, nós teremos que aprender uma dura lição. Dos dois lados, abraço e que volte a fazer seus posts “de centro” que seja aqui no Nassif 

  3. BRASIL ENFRENTA ESCRAVIZAÇÃO MODERNÓIDE Parte II

    BRASIL ENFRENTA ESCRAVIZAÇÃO MODERNÓIDE

    Parte II

    ASPECTOS ECONÔMICOS, SOCIAIS E GEOPOLÍTICOS

    Algumas das principais consequências nefastas da política econômica pretendida pela candidatura de extrema direita estão relacionadas com a retirada de direitos trabalhistas e previdenciários.

    O discurso de Bolsonaro e de seus auxiliares alega que tais direitos constituem uma carga anacrônica, excessiva e desnecessária, que a redução desta carga insuportável para os empresários e empreendedores seria um requisito para aumentar a geração de empregos e promover o crescimento da economia, bem como que o modelo ideal seria uma informalidade quase absoluta e, portanto, selvagem, no mercado de trabalho.

    As suposições toscas e infundadas acima referidas indicam com clareza o equivocado caráter elitista, excludente e recessivo da visão de economia adotada pela candidatura fascistóide de extrema direita que concorre à presidência do Brasil neste segundo turno de 2018.

    Bolsonaro sugere a criação de uma carteira de trabalho verde e amarela, com a qual os trabalhadores poderiam ser contratados com dispensa de alguns ou mesmo de todos os direitos da legislação trabalhista. É fácil notar que o crescimento do desemprego e da informalidade, a cruel precarização das relações de trabalho, resultante da possibilidade de contratação de trabalhadores sem carga horária definida, nem 13º, nem férias, etc., trariam como resultado inescapável significativa redução da renda do trabalho.

    A redução da renda do trabalho, conjugada com a retirada de direitos previdenciários e o definhamento/extinção de projetos sociais, provoca a perda de poder de compra das famílias, e com isso gera a diminuição da demanda agregada, do ritmo de atividade e dos níveis de arrecadação, bem como o aumento do desemprego e da recessão.

    Agrava o quadro, e muito, o fato de que, com a perniciosa redução da renda do trabalho impulsionada pela opção econômica da candidatura de extrema direita, os trabalhadores deixam de ter condições para arcar com planos de saúde privados, bem como de pagar escolas particulares.

    E este aumento da demanda por serviços públicos tende a colidir com a redução dos gastos e investimentos estatais em educação, saúde, etc.

    A reforma tributária alardeada por Bolsonaro caminha na contramão do entendimento de que a progressividade da tributação é fator importante para a redução das desigualdades, o avanço da justiça social, a estabilidade e o crescimento da economia. Além de apontar para o crescente aumento do déficit público, resultante tanto da decorrente perda de arrecadação, da ordem de dezenas de bilhões, quanto do aumento dos gastos com a segurança pública e com o empoderamento do militarismo beligerante.

    No discurso distorcido da candidatura de extrema direita, o agravamento da crise fiscal seria compensado com a privatização de estatais e a venda de patrimônio público, o que coloca a perspectiva de conflitos de interesse, visto que os dirigentes da equipe econômica do candidato fascistóide possuem antigas e estreitas ligações com o grande capital financeiro, nacional e internacional, ávido para lucrar com aquisições a preço vil e com negócios lesivos aos interesses da população brasileira.

    Por outro lado, a forte participação de representantes do agronegócio, das indústrias de mineração e petroleiras estrangeiras e do grande capital financeiro, no apoio político, e talvez também no financiamento da campanha eleitoral de Bolsonaro, assim como a aproximação deste com expoentes do movimento direitista globalizado, aponta para os riscos de intensificação da subserviência temerária aos interesses estrangeiros, em particular de países reacionários, como Taiwan, Estados Unidos e Israel.

    Desta maneira, resultam potencializados os fatores de ampliação da devastação do meio ambiente no Brasil, por força do primitivismo das idéias do ex-militar candidato a presidente e das relações da extrema direita com o capitalismo selvagem e com o imperialismo predatório.

    As mencionadas relações políticas assimétricas, de teor oligopolista e neocolonial, caracterizadas por fortes laços de dependência e subserviência, geram a expectativa de que, caso a tentativa de mudança de regime descrita na primeira parte do presente ensaio tivesse sucesso, a extrema direita tomasse o poder e viesse a governar o país, haveria assombrosa tendência à expansão dos desequilíbrios ambientais, ao sucateamento da indústria nacional e ao aniquilamento da produção científica brasileira.

    Desse modo, é inexorável a contundente conclusão de que o projeto político da candidatura de extrema direita representa uma terrível ameaça à estabilidade política e econômica, ao equilíbrio ecológico e à paz social.

    Estas questões reforçam as evidências da necessidade imprescindível de eleger Haddad, que tem um programa de governo voltado para a aceleração do crescimento econômico por meio da ampliação da renda do trabalho e dos programas sociais de amparo e assistência à população carente, através das parcerias estratégicas com países do BRICS, bem como com outros países em desenvolvimento e periféricos, além da reativação de diversas obras públicas de infraestrutura – que se encontram interrompidas, ou que não chegaram a sair do papel –, e do reinício dos investimentos em energias renováveis, ciência, tecnologia e inovação.

    Nesta medida, resta evidente que a política econômica de Haddad tem como principal prioridade a geração de emprego e renda, possui coerência e consistência firmes, visto que visa alavancar o desenvolvimento sustentável, tendo como carro chefe a exploração das reservas de petróleo do pré-sal, associada com a defesa dos interesses da nação e as exigências de conteúdo nacional, para alavancar a geração de emprego e renda, o crescimento da indústria, a pesquisa científica e a inovação tecnológica.

    À luz das evidências referidas nas duas partes do presente ensaio, resulta patente a vital necessidade de impedir que o resultado das eleições presidenciais seja determinado por um esquema de fraude eleitoral, caracterizado pela evidente e insofismável manipulação da opinião pública, bem como pela decorrente distorção da vontade popular, que constitui flagrante violação da liberdade de voto.

    Ao tempo em que resulta evidenciado também o fato de que eleger Haddad presidente é indispensável, para impedir a implantação de uma ditadura fascistóide e sanguinária, defender a democracia e o estado democrático de direito, garantir a paz social e resguardar a dignidade humana, restaurar e ampliar os direitos sociais, bem como para proteger a diversidade cultural, o meio ambiente, a fim de promover, com inteligência, equilíbrio e justiça, o desenvolvimento sustentável, inclusivo e civilizatório.

     

    REFERÊNCIAS

    1. Bolsonaro e a pá de cal nos direitos dos trabalhadores. https://www.cartacapital.com.br/blogs/brasil-debate/bolsonaro-e-a-pa-de-cal-nos-direitos-dos-trabalhadores-brasileiros

    2. As pessoas não sabem que votam contra si ao votarem em Bolsonaro https://www.cartacapital.com.br/economia/as-pessoas-nao-sabem-que-votam-contra-si-ao-votarem-em-bolsonaro

     

    3. Arranjo econômico de Bolsonaro só beneficia quem já ganha dinheiro. https://www.cartacapital.com.br/revista/1025/arranjo-economico-de-bolsonaro-so-beneficia-quem-ja-ganha-dinheiro

     

    4. Reforma tributária de Bolsonaro provocaria rombo de R   27 bilhões. https://br.financas.yahoo.com/noticias/reforma-tribut%C3%A1ria-bolsonaro-provocaria-rombo-102000973.html 

     

    5. Militarismo com neoliberalismo tragédia para a economia. https://www.cartacapital.com.br/economia/militarismo-com-neoliberalismo-tragedia-para-a-economia

     

    6. Bolsonaro e o apoio de Steve Bannon o sabotador de democracias. https://www.redebrasilatual.com.br/eleicoes-2018/bolsonaro-e-o-apoio-de-steve-bannon-o-sabotador-de-democracias-1

     

    7. Mesmo ignorado por Trump plano de Bolsonaro pró EUA ameaça o Brasil. https://www.cartacapital.com.br/revista/1026/mesmo-ignorado-por-trump-plano-de-bolsonaro-pro-EUA-ameaca-o-brasil

    8. Economistas lançam manifesto pela Democracia. https://jornalggn.com.br/noticia/economistas-lancam-manifesto-pela-democracia-0

    9. Bolsonaro Governo de banqueiros para banqueiros. https://www.conversaafiada.com.br/economia/bolsonaro-governo-de-banqueiros-para-banqueiros

    10. Planos de Bolsonaro para o meio ambiente deixam entidades em alerta. https://www.huffpostbrasil.com/2018/10/14/planos-de-bolsonaro-para-meio-ambiente-deixam-entidades-em-alerta_a_23560889/?ncid=yhpf

  4. BRASIL ENFRENTA ESCRAVIZAÇÃO MODERNÓIDE Parte I

    BRASIL ENFRENTA ESCRAVIZAÇÃO MODERNÓIDE

    Parte I

    ASPECTOS ÉTICOS, JURÍDICOS E POLÍTICOS

    No Brasil, em 2018, o que se vê não é uma disputa eleitoral democrática, mas sim uma tentativa de ‘mudança de regime’. Ou seja, é a preparação de um golpe de estado ‘moderno’, movido à base de fake news, diversionismo ilusionista, discursos de ódio e manipulação de sentimentos negativos.

    Evidências atestam o uso de sistemas automatizados de pesquisa e análise de perfis e números de celulares de usuários de redes sociais, bem como a utilização de robôs para distribuição em massa de mensagens direcionadas, constituídas em geral de informações falsas ou distorcidas.

    Fica evidente que tais procedimentos ilegais, adotados em ampla escala pela candidatura de extrema direita, geram uma criminosa manipulação da opinião pública, com vistas a induzir os eleitores a erro, de modo a obter favorecimento eleitoral ilícito para o candidato direitista.

    Entretanto, tendo em vista a inércia conivente do poder judiciário diante dos abusos praticados pela candidatura de extrema direita no uso de fake news e de discursos de ódio, é indispensável que a ameaça fascistóide seja derrotada nas urnas, para defender a precária democracia brasileira.

    Todavia, a ampliação do debate sobre o uso de fake news e a difusão do ódio é um importante fator de conscientização, para demonstrar os motivos pelos quais é imprescindível eleger Fernando Haddad, bem como para ajudar eleitores a perceberem que têm sido enganados pela farsa das fake news — que os impede de entender que a candidatura de Bolsonaro constitui uma grave ameaça contra toda a nação brasileira.

    Neste sentido, a fim de promover o avanço mais rápido da conscientização dos eleitores acerca da necessidade de derrotar, nas urnas, a ameaça fascistóide, é recomendável expandir o conhecimento das pessoas sobre da pesada influência das fake news e da manipulação de sentimentos na distorção da vontade popular. Bem como vale questionar que ‘ética’ é essa alardeada pelos falsos moralistas flagrados a obter vantagens eleitorais ilícitas através da prática desonesta da difusão de calúnias e desinformação.

    Ademais, em face da atitude equivocada daqueles que parecem considerar relevantes apenas as questões relativas ao denunciado financiamento ilegal da distribuição de fake news, é necessário difundir a compreensão de que disseminar noticias falsas constitui crime, ainda mais grave quando envolve calúnias divulgadas para causar danos eleitorais.

    A distribuição massiva de fake news nada tem a ver com a livre circulação de idéias e informações, pois caracteriza delito de deliberada indução a erro e, portanto, não pode jamais ser acobertado sob o manto da liberdade de expressão. A resultante distorção da vontade popular caracteriza violação da liberdade de voto e, portanto, constitui fraude eleitoral.

    Além disso, cabe destacar que o projeto político de Bolsonaro visa impor uma ditadura para suprimir a liberdade civil, revogar o estado democrático de direito, ampliar a devastação da natureza, dilapidar o patrimônio nacional, retirar direitos trabalhistas e previdenciários, restringir e precarizar serviços públicos, reduzir gastos sociais e aumentar impostos.

    Assim, a candidatura de extrema direita ameaça piorar muito uma situação já péssima, pois coloca a perspectiva de agravamento da desestabilização política, econômica e social, com resultante crescimento da violência, da recessão, do desemprego e da crise fiscal, institucional e cultural.

    Para embasar a firme demonstração da necessidade vital de eleger Haddad, é prioritário observar as nítidas evidências de que todas as pretensões de Bolsonaro têm como resultados propagação do ódio, aumento da violência policial, intimidação de adversários, repressão a todo ativismo, além da quebra de hierarquia e degradação das instituições.

    Os discursos de ódio proferidos pelo candidato de extrema direita e seus a apoiadores, repletos de ofensas e discriminação contra mulheres, negros, gays e pobres em geral, já causam uma escalada vertiginosa dos índices de violência social e política, com inúmeros incidentes de diversos tipos, e pelo menos dois casos de homicídio.

    Pronunciamentos de Bolsonaro, nos quais ele afirma ser favorável à tortura, faz apologia do estupro, apóia as milícias e os grupos de extermínio, são um abjeto conjunto de agressões contra a dignidade humana.

    E as tenebrosas pretensões do candidato de extrema direita no que tange à imposição de sinistra norma antijurídica que corresponde a uma licença para policiais matarem, sem serem sequer questionados sobre as mortes, criam a sombria perspectiva de aumento da brutalidade policial e dos já inaceitáveis índices de assassinatos praticados pela polícia.

    Para piorar, salta à vista a perspectiva de terrível aumento dos índices de violência, se houver a previsível, inadmissível e inqualificável ocorrência simultânea da propagação dos discursos de ódio e do apoio governamental a milícias, a grupos de extermínio e à brutalidade policial.

    A intimidação de adversários políticos, uma tática utilizada em larga escala pelos extremistas de direita, tem crescido num ritmo exponencial.

    Um dos casos mais gritantes e sintomáticos é a enxurrada de ameaças dirigidas por seguidores de Bolsonaro contra jornalistas da Folha de São de Paulo que trabalharam nas reportagens referentes a evidências do uso massivo de fake news e de financiamento ilegal do disparo de mensagens.

    Cumpre destacar que o próprio candidato de extrema direita ameaçou de forma incisiva retaliar o jornal paulista por meio de drástica redução das verbas de publicidade do governo federal para a publicação, pelo simples fato de terem sido publicadas reportagens com denúncias fundamentadas.

    Outros gravíssimos alertas provêm das ameaças feitas por Bolsonaro e assessores contra o poder judiciário e seus representantes, e também das alardeadas pretensões de perseguir, prender e exilar opositores, assim como de criminalizar e reprimir toda e qualquer forma de ativismo político.

    Acresce que o incentivo dado por Bolsonaro a atitudes de insubordinação e de desrespeito às estruturas hierárquicas evidencia que a possível ascensão da extrema direita representa uma ameaça tanto para o poder judiciário e demais instituições civis, quanto para as Forças Armadas e a segurança do país, visto que disciplina e hierarquia são princípios fundamentais para o vigor, a união e a eficiência das organizações militares.

    Fica evidente então que a candidatura de extrema direita não representa todos os militares brasileiros, mas sim grupos de indivíduos dispostos a por na berlinda a estabilidade política e a paz social para servir a deletérios interesses particulares e ao imperialismo predatório genocida.

    Por outro lado, os potenciais danos políticos e sociais relacionados com um indesejável governo Bolsonaro se mostram ainda mais assustadores quando considerados os efeitos nefastos de algumas das políticas econômicas excludentes desejadas pela extrema direita, e suas relações com a política internacional — assuntos que são tema da segunda parte do presente ensaio.

     

    REFERÊNCIAS

    1. Missão da OEA vê uso sem precedentes de fake news no Brasil. https://www.dw.com/pt-br/miss%C3%A3o-da-oea-v%C3%AA-uso-sem-precedentes-de-fake-news-no-brasil/a-46048684

    2. Quem financia e quanto custa a campanha de Bolsonaro no WhatsApp? https://www.cartacapital.com.br/politica/empresarios-bancaram-campanha-anti-pt-pelo-whatsapp-diz-jornal

    3. A influência dos robôs nas eleições. https://jornalggn.com.br/noticia/a-influencia-dos-robos-nas-eleicoes-por-antonio-augusto-de-queiroz

     

    4. TSE nega liminar para retirar notícias falsas contra Haddad. https://jornalggn.com.br/noticia/tse-nega-liminar-para-retirar-noticias-falsas-contra-haddad

     

    5. Bolsonaro diz que quem vai mandar no Brasil serão os capitães. https://jornalggn.com.br/noticia/bolsonaro-diz-que-quem-vai-mandar-no-brasil-serao-os-capitaes

     

    6. El País denuncia linchamento virtual de jornalistas. http://www.conversaafiada.com.br/brasil/el-pais-denuncia-linchamento-virtual-de-jornalistas

     

    7. Folha vê indícios de ação orquestrada de bolsonaristas contra repórter que assinou denúncia. https://www.viomundo.com.br/denuncias/folha-ve-indicios-de-acao-orquestrada-de-bolsonaristas-contra-reporter-que-assinou-denuncia.html

    8. Como a criminalização do ativismo enfraquece a democracia. https://www.cartacapital.com.br/diversidade/como-a-criminalizacao-do-ativismo-enfraquece-a-democracia

    9. Em discurso Bolsonaro apoiou grupo de extermínio. http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/politica/2018/10/13/interna_politica,765394/em-discurso-bolsonaro-apoiou-grupo-de-exterminio-que-cobrava-r-50-pa.shtml

    10. Os falsos moralistas. /www.dw.com/pt-br/os-falsos-moralistas/a-46023936

     

    11. Mapeamento da violência eleitoral no Brasil revela ações de apoiadores de Bolsonaro. https://br.sputniknews.com/eleicoes-2018-brasil/2018102012481964-violencia-eleitoral-bolsonaro/

     

    12. Em vídeo filho de Bolsonaro fala em não se dobrar ao STF. https://br.noticias.yahoo.com/em-novo-video-filho-de-bolsonaro-fala-em-nao-se-dobrar-ao-stf-024810813.html

  5. Não é a auto crítica.

    Um dos principais argumentos do voto nulo é “Bolsonaro é ruim, mas o PT não fez autocrítica”.

    Errado.

    O povo vai votar  em branco por que precisa do  emprego. Depois que Bolsonaro subiu nas pesquisas, muitas das  empresas estão lotadas de serviços. O povo acredita que está de  emprego garantido se o Bolso ganhar . Tenho certeza que isto é só até o Bolsonaro fazer a primeira asneira dele, que não vai demorar muito. Mas se o PT ganha, o povo acha que nem vai ter de esperar por isto, pois patrõess e mercado já estão ameaçando demitir em massa, caso o capitão não ganhe, e o povo precisando desesperadamente do emprego. É o voto em branco pelo  medo…

    Infelizmente todo mundo já percebeu que o o PT nada fará pela economia, não por falta de boa vontade, mas por que o Congresso está dominado por reaças. Se Haddad ganhar os congressistas farão questão de transformar o governo Haddad em um governo Dilma muito piorado. Este é o preço que o PT paga por ter insistido em eleger Dilma no passado, agora, eles nem dominam mais o Congresso. Imaginem com o filho do Capitão na presidência do Congresso…Eles derrubam o Haddad e ele assume.

     

    O PT paga o preço pelos ” aliados ” que escolheu, MDB, Temer, Joaquim Barbosa, Jeferson, Martha, Cardozo, Mercadante, Buarque e outros.

    A maioria não liga a mínima se Bolsonaro vai matar e quantos vai matar, o que domina este debate é economia e emprego. Depois do Temer ficou difícil provar ao povo que o PT não vai escolher mais nenhum traíra. O desepero por emprego domina qualquer debate quando as pessoas estão desempregadas há anos.

    No fundo a gente ficou refém, ou o povo vota em branco, ou a gangue dos reaças continua sabotando a economia e os empregos do país. A maioria não aguenta mais e vai ceder, votando em branco. O país também ficou refém do ” republicanismo ”  beócio da esquerda, que não protege ninguém das sabotagens da direita, e ainda nomeia por lista tríplice os maiores destruidores de empresas do país…

     

     

    ———-

    Uma parte do povo acha  que se Bolsonaro fizer alguma asneira, a esquerda volta com mais força, daqui a 4 anos, ou daqui a 20, que seja, mas volta. E com maioria no Congresso e tudo. Se houver Congresso. é uma aposta extremamente  arriscada, mas compreensível num tempo de tanta amargura e sofrimento, o voto em branco.

    Provavelmente o povo só quer uma outra esquerda, sem lista tríplice, sem nomeação de traíras, e sabem que em poucos anos o capitão vai ” eliminar ” esta esquerda teimosa que aí se encontra, dando espaço para alguma outra oposição mais inteligente. Não estou dizendo que concordo com isto, nem que seja certo, só estou expondo o pensamento do povo.

     

  6. Presidente manda menos do que pensa

    Darei a Haddad um voto util contra Bolsonaro, mesmo achando que sua derrota é fato consumado. É só um voto racional no candidato menos ruim. Já tivemos 2 malucos na Presidência: Janio Quadros (31/01/1961 a 25/08/1961) e Collor de Mello (15/03/1990 a 29/12/1992). Será um presidente sofrível, ridículo e tão folclórico quanto Dilma Rousseff. Acredito que, se tentar maluquices, será contido pelo novo Congresso, perderá a governabilidade e será defenestrado legalmente.

  7. “Mas escolher agora Haddad é

    “Mas escolher agora Haddad é apenas reconhecer que o programa de governo dele é parecidíssimo com os de Marina, Alckmin e Ciro.”

    Hahahaha… Meu deus, cada vez que o cara volta aqui está mais perdido.

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