O contato direto do “eu” com a “coisa em si”

Me atrevo a repetir o comentário que postei ontem em

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-diferenca-entre-ejaculacao-e-orgasmo

sab, 30/03/2013 – 20:59

O ORGASMO

A maioria dos textos que li me levaram a entender o orgasmo  como um “apagão”, um “sumir de mim” por um espaço de tempo, ficar fora do ar. Obviamente que este ficar-fora-do-ar somente nos inunda de satisfação na seqüência ao momento em que caímos de volta a nós mesmos: algo que poderia ser traduzido como oba!! aconteceu!!!

Para chegar a essa conclusão, façamos uma pausa para relembrar que meu (seu) contato com o mundo fora de mim (de você) – supondo-se, no limite, que o mundo exista – se faz unicamente pelos sentidos. Ou seja, é óbvio que não há  possibilidade alguma de contato do ser com o mundo (com cada coisa, cada matéria que supomos existir no mundo) sem a intermediação dos sentidos. Foi o filósofo Kant quem concluiu que se faz impossível o contato do EU (o ente que existe em  mim) com a coisa-em-si (das Ding an sich)  a não ser que EU me ligue aos sentidos e os ligue na tarefa de contatar o mundo. Esta constatação de que cada ser vivo somente se liga com as coisas do mundo via a intermediação dos sentidos faz com que, no caso dos humanos, tenhamos hoje uns 7 bilhões de mundos – pois que as sensações pertinem a cada humano, cabendo a cada um dizer a respeito do que sente disto e daquilo que se diz ser o tal mundo. 

Muitos anos depois de Kant ter chegado a essa brilhante conclusão, Lacan – em seus estudos a respeito da sexualidade humana – concluiu que a maneira mais apropriada para se entender como o   orgasmo ocorre era o de considerá-lo como a existência de um contato direto do EU com a coisa em si – portanto, sem a intermediação dos sentidos.

Para mim, isto faz todo o sentido.

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