Juan Guaidó e o “Projeto Democracia”, por Rogério Mattos

Juan Guaidó e o “Projeto Democracia”, por Rogério Mattos

Em 2005, um grupo de estudantes venezuelanos foi à Sérvia para participar de um evento de uma organização chamada CANVAS (Centre for Applied Nonviolent Action and Strategies), continuação da conhecida organização Otpor, responsável pela deposição de Milošević. Estas organizações cujo objetivo é a produção de “mudanças de regime”, golpes de Estado, são conhecidas há tempos pela Rússia, China e potências europeias e orientais. Juan Guaidó, suposto “presidente interino” da Venezuela, participou desta viagem e agora cumpre as promessas que fez a seus patrocinadores.

Passou batido também no recente encontro em Davos as palavras de George Soros, um dos patrocinadores do “Projeto Democracia” como os mencionados acima, que o presidente da China, Xi Jinping, “é um dos maiores inimigos da ‘sociedade livre'”. Usando o mesmo lema dos bolsonaristas aqui quando criticaram a ida de deputados a China, disse que os chineses estão desenvolvendo um dos mais perigosos sistemas de espionagem mundial. É curioso lembrar duas coisas: a primeira é o cinismo. Edward Snowden, ao mostrar que a mais banal mensagem de telefone pode ser gravada e mesmo notebooks e celulares podem estar ativados quando achamos que estão desligados, comprovou cabalmente a ampla rede de espionagem e mineração de dados construída nos últimos anos, sob a tutela de Hillary Clinton e Barack Obama.

O segundo ponto é o seguinte: quando Trump e Xi Jinping se reuniam em Buenos Aires, no encontro do G-20, para tratar das tensas relações comerciais entre os dois países, a prisão da diretora executiva da Huawei, no Canadá, veio no tempo certo para esfriar as conversas. Igualmente, as aventuras de Petro Poroshenko, dias antes, ao forçar a entrada de navios ucranianos em mares controlados pelos russos, foi a desculpa perfeita para cancelar a conversa entre Trump e Putin a respeito da desescalada das preparações de guerra no Oriente Médio e no leste europeu. Com esses dois dados, vê-se como a extrema-esquerda global, com Soros, encontrou-se perfeitamente com a extrema-direita, com Bannon. O que muda entre os dois é somente o tempo perfeito e o alvo ideal para se lançar um ataque total, termonuclear.

Com esta aproximação sobre temas que devo tratar com mais detalhes futuramente, convido os leitores a tomarem conhecimento do artigo publicado por Helga Zepp-LaRouche um pouco antes destes acontecimentos, em especial, da reunião do G-20. Somente com a visão a partir de um ponto de vista mais elevado, como a China propõe, podemos ter a clareza e a serenidade para o momento atual. Nestas poucas palavras, ela resumiu bem os desafios que encontramos atualmente neste tempo de guerra total (para muito além do conceito de “guerra híbrida”):

Leia também:  Ao invés de conquistar corações e mentes, Esquerda prefere ser o cão de Pavlov, por Wilson Ferreira

Para acessar o artigo chamado Uma Comunidade para o Futuro Compartilhado da Humanidade: a Perspectiva Estratégica da China para 2050 clique no título.

A grande questão que deveria preocupar toda a humanidade pensante nesse planeta, é fundamentalmente a mesma que foi calorosamente debatida na jovem república americana, como relatada n’O Federalista, “A sociedade humana é capaz de uma forma eficiente de autogoverno?”. Somente agora essa não é uma questão para uma nação apenas; ela diz respeito a humanidade como um todo e para a necessidade de um novo paradigma no ordenamento mundial.

Tensões num mundo atormentado por múltiplas crises parecem crescer em direção a um ponto de ruptura: o perigo de um novo – dessa vez sistêmico – colapso financeiro do sistema financeiro transatlântico, uma polarização sem precedentes dentro dos Estados Unidos ao redor do golpe em progresso impingido contra o presidente dos Estados Unidos, operações de bandeira falsa, operações fraudulentas no estilo de Goebbels contra populações inteiras, epidemias de drogas que são uma nova forma das Guerras do Ópio, a crise imigratória internacional, terrorismo e nazismo, um incremento das forças centrífugas na União Europeia, a reemergência de esforços agressivos, geopoliticamente motivados, para defender uma ordem que não mais existe – só para enumerar alguns dos desafios. O mundo está em desordem.

À luz dessa complexa situação e num mundo que parece estar completamente desunido, então quão realista é a perspectiva explicitada pelo presidente chinês Xi Jinping no 19ª Congresso Nacional do PCC, onde ele define o objetivo para a China se tornar um país “forte, democrático, avançado culturalmente, belo e harmonioso”, totalmente modernizado até o ano de 2050, falando inclusive sobre a construção de um “belo mundo” para todas as nações poderem participar?

Se alguém olhar para as crises e desafios listados acima como desconectados problemas individuais, este terminará num “mal infinito”, onde a solução para muitos destes parecerá impossível. Mas se alguém reconhecer que todos esses problemas trazem elementos em comum, derivadas do velho paradigma de uma época que passa, este pode encontrar a solução ao descobrir o princípio da nova era.

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2 comentários

  1. matéria do wall street

    matéria do wall street journal diz Que TRIMP  quer invADIR  A venezuela como primeiro

    paSSO PARA DOMINAR TODA A AMÉRICA LATINA, INCLUINDO A DOMINAÇÃO DE NICARAGUA E CUBA….

  2. Talquez não reste outra 

    Talquez não reste outra  solução, para neutralizar o Estado terrorista norte americano, que não seja dar corda  para que se enforque.

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