Jornal de Escotesguy, ex-Veja e ex-Época, demite equipe de São Paulo

Suspeita seria um dos principais financiadores do Vortex, ligado ao empresário Ricardo Andrade Magro, o advogado Marcos Joaquim Gonçalves Alves, alvo de Operação da PF que teve recursos bloqueados

Foto: Divulgação

Jornal GGN – O recém criado jornal Vortex, anunciado como uma promessa do jornalismo digital, mal abriu e já demitiu 11 funcionários. A denúncia foi feita pelo jornalista Sérgio Spagnuolo, que já passou pela Reuters Brasil, diretoria da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), pelo Atlas da Notícia e do Posdcast Caixa-Preta e fundador da agência de jornalismo Volt Data Lab.

Outros jornalistas também endossaram a denúncia, em críticas diretas ao dono do novo projeto, o jornalista Diego Escotesguy, que já passou pelas revistas Época e Veja. Nas redes sociais, Spagnoulo disse que Escosteguy “sequer se dignidicou a me telefonar”, no corte que envolveu outros 10 jornalista. “Entrei no projeto em maio, larguei minha empresa e uma bolsa de consultoria com boa remuneração”, desabafou.

Ao descrever que participou de todo o projeto Vortex, Sérgio disse que dedicou “meses intensos da minha vida a isso”, que a equipe de 11 pessoas foram contratadas com promessas de 3 anos de pagamento “garantido”, “PJ Humanizado”, plano de saúde e décimo terceiro salário que seriam supostamente garantidos.

“O que aconteceu no Vortex é a própria definição de ‘debacle’, onde jornalistas foram atraídos e iludidos com promessas vazias, nunca concretizadas. A gente aceitou nem saber de onde vinha a grana (não sabemos), confinando na palavra dele.

A suspeita sobre o que motivou os cortes recai sobre quem seria um dos principais financiadores do jornal online, ligado ao empresário Ricardo Andrade Magro, o advogado Marcos Joaquim Gonçalves Alves, ex-advogado do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que foi alvo recente de uma operação da Polícia Federal, tendo seus recurso bloqueados.

Em outubro deste ano, o blog de Bela Megale, no Globo, noticiava que o advogado havia sido um dos alvos da operação da Polícia Federal, que apura fraudes em fundos de pensão, e teve R$ 3,2 milhões de seu patrimônio bloqueado por determinação do STF. Marcos Joaquim foi acusado de receber vantagens indevidas para interferir no relatório final da CPI sobre os fundos Petros, da Petrobras, e Postalis, dos Correios. Ele nega ter participado dos fatos denunciados.

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Magro também havia sido alvo da investigação, em 2016, durante a deflagração da Operação Recomeço, que já apurava o desvio de R$ 90 milhões dos fundos de pensão Petros e Postalis, e aparece ainda na lista do Panama Papers, acusado de comandar rede de offshores pela firma Mossack Fonseca, especializada em paraísos fiscais. O empresário é ainda dono da refinaria de Manguinhos, no Rio, e anunciante de diversos veículos de comunicação. A Manguinhos é hoje também alvo de processo de cassação da inscrição estadual em São Paulo.

Em suas redes sociais, Diego Escosteguy apenas respondeu às acusações públicas feitas pela equipe demitida. “Fechamos nosso escritório em SP e, infelizmente, tivemos que extinguir a equipe de dados. A equipe de marketing também foi severamente diminuída. Preservamos – e pretendemos preservar – quase toda a equipe editorial em Brasília. Não enganei ninguém. Não menti a ninguém. Com todos os defeitos que tenho, busquei ser claro, transparente e direto com todos – todos. É uma pena que eu não tenha tido condições, por absoluta impossibilidade, de ir a SP ainda na sexta”.

Sobre as suspeitas relacionadas aos investimentos da Vortex, Escosteguy não confirmou se o jornal era financiado pelo advogado Marcos Joaquim ou pelo empresário Ricardo Andrade Magro, mencionando apenas que “houve uma divergência com os investidores estrangeiros”. “Não posso dar mais detalhes por razões jurídicas de confidencialidade”, escreveu, completando que seguem “em buscas de soluções para o problema” e que o jornal “seguirá firme”.

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4 comentários

  1. Na época em que jornalistas estão virando funcionários de banqueiros, se torna cada vez mais difícil ser e se mostrar sério neste ramo, principalmente quando hombridade e credibilidade formam a massa que dá liga ao que era chamado de imprensa. Bons tempos em que imprensa marrom era apenas uma expressão depreciativa ao jornalismo com um tanto de exagero nas suas cores e tons em reportagens. Piorou bastante quando editores passaram a defender o lodo nos negócios e na política. O estrago maior foi quando os próprios jornalistas passaram a depender exclusivamente do dinheiro advindo das negociatas e da politicagem lamacenta. A ambição que está a afundar com o que já fora uma nobre profissão.

  2. Coitado, pois teve carreira afoita e saída de um coito malfeito. Esqueceu-se que mesmo para ser arrogante, é preciso ter uma certa competência. Querer se sobressair no currículo vitae por aparição de seu nome em vejas, épocas e estadões, nos últimos 15 anos – não é sinal de crédito.

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