Condenado pelo assassinato de Dorothy Stang é alvo de investigação por grilagens de terras no Acre

Amair Feijoli da Cunha já é conhecido da justiça brasileira, figura central de crimes ambientais cometidos na região

Amair Feijoli da Cunha. | Arquivo pessoal

Na esteira da repercussão das violações ambientais e assassinatos daqueles que lutam contra tais ilegalidades no Amazonas, a Polícia de Sena Madureira, cidade no interior do Acre, instaurou um inquérito para investigar possíveis crimes cometidos por Amair Feijoli da Cunha, figura conhecida no cenário nacional. 

Feijoli, que tem o apelido de Tato, foi condenado a 18 de anos de prisão por  intermediar a contratação de pistoleiros que mataram a missionária norte-americana Dorothy Stang, em fevereiro de 2005.

Nesta semana, a Delegacia Geral de Sena Madureira junto com a Coordenação de Recursos Especiais (CORE) fizeram uma operação em uma fazenda de Feijoli, no Ramal do Cassirian, na BR-364. 

Os investigadores apuram denúncias de conflitos agrários, grilagens de terras e uma tentativa de homicídio envolvendo Feijoli.

Nesta última operação de busca e apreensão na propriedade do madeireiro, foram apreendidas três armas de fogo e munições. Além disso, quatro funcionários foram detidos e interrogados. 

Na ocasião, no entanto, Feijoli – que já cumpriu pena pelo assinato de Dorothy Stang – não estava na fazenda. 

O homem também é alvo de investigação do Ministério Público Federal (MPF-AC), por compra e desmatamento de terra na unidade de conservação ambiental Floresta Estadual Antimary (FEA), proximidades da tal fazenda. 

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Morte de Bruno e Dom não é caso isolado

Em meio a repercussão dos assassinatos do indigenista Bruno Araújo Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, a morte de Dorothy Stang foi relembrada. O crime fatal contra aqueles que lutam contra as ilegalidades no Amazonas não são casos isolados. 

No dia 12 de fevereiro de 2005, a freira norte-americana Dorothy Stang,que vivia no Brasil, foi assassinada com seis tiros na área rural do município de Anapu, no Pará. 

A missionária foi morta a mando dos fazendeiros Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, e Regivaldo Galvão, o Taradão. Feijoli foi intermediário do crime. Rayfran das Neves Sales e Clodoaldo Carlos Batista, foram os executores. 

No último dia 15, o atual líder do executivo, Jair Bolsonaro (PL) minimizou a sua responsabilidade sobre o crime cometido contra o indigenista e o jornalista, ao trazer à tona o nome da freira. 

“Quando mataram a Dorothy Stang, ninguém culpou o governo. Era de esquerda”, declarou o mandatário durante solenidade no Palácio do Planalto. 

Em 2005, o primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva  (PT) buscava combater o crime na região. Na contramão, anos depois, o governo Bolsonaro vem dando aval para madeireiros. 

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